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O texto abaixo foi escrito para um trabalho da faculdade de RTV e eu gostei tanto que resolvi postar aqui.

O merecido 10 não dependeu só de mim, pois escreveram comigo Mayara Picoli e Bruna Marques, duas amigas queridas que agora me aguentam nos trabalhos hehehe.

 

Boa leitura!

 "Metrópolis"

A partir de Georges Mèliès o cinema encontrou uma maneira de recriar a sua própria realidade. Este trabalho visa analisar como o filme “Metrópolis”, do diretor austríaco Fritz Lang, demonstra um pensamento comum no momento pós-Primeira Guerra Mundial e pré-ascensão do nazismo.

A Europa estava num período singular de fervor cultural, pois as vanguardas traziam uma nova visão do mundo representada nos avanços na arte, literatura, ciência, tecnologia e, é claro, no cinema. É neste período de descrença na industrialização e ciência que o cinema alemão teve um grande desenvolvimento em termos de estruturação, uma vez que as produções estrangeiras eram barradas e muitos artistas de outras áreas migraram para esta nova indústria com o objetivo de expressar as novas esperanças e temores [1].  “Os filmes expressionistas têm elementos em comum com a necessidade de expressar um sentimento de opressão e revolta em relação ao mundo. Eram elementos puramente visuais (…), baseiam-se todos eles na exteriorização de estados da lama, de situações extremas, que são refletidas no cenário, na composição do quadro e na interpretação”. [2]

O filme refere-se a uma sociedade do futuro, mas na verdade se trata de uma metáfora sobre a Alemanha dos anos 20. “Metrópolis é uma cidade moderna onde a tecnologia domina o tempo e o espaço em que os homens vivem.” [3] A sociedade é disciplinar e Lang destaca uma hierarquia na qual ainda há escravidão sendo que o topo da pirâmide é ocupado pelas máquinas. O indivíduo não existe em “Metrópolis”, só a massa, e o trabalho é visto como necessidade social.

O movimento dos trabalhadores é mecanizado e isso se percebe no início do filme quando uma multidão, que acaba de terminar suas horas de trabalho, é substituída por outro grupo de operários. Todos estão com ombros caídos, resultado do cansaço e insatisfação. É reflexo do mundo expressivo, pois eles parecem engrenagens em funcionamento sustentando uma elite privilegiada. As grandiosas máquinas podem ser interpretadas como a energia que mantinha o luxo para os ricos de Metrópolis, ou seja, as novas tecnologias, e a própria industrialização é representada no filme como geradora de lucros e riquezas.

O enredo é ambientado em 2027 numa grande cidade, Metrópolis, governada por um poderoso empresário, John Fredersen (Alfred Abel). Há nitidamente duas classes sociais: os privilegiados, como o herdeiro da cidade Freder (Gustav Frohlich), que vivem num jardim idílico e os trabalhadores que vivem e trabalham no subsolo, como Maria (Brigitte Helm). Esta personagem é uma líder sentimentalista, “o coração conciliador entre o cérebro capitalista e as mãos que executam” [4], se destaca e convence os companheiros a se organizarem para poderem reivindicar seus direitos.

Nas reuniões com os operários ela pedia paciência, dizia-lhes para aguardarem pacificamente o surgimento de um mediador, que conciliaria os criadores de Metrópoles e o proletariado. Já Freder é alienado, filho do importante dirigente da cidade e dono na fábrica, não sabe o que se passa no fundo da cidade, e se apaixona por Maria. Esta paixão o leva a conhecer a cidade subterrânea. Lá ele adquire consciência social no momento do aparecimento de “Moloch”, divindade que exige sacrifícios humanos, inspirado em “Cabíria” de Pastrone. Após a explosão dessa máquina, Freder tem um delírio imaginando que Moloch engole os trabalhadores como uma forma de substituir a mão-de-obra. Assustado com o que viu, o personagem tenta falar com seu pai que controla a cidade pela janela.

Assim como os trabalhadores, nota-se que o pai de Freder também é um personagem robotizado, uma peça que regula as atividades de Metrópolis. Neste momento é possível observar o cuidado que Fritz Lang teve em demonstrar a arquitetura da cidade, a qual foi inspirada no impacto que o diretor teve ao ver os arranha-céus de Manhattan, em grande desenvolvimento na época.

Não obtendo o resultado esperado, Freder se disfarça de operário e tenta vivenciar o dia-a-dia dos homens-máquina. A partir desse momento o protagonista passa a ficar subordinado às horas. O diretor utiliza no filme um relógio que marca apenas 10 horas, que era o tempo da jornada de trabalho na época. Há diversas cenas que mostram relógios ou coisas que assemelham à sua forma. Desta maneira Lang apresenta o capitalismo como introdutor do trabalho com a noção de tempo, cargas horárias infinitas, representando a vida do homem moderno submetida ao tempo mecânico. É uma sociedade fundamentalmente baseada nas horas e tratada como sistema [6].

