Nu – filme do Netflix


Tive a grata surpresa de assistir “Naked” no Netflix. O filme é um remake do sueco “Naken” e é estrelado por Marlon Wayans (do sucesso “As branquelas”) e conta a história de Rob Anderson.

Nervoso sobre finalmente se casar, Rob é forçado a reviver as mesmas horas, acordando misteriosamente pelado em um elevador de hotel muitas vezes até que ele consiga fazer tudo certo no dia do casamento.

Já ouvi dizer que para você ficar bom em algo, você precisa de aproximadamente 10 mil horas fazendo este algo. O filme brinca justamente com isso: como ser um bom marido. Até ele acertar, ele vai reviver estas horas de novo, de novo e de novo.

É o típico filme que te faz rir muitas vezes, com uma leve pitada de romance, mas também que traz uma mensagem bonita para quem está prestando um pouco mais de atenção: o que você tem feito com as suas horas? O que você está disposto a mudar na sua vida para enfim ter resultados diferentes?

Será que você realmente está fazendo tudo certo? Aliás, o que é certo?

Não tenho como fazer comparações à versão original, mas no site do IMDb as críticas foram pesadas quanto à direção, produção e até mesmo as soluções do roteiro. Mas a verdade é que dei boas risadas e vale sim encerrar um domingo com balde de pipoca, ao lado de quem você gosta.

 

Série – A seleção, Kiera Cass


Olá!

Tem vídeo novo no meu canal do youtube! Desta vez eu me aventurei pela literatura infanto-juvenil com a autora norte americana Kiera Cass. Ela lançou a série “A Seleção”, composta pelos livros “A seleção”, “A elite”, “A escolha”, “A herdeira” e “A coroa”, o lançamento de maio de 2016. Todos estes livros são da Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras e eles têm feito muito sucesso ficando atá na lista dos mais vendidos em diversos sites aqui pelo Brasil.

Eu confesso que fiquei na dúvida se fazia um vídeo por livro, mas achei melhor fazer um vídeo só falando da série toda. Assim, eu tomei todo o cuidado para evitar spoilers e, quem sabe, ajudar você a decidir se entra ou não no mundo mágico de Illéa.

Vamos ao vídeo?

Para quem gosta das resenhas escritas, continue comigo neste post. Mas agora me atrevo a dizer que por aqui você vai sim encontrar spoilers. Então, se não gosta, assista apenas ao vídeo.

Vamos começar então pelo livro 1.

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CASS, Kiera. A seleção. Editora Seguinte, 2012.

Gosto bastante de começar as minhas resenhas dizendo como eu conheci o livro.  Quem me segue no instagram (@liviadibartolomeo) já deve ter notado que costumo postar o que ando lendo. E como uma usuária deste aplicativo, também tenho o costume de navegar pelas tags #livro #instabook #instalivros e foi numa delas que dei de cara com a capa acima.

Vou confessar que julgo sim o livro pela capa. Afinal já se foi a época em que as editoras lançavam suas obras em capas pretas com letras prateadas ou douradas. Hoje há um investimento pesado também na arte da capa do livro e, na maioria das vezes, eu acabo sendo fisgada justamente por isso.

Pois bem. Vi muita gente postando este livro e falando que existia uma série. E mais: quem postava, só rasgava elogios à autora. Então, não teve jeito, tive que comprar pra ler. Mas, temendo não gostar, comprei apenas o volume 1 porque, sinceramente, pensei que poderia ser infantil demais.

Sentei para ler e em dois dias já tinha terminado. E fui fisgada. Sim, eu gosto do universo Disney, sim eu amo conto de fadas, sim eu gosto de romance, bobo ou até profundo. Além disso, o livro é extremamente fácil de ler. O tamanho da letra é agradável, ele tem quase o formato pocket pra facilitar o manuseio, os capítulos são curtos e a linguagem me lembrou muito de blog pessoal, tipo diário. Então, a leitura vai que vem.

“A seleção” é narrado em primeira pessoa pela personagem América Singer. Ela vive num país chamado Illéa, onde as pessoas vivem divididas em castas. No total são 8, sendo que a primeira diz respeito à monarquia e a oitava, à classe mais pobre, miserável. América e sua família fazem parte da casta 5. São artistas – cantores, pintores – e tem épocas que vivem  bem, mas também passam pelas vacas magras.

