Como tudo começou…

Quando era mais nova, houve uma febre de blogs, weblogs, blogger…enfim..quase todo provedor cedia um espaço gratuito para usuários que desejavam ser lidos na web.

Com as minhas colegas de escola, montei diversos blogs, mas nenhum teve uma vida longa…afinal utilizava o blog como um “diário virtual” e praticamente se resumia a pequenos relatos da minha vida.

Obviamente cansei e acabei desativando.

Hoje, a menos de um ano para me formar em jornalismo, resolvi voltar a escrever como uma forma de praticar e como uma terapia neste ano de TCC.

E, para inaugurar, publico uma pequena crônica que escrevi hoje pela manhã, com a revisão de uma grande amiga, Camila Fink.

Manchas  

Por Livia Di Bartolomeo 

O seu nome é Carlos, tem 28 anos e está na profissão há um mês. Nunca pensou que algo tão inimaginável pudesse ocorrer em tão pouco tempo de serviço. O dia havia amanhecido como qualquer outro, a não ser pela ligação de seu chefe avisando que aquele seria o momento de monitorar uma importante rodovia da cidade. Por mais que fosse domingo, ele estava contente com a oportunidade que lhe havia sido confiada. 

 Chegou ao local com uma hora de antecedência para conhecer os seus companheiros daquela tarefa que muitos achavam tediosa. Num determinado momento, seu superior deixa o posto para tomar seu café da manhã e Carlos encontra-se só diante de telas de monitoramento. Observa que alguns ultrapassam a velocidade e que um determinado carro pára no acostamento.Tudo acontece muito rápido e a sua única reação é chamar seu superior, mesmo sabendo que não deveria interromper o “coffee break”. Irritado, seu chefe derruba o café em sua camisa nova.

Ao fim de tudo, Carlos volta a trabalhar no departamento. Está chocado com o que viu e ainda por cima por ter que lavar a camisa manchada. Seu horário de trabalho volta ao normal, mas naquele dia foi dispensado mais cedo para ir à lavanderia. No caminho, filosofa sobre a “mancha” enquanto observa a camisa.

Ao chegar na estação de metrô depara-se com uma fila imensa e muitas pessoas desesperadas. Nessas horas não há final de expediente e assume seu papel de policial. Se junta aos colegas que já estavam no local e nota a presença de uma ambulância com as portas abertas e uma equipe de pessoas vestidas de branco carregando uma maca na qual transportavam um homem.

Vê manchas avermelhadas no caminho. Manchas. Em dois dias, já havia visto três, mas ele sabe que serão lavadas e os especialistas garantem que deixarão de existir. O que eles não sabem é que existem certas “manchas” que são permanentes e por mais que sejam apagadas da superfície, elas ficam na memória. Mas Carlos sabe que aquela da camisa deve ser tirada.
                                                    

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4 thoughts on “Como tudo começou…

  1. camilafink diz:

    Li,
    Seu texto está uma delícia, como eu disse, tem cara de crônica e fiquei muito tempo pensando sobre ele. E sobre as manchas, como elas existem e não conseguem sair. Ou conseguimos retirá-las. Parece simples, mas a discussão é muito densa. Parabéns e aguardo novos textos, bons como este e ainda melhores.

    fico muito feliz de poder colaborar com seu blog, TCC e, enfim, com a sua vida. Conte comigo para o que precisar.

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