Resenha – A garota italiana – Lucinda Riley


Olá, olá!

Quem me acompanha há algum tempo sabe que eu praticamente devoro todos os livros desta autora. Já rolou até vídeo falando do primeiro livro que li dela e você pode conferir aqui.

Desta vez quero falar de “A garota italiana”. Livro novo? Na realidade não. Lucinda iniciou a sua carreira muito cedo como escritora. Tudo começou em 1992 quando ela ainda assinava como Lucinda Edmonds. E “A garota italiana” foi lançada a primeira vez em 1996 sob o título de “Ária”.

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Originalmente publicado em 1996 com o título de “Ária”

 

Anos mais tarde, depois de virar um sucesso mundial, sua editora pediu para ver suas primeiras obras e sugeriu republicar “Ária”. Lucinda resolveu então reler sua obra e segundo algumas entrevistas que encontrei por aí ela disse que precisou reciclar. Revelou que na época a internet não era lá estas coisas (e não mesmo) e sentiu que precisava atualizar alguns dados. Eu não tive acesso ao original, mas acredito, pelo que li, que ela manteve sim a história, personagens e  melhorou sua parte histórica.

O que mais me chocou é que em “A garota italiana” não existe passagem de tempo. Como assim não existe passagem de tempo? É que na série “As sete irmãs” além de “A garota do penhasco”, “A rosa da meia noite”, “A casa das orquídeas” sempre há uma passagem de tempo, duas personagens – presente e passad0 -que de alguma foram tem algo em comum. Desta vez não.

Em “A garota italiana” acompanhamos o crescimento de Rosanna, uma garota italiana (dã rs) que mora com seus pais em cima de uma cantina e tem uma voz extraordinária. Sim, voz de ópera. Numa festa em família ela conhece Roberto Rossini, um cantor de ópera famoso, que se encanta por sua voz e sugere que ela faça aulas de canto. Rosanna se apaixona à primeira vista e jura a si mesma que um dia irá casar com o cantor. Mesmo sabendo que Roberto é o tipo Don Juan, papa-mulheres, que não se compromete a nada.

Obviamente que os anos passam, Rosanna vira mulher adulta e acaba cantando ao lado dele. Na trajetória deste amor montanha russa entre os dois personagens, conhecemos algumas histórias paralelas como de seu irmão Luca que estuda para ser padre, sua irmã Carlota que era toda maravilhosa e, por um erro, acaba perdendo todo o brilho da sua vida, e Donatella, uma esposa milionária que causa um bocado de situações que dão fogo à história do livro.

Quis muitas vezes invadir as páginas e dar uns tapas na cara de Rosanna e também uns tabefes na cara do Roberto, mas não quero dar spoilers. Quis também chorar com Luca e ri de Donatella (que feio, Lívia rs)

O final foi de certa forma surpreendente e me agradou. Algumas coisas que eu torci deram certo outras me pegaram de surpresa. Os capítulos são curtos, agradáveis, e vale a leitura para quem já conhece a autora. Para quem ainda não se aventurou em suas páginas, recomendo os seguintes títulos:

“A rosa da meia noite”, “Casa das orquídeas” e “A garota do Penhasco”. Se você ama séries, já parta para “As sete irmãs”.

E você, leu “A garota italiana”? Me conte!

 

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Série – A seleção, Kiera Cass


Olá!

Tem vídeo novo no meu canal do youtube! Desta vez eu me aventurei pela literatura infanto-juvenil com a autora norte americana Kiera Cass. Ela lançou a série “A Seleção”, composta pelos livros “A seleção”, “A elite”, “A escolha”, “A herdeira” e “A coroa”, o lançamento de maio de 2016. Todos estes livros são da Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras e eles têm feito muito sucesso ficando atá na lista dos mais vendidos em diversos sites aqui pelo Brasil.

Eu confesso que fiquei na dúvida se fazia um vídeo por livro, mas achei melhor fazer um vídeo só falando da série toda. Assim, eu tomei todo o cuidado para evitar spoilers e, quem sabe, ajudar você a decidir se entra ou não no mundo mágico de Illéa.

Vamos ao vídeo?

Para quem gosta das resenhas escritas, continue comigo neste post. Mas agora me atrevo a dizer que por aqui você vai sim encontrar spoilers. Então, se não gosta, assista apenas ao vídeo.

Vamos começar então pelo livro 1.

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CASS, Kiera. A seleção. Editora Seguinte, 2012.

Gosto bastante de começar as minhas resenhas dizendo como eu conheci o livro.  Quem me segue no instagram (@liviadibartolomeo) já deve ter notado que costumo postar o que ando lendo. E como uma usuária deste aplicativo, também tenho o costume de navegar pelas tags #livro #instabook #instalivros e foi numa delas que dei de cara com a capa acima.

Vou confessar que julgo sim o livro pela capa. Afinal já se foi a época em que as editoras lançavam suas obras em capas pretas com letras prateadas ou douradas. Hoje há um investimento pesado também na arte da capa do livro e, na maioria das vezes, eu acabo sendo fisgada justamente por isso.

Pois bem. Vi muita gente postando este livro e falando que existia uma série. E mais: quem postava, só rasgava elogios à autora. Então, não teve jeito, tive que comprar pra ler. Mas, temendo não gostar, comprei apenas o volume 1 porque, sinceramente, pensei que poderia ser infantil demais.

Sentei para ler e em dois dias já tinha terminado. E fui fisgada. Sim, eu gosto do universo Disney, sim eu amo conto de fadas, sim eu gosto de romance, bobo ou até profundo. Além disso, o livro é extremamente fácil de ler. O tamanho da letra é agradável, ele tem quase o formato pocket pra facilitar o manuseio, os capítulos são curtos e a linguagem me lembrou muito de blog pessoal, tipo diário. Então, a leitura vai que vem.

“A seleção” é narrado em primeira pessoa pela personagem América Singer. Ela vive num país chamado Illéa, onde as pessoas vivem divididas em castas. No total são 8, sendo que a primeira diz respeito à monarquia e a oitava, à classe mais pobre, miserável. América e sua família fazem parte da casta 5. São artistas – cantores, pintores – e tem épocas que vivem  bem, mas também passam pelas vacas magras.