Illéa está em festa, na verdade está com ar de esperança porque o príncipe Maxon finalmente abriu a seleção. A seleção nada mais é do que um concurso para encontrar a futura esposa do príncipe e todas as garotas entre 16 e 18 anos solteiras podem se inscrever, independente da casta. Obviamente é o sonho de todas as meninas e também de suas famílias, afinal quem não gostaria de mudar de vida?

Todas, menos América. Pois é, a nossa protagonista não quer saber de tiaras, palácio e muito menos do príncipe. Ela está mais interessada no seu namorado secreto, Aspen, que faz parte da casta número seis.

Illéa, apesar de estar num futuro, é bem retrógrada. Existem leis que exigem a castidade dos jovens e ainda por cima o país tem toque de recolher todas as noites. Sem contar que é uma desonra para qualquer família se sua filha casar com alguém de uma casta inferior à sua. Mas para a nossa Meri, nada disso importa. O seu coração tem dono e todas as noites ela encontra Aspen às escondidas na casa da árvore. O mundo dela parecia perfeito. Ela realmente não se incomodava em ir para um casta inferior, desde que estivesse com o seu amor. Mas tudo isso estava prestes à mudar.

Sua família praticamente a força a fazer a inscrição. Inclusive seu namorado porque ele tem medo que ela possa perder a oportunidade de ao menos passar um tempo no palácio. Sem contar que ele está chegando na fase do alistamento e pode ser enviado para qualquer lugar do país a qualquer momento.

Sendo assim, América se inscreve. Se inscreve e não faz nem ideia do que o destino separou para ela. Pouco tempo depois, o resultado: América está entre as 35 selecionadas. Mas ela não está pronta,  não quer ser princesa. Aqui, a autora diz que se inspirou em duas histórias: a de Ester, que está na Bíblia, e também do conto da Cinderella.

Segundo Kiera Cass, América representa a resposta da seguinte pergunta: E se Ester estivesse apaixonada por alguém antes de ser enviada ao palácio? E se Cinderella não estivesse pronta para viver seu “felizes para sempre”? Como as histórias teriam se desenvolvido?

Então, somos convidados a entrar neste questionamento. América não queria mudar de vida e estava apaixonada. Mas como dizer que ela não iria? O empurrão final veio de Aspen que termina com a garota e ela não vê outra saída a não ser ir para o palácio.

Quando ela chega lá, é praticamente impossível não comparar com Jogos Vorazes já que ela participa de uma disputa na qual apenas uma será a vencedora. Também lembrei de O diário da princesa, por causa da transformação física dela, das aulas de etiqueta e, principalmente, pela negação em querer assumir o cargo de princesa. Ah! A gente pode também comparar com o triângulo amoroso da saga Crepúsculo, mas sem a parte de vampiros e lobisomens. Enfim, tá bem dentro do universo infanto juvenil.

Durante a leitura eu até me diverti. Ri em algumas partes e a minha imaginação foi longe ao tentar visualizar a vida no palácio. O príncipe Maxon me intrigou, na verdade, me encantou logo de cara. O primeiro encontro entre eles eu realmente admirei. Gostei bastante do sufocamento que ela sentiu e da amizade que nasceu entre os dois.

Aí, você vai acompanhando as brigas, as tarefas, as malvadezas de Celeste, a doçura de Marlee e a teimosia de América. Sério, teve horas que senti raiva de tão cabeça dura que ela é. O príncipe e boa parte das candidatas parecem acreditar que América é sim a favorita, mas ela não se valoriza e insiste em continuar na competição porque sua família vem recebendo uma contribuição semanal em dinheiro enquanto ela está lá.

Em meio ao conto de fadas de “A seleção” a autora traz o conflito com os rebeldes e os constantes ataques ao palácio. Tudo isso para dar uma movimentada para não ficar uma história de amor adolescente morna. O caráter de América ressalta em cada ataque deste e ela se mostra bem solidária às suas criadas e também às outras meninas. Mas o seu coração continua confuso e tudo piora quando Aspen vira seu guarda pessoal (lembra do recrutamento lá em cima?).

Uma das minhas partes favoritas desta história toda é  o momento do “Jornal de Illéa”, pois é somente aqui que a gente não sabe o pensamento da América e, muitas vezes, somos surpreendidos com a suas respostas. Respostas estas que desagradam o rei, mas impressionam o povo e também Maxon.

O livro se encerra com a diminuição do número das participantes. De 35 agora temos 6, ou seja, temos A Elite. E, claro, acaba com aquele ar que você se vê obrigado a comprar o volume 2 da série.

a elite

CASS, Kiera. A elite. Editora Seguinte, 2013.