 Freder, ao conhecer melhor a cidade, tem uma incansável luta para igualdade de classes, tenta conversar novamente com seu pai, mas não consegue retorno e não sabe que está sendo vigiado. Em razão disso, é feito um clone de Maria e a massa enlouquece com a mudança brusca nos discursos e rebela-se contra a cidade, uma vez que o clone de Maria passa a indagar os trabalhadores sobre sua forma de vida, afirmando que eles já esperaram demais por um acordo entre as classes e os influencia a fazerem uma revolução e a quebrarem as máquinas.

O momento da fabricação do clone é o auge do filme e o que o torna fundamental como ficção científica, por isso a cena ficou muito conhecida. O laboratório mostra a ciência como espetáculo – visão da sociedade anterior à Primeira Guerra Mundial – e os efeitos especiais são riquíssimos.  A obra cinematográfica, inspirada no vislumbre pelas máquinas, mostra de forma alegórica a exploração que sofriam os trabalhadores na época em que foi criado. A história polariza o bem e o mal.

“Metropólis” foi um dos primeiros filmes a tratar da relação “Homem-Máquina”, referindo-se às repercussões das máquinas na sociedade da época. O filme cativa o público por apresentar atores que expressavam os sentimentos. “(…) atores contraindo os olhos para indicar medo, arregalando-os para evidenciar espanto, batendo literalmente o peito para demonstrar paixão, retesando a fisionomia para expressar cólera”[5], mesmo tendo permanecido em exibição apenas por uma semana.

 Seu fracasso é explicado tanto pelos gastos que Fritz Lang teve para produzi-lo, quanto também por apresentar cerca de 153 minutos de duração, o que é muito para a época. Foi afamado por apresentar grandes características políticas, religiosas e encenação sensual, ilustrando uma sociedade tal como a alemã. O filme apresenta cenas memoráveis de acontecimentos com muita influência religiosa, como a sincronia de movimentos dos trabalhadores, a Torre de Babel, forma de alcançar o topo do céu, se juntar aos Deuses, a inundação da cidade dos trabalhadores, a “bruxa” na fogueira, até mesmo a pose de Freder, na máquina do relógio, assemelha-se a Cristo na cruz.

A obra despertou o interesse de Hitler que, ao chegar ao poder, solicitou que seu Ministro Goeebbles convidasse Lang como diretor oficial do nazismo, porque se impressionou com o final conciliador do filme que concretizava a necessidade de uma ordem para as coisas, de se ter um líder, sem contar que é possível notar a semelhança da massa de “Metrópolis” com a massa seguidora do partido nazista que ficou anos no poder. O convite foi o motivo da fuga de Lang, juntamente com outros judeus, para os Estados Unidos, onde realizou diversos filmes antinazistas, mas sempre com “reflexo de uma cultura cujo poder impregna necessariamente todas as formas de arte do país” [6].

“Metropólis” tem uma grande importância hoje para entendermos o pensamento do final dos anos 20, é muito influente e inspirador. É um dos filmes que mais retrata a industrialização européia, mesmo sendo de cinema mudo. É um exemplo importantíssimo do Expressionismo Alemão e deve ser encarado como uma alegoria de uma época de aflição. Originou diversas interpretações, desde um alerta contra o fascismo até a tirania capitalista.

 

 

 Bibliografia

 

[1] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O contexto histórico da produção cinematográfica alemã (dos primórdios até 1931)” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[2] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O apogeu do cinema alemão” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[3] DUTRA, Roger Andrade. “Sobre técnica e tecnologia” in Metrópolis – cinema, cultura e tecnologia na República de Weimar. PUC-SP. São Paulo, 1999. Dissertação (Mestrado em História)

[4] LOTTE, Eisner H. Fritz Lang. Paris: Editions de l´Etoile – Cinematheque Francaise, 1984.

 [5] MENDES, Francisco. “Metrópolis, de Fritz Lang” in Pasmos Filtrados. Disponível em http://pasmosfiltrados.blogspot.com/2006/02/metropolis-de-fritz-lang.html. Acessado em 25 de maio de 2009.

[6] PARAIRE, Philippe. O cinema de Hollywood. Martins Fontes. São Paulo, 1994

Enfim, formada

28.01.2009 - Colação de grau - Jornalismo e Multimeios - PUC - realizado no TUCA

A passagem de estudante para jornalista

 

 Colação de grau – 28.01.2009 – Jornalismo e Multimeios – PUC – realizado no TUCA

Foram 04 anos acordando às 5h00 com o céu escuro…

04 anos pegando o metrô muitas vezes lotado e as filas intermináveis do ônibus…

04 anos subindo aquelas rampas e sentando naquelas cadeiras minúsculas…

04 anos para perceber que não sou mais criança…

04 anos de uma longa caminhada.

 

Antes de entrar numa universidade, imaginava um mundo totalmente diferente pelo que passei. Aliás, este mundo existiu, mas percebi que eu não precisava, necessariamente, fazer parte dele.