Illéa está em festa, na verdade está com ar de esperança porque o príncipe Maxon finalmente abriu a seleção. A seleção nada mais é do que um concurso para encontrar a futura esposa do príncipe e todas as garotas entre 16 e 18 anos solteiras podem se inscrever, independente da casta. Obviamente é o sonho de todas as meninas e também de suas famílias, afinal quem não gostaria de mudar de vida?

Todas, menos América. Pois é, a nossa protagonista não quer saber de tiaras, palácio e muito menos do príncipe. Ela está mais interessada no seu namorado secreto, Aspen, que faz parte da casta número seis.

Illéa, apesar de estar num futuro, é bem retrógrada. Existem leis que exigem a castidade dos jovens e ainda por cima o país tem toque de recolher todas as noites. Sem contar que é uma desonra para qualquer família se sua filha casar com alguém de uma casta inferior à sua. Mas para a nossa Meri, nada disso importa. O seu coração tem dono e todas as noites ela encontra Aspen às escondidas na casa da árvore. O mundo dela parecia perfeito. Ela realmente não se incomodava em ir para um casta inferior, desde que estivesse com o seu amor. Mas tudo isso estava prestes à mudar.

Sua família praticamente a força a fazer a inscrição. Inclusive seu namorado porque ele tem medo que ela possa perder a oportunidade de ao menos passar um tempo no palácio. Sem contar que ele está chegando na fase do alistamento e pode ser enviado para qualquer lugar do país a qualquer momento.

Sendo assim, América se inscreve. Se inscreve e não faz nem ideia do que o destino separou para ela. Pouco tempo depois, o resultado: América está entre as 35 selecionadas. Mas ela não está pronta,  não quer ser princesa. Aqui, a autora diz que se inspirou em duas histórias: a de Ester, que está na Bíblia, e também do conto da Cinderella.

Segundo Kiera Cass, América representa a resposta da seguinte pergunta: E se Ester estivesse apaixonada por alguém antes de ser enviada ao palácio? E se Cinderella não estivesse pronta para viver seu “felizes para sempre”? Como as histórias teriam se desenvolvido?

Então, somos convidados a entrar neste questionamento. América não queria mudar de vida e estava apaixonada. Mas como dizer que ela não iria? O empurrão final veio de Aspen que termina com a garota e ela não vê outra saída a não ser ir para o palácio.

Quando ela chega lá, é praticamente impossível não comparar com Jogos Vorazes já que ela participa de uma disputa na qual apenas uma será a vencedora. Também lembrei de O diário da princesa, por causa da transformação física dela, das aulas de etiqueta e, principalmente, pela negação em querer assumir o cargo de princesa. Ah! A gente pode também comparar com o triângulo amoroso da saga Crepúsculo, mas sem a parte de vampiros e lobisomens. Enfim, tá bem dentro do universo infanto juvenil.

Durante a leitura eu até me diverti. Ri em algumas partes e a minha imaginação foi longe ao tentar visualizar a vida no palácio. O príncipe Maxon me intrigou, na verdade, me encantou logo de cara. O primeiro encontro entre eles eu realmente admirei. Gostei bastante do sufocamento que ela sentiu e da amizade que nasceu entre os dois.

Aí, você vai acompanhando as brigas, as tarefas, as malvadezas de Celeste, a doçura de Marlee e a teimosia de América. Sério, teve horas que senti raiva de tão cabeça dura que ela é. O príncipe e boa parte das candidatas parecem acreditar que América é sim a favorita, mas ela não se valoriza e insiste em continuar na competição porque sua família vem recebendo uma contribuição semanal em dinheiro enquanto ela está lá.

Em meio ao conto de fadas de “A seleção” a autora traz o conflito com os rebeldes e os constantes ataques ao palácio. Tudo isso para dar uma movimentada para não ficar uma história de amor adolescente morna. O caráter de América ressalta em cada ataque deste e ela se mostra bem solidária às suas criadas e também às outras meninas. Mas o seu coração continua confuso e tudo piora quando Aspen vira seu guarda pessoal (lembra do recrutamento lá em cima?).

Uma das minhas partes favoritas desta história toda é  o momento do “Jornal de Illéa”, pois é somente aqui que a gente não sabe o pensamento da América e, muitas vezes, somos surpreendidos com a suas respostas. Respostas estas que desagradam o rei, mas impressionam o povo e também Maxon.

O livro se encerra com a diminuição do número das participantes. De 35 agora temos 6, ou seja, temos A Elite. E, claro, acaba com aquele ar que você se vê obrigado a comprar o volume 2 da série.

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CASS, Kiera. A elite. Editora Seguinte, 2013.

Como eu fui fisgada pelo conto de fadas de Kiera Cass, já comprei logo os 4 livros restantes de uma vez pela internet. Encontrei um preço bacana e mandei ver.

Em “A elite” eu senti América ainda mais confusa. Ela começa a aceitar que tem sentimentos pelo príncipe, mas não quer assumir de jeito nenhum para ela, pois morre de ciúmes do tempo que ele desprende com as outras candidatas. Além disso, ainda tem medo da coroa e das responsabilidades como princesa. Os encontros entre ela e Maxon se torna assim mais calientes, mas calma que tudo permanece casto, afinal é um livro infanto juvenil.

Maxon a coloca contra a parede: se ela assumir o que sente, ele encerra a seleção e fica com ela. Mas o que América mai quer é tempo. E tempo é o luxo que ela não pode ter. O palácio continua sendo invadido e o pânico se espalha pelo país.  Volto a dizer que as respostas de América durante o jornal são as melhores e ela mostra um interesse pelos assuntos do país.

O livro chega ao final quase te fazendo acreditar que América vai embora, mas sabendo que ainda existiam mais livros já publicados, aguardei a resolução da autora.  Apesar de a donzela ter sido resgatada – e a autora afirma em suas entrevistas que a ideia era uma heroína forte – chegamos enfim, ao terceiro livro.

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CASS, Kiera. A escolha. Editora Seguinte, 2014.