Como eu fui fisgada pelo conto de fadas de Kiera Cass, já comprei logo os 4 livros restantes de uma vez pela internet. Encontrei um preço bacana e mandei ver.

Em “A elite” eu senti América ainda mais confusa. Ela começa a aceitar que tem sentimentos pelo príncipe, mas não quer assumir de jeito nenhum para ela, pois morre de ciúmes do tempo que ele desprende com as outras candidatas. Além disso, ainda tem medo da coroa e das responsabilidades como princesa. Os encontros entre ela e Maxon se torna assim mais calientes, mas calma que tudo permanece casto, afinal é um livro infanto juvenil.

Maxon a coloca contra a parede: se ela assumir o que sente, ele encerra a seleção e fica com ela. Mas o que América mai quer é tempo. E tempo é o luxo que ela não pode ter. O palácio continua sendo invadido e o pânico se espalha pelo país.  Volto a dizer que as respostas de América durante o jornal são as melhores e ela mostra um interesse pelos assuntos do país.

O livro chega ao final quase te fazendo acreditar que América vai embora, mas sabendo que ainda existiam mais livros já publicados, aguardei a resolução da autora.  Apesar de a donzela ter sido resgatada – e a autora afirma em suas entrevistas que a ideia era uma heroína forte – chegamos enfim, ao terceiro livro.

a escolha

CASS, Kiera. A escolha. Editora Seguinte, 2014.

Assista ao lindo book trailer

Em “A escolha”, América recebe uma segunda chance e continua participando da seleção. Ela luta por Maxon em meio aos ataques rebeldes que estão cada vez mais frequentes. Apesar de ser um livro com mais ação que os anteriores, senti falta de uma explicação mais grandiosa em relação aos ataques dos rebeldes. Ficou claro que a saga não passa de uma história de amor, mas tudo bem. Não é por isso que deixa de ser interessante, mas se autora tivesse dado mais valor ao resto, talvez teríamos aí uma obra mais grandiosa e com certeza, mais bem aceita no universo adulto.

Neste livro senti pressa. Não pressa de terminar de ler, mas pressa da autora em resolver os conflitos. Teve momentos em que ela simplesmente esqueceu de costurar suas pontas soltas, mas também teve momentos que me surpreendeu mais que nos outros dois livros.

A própria origem do nome de América é surpreendente. A história do seu pai mais ainda. O encontro com rebeldes lembrou muito a fase final de Jogos Vorazes. O interessante é ver que América amadurece e deixa de ser tão irritante. O rei nos assusta, dá até raiva na verdade, mas a rainha ganha o nosso coração.

As tarefas das garotas remanescentes são muito interessantes e o convívio de América com a princesa italiana é muito bom e apimenta a obra.  Este foi o livro da série que li mais rápido. Tanto porque queria saber logo o final quanto também pela narrativa frenética da autora.

O livro tem um final interessante. Agrada aos românticos e choca como tudo acontece. Mas, uma pena que ela acelerou o final e não deu muito gostinho para os leitores. Porém, ao escrever o epílogo, Kiera Cass se convenceu que “A seleção” podia ser muito mais que uma trilogia e no ano seguinte ela lançou “A herdeira” para o delírio dos fãs.

a herdeira

CASS, Kiera. A herdeira. Editora Seguinte, 2015.

Assista ao lindo book trailer

20 anos se passaram desde a seleção para Maxon e América. Aqui acompanhamos a aventura, em primeira pessoa, de Eadlyn, a primogênita que será a futura rainha de Illéa. É bem difícil falar deste livro sem dar spoilers dos anteriores, mas vamos lá!

Aqui Eadlyn é convencida pelos seus pais a fazer a sua seleção. A realidade é que o país passou por grandes mudanças, com a extinção das castas, mas passa por enormes dificuldades. E, na tentativa de distrair o povo e também fazer com Eadlyn seja amada em seu país, a nossa personagem se vê no meio de 35 rapazes.

Eadlyn se acha autossuficiente e não quer nem saber de marido, mas é obediente e acata as decisões de seus pais.  Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, mas como nasceu 7 minutos antes é a herdeira do trono.  Então, desde pequena é treinada para o dia em que se tornará rainha. A sua mãe era teimosa e insegura, já Eadlyn se acha demais. Momentos divertidos do livro acontecem quando ela leva aqueles “chega pra lá” da realidade, sabe?

