Série – A seleção, Kiera Cass

Olá!

Tem vídeo novo no meu canal do youtube! Desta vez eu me aventurei pela literatura infanto-juvenil com a autora norte americana Kiera Cass. Ela lançou a série “A Seleção”, composta pelos livros “A seleção”, “A elite”, “A escolha”, “A herdeira” e “A coroa”, o lançamento de maio de 2016. Todos estes livros são da Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras e eles têm feito muito sucesso ficando atá na lista dos mais vendidos em diversos sites aqui pelo Brasil.

Eu confesso que fiquei na dúvida se fazia um vídeo por livro, mas achei melhor fazer um vídeo só falando da série toda. Assim, eu tomei todo o cuidado para evitar spoilers e, quem sabe, ajudar você a decidir se entra ou não no mundo mágico de Illéa.

Vamos ao vídeo?

Para quem gosta das resenhas escritas, continue comigo neste post. Mas agora me atrevo a dizer que por aqui você vai sim encontrar spoilers. Então, se não gosta, assista apenas ao vídeo.

Vamos começar então pelo livro 1.

capa a seleção.jpeg
CASS, Kiera. A seleção. Editora Seguinte, 2012.

Gosto bastante de começar as minhas resenhas dizendo como eu conheci o livro.  Quem me segue no instagram (@liviadibartolomeo) já deve ter notado que costumo postar o que ando lendo. E como uma usuária deste aplicativo, também tenho o costume de navegar pelas tags #livro #instabook #instalivros e foi numa delas que dei de cara com a capa acima.

Vou confessar que julgo sim o livro pela capa. Afinal já se foi a época em que as editoras lançavam suas obras em capas pretas com letras prateadas ou douradas. Hoje há um investimento pesado também na arte da capa do livro e, na maioria das vezes, eu acabo sendo fisgada justamente por isso.

Pois bem. Vi muita gente postando este livro e falando que existia uma série. E mais: quem postava, só rasgava elogios à autora. Então, não teve jeito, tive que comprar pra ler. Mas, temendo não gostar, comprei apenas o volume 1 porque, sinceramente, pensei que poderia ser infantil demais.

Sentei para ler e em dois dias já tinha terminado. E fui fisgada. Sim, eu gosto do universo Disney, sim eu amo conto de fadas, sim eu gosto de romance, bobo ou até profundo. Além disso, o livro é extremamente fácil de ler. O tamanho da letra é agradável, ele tem quase o formato pocket pra facilitar o manuseio, os capítulos são curtos e a linguagem me lembrou muito de blog pessoal, tipo diário. Então, a leitura vai que vem.

“A seleção” é narrado em primeira pessoa pela personagem América Singer. Ela vive num país chamado Illéa, onde as pessoas vivem divididas em castas. No total são 8, sendo que a primeira diz respeito à monarquia e a oitava, à classe mais pobre, miserável. América e sua família fazem parte da casta 5. São artistas – cantores, pintores – e tem épocas que vivem  bem, mas também passam pelas vacas magras.

Illéa está em festa, na verdade está com ar de esperança porque o príncipe Maxon finalmente abriu a seleção. A seleção nada mais é do que um concurso para encontrar a futura esposa do príncipe e todas as garotas entre 16 e 18 anos solteiras podem se inscrever, independente da casta. Obviamente é o sonho de todas as meninas e também de suas famílias, afinal quem não gostaria de mudar de vida?

Todas, menos América. Pois é, a nossa protagonista não quer saber de tiaras, palácio e muito menos do príncipe. Ela está mais interessada no seu namorado secreto, Aspen, que faz parte da casta número seis.

Illéa, apesar de estar num futuro, é bem retrógrada. Existem leis que exigem a castidade dos jovens e ainda por cima o país tem toque de recolher todas as noites. Sem contar que é uma desonra para qualquer família se sua filha casar com alguém de uma casta inferior à sua. Mas para a nossa Meri, nada disso importa. O seu coração tem dono e todas as noites ela encontra Aspen às escondidas na casa da árvore. O mundo dela parecia perfeito. Ela realmente não se incomodava em ir para um casta inferior, desde que estivesse com o seu amor. Mas tudo isso estava prestes à mudar.

Sua família praticamente a força a fazer a inscrição. Inclusive seu namorado porque ele tem medo que ela possa perder a oportunidade de ao menos passar um tempo no palácio. Sem contar que ele está chegando na fase do alistamento e pode ser enviado para qualquer lugar do país a qualquer momento.

Sendo assim, América se inscreve. Se inscreve e não faz nem ideia do que o destino separou para ela. Pouco tempo depois, o resultado: América está entre as 35 selecionadas. Mas ela não está pronta,  não quer ser princesa. Aqui, a autora diz que se inspirou em duas histórias: a de Ester, que está na Bíblia, e também do conto da Cinderella.

Segundo Kiera Cass, América representa a resposta da seguinte pergunta: E se Ester estivesse apaixonada por alguém antes de ser enviada ao palácio? E se Cinderella não estivesse pronta para viver seu “felizes para sempre”? Como as histórias teriam se desenvolvido?