Assista ao lindo book trailer

Em “A escolha”, América recebe uma segunda chance e continua participando da seleção. Ela luta por Maxon em meio aos ataques rebeldes que estão cada vez mais frequentes. Apesar de ser um livro com mais ação que os anteriores, senti falta de uma explicação mais grandiosa em relação aos ataques dos rebeldes. Ficou claro que a saga não passa de uma história de amor, mas tudo bem. Não é por isso que deixa de ser interessante, mas se autora tivesse dado mais valor ao resto, talvez teríamos aí uma obra mais grandiosa e com certeza, mais bem aceita no universo adulto.

Neste livro senti pressa. Não pressa de terminar de ler, mas pressa da autora em resolver os conflitos. Teve momentos em que ela simplesmente esqueceu de costurar suas pontas soltas, mas também teve momentos que me surpreendeu mais que nos outros dois livros.

A própria origem do nome de América é surpreendente. A história do seu pai mais ainda. O encontro com rebeldes lembrou muito a fase final de Jogos Vorazes. O interessante é ver que América amadurece e deixa de ser tão irritante. O rei nos assusta, dá até raiva na verdade, mas a rainha ganha o nosso coração.

As tarefas das garotas remanescentes são muito interessantes e o convívio de América com a princesa italiana é muito bom e apimenta a obra.  Este foi o livro da série que li mais rápido. Tanto porque queria saber logo o final quanto também pela narrativa frenética da autora.

O livro tem um final interessante. Agrada aos românticos e choca como tudo acontece. Mas, uma pena que ela acelerou o final e não deu muito gostinho para os leitores. Porém, ao escrever o epílogo, Kiera Cass se convenceu que “A seleção” podia ser muito mais que uma trilogia e no ano seguinte ela lançou “A herdeira” para o delírio dos fãs.

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CASS, Kiera. A herdeira. Editora Seguinte, 2015.

Assista ao lindo book trailer

20 anos se passaram desde a seleção para Maxon e América. Aqui acompanhamos a aventura, em primeira pessoa, de Eadlyn, a primogênita que será a futura rainha de Illéa. É bem difícil falar deste livro sem dar spoilers dos anteriores, mas vamos lá!

Aqui Eadlyn é convencida pelos seus pais a fazer a sua seleção. A realidade é que o país passou por grandes mudanças, com a extinção das castas, mas passa por enormes dificuldades. E, na tentativa de distrair o povo e também fazer com Eadlyn seja amada em seu país, a nossa personagem se vê no meio de 35 rapazes.

Eadlyn se acha autossuficiente e não quer nem saber de marido, mas é obediente e acata as decisões de seus pais.  Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, mas como nasceu 7 minutos antes é a herdeira do trono.  Então, desde pequena é treinada para o dia em que se tornará rainha. A sua mãe era teimosa e insegura, já Eadlyn se acha demais. Momentos divertidos do livro acontecem quando ela leva aqueles “chega pra lá” da realidade, sabe?

A seleção de Eadlyn pode até ter começado como uma jogada política, mas se torna uma jornada de autoconhecimento. E é interessante ver a seleção ao contrário, diversos rapazes e apenas uma moça. E desta vez temos o ponto de vista de quem escolhe e não de um selecionado. Gostei desta inversão.

E, ao contrário dos livros anteriores, quase não se nota um triângulo amoroso. Na verdade eu torci para um rapaz e fiquei feliz com o desenvolvimento da personalidade dele.  Obviamente que o livro não se encerra com o escolhido, na verdade ele teve um final que me chocou e me deixou doida para ler “A coroa”.

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CASS, Kiera. A coroa. Editora Seguinte, 2016.

Assista o lindo book trailer

Iniciamos o último livro da série com fortes provas para Eadlyn. Ela assume como regente, sofre preconceito por ser muito nova, ainda é odiada pelo seu povo e nota que o seu coração deseja sim encontrar um grande amor. Ela teme não ter o relacionamento dos seus pais e acredita que a sua escolha tenha que ser mais política do que emocional.

É legal ver que ela forçadamente tem que baixar a bola e começa a reunir aliados. Sente a sua confiança testada várias vezes e finalmente começa a revelar características dos seus pais. Kiera aqui quis brincar com o leitor. Apontou um favorito, depois mudou para outro e nos surpreende com o coração.

O mais legal é que Eadlyn descobre que não precisa ser perfeita e que muitas vezes precisamos quebrar as regras e seguir o nosso coração. Bem conto de fadas, né?

Mais uma vez, na finalização, Kiera errou. Jogou diversas informações e resoluções sem ter muito carinho.  Mas o final até que agrada e dá uma resolução.

Boatos dizem que no aniversário de 10 anos de “A seleção” pode ser que Kiera Cass escreva o livro intermediário entre “A escolha” e “A herdeira”. E corre, há algum tempo, que existe uma grande possibilidade de toda a série virar filme. O jeito é esperar.

COMENTÁRIOS GERAIS

Eu fico muito feliz em dizer que só soube da série este ano. Sério! Ia ficar muito brava de ter que esperar um ano por cada livro. É totalmente diferente da experiência que eu tive com Harry Potter já que cada livro tinha uma aventura e se encerrava em si, mesmo a gente aguardando o grande duelo entre Voldemort e Harry. A realidade é que “A seleção” podia ser um livro só, um grande livro de 600 páginas, escrito de forma mais fluida e mais interessante. Mas, claro que vamos ganhar dinheiro e lançar um parte da história por ano, não é mesmo? rs

Outra coisa: recomendo para todos os pré-adolescentes, adolescentes e adultos que amam contos de fadas. Incentive sempre alguém a ler. É o melhor que podemos fazer nesta vida.

Se, com este textão eu te convenci a ler, já fico feliz. Se não te convenci a ler os livros, mas você leu cada palavra daqui: já valeu também!

Agora quero saber o que você achou de tudo isso. Comente! Estou te esperando.

Continuar a ler

O resgate do tigre, Colleen Houck


Depois de ter lido “A promessa do tigre” e “A maldição do tigre” me vi na obrigação de ler “O resgate do tigre” da Coollen Houck.