A seleção de Eadlyn pode até ter começado como uma jogada política, mas se torna uma jornada de autoconhecimento. E é interessante ver a seleção ao contrário, diversos rapazes e apenas uma moça. E desta vez temos o ponto de vista de quem escolhe e não de um selecionado. Gostei desta inversão.

E, ao contrário dos livros anteriores, quase não se nota um triângulo amoroso. Na verdade eu torci para um rapaz e fiquei feliz com o desenvolvimento da personalidade dele.  Obviamente que o livro não se encerra com o escolhido, na verdade ele teve um final que me chocou e me deixou doida para ler “A coroa”.

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CASS, Kiera. A coroa. Editora Seguinte, 2016.

Assista o lindo book trailer

Iniciamos o último livro da série com fortes provas para Eadlyn. Ela assume como regente, sofre preconceito por ser muito nova, ainda é odiada pelo seu povo e nota que o seu coração deseja sim encontrar um grande amor. Ela teme não ter o relacionamento dos seus pais e acredita que a sua escolha tenha que ser mais política do que emocional.

É legal ver que ela forçadamente tem que baixar a bola e começa a reunir aliados. Sente a sua confiança testada várias vezes e finalmente começa a revelar características dos seus pais. Kiera aqui quis brincar com o leitor. Apontou um favorito, depois mudou para outro e nos surpreende com o coração.

O mais legal é que Eadlyn descobre que não precisa ser perfeita e que muitas vezes precisamos quebrar as regras e seguir o nosso coração. Bem conto de fadas, né?

Mais uma vez, na finalização, Kiera errou. Jogou diversas informações e resoluções sem ter muito carinho.  Mas o final até que agrada e dá uma resolução.

Boatos dizem que no aniversário de 10 anos de “A seleção” pode ser que Kiera Cass escreva o livro intermediário entre “A escolha” e “A herdeira”. E corre, há algum tempo, que existe uma grande possibilidade de toda a série virar filme. O jeito é esperar.

COMENTÁRIOS GERAIS

Eu fico muito feliz em dizer que só soube da série este ano. Sério! Ia ficar muito brava de ter que esperar um ano por cada livro. É totalmente diferente da experiência que eu tive com Harry Potter já que cada livro tinha uma aventura e se encerrava em si, mesmo a gente aguardando o grande duelo entre Voldemort e Harry. A realidade é que “A seleção” podia ser um livro só, um grande livro de 600 páginas, escrito de forma mais fluida e mais interessante. Mas, claro que vamos ganhar dinheiro e lançar um parte da história por ano, não é mesmo? rs

Outra coisa: recomendo para todos os pré-adolescentes, adolescentes e adultos que amam contos de fadas. Incentive sempre alguém a ler. É o melhor que podemos fazer nesta vida.

Se, com este textão eu te convenci a ler, já fico feliz. Se não te convenci a ler os livros, mas você leu cada palavra daqui: já valeu também!

Agora quero saber o que você achou de tudo isso. Comente! Estou te esperando.

Continuar a ler

A maldição do tigre, Colleen Houck


Como eu disse aqui, eu me encantei pelo livro pela capa. A primeira impressão que tive do livro é que seria uma aventura cheia de magia, mitologia e uma pitada de romance. E eu estava certa.

A sinopse original diz o seguinte:

“Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.

Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem. ”

Kelsey é a típica adolescente perdida que não sabe o que vai fazer da vida. O trabalho no circo não estava na lista de seus sonhos, aliás sonho era uma coisa que ela não tinha muito. Foi no acaso que ela descobre sua grande aventura e um propósito na vida. Enfrenta medos, se apaixona e é forçada a amadurecer em pouco tempo. Mas, ela ainda mantém a cabeça de adolescente e tem umas birras durante o livro que me cansaram bastante.  Talvez porque eu esteja com quase 30 anos me sinta meio afastada da realidade dos 18 anos da personagem.  O que realmente me prendeu é: como ela vai quebrar a maldição.

A parte mais maravilhosa do livro – e aqui dou meus parabéns à autora – é a forma como ela mistura mitos hindus e de diversas culturas e costura tudo no enredo do livro. De verdade, eu nunca fui à Índia, mas suas palavras foram poderosas com a minha imaginação. Durante a leitura eu senti os aromas, o calor, o sol e toda a beleza da magia que se passa na trama.

