#5 No transporte público

Estreia do Brasil na Copa do Mundo 2010

Antes tarde do que nunca!

Queria muito dedicar um episódio do Transporte público a respeito da Copa ontem mesmo, mas como no trabalho foi aquela correria, teve que ficar para hoje.

O jogo do Brasil

Pela manhã ela saiu no mesmo horário de casa para ir ao trabalho. Na rua, movimento intenso e cheio de verde-amarelo. Camisetas, bandeiras, luvas, boinas e tudo mais que a criatividade permitisse colocar a bandeira do brasil como estampa.

No metrô, uma surpresa: muito mais cheio que o normal.  Fila para passar pela catraca. Uma olhada rápida aos funcionários também provou que o transporte público estava em clima de festa.

A plataforma parecia um formigueiro.  Mistura de cores, sexos, idade, mas todos com um só pensamento: chegar mais cedo ao trabalho para poder ir embora antes do jogo ou assistir com os colegas de trabalho. E as conversas não poderiam deixar de serem as mesmas:

– Meu chefe liberou. Vou pra casa uma hora antes do jogo e nem vou ter que compensar horas – disse um.
– Sorte a sua. O meu me obrigou a ver no trabalho e ainda compensar as horas do jogo. Vê se pode? – resmunga outro
– Pelo menos vocês podem assistir, eu vou ver na surdina. Entrar naqueles sites lá ao vivo e acompanhar pelo fone de ouvido – fala um terceiro
– Duvido você não gritar gol – desafia o primeiro
– Eu vou dar o meu jeito – responde o terceiro.
– Você acha que vai ser quanto? – interfere um quarto
– 3X0, certeza. – responde o quinto
– Eu acho que fica 2X0 – fala o sexto
– 3×0 se o Dunga não colocar o Kaka, ele tá zoado – fala o primeiro
– ah, o Kaka tem que jogar. Ele é lindo – fala uma primeira mulher

Estação Sé – desembarque pelo lado esquerdo do trem

– Se beleza fosse sinal de jogo bom, o Robinho tava ferrado – ri o segundo.

Ela chega ao trabalho acompanhada pela trilha sonora de vuvuzelas. Não sabe o que é uma vuvuzela? Antes você chamava ela de corneta, certeza. Lembrou, né?
Ela se concentra no trabalho e o dia vôa. Hora do jogo. Tensão, salgadinho, refrigerante e colegas de trabalho.
Tudo junto ali, misturado em frente à tv.
Apita o jogo. As vuvuzelas do bairro param de tocar. Silêncio.
Risada logo de cara: uma baita faixa de “Cala boca Galvão” em plena rede globo. Mas, não demorou dois minutos e a faixa sumiu.

Primeiro tempo: triste. Nenhum gol.
A vontade de comemorar estava entalada.
Intervalo: olhada rápida para o computador. Ela conclui uma tarefa simples.
Segundo tempo: tenso. Mas Maicon aliviou: GOL! O grito veio e o sorriso também. Nem tiveram fôlego para “vuvuzelar”, era mais divertido gritar GOL
Saldo final: 2×1. Ganhamos, mas como todo brasileiro, ela esperava goleada.
Fim do jogo, de volta ao trabalho.
Concentração, próximo jogo só semana que vem.
Ela vai para a faculdade. Ruas vazias…sem trânsito às 18hs.
No ônibus os técnicos de plantão dão a sua opiniao:

– O Dunga tinha que ter tirado o Kaka antes e colocado o Grafite – fala o cobrador
– Pode crer. E por que tirou o Elano logo que ele fez gol? Devia ter deixado mais tempo. – fala o transeunte.

Na faculdade, quase sem comentários sobre o jogo. Semana de provas e trabalho, dá nisso.
Mas nada impede que na semana que vem, tudo se repita.

Veja + da série
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

E você? Assistiu à Copa onde? Comente!

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3 thoughts on “#5 No transporte público

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