Se você ainda não leu pelo menos uma das obras acima, peço que pare de ler este post porque pode ser que tenha algo que adiante algo da história e sei que tem muita gente que não gosta de saber nada.

Sinopse:

“Fé. Confiança. Desejo. Até onde você iria para libertar a pessoa amada? Kelsey Hayes nunca imaginou que seus 18 anos lhe reservassem experiências tão loucas. Além de lutar contra macacos d´água imortais e se embrenhar pelas selvas indianas, ela se apaixonou por Ren, um príncipe indiano amaldiçoado que já viveu 300 anos. Agora que ameaças terríveis obrigam Kelsey a encarar uma nova busca – dessa vez com Kishan, o irmão bad boy de Ren -, a dupla improvável começa a questionar seu destino. A vida de Ren está por um fio, assim como a verdade no coração de Kelsey.

Em O resgate do tigre, a aguardada sequência de A maldição do tigre, os três personagens dão mais um passo para quebrar a antiga profecia que os une. ”

Realmente este livro tem mais ação, mais suspense, mas também um pouco mais de chilique de Kelsey, a personagem principal. Chegou um momento em que me vi em Crepúsculo, quando a adolescente se vê dividida entre dois amores. De fato, tem horas que torcer para o casal feliz cansa. Mas tem uns momentos engraçadinhos. Tirando esta parte que achei um tanto chatinha, a obra me surpreendeu.

Belas aventuras que a dupla Kelsey-Kishan teve que passar e mais de uma vez me peguei imaginando como seria um filme ou seriado sobre a saga. Que vontade que deu de conhecer Shangrila e mais: veio aquela vontade doida de ver uma estátua da deusa Durga de perto e também conhecer um senhor tão fofo como Phet.

A aventura aqui também lembra um pouco um jogo de videogame: passar fases, recolher objetos mágicos e desvendar mistérios. Eu simplesmente devorei o volume 2 e não aguentei e comprei o 3 e 4 logo na sequência. A autora me ganhei, eu comprei a história, acreditei e espero, de verdade, que ela não me decepcione no final.

HOUCK, Colleen. O resgate do tigre. Editora Arqueiro, 2012.

 

A maldição do tigre, Colleen Houck


Como eu disse aqui, eu me encantei pelo livro pela capa. A primeira impressão que tive do livro é que seria uma aventura cheia de magia, mitologia e uma pitada de romance. E eu estava certa.

A sinopse original diz o seguinte:

“Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.

Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem. ”

Kelsey é a típica adolescente perdida que não sabe o que vai fazer da vida. O trabalho no circo não estava na lista de seus sonhos, aliás sonho era uma coisa que ela não tinha muito. Foi no acaso que ela descobre sua grande aventura e um propósito na vida. Enfrenta medos, se apaixona e é forçada a amadurecer em pouco tempo. Mas, ela ainda mantém a cabeça de adolescente e tem umas birras durante o livro que me cansaram bastante.  Talvez porque eu esteja com quase 30 anos me sinta meio afastada da realidade dos 18 anos da personagem.  O que realmente me prendeu é: como ela vai quebrar a maldição.

A parte mais maravilhosa do livro – e aqui dou meus parabéns à autora – é a forma como ela mistura mitos hindus e de diversas culturas e costura tudo no enredo do livro. De verdade, eu nunca fui à Índia, mas suas palavras foram poderosas com a minha imaginação. Durante a leitura eu senti os aromas, o calor, o sol e toda a beleza da magia que se passa na trama.

Me inspirei na sabedoria do Senhor Kadam, suspirei com algumas atitudes de Ren, me surpreendi com a valentia de Kesley, ri com Phet, xinguei Lokesh e tive pena de Kishan. Eu fico aqui imaginando que daria uma excelente série, mas de fato, bem cara para dar conta de todos os efeitos especiais e locações.

Convido você, amigo leitor, a passear pela Índia e a se entregar, de corpo e alma, a este romance. Deixe o preconceito de lado e leia, vale a pena.

Li este livro muito rápido, nas minhas férias e não devo ter gastado mais de 20 horas para ler. Simplesmente amei.

HOUCK, Colleen. A maldição do tigre. Editora Arqueiro, 2011.

 

 

 

 

A rosa da meia noite, Lucinda Riley


Oba! Começo este post com novidades! Agora tem resenha em vídeo! Yeah!

Eu estava há um tempo namorando esta ideia, mas achava que precisava de todos os equipamentos profissionais do mundo para fazer isso. Mas e aí o tempo foi passando e ainda não tive dinheiro pra comprar tudo o que precisava…então..ia começar quando?

Carpe e diem! Vamos começar agora! No presente, é isso. Então, montei a câmera e gravando!!

Gostei da experiência.Claro que tem coisas a melhorar, mas isso é no dia a dia. O resultado tá aqui:

Agora vamos falar do livro?

“A rosa da meia noite” foi um daqueles livros que encontrei por acaso. Estava passeando numa livraria quando dei de cara com a capa. Eu nunca tinha ouvido falar na Lucinda Riley e muito menos no livro, mas sabe aquela coisa quando você fica hipnotizada? Pois é. Foi isso que aconteceu comigo.

Pouco tempo depois eu ganhei esta obra no amigo secreto de onde eu trabalho (Valeu, Gabriel!) e comecei a ler como quem não quer nada. Bastaram 20 páginas e eu me apaixonei.

Eu queria saber por que Anahita insistia em dizer que seu filho estava vivo. Será que ela é realmente uma velhinha gagá ou uma senhora muito sábia? Por que o seu neto Ari aceitava viver a vida do jeito que vivia? Será que quando estamos inseridos dentro de uma realidade não conseguimos ver que simplesmente paramos de andar pra frente?

E será que ter fama, poder e dinheiro é tudo o que queremos? Pois é…tá vendo como um romance mexeu comigo?

Imagino que a ideia da autora nem tenha sido despertar estes questionamentos, mas sim de nos mostrar como estamos todos dentro de uma rede e como a nossa história pode cruzar e até ter feito parte da história de um outro alguém que a gente nem conhece.

