08/08/2008 – Chove em São Paulo

Ok..demorei, mas cá estou com um texto cujo tema foi sugerido numa aula na Puc, hoje mesmo.

 

 

05h00. O despertador já me avisa que está na hora de levantar, mas um som estranho me chama atenção. Abro a janela e já vejo: chuva! Não é garoa, chuvisco, é chuva mesmo! É o som da lembrança, da imagem do colorido dos guardas-chuva em meio a uma rua cinzenta e dos joelhos molhados. Por que às vezes parece que a chuva cai de baixo para cima? Para que serve realmente um guarda-chuva? Deve ser para proteger as “chapinhas” femininas, pois a única coisa que ele mantém seco, é o cabelo.

Mas, está na hora de sair e travar a batalha. Será que chegarei seca ao metrô? Duvido, mas é uma luta que não quero perder. Não basta caminhar pela rua, tem que desviar dos bueiros entupidos e das mais variadas poças que impedem a minha rota ao destino, além dos carros que não se importam de evitar aqueles lagos próximos das calçadas.

Após vinte minutos, chego. Perdi a batalha, mas a guerra continua. Sinto-me um cão molhado, chacoalho o guarda-chuva e percebo que não sou a única. Outros cães se sacodem e eles alcançam onde a chuva não conseguiu.

Fila. Aquele amontoado de pessoas esperando o ser humano que esqueceu de carregar o bilhete único e insiste em passar pela catraca. Paciência. Finalmente, passo. Desço a escada e sou recebida pelo vento molhado enquanto o metrô não chega.

As luzes indicam que está a caminho, mas não é possível saber se está lotado. A janelas estão embaçadas pela respiração e pelo calor humano dos cidadãos que embarcaram na estação anterior. A chuva aperta. A abertura das portas me lembra a explosão de uma boiada e quando menos espero, me encontro dentro do vagão. Calor demais. Um apito me avisa que iremos partir. Uma, duas, três, quatro estações…calor, balanço, suspiro. Falta pouco. Abro um espaço na janela embaçada e vejo que a radial leste está tão cheia quanto este vagão.

Estação terminal Palmeiras – Barra Funda. Até que enfim! Mas a guerra não terminou.  A chuva aperta e ainda tenho que pegar o lotado 875P – Ana Rosa, o ônibus que todos da zona oeste pegam para ir à avenida paulista. Depois de muito treme-treme, empurra-empurra, chego ao meu destino. Mais chuva. Trânsito, poças, businas, joelhos molhados, frio, calor…Ligo o MP3 player para ouvir aquela voz que me diz: “08/08/2008, chove em São Paulo”, como se eu já não soubesse. 

 

 

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3 thoughts on “08/08/2008 – Chove em São Paulo

  1. Thiago diz:

    hahaha
    Ficou muito engraçado o seu texto mo….hehehe
    Até me inspirei pra escrever um sobre mim tmb…rs
    a calvagada motociclistica diária da zona rural, onde a boiada realmente muge, até a ZONA urbana de sp…hehe
    ti amu mto linda
    bjinhu
    Thi

    Gostar

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