 

 Eu pude continuar a ser quem eu era sem ter que me adaptar para ser uma universitária. É claro que para isso, deixei de fazer muito amigos que eu sabia que dentro de 01 ano não teria mais contato. Entretanto, posso dizer com toda a sinceridade do meu coração que foram poucas, mas essenciais, as pessoas que eu hoje chamo de amigo. E elas sabem que eu não preciso nomeá-las.

 

Manter a minha essência me deixou fora de bares, baladas, JUCAs e churrascos e de muitas rodinhas, mas não vejo isso como problema porque eu desfrutei a universidade de uma outra forma. Aprendi, com uma dessas pessoas que chamo de amiga, a estudar, a pesquisar e a não ter medo de ultrapassar os limites dos trabalhos e até mesmo de vê-los de outra forma.

Foram inúmeros os domingos e feriados em que me reunia com essas pessoas para transformar os trabalhos em aprendizado e diversão. Não sinto, de forma alguma, que desperdicei meus finais de semana, pois eles foram todos mais que válidos e os guardarei com muito carinho dentro de mim, até sentirei enormes saudades.

 

Aprendi também que a teoria (e olha que foi muita) não se aplicava somente ao exercício da profissão, mas a nova pessoa em que eu pude me transformar.  Eu me olho no espelho e vejo que amadureci sem deixar os meus princípios de lado e isso me deixa orgulhosa.

 

Ontem foi a confirmação de que esses 04 anos já passaram e que, a partir de hoje, meus professores já me chamam de “colega de profissão”. É uma imensa felicidade saber que eles, os nossos grandes orientadores na profissão nos reconhecem como jornalistas e não mais como estudantes. Para mim, é o grande motivo da colação de grau.

 

Participei de todas as colações de graus: 8ª série, 3º colegial, mas nenhuma me causou a emoção de vestir a beca como ontem. Quando eu coloquei o capelo eu vi que havia completado uma fase muito importante na minha e me senti vitoriosa por estar colando o grau de uma universidade tão conceituada  num curso que faz parte de mim.

 

Os discursos foram o meu momento de reflexão. Vi os 04 anos passando diante dos meus olhos e confesso que neste momento as lágrimas caíram de felicidade.  Ao ouvir meu nome, o momento em que estava confirmado. Peguei o canudo, vi a alegria dos meus familiares e amigos presentes e gritei dentro de mim: ESTOU FORMADA!

 

 

Ok..demorei, mas cá estou com um texto cujo tema foi sugerido numa aula na Puc, hoje mesmo.

 

 

05h00. O despertador já me avisa que está na hora de levantar, mas um som estranho me chama atenção. Abro a janela e já vejo: chuva! Não é garoa, chuvisco, é chuva mesmo! É o som da lembrança, da imagem do colorido dos guardas-chuva em meio a uma rua cinzenta e dos joelhos molhados. Por que às vezes parece que a chuva cai de baixo para cima? Para que serve realmente um guarda-chuva? Deve ser para proteger as “chapinhas” femininas, pois a única coisa que ele mantém seco, é o cabelo.

Mas, está na hora de sair e travar a batalha. Será que chegarei seca ao metrô? Duvido, mas é uma luta que não quero perder. Não basta caminhar pela rua, tem que desviar dos bueiros entupidos e das mais variadas poças que impedem a minha rota ao destino, além dos carros que não se importam de evitar aqueles lagos próximos das calçadas.

Após vinte minutos, chego. Perdi a batalha, mas a guerra continua. Sinto-me um cão molhado, chacoalho o guarda-chuva e percebo que não sou a única. Outros cães se sacodem e eles alcançam onde a chuva não conseguiu.

Fila. Aquele amontoado de pessoas esperando o ser humano que esqueceu de carregar o bilhete único e insiste em passar pela catraca. Paciência. Finalmente, passo. Desço a escada e sou recebida pelo vento molhado enquanto o metrô não chega.

As luzes indicam que está a caminho, mas não é possível saber se está lotado. A janelas estão embaçadas pela respiração e pelo calor humano dos cidadãos que embarcaram na estação anterior. A chuva aperta. A abertura das portas me lembra a explosão de uma boiada e quando menos espero, me encontro dentro do vagão. Calor demais. Um apito me avisa que iremos partir. Uma, duas, três, quatro estações…calor, balanço, suspiro. Falta pouco. Abro um espaço na janela embaçada e vejo que a radial leste está tão cheia quanto este vagão.

Estação terminal Palmeiras – Barra Funda. Até que enfim! Mas a guerra não terminou.  A chuva aperta e ainda tenho que pegar o lotado 875P – Ana Rosa, o ônibus que todos da zona oeste pegam para ir à avenida paulista. Depois de muito treme-treme, empurra-empurra, chego ao meu destino. Mais chuva. Trânsito, poças, businas, joelhos molhados, frio, calor…Ligo o MP3 player para ouvir aquela voz que me diz: “08/08/2008, chove em São Paulo”, como se eu já não soubesse. 

 

 

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