Ela une quatro gerações e três países. Cria uma história com fundos históricos que nos faz pensar que durante a Primeira Guerra Mundial as pessoas se apaixonam e tentavam ser felizes. Ao mesmo tempo ela mexe com a estrutura de cada personagem, nos convidando a seguir uma jornada rumo ao auto conhecimento. Tudo isso embelezado pelas paisagens da Índia e Inglaterra.

Super recomendo. Você vai se apaixonar. Estou na torcida que vire filme.

 

Leia mais aqui

 

 

A promessa do tigre


Olá, este post é destinado ao livro “A promessa do tigre” de Collen Houck, autora da Saga “A maldição do tigre”. Eu fiquei sabendo deste livro quando descobri a saga e resolvi começar por ele, já que a sinopse explicava que ele era o início de tudo.

“Mais de 300 anos antes de Kelsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram.

Criada longe dos olhos da corte, isolada do convívio no castelo, Yesubai luta para suportar os maus-tratos do pai e manter em segredo suas habilidades mágicas. Lokesh é um poderoso e cruel feiticeiro que foi capaz de assassinar a própria esposa porque ela lhe deu uma filha em vez de um filho.

Ao completar 16 anos, Yesubai é surpreendida por um anúncio do rei. Procurando fortalecer suas relações diplomáticas, o nobre acredita que um casamento entre a filha de Lokesh, comandante de seu exército, e um pretendente de algum dos reinos vizinhos será uma boa estratégia para diminuir os conflitos na região.

A jovem recebe a notícia com alegria. Pela primeira vez ela enxerga um fio de esperança, a perspectiva de escapar do controle do pai e de levar uma vida fora do confinamento de seus aposentos. Mas esses não são os planos do feiticeiro. Ele vê no iminente casamento de Yesubai uma oportunidade de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios.

A Promessa do Tigre conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série A maldição do Tigre.”

No começo do livro me senti perdida porque não fazia ideia de quem era quem. Mas não demorou muito para me habituar. Em “A promessa do tigre” conhecemos a história de Yesubai sob o seu ponto de vista. Logo de cara podemos dizer que a obra é fantasiosa e me lembrou de certa forma Harry Potter por mexer com magia. E como sou fã da série, me senti instigada a querer conhecer o poder da menina.

A partir da sua trajetória, nota-se uma relação de submissão, quase escravidão, de sua filha perante o pai, Lokesh. O livro possui apenas 6 capítulos e 111 páginas numa letra grande e agradável. Achei excelente para quem tem medo de encarar uma séria. A autora nos dá um gostinho de sua escrita e também de uma ideia do que esperar da Saga do Tigre.

Se você ainda não iniciou a série, recomendo que inicie por “A promessa do tigre”. Se preferir não ler, não se assuste, não irá te atrapalhar com os outros 4 volumes, mas está aí uma oportunidade de ler mais sobre Lokesh e a rivalidade entre Ren e Kishan, além de entender o início da maldição.

E aí, topa?

HOUCK, Collen. A promessa do tigre. Editora Arqueiro, 2014.

Público: para quem gosta de literatura estrangeira, séries, magia, mitologia e não se incomoda com história de amor adolescente.

Saga – A maldição do tigre


Gosto sempre de iniciar meus posts de resenha dizendo como eu conheci o livro porque pra mim é sempre uma experiência enriquecedora.

Pois bem, até então eu nunca tinha ouvido falar de Collen Houck. Foi passeando na livraria Fnac com uma amiga (Camila, to falando de você rs) que me deparei com uma capa azul com um tigre branco de olhos azuis. Gente, a capa me conquistou de cara! Que arte mais linda!

Então, vem a segunda parte: folhear o livro e ler a sinopse.

“Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.

Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem. A maldição do tigre é o primeiro volume de uma saga fantástica e épica, que apresenta mitos hindus, lugares exóticos e personagens sedutores. Lançado originalmente como e-book, o livro de estreia de Colleen Houck ficou sete semanas no primeiro lugar da lista de mais vendidos da Amazon, entrando depois na do The New York Times. ”

Aí pensei: lá vem uma aventura pela Índia! E quando fui pesquisar, descobri que fazia parte de uma saga e que eram 5 livros.

Aqui no blog vou então resenhando cada livro, em posts separados.

Mas antes de postar, pergunto: você lá leu a saga? O que achou?

 

O livro secreto, de Grégory Samak


Olá, antes que você inicie a leitura deste post, aviso que está cheio de spoilers. Então, se você não gosta de saber o que vai acontecer antes de se perder nas palavras do autor, pare de ler imediatamente. Agora, se você, assim como eu, não se importa com o final, mas sim que gosta de ser surpreendido pelo desenrolar da trama, seja bem vindo. Aproveito para convidar você, meu amigo leitor, a discutir este livro que me deixou um tanto intrigada.

Eu conheci  “O livro secreto” por acaso. Estava chegando a data do amigo secreto da firma e eu precisava indicar presentes para quem me tirasse. Como eu gosto muito de ler, resolvi navegar nos sites de livraria buscando algum livro de ficção. Sim, gosto de ler histórias que nunca existiriam na realidade, não vejo problema algum nisso em deixar a minha mente ser comandada por palavras fantasiosas.

Eu já tinha lido alguns livros com a temática nazismo. Passei por “A menina que roubava livros”, “O menino de pijama listrado” entre outros. Apesar do holocausto me chocar, sou daquelas que não consegue assistir qualquer referência aos campos de concentração que já choro e sinto enjôos, a leitura me chama. Talvez justamente porque minha memória pegue leve nas cenas mais tensas…não sei dizer…

Enfim, escolhi esta obra do Grégory Samak porque ele apresenta um personagem judeu que seria capaz de mudar a história da humanidade. Veja bem:o que você faria se encontrasse a biblioteca divina na qual está repletas de livros contando a história de cada pessoa que já viveu, vive ou ainda viverá na Terra? Mais magnífico que isso seria imaginar o que você faria se descobrisse que fosse capaz de alterar o rumo da vida de alguém, ou até mesmo mudar a história da humanidade?

