13 reasons why – Vamos conversar?

Depois de ter acompanhado o alvoroço de postagens na minha timeline do facebook a respeito da série “13 reasons why”, eu resolvi ver sobre o que se tratava.

Sem spoilers, ok? Acho que grande parte da série é a forma como ela te consome para você assistir aos episódios sem piscar.

Bom, Hannah Baker é uma adolescente que se suicidou. Mas, antes de se matar, ela grava  umas fitas k7 explicando os 13 motivos. A série é baseada em um livro, mas com algumas alterações segundo o que li por aí.

Vi muitos comentários: adolescentes não deveriam assistir porque os motivaria a tirar a própria vida bem como seria uma obrigação de todo e qualquer pai assistir. O que fazer então se eu, Lívia, não me enquadro em nenhum dos padrões?

Pude assistir sem preconceitos.

Mas, aconteceu algo engraçado, se é que esta é a palavra correta a ser usada. Eu comecei a tentar relacionar as experiências daqueles adolescentes com as minhas quando eu ainda estava na escola.

Veja bem, sou de uma época (oh, falou a velha) que a palavra bullyng ainda não estava na moda. Se bobear, ela ainda nem tinha sido usada. E o que acontecia era a tal “zoeira”. Na escola – e olha que estudei bons anos em escola católica – o racismo existia, o preconceito era transformado em piadas nas quais o ofendido não tinha direito de reclamar, apenas aceitar.

E eu senti na pele algumas destas brincadeiras “sem maldade”. Vai ver é justamente por isso que hoje eu não gosto de ironias e indiretas porque nelas, cada um entende o que quer. Mas meu post não é sobre isso, é sobre a série e o que senti.

Hannah ganhou uma fama que era falsa, viu seus “melhores amigos”apunhalarem ela pelas costas. Que ser humano nunca passou por isso? A diferença está em como cada um lida e isso não quer dizer que temos que culpar a vítima.

Na verdade, 13 reasons why, para mim foi num ponto mais profundo: relações humanas. Por que tem gente que precisa denegrir a imagem de alguém para ser superior? Por que tem pessoas que te fazem sentir mal pela sua eficiência se os mesmos têm dificuldade em aceitar sua própria deficiência? Por que insistimos em querer que o outro seja e se comporte exatamente como achamos que é o certo?

Por que você precisa beber, só porque os outros bebem? Por que você precisa fazer algo às vezes ilegal para que seja aceito num grupo? Estas e muitas outras questões surgem aí, bem na adolescência, época que a gente não tem maturidade pra nada, mas que achamos que sabemos de tudo.

Ser autêntico nesta fase é um ato de coragem. Dizer a verdade que existe dentro de você é muitas vezes escolher o caminho do isolamento e ficar sozinho é que o adolescente tem mais medo. Veja bem, eu tinha este medo. Eu achava que precisava aceitar os apelidos malvados que recebi de uma pessoa que considerava minha melhor amiga, eu achava que precisava me comportar como todos faziam para que eu fosse aceita. Hoje, aos meus 30 anos eu olho pra trás e me pergunto: quem daquela turma que eu achava fantástica permaneceu? Ninguém. Eu morri? Não. Segui minha vida, conheci mais um tanto de gente que veio e se foi, mas o tempo (olá, maturidade sua linda) é realmente o meu melhor amigo.

Quando a gente sente na pele o bullyng, preconceito ou qualquer outra coisa que não seja boa, não é nada fácil mudar a corrente. É doloroso ter que seguir por outro caminho e dá medo do que vai acontecer.

Quantas e quantas vezes ouvimos insultos e guardamos todos eles dentro da gente? Ficamos remoendo por anos e o causador continua numa boa?

Se você for um pai ou mãe e estiver me lendo, nestas horas deve estar pensando: converse com os seus pais. Ah, meu caro leitor…isso para um adolescente é muito difícil. Lembre-se da sua fase teen: você também tinha as suas certezas e compartilha-las com os seus pais não era nada fácil. Toda e qualquer ideia sempre vinha carregada de um sermão ou de uma proibição. Isso não quer dizer que os pais estivessem errados, é que adolescente não enxerga isso mesmo.

Gosto muito de uma fala do Clay Jensen (meu personagem preferido da série) quando ele diz que a gente pode fazer diferente. Sim, a gente pode! Não só podemos como devemos.  Precisamos mudar a forma como nos relacionamos com as outras pessoas. Mais uma vez, não é uma tarefa fácil, exige trabalho.

E qual começar com você mesmo?

Você se trata bem? Ou vive num mundo online perfeito e sua vida não está lá a estas coisas? Como você se relaciona com quem divide o teto? Pai, mãe, irmãos, marido, esposa, filhos…

Quanto tempo você passa com eles? Quantas vezes se propôs a apenas ouvir e não julgar ou tentar resolver o problema da pessoa? Você já manipulou alguém?

Até que ponto a sua verdade é a verdade do outro? Aliás, quantas verdades existem neste mundo? Cada um recebe da forma que quer receber.

Como eu disse, é complicado. Mas esta é a maravilha da vida: aprender. Não precisa saber de tudo o tempo todo, aliás ninguém precisa disso.

Se você estiver a fim de despertar estes questionamentos dentro de você, assista à série. Ela é pesada, sim. Mas ao mesmo tempo muito bonita em sua direção de arte.

Pra mim nem precisava de segunda temporada. Ela cumpriu seu papel como arte: mexer com as pessoas, provocar e fazer pensar.

E você assistiu? Conte me o que achou.

 

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