#1 No transporte público

O riso é o melhor remédio contra o mau humor

No meio do vagão, tinha uma moça que me fez rir

O mais desesperador não é ouvir o despertador te acordar no momento em que você acaba de pregar os olhos, mas sim abrir a janela e ver que chove. Chuva pode significar muitas coisas, mas em São Paulo a melhor palavra que define a situação é o caos. O caos te traz o trânsito infernal e o metrô lotado, que prova que dois corpos ocupam sim o mesmo espaço. Pois bem, naquele dia foi bem assim.

Mas como estou acostumada com a odisséia do metrô, tomei aquele banho relaxante, me agasalhei neste frio de 16ºC e tive a sorte de a mamãe estar em casa e me deixar no metrô. Chegando na estação, já veio o primeiro índice: a fila para passar na catraca estava muito grande e quando você começa a questionar o motivo,  a voz do além, vide voz do funcionário que ecoa por toda a estação, informa: “Estamos restringindo a entrada na plataforma devido à chuva e acúmulo de usuários.”

Ao contrário da multidão a minha volta, respirei fundo e pensei “Não se estresse que não vale a pena”. Com este pensamento, cheguei na plataforma e fui jogada para dentro do vagão. No meio do amasso, o mau humor começou a querer aparecer…e foi então que a vi e ouvi a menos de 10 cm do meu ouvido, uma moça morena e um pouco mais alta do que eu estava com a bolsa na minha cara conversando com uma loira, menor do que eu, que foi socada atrás de mim.

As duas eram amigas e logo deu para perceber que a morena chamava Vanessa e a loira, Tati. E por causa do aperto do vagão, uma ficou de costas para a outra, mas a comunicação entre elas se deu mesmo assim, até mesmo comigo ali no meio. Geralmente eu me irrito com as conversas, mas dessa vez eu não me contive e ri na cara delas rs

Reprodução do diálogo

Tati: Tá tão cheio hoje que nem consigo mexer os meus braços…
Vanessa: Ai, amiga. Pensa assim: Você nem precisa segurar. Não vai cair, o povo segura. E eu to aqui de boa, tão apertada que em sinto sentada.

Freada brusca

Vanessa: Ixi….acho que quebrei as minhas pernas. Ui…ainda bem que a moça ta com as costas escoradas na minha, dá até pra alongar.
Tati: Ai, vou chegar atrasada de novo.
Vanessa: Mas que horas são? Não consigo ver o meu pulso.
Moça X: São 8h30
Vanessa: O, moça, brigada. Adoro esse povo do metrô, povo unido nos corpos e na solidariedade.
Tati: é, espera chegar o brás.
Vanessa: Ai a gente grita: Socorro….

silêncio

Vanessa: mas de que adianta gritar socorro se ninguém vai ouvir?
Tati: Pois é.
Vanessa: Vamos gritar todos juntos.

Estação Brás, transferência gratuita para as linhas da CPTM. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Ui, Jesus!!
Tati: Ai, socorro
Uma multidão entra gritando e aperta ainda mais as duas moças.
Vanessa: Gente, vamos todo mundo empurrar pra trás, tipo uma barreira…
Tai: Tarde demais…já até fechou as portas. Que calor, meu deus.
Vanessa: Pensa assim, ó. Parou de chover o povão deixou as janelas abertas.

Brecada brusca

Vanessa: Tá tão lotado que nem me mexo, eu desafio o maquinista me fazer cair. Pode brecar que eu não caio… o povo não deixa.

Brecada brusca

Vanessa: Tome, maquinista  ruinzinho! eu to aqui inteirinha hahaha
Tati: Ai, Vanessa…só você mesmo.
Vanessa: ué, tati. Rir é o melhor remédio pro mau humor. Pode rir moça (se referindo a mim que já tava roxa de tanto rir). Assim eu já chego bem no trabalho. Pra que estressar? Vou chegar bem e fazer o meu trabalho é isso que importa.

Estação Sé, transferência gratuita para a linha 1 azul. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Hora de ser lançada pra fora. Tchau, amiga. Bom dia pra você e você (eu). Que o seu dia seja mais iluminado que hoje porque voltou a chover.

E não é que a Vanessa tinha razão? Ri tanto que cheguei bem humorada no trabalho e o meu dia rendeu muito. Queria encontrar ela de novo…com certeza iria rir muito.

E você? Já encontrou alguém assim no meio da muvuca?

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4 thoughts on “#1 No transporte público

  1. Camila Fink diz:

    Hahahaha, ótima ideia essa de fazer uma série sobre o nosso dia a dia no transporte público. Agora não me recordo de nenhum caso, mas você é uma das primeiras a saber do que acontece comigo nas linhas de busão…. Além de vivermos várias dessas bizarrices juntas, não? (Lembra-se daquele sorriso maroto de companheirismo que a nossa colega de busão deu pra você?). Esta é também uma bela oportunidade para treinar as crônicas, já que argumentos para elas estão por aí, andando conosco pela cidade.

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    • Livia Di Bartolomeo diz:

      Como eu poderia esquecer a menina do sorriso? Nossa, ainda escrevo sobre ela e como as pessoas se identificam com o problema dos outros hehehe
      Eu tenho histórias e você tem as pérolas do busão, né?rs

      Gostar

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