São com estes questionamentos que conhecemos Elias Ein, um judeu que mudou recentemente para a Áustria para morrer em sua solidão. Elias, como a maioria dos judeus alemães, teve sua família exterminada durante o holocausto e carregou dentro de sim, a pergunta de como seria se Hitler simplesmente não tivesse existido.

Eis que, na ficção, ele tem a oportunidade de mudar a história. Ao tocar as letras do Livro Sagrado, ele nos leva a Alemanha pré-holocausto e nos mostra as suas tentativas de assassinato ao Hitler. Confesso que enquanto lia, o meu lado racional tentava sabotar o livro: como, como ele mudaria o rumo disso? Como uma ficção pode querer mudar o rumo de uma história tão trágica?  Mas, eu batia em minha cabeça que o autor poderia fazer a viagem que ele quisesse e que eu estava disposta a segui-lo.

Me lembrou um pouco daquele filme “Efeito borboleta”, sabe? Uma simples decisão que tomamos hoje pode influenciar todo o curso da nossa história. Nisso, o livro estava me prendendo bem. Enquanto o assassinato de Hitler não acontecia, estava muito interessante. As viagens que Elias fez ao passado, a mudança na vida de Sof, seu vizinho, me deixavam pregada no livro.

Até ele finalmente viajar para 1922, antes de Hitler ser o Hitler e matá-lo. A partir deste momento, senti que o autor se perdeu. Se perdeu na magnitude da ideia que ele mesmo construiu: O holocausto existiria mesmo sem Hitler?

A narração ficou acelerada, cortada e quase perdi o fio da meada da história dele. E o final do livro me decepcionou. Ele me fez acreditar que tudo tinha mudado e, por mais irreal que tenha parecido, eu estava feliz com a mudança. Afinal, estamos falando de um livro de ficção. Mas, seja por vontade dos editores ou do próprio autor, senti que houve um medo de brincar com isso e ele encerra o livro com uma situação política muito parecida com o holocausto: judeus sendo perseguidos, presos e exterminados.

Desculpe, Samak…errou ai. Por que tentar encaixar a sua ficção na realidade? Por que brincar de Deus e depois me justificar que os judeus tinham que morrer de qualquer forma?

Se a sua intenção era me deixar intrigada, parabéns, você conseguiu.

 

Laços inseparáveis, Emily Giffin


Eu li três livros da Emily Giffin e acredito, até o presente momento, que este foi um dos livros mais reais dela.

Laços Inseparáveis é um livro narrado sob dois pontos de vista: Marian e Kirby.

Marian é uma produtora famosa de televisão que aos 36 anos tem um encontro inesperado. Sua filha, que foi dada para adoção, aparece em sua porta. E esta filha é a Kirby.

Vamos conhecendo o passado e o presente de cada uma, sendo que cada capítulo tem o ponto de vista de uma delas.

Ao contrário de “Ame o que é seu” e “Uma prova de amor”, este livro não tem um final feliz. Aliás, não tem final. Não sabemos para onde elas vão, apenas que fizeram as pazes com o seu passado.

Fazer as pazes com o passado não é uma tarefa fácil, mas às vezes é a chave para entendermos quem somos e para onde queremos ir. O clichê que podemos correr, mas não nos esconder fica bem claro nesta obra e, se você quiser, pode te ajudar a uma viagem profunda de autoconhecimento.

É uma leitura interessante, mas, mais uma vez, senti falta de um ponto de virada forte na história. Faltou a surpresa.

Ame o que é seu, Emily Giffin


Está aí um livro que considero um conto de fadas ou um episódio de “Sex and the City”.

Ellen é uma garota mulher que está em um impasse. Tem um casamento perfeito com o irmão de sua melhor amiga. Vive em um apartamento em Nova Iorque e é fotógrafa.

Assim como a maioria dos seres humanos, teve um relacionamento antes de seu marido com o Leo. Leo, o cara que mexeu demais com ela quando tinha seus 23 anos. Era aquele tipo de amor obsessão que ela largava tudo pra ver o rapaz. Abriu mão dos amigos, tinha um emprego medíocre e sem ambição na vida.

Tudo muda quando o Leo fica frio e o relacionamento termina. Termina daquele jeito que enlouquece qualquer mulher: termina de um jeito que nao teve realmente um ponto final. Mas o tempo passa e ela se encanta com Andy, irmão de sua melhor amiga.

Pouco tempo depois eles se casam e vivem uma vida boa, agradável, nas palavras da personagem. Mas o ser humano é ingrato e ela fica se questionando como teria sido se ainda estivesse com o Leo. Eis então que o ex reaparece, por acaso, em sua vida e todo aquele sentimento de coisa inacabada volta ao coração de Ellen.

Ela racionaliza e decide mudar para Atlanta com Andy, deixando sua carreira, vida agitada e talvez seus sentimentos por Leo em Nova Iorque.

Mas a ponta do sentimento dela não quer afundar, quer ficar ali cutucando ela. Enquanto eu lia o livro só conseguia pensar o quanto ela estava brincando com o fogo e sabendo que se fosse relato de uma vida real o final não teria sido tão feliz.

Eu adoro contos de fadas, sonho com episódios romanceados de seriados para mulheres, mas este livro me incomodou. Eu realmente, e pela primeira vez, torci para que a protagonista se desse mal.

Sei que se trata apenas de um livro, uma história inventada, mas talvez tenha sido exatamente pela falta de elementos que eu teria julgado como reais tenham me feito desgostar da obra.

Nota- se que li o livro de uma tacada só e torci para ela se dar mal porque faltou um elemento fundamental para que eu gostasse do livro: o tal ponto de virada ou, se preferir, faltou me surpreender.

Pra quem não tem esta exigência de ser surpreendido, vale a leitura.

Uma prova de amor, Emily Giffin


Este foi um dos livros que a minha mãe emprestou pra eu ler. 

Lendo a sinopse pude de cara me idendificar com um dilema que já passei pela vida: qual é o proximo passo?

Você nasce, estuda e depois? Trabalha, pode ser que encontra alguém.. que se case e depois? Filhos?