Então, somos convidados a entrar neste questionamento. América não queria mudar de vida e estava apaixonada. Mas como dizer que ela não iria? O empurrão final veio de Aspen que termina com a garota e ela não vê outra saída a não ser ir para o palácio.

Quando ela chega lá, é praticamente impossível não comparar com Jogos Vorazes já que ela participa de uma disputa na qual apenas uma será a vencedora. Também lembrei de O diário da princesa, por causa da transformação física dela, das aulas de etiqueta e, principalmente, pela negação em querer assumir o cargo de princesa. Ah! A gente pode também comparar com o triângulo amoroso da saga Crepúsculo, mas sem a parte de vampiros e lobisomens. Enfim, tá bem dentro do universo infanto juvenil.

Durante a leitura eu até me diverti. Ri em algumas partes e a minha imaginação foi longe ao tentar visualizar a vida no palácio. O príncipe Maxon me intrigou, na verdade, me encantou logo de cara. O primeiro encontro entre eles eu realmente admirei. Gostei bastante do sufocamento que ela sentiu e da amizade que nasceu entre os dois.

Aí, você vai acompanhando as brigas, as tarefas, as malvadezas de Celeste, a doçura de Marlee e a teimosia de América. Sério, teve horas que senti raiva de tão cabeça dura que ela é. O príncipe e boa parte das candidatas parecem acreditar que América é sim a favorita, mas ela não se valoriza e insiste em continuar na competição porque sua família vem recebendo uma contribuição semanal em dinheiro enquanto ela está lá.

Em meio ao conto de fadas de “A seleção” a autora traz o conflito com os rebeldes e os constantes ataques ao palácio. Tudo isso para dar uma movimentada para não ficar uma história de amor adolescente morna. O caráter de América ressalta em cada ataque deste e ela se mostra bem solidária às suas criadas e também às outras meninas. Mas o seu coração continua confuso e tudo piora quando Aspen vira seu guarda pessoal (lembra do recrutamento lá em cima?).

Uma das minhas partes favoritas desta história toda é  o momento do “Jornal de Illéa”, pois é somente aqui que a gente não sabe o pensamento da América e, muitas vezes, somos surpreendidos com a suas respostas. Respostas estas que desagradam o rei, mas impressionam o povo e também Maxon.

O livro se encerra com a diminuição do número das participantes. De 35 agora temos 6, ou seja, temos A Elite. E, claro, acaba com aquele ar que você se vê obrigado a comprar o volume 2 da série.

a elite
CASS, Kiera. A elite. Editora Seguinte, 2013.

Como eu fui fisgada pelo conto de fadas de Kiera Cass, já comprei logo os 4 livros restantes de uma vez pela internet. Encontrei um preço bacana e mandei ver.

Em “A elite” eu senti América ainda mais confusa. Ela começa a aceitar que tem sentimentos pelo príncipe, mas não quer assumir de jeito nenhum para ela, pois morre de ciúmes do tempo que ele desprende com as outras candidatas. Além disso, ainda tem medo da coroa e das responsabilidades como princesa. Os encontros entre ela e Maxon se torna assim mais calientes, mas calma que tudo permanece casto, afinal é um livro infanto juvenil.

Maxon a coloca contra a parede: se ela assumir o que sente, ele encerra a seleção e fica com ela. Mas o que América mai quer é tempo. E tempo é o luxo que ela não pode ter. O palácio continua sendo invadido e o pânico se espalha pelo país.  Volto a dizer que as respostas de América durante o jornal são as melhores e ela mostra um interesse pelos assuntos do país.

O livro chega ao final quase te fazendo acreditar que América vai embora, mas sabendo que ainda existiam mais livros já publicados, aguardei a resolução da autora.  Apesar de a donzela ter sido resgatada – e a autora afirma em suas entrevistas que a ideia era uma heroína forte – chegamos enfim, ao terceiro livro.

a escolha
CASS, Kiera. A escolha. Editora Seguinte, 2014.

Assista ao lindo book trailer

Em “A escolha”, América recebe uma segunda chance e continua participando da seleção. Ela luta por Maxon em meio aos ataques rebeldes que estão cada vez mais frequentes. Apesar de ser um livro com mais ação que os anteriores, senti falta de uma explicação mais grandiosa em relação aos ataques dos rebeldes. Ficou claro que a saga não passa de uma história de amor, mas tudo bem. Não é por isso que deixa de ser interessante, mas se autora tivesse dado mais valor ao resto, talvez teríamos aí uma obra mais grandiosa e com certeza, mais bem aceita no universo adulto.

Neste livro senti pressa. Não pressa de terminar de ler, mas pressa da autora em resolver os conflitos. Teve momentos em que ela simplesmente esqueceu de costurar suas pontas soltas, mas também teve momentos que me surpreendeu mais que nos outros dois livros.