Me inspirei na sabedoria do Senhor Kadam, suspirei com algumas atitudes de Ren, me surpreendi com a valentia de Kesley, ri com Phet, xinguei Lokesh e tive pena de Kishan. Eu fico aqui imaginando que daria uma excelente série, mas de fato, bem cara para dar conta de todos os efeitos especiais e locações.

Convido você, amigo leitor, a passear pela Índia e a se entregar, de corpo e alma, a este romance. Deixe o preconceito de lado e leia, vale a pena.

Li este livro muito rápido, nas minhas férias e não devo ter gastado mais de 20 horas para ler. Simplesmente amei.

HOUCK, Colleen. A maldição do tigre. Editora Arqueiro, 2011.

 

 

 

 

A promessa do tigre


Olá, este post é destinado ao livro “A promessa do tigre” de Collen Houck, autora da Saga “A maldição do tigre”. Eu fiquei sabendo deste livro quando descobri a saga e resolvi começar por ele, já que a sinopse explicava que ele era o início de tudo.

“Mais de 300 anos antes de Kelsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram.

Criada longe dos olhos da corte, isolada do convívio no castelo, Yesubai luta para suportar os maus-tratos do pai e manter em segredo suas habilidades mágicas. Lokesh é um poderoso e cruel feiticeiro que foi capaz de assassinar a própria esposa porque ela lhe deu uma filha em vez de um filho.

Ao completar 16 anos, Yesubai é surpreendida por um anúncio do rei. Procurando fortalecer suas relações diplomáticas, o nobre acredita que um casamento entre a filha de Lokesh, comandante de seu exército, e um pretendente de algum dos reinos vizinhos será uma boa estratégia para diminuir os conflitos na região.

A jovem recebe a notícia com alegria. Pela primeira vez ela enxerga um fio de esperança, a perspectiva de escapar do controle do pai e de levar uma vida fora do confinamento de seus aposentos. Mas esses não são os planos do feiticeiro. Ele vê no iminente casamento de Yesubai uma oportunidade de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios.

A Promessa do Tigre conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série A maldição do Tigre.”

No começo do livro me senti perdida porque não fazia ideia de quem era quem. Mas não demorou muito para me habituar. Em “A promessa do tigre” conhecemos a história de Yesubai sob o seu ponto de vista. Logo de cara podemos dizer que a obra é fantasiosa e me lembrou de certa forma Harry Potter por mexer com magia. E como sou fã da série, me senti instigada a querer conhecer o poder da menina.

A partir da sua trajetória, nota-se uma relação de submissão, quase escravidão, de sua filha perante o pai, Lokesh. O livro possui apenas 6 capítulos e 111 páginas numa letra grande e agradável. Achei excelente para quem tem medo de encarar uma séria. A autora nos dá um gostinho de sua escrita e também de uma ideia do que esperar da Saga do Tigre.

Se você ainda não iniciou a série, recomendo que inicie por “A promessa do tigre”. Se preferir não ler, não se assuste, não irá te atrapalhar com os outros 4 volumes, mas está aí uma oportunidade de ler mais sobre Lokesh e a rivalidade entre Ren e Kishan, além de entender o início da maldição.

E aí, topa?

HOUCK, Collen. A promessa do tigre. Editora Arqueiro, 2014.

Público: para quem gosta de literatura estrangeira, séries, magia, mitologia e não se incomoda com história de amor adolescente.

O livro secreto, de Grégory Samak


Olá, antes que você inicie a leitura deste post, aviso que está cheio de spoilers. Então, se você não gosta de saber o que vai acontecer antes de se perder nas palavras do autor, pare de ler imediatamente. Agora, se você, assim como eu, não se importa com o final, mas sim que gosta de ser surpreendido pelo desenrolar da trama, seja bem vindo. Aproveito para convidar você, meu amigo leitor, a discutir este livro que me deixou um tanto intrigada.

Eu conheci  “O livro secreto” por acaso. Estava chegando a data do amigo secreto da firma e eu precisava indicar presentes para quem me tirasse. Como eu gosto muito de ler, resolvi navegar nos sites de livraria buscando algum livro de ficção. Sim, gosto de ler histórias que nunca existiriam na realidade, não vejo problema algum nisso em deixar a minha mente ser comandada por palavras fantasiosas.

Eu já tinha lido alguns livros com a temática nazismo. Passei por “A menina que roubava livros”, “O menino de pijama listrado” entre outros. Apesar do holocausto me chocar, sou daquelas que não consegue assistir qualquer referência aos campos de