Por muito tempo eu me imaginei sem filhos e muito menos casada. Achava que viveria pra mim apenas, que seria rica, teria meu apartamento e viajaria pelo mundo várias vezes ao ano.

Eu estudei, fiz duas faculdades até e tive o lindo merecimento de encontrar um alguém que hoje é o meu marido. Obviamente que a partir do momento em que disse “eu aceito” a sociedade já me veio com a seguinte cobrança: quando você vai ter filhos?

Não que eu não queira, mas ainda não sinto que é a hora.  E o engraçado deste livro é que fala desta cobrança, a cobrança de ter filhos.

Cláudia e Ben tinham um relacionamento perfeito. Os dois não queriam ter filhos, viajavam sempre que podiam e estavam concentrados em suas carreiras.

Até que em determinado momento, algo mudou. Algo pequeno, simples, mas profundo. Ben deseja ser pai.

A partir do ponto de vista de Cláudia, acompanhamos sua jornada, sua dificil escolha entre manter o seu relacionamento ou manter seu desejo de não ser mãe.

Ela passa por poucas e boas, inclusive por aquelea diálogos familiares onde costuma haver maior cobrança pela prole.

“Uma prova de amor” é um romance típico feminino e Cláudia poderia ser ate uma blogueira famosa que posta seu dia dia.

É praticamente impossível não se identificar com alguma personagem. Seja Cláudia, ou uma de suas irmãs: Daphne que deseja ter um filho desesperadamente, mas não consegue ou Maura que tem três filhos, é rica, mas seu marido a trai.

Ou mesmo sua mãe, Vera, que abandonou a família quando encontrou um outro amor. Ou até mesmo a amiga Jess, corpo maravilhoso, rica, inteligente, mas sofre todos os casos no campo amoroso.

Para ajudar, o livro tem sua fonte grande confortável, capítulos médios e fácil leitura. E apesar de parecer um livro “mamão com açúcar”, ou seja que você acha que não vai aprender nada, me surpreendi com uma auto análise enquanto lia e vi que nao há problema em ter medo do desconhecido, que não preciso seguir regras e que posso ser feliz ao meu modo.

Recomendo a leitura para mulheres que sabem o que querem, para aquelas que acham que sabem e para aqueles que não fazem ideia.

Jardim de inverno, Kristin Hannah


jardimConheci este livro por acaso. A minha mãe, assim como eu, se empolgou com os livros de Lucinda Riley e isso despertou a nossa paixão por romances. Logo, ela foi passear por livrarias e deu de cara com “Jardim de inverno” da Kristin Hannah.

O primeiro contato que tive com as palavras de Hannah foram na sinopse:

Jardim de Inverno – Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas.
A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história.
Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.
“Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.”
– Publishers Weekly
A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrad congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Quando percebi que era uma jornada ao passado (ao estilo Riley), fiquei curiosa para ler. Logo de cara senti um certo ódio de Anya pela falta de atenção e carinho com suas filhas e queria entender o que o conto de fadas tinha a ver com toda esta frieza. A autora, de forma brilhante e envolvente, vai nos contando pouco a pouco a narração da vida atual destas filhas ao mesmo tempo que nos leva ao passado de Anya e ao mundo criado por ela que mistura fantasia e realidade.

Para quem gosta de ouvir histórias a respeito da segunda guerra mundial fugindo do tema holocausto, fica uma narrativa surpreendente em detalhes e sentimentos.

Não quero falar mais detalhes do livro porque eu mesma fiquei tentando toda hora descobrir sozinha o final, mas amei a forma como fui surpreendida pela autora. Este livro entrou na minha lista dos favoritos.

Não chega a ser tão grande, menos de 500 páginas, o que facilita para “segurar o livro e não cansar de ler”

Este foi o primeiro livro da Kristin que li. Sei que tem mais 17 obras publicadas no Brasil que torço para que sejam tão emocionantes e belas como “Jardim de inverno”.

HANNAH, Kristin. Jardim de Inverno. Novo conceito, 2013.

Releitura


As inovações de Veríssimo na releitura da obra “Noite de Reis”, de William Shakespeare

Chacrinha foi feliz ao dizer nos anos 80 que “nada se cria, tudo se copia”. Apesar de a frase parecer engraçadinha, e, ao mesmo tempo maldosa, querendo dizer que não existem mais mentes criativas, este fenômeno ocorre na literatura de uma forma um pouco diferenciada. Um exemplo é o livro “A décima segunda noite”, de Luís Fernando Veríssimo.

Capa do livro de Veríssimo

Esta obra faz parte da coleção Devorando Shakespeare da Editora Objetiva e é uma releitura de “Noite de Reis”, de William Shakespeare. Os dois livros falam sobre o dia 6 de janeiro, a noite de reis, que acontece  doze  dias após o Natal. Esta data, na tradição britânica, é o dia em que os patrões presenteiam os empregados e também o derradeiro momento dos  festejos natalinos.

Shakespeare criou uma tragicomédia, mistura de tragédia com comédia, a respeito desta data. Em uma ilha fictícia, chamada Illyria, vive um duque chamado Orsino que é apaixonado por Olívia, uma dama que decidiu não amar ninguém e viver o luto pela morte do seu irmão. Neste meio tempo, somos apresentados a Viola, que chega à ilha depois de sobreviver a um naufrágio. Desamparada por acreditar que seu irmão gêmeo, Sebastian, tenha morrido afogado, ela se disfarça de homem e nomeia como Cesário, para preservar a sua identidade e passa a trabalhar para Orsino, por quem se apaixona. Essa rede de amores não correspondidos aumenta quando Cesário (Viola) vira o mensageiro entre as juras de amor de Orsino e as recusas de Olívia, que se encanta pelo jovem rapaz.

Pocket book - Noite de reis

Mas o enredo não para por aqui. Há outros personagens na história, como o tio de Olívia, Sir Toby e sua empregada Maria que resolvem aprontar com Malvolio, serviçal apaixonado pela patroa Olívia. Eles enviam uma carta em nome da chefa e fazem o moçoilo acreditar que ela corresponde ao sentimento e que o amor carnal será consagrado na noite de reis. E no meio desta trama toda, há um elemento típico da comédia: o bobo que faz rir. Nesta obra, Feste está presente para garantir a malícia e ambiguidade até o fim do enredo.

O amigo de Sir Toby, Sir Andrew também é apaixonado por Olívia e desafia Sebastian, achando que ele é Cesário, quando esse reaparece na história junto com Antônio, inimigo de Orsino. Olívia também encontra o gêmeo desaparecido e achando que é Cesário, o pede em casamento. Orsino fica furioso e visita a sua amada junto com Viola, disfarçada de mensageiro. Neste momento, descobre-se a verdadeira identidade de Cesário e toda a rede de amores não correspondidos se desfaz. Shakespeare termina a peça com um final feliz e com três casamentos: Olívia com Sebastian, Viola com Orsino e Maria com Toby.  A história é assim mesmo: confusa e toda entrelaçada, mas de modo que cada relacionamento tenha a sua explicação e algum sentido no final. Ficou confuso? Lembre-se de “A Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, onde  “João amava Teresa que amava Raimundo/que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili/ que não amava ninguém./ João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,/Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,/Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/que não tinha entrado na história.” A obra de Shakespeare é bem por este caminho, pode até ser que tenha servido de base para o poema de Drummond.

Luís Fernando Veríssimo reescreveu esta obra confusa de uma maneira diferente. A começar pelo gênero: enquanto Shakespeare é teatro, Veríssimo partiu para o romance. Ao contrário da estrutura fixa do roteiro teatral, “A décima segunda noite” é como se fosse a transcrição de um depoimento gravado de um papagaio chamado Henri e isso é dado de forma que seja possível entender que haja uma conversa entre leitor e narrador. Sem contar que é muito mais fácil ler esta obra por causa da linguagem simples, do estilo verbal e da diagramação do livro: espaçamento e letras grandes. Além disso, os capítulos tem o mesmo tamanho, como se cada um fosse uma fita gravada. Logo, o final de cada parte é meio interrompido pelo gravador, mesmo que o papagaio não tenha concluído o raciocínio e isto aumenta o grau do humor, pois muitas vezes Henri fala alguns palavrões e se irrita com o leitor.

Os nomes são abrasileirados e também há algumas mudanças na história. Ela se passa em Paris e Illyria é um salão de cabeleireiros cujo dono é o francês Orsino. Henri, além de narrador, é personagem e enfeite do salão e das festas além de estar apaixonado por Violeta, que na obra original é Viola. Violeta se veste como homem, César (Cesário) para ser recepcionista no salão de cabeleireiro. Há novos protagonistas como Negra e suas três flores que ajudam imigrantes brasileiros a viverem na França. Aliás, ao contrário da obra elisabetana, tudo se passa com brasileiros exilados na capital francesa de modo que a cultura brasileira esteja presente a partir da comemoração do carnaval, com as comidas típicas e comportamento dos personagens.

A estrutura da narrativa também modifica a ordem dos acontecimentos e Henri introduz uma nova cena à história original: o caso da Santa que era Santo. Em poucas palavras, trata-se de um contrabando de pedras preciosas em que o irmão falecido de Olívia era o responsável pela ida e vinda de santos recheados de dinheiro para auxílio dos exilados. Neste caso, foi colocada uma saia em cima da roupa de José para poder disfarçar as pedras, mas este santo é “perdido” e a confusão se instaura entre os exilados e a rede de amores não correspondidos. Mais para frente descobrimos quem é o dono da fortuna.

Os fatos são os mesmos: Violeta (Viola) é apaixonada por Orsino que é apaixonada por Olívia que ama César (Cesário), mas se casa com Sebastião, Sebastian na obra original. Malvolio também passa por uma peça pregada por Maria, no caso prima distante de Olívia, Festinha e Arroto (Sir Toby), mas o desfecho da história muda. Enquanto em Shakespeare, Malvolio consegue provar que não é louco e fica sozinho, em Veríssimo, ele “ataca” Maria e os dois têm uma noite de amor durante a décima segunda noite.

É tão confuso explicar quanto ler o que acontece, mas a obra de Veríssimo, por ser mais atual, facilita o  entendimento com a sua linguagem mais clara. Porém, sem ter a referência de Shakespeare a história se perde no seu sentido.   Pode parecer complicado querer comparar tantos detalhes de duas obras que são parecidas ao mesmo tempo em que são diferentes, por isso vale a pena ler as duas, a original primeiro e depois a atual, para entender que grande parte das novas obras é muitas vezes baseada nas tragédias e comédias gregas e elisabetanas.

Stupeur et tremblements – Vous parlez français?


J´ai lu pour l´alliance française

Pour moi, la lecture d’un livre est comme vous inviter même à aller au cinéma. Mon imagination est capable de donner de la vie et de la forme à l’expression écrite par chaque auteur et par conséquent, il semble un film que seulement moi a vu.

Le film “stupeur et tremblements” a été un choc pour moi. C’était presque comme tout ce que j’avais imaginé. Sauf pour le personnage Fubuki, parce que je pensais qu’elle était plus belle. La séquence du filme a été fidèle à celle du livre et que, contrairement à la plupart des films, c’était plutôt bien. L’actrice qui a joué Amélie a réussi à donner de la grâce et l’innocence décrite par l’auteur et je vous avoue que je me suis sentie sur sa peau. Je me voyais en marchant dans une société japonaise et j’imaginais comment je réagirais avec tant de règles. Bien que beaucoup de gens pensent qu´il s´agiit de préjugés, mais je crois que le film montre un stéréotype du Japonais clairement, sansdes idées préconçues.

Certes, ce film a subi à ma liste de favoris et je suis encore plus heureuse d´avoir compris tout ce que l´on a parlé, sans avoir à recourir au sous titre, qui était aussi en français. Il a été une très bonne expérience.

Je vous indique de lire le livre et ensuite voir le film, la seule façon de comprendre l’horreur drôle publiés dans les yeux bleus d’Amélie dans la scène de salle de bains.

Voir le “trailer”

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)