Choro de mãe

O dia das mães se aproximava e a jovem resolveu que aquele seria o dia em que compraria o presente de sua mãe.

O tempo estava indeciso entre o calor e o frio, típico de São Paulo. Era hora do almoço e ela resolveu comer no shopping ao lado do seu trabalho. Enquanto comia, pensava no que compraria até que olhou que ao lado havia uma loja de presentes e enfeites e as vitrines estavam recheadas de cacarecos com a palavra MÃE.

A loja é pequena, mas daquelas que em cada cantinho que você olha, tem um produto à venda. Alías…tem que tomar cuidado ao andar por lá para não quebrar nada. A garota demorou para perceber que uma das vendedoras estava aos prantos.
– Eu não acredito que isso está acontecendo comigo! – exclamou.
Neste momento a jovem olhou e viu que a vendedora estava de costas para a porta da loja e falava chorando ao telefone. Logo passou por sua cabeça que era apenas uma briga de namorados, afinal ela mesma já usou essa frase em muitas brigas com o rapaz que ama.
– Oi, posso ajudar? – disse a outra vendedora ao ver que a jovem observava o choro.
– Sim, estou procurando um presente para a minha mãe – respondeu ao mesmo tempo em que ouviu
– Mas como ele ainda não apareceu por ae? Ele sai da escola às 11h30 e a pirua deixa ele aí sempre 12h.

A jovem olhou no relógio. Eram 13h30. Sentiu um aperto no coração.
– Temos copos enfeitados, camisolas, pantufas…. – interveio a vendedora
– Hum…quanto custa?
A chefe do estabelecimento pegou outro telefone e enquanto discava, dizia
– Vamos ligar pra polícia. Quem sequestraria um menino de 7 anos?
– Calma, ele deve tá brincando na escola ainda com os amiguinhos. Já ligou pra escola? – perguntou a vendedora que atendia a jovem.
– Não – respondeu a mãe.
– Deixa que eu ligo que você tá quase enfartando – disse a chefe.
– Moça, vou levar essa necessaire e este copo – falou a jovem que incomodada com a situação não via a hora de ir embora.
– Claro, pode me acompanhar até o caixa?

Era tudo o que a jovem não queria. A mãe, aos prantos, estava ao lado da máquina do cartão.  Para piorar a situação, a máquininha estava emperrando.
– Oi, alô. Não, eu trabalho com ela. Ela tá quase tendo um enfarte.  Você viu o Vinícius por ae? – perguntou a chefe ao telefone.

A mãe desesperada se ajoelhou no chão em sinal de oração. Os olhos inchados deixavam correr as lágrimas do desespero de não saber onde estava o filho. Dó não era a palavra certa para descrever o que a jovem sentia ao ver a situação, era algo inexplicável. Pensou em sua mãe.
A chefa desligou o telefone e tentou acalmar a moça. Silêncio.
– Linha ocupada – foi o que apareceu na máquina do cartão.
– Deixa, moça, eu pago em dinheiro – disse a jovem.
O telefone toca.
– Alô? – diz a chefe – Acharam ele?
A mãe chora ainda mais.
– Deixa eu falar com ele – responde a chefe – Vi? É a tia. Onde você tava?
_ Ai, meu deus!! Ele tá vivo – fala a mãe – deixa eu falar com ele? Filho? Você tá bem?
– Aqui está o seu troco – diz a vendedora.
– Obrigada- sorri a jovem. Ela sai da loja e volta para o trabalho. Não consegue parar de pensar no desespero daquela mãe, mesmo a noite, durante a sua aula na faculdade. Pensou tanto que teve que escrever este texto.
Uma pena que é totalmente baseado em fatos reais.

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5 thoughts on “Choro de mãe

  1. Angela diz:

    Nossa, não consegui piscar o olho da tela. O texto está muito bem contado. E no final, tal a minha surpresa por ser um texto baseado em fatos reais. Graças a Deus q esta história teve um final feliz. Parabéns Livia…….

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  2. Camila Fink diz:

    Ótimo texto, Li. Assim como você, não consegui parar de pensar no que aconteceu. E mesmo assim, nem chego perto de imaginar a dor que ela passou nestes instantes. Ah, e você deveria tentar escrever mais contos e crônicas!

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    • Livia Di Bartolomeo diz:

      Pois é, dá até vontade de chegar pros adolescentes rebeldes que não querem dar satisfação para as mães e dizer: Se liga, rapaz! Sua mãe tem ama e está preocupada. Dê sinal de vida!

      Quanto a escrever mais contos e crônicas…é..o difícil é saber sobre o que falar…mas…a porta tá aberta…

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