A própria origem do nome de América é surpreendente. A história do seu pai mais ainda. O encontro com rebeldes lembrou muito a fase final de Jogos Vorazes. O interessante é ver que América amadurece e deixa de ser tão irritante. O rei nos assusta, dá até raiva na verdade, mas a rainha ganha o nosso coração.

As tarefas das garotas remanescentes são muito interessantes e o convívio de América com a princesa italiana é muito bom e apimenta a obra.  Este foi o livro da série que li mais rápido. Tanto porque queria saber logo o final quanto também pela narrativa frenética da autora.

O livro tem um final interessante. Agrada aos românticos e choca como tudo acontece. Mas, uma pena que ela acelerou o final e não deu muito gostinho para os leitores. Porém, ao escrever o epílogo, Kiera Cass se convenceu que “A seleção” podia ser muito mais que uma trilogia e no ano seguinte ela lançou “A herdeira” para o delírio dos fãs.

a herdeira
CASS, Kiera. A herdeira. Editora Seguinte, 2015.

Assista ao lindo book trailer

20 anos se passaram desde a seleção para Maxon e América. Aqui acompanhamos a aventura, em primeira pessoa, de Eadlyn, a primogênita que será a futura rainha de Illéa. É bem difícil falar deste livro sem dar spoilers dos anteriores, mas vamos lá!

Aqui Eadlyn é convencida pelos seus pais a fazer a sua seleção. A realidade é que o país passou por grandes mudanças, com a extinção das castas, mas passa por enormes dificuldades. E, na tentativa de distrair o povo e também fazer com Eadlyn seja amada em seu país, a nossa personagem se vê no meio de 35 rapazes.

Eadlyn se acha autossuficiente e não quer nem saber de marido, mas é obediente e acata as decisões de seus pais.  Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, mas como nasceu 7 minutos antes é a herdeira do trono.  Então, desde pequena é treinada para o dia em que se tornará rainha. A sua mãe era teimosa e insegura, já Eadlyn se acha demais. Momentos divertidos do livro acontecem quando ela leva aqueles “chega pra lá” da realidade, sabe?

A seleção de Eadlyn pode até ter começado como uma jogada política, mas se torna uma jornada de autoconhecimento. E é interessante ver a seleção ao contrário, diversos rapazes e apenas uma moça. E desta vez temos o ponto de vista de quem escolhe e não de um selecionado. Gostei desta inversão.

E, ao contrário dos livros anteriores, quase não se nota um triângulo amoroso. Na verdade eu torci para um rapaz e fiquei feliz com o desenvolvimento da personalidade dele.  Obviamente que o livro não se encerra com o escolhido, na verdade ele teve um final que me chocou e me deixou doida para ler “A coroa”.

a coroa.jpg
CASS, Kiera. A coroa. Editora Seguinte, 2016.

Assista o lindo book trailer

Iniciamos o último livro da série com fortes provas para Eadlyn. Ela assume como regente, sofre preconceito por ser muito nova, ainda é odiada pelo seu povo e nota que o seu coração deseja sim encontrar um grande amor. Ela teme não ter o relacionamento dos seus pais e acredita que a sua escolha tenha que ser mais política do que emocional.

É legal ver que ela forçadamente tem que baixar a bola e começa a reunir aliados. Sente a sua confiança testada várias vezes e finalmente começa a revelar características dos seus pais. Kiera aqui quis brincar com o leitor. Apontou um favorito, depois mudou para outro e nos surpreende com o coração.

O mais legal é que Eadlyn descobre que não precisa ser perfeita e que muitas vezes precisamos quebrar as regras e seguir o nosso coração. Bem conto de fadas, né?

Mais uma vez, na finalização, Kiera errou. Jogou diversas informações e resoluções sem ter muito carinho.  Mas o final até que agrada e dá uma resolução.

Boatos dizem que no aniversário de 10 anos de “A seleção” pode ser que Kiera Cass escreva o livro intermediário entre “A escolha” e “A herdeira”. E corre, há algum tempo, que existe uma grande possibilidade de toda a série virar filme. O jeito é esperar.

COMENTÁRIOS GERAIS

Eu fico muito feliz em dizer que só soube da série este ano. Sério! Ia ficar muito brava de ter que esperar um ano por cada livro. É totalmente diferente da experiência que eu tive com Harry Potter já que cada livro tinha uma aventura e se encerrava em si, mesmo a gente aguardando o grande duelo entre Voldemort e Harry. A realidade é que “A seleção” podia ser um livro só, um grande livro de 600 páginas, escrito de forma mais fluida e mais interessante. Mas, claro que vamos ganhar dinheiro e lançar um parte da história por ano, não é mesmo? rs

Outra coisa: recomendo para todos os pré-adolescentes, adolescentes e adultos que amam contos de fadas. Incentive sempre alguém a ler. É o melhor que podemos fazer nesta vida.

Se, com este textão eu te convenci a ler, já fico feliz. Se não te convenci a ler os livros, mas você leu cada palavra daqui: já valeu também!

Agora quero saber o que você achou de tudo isso. Comente! Estou te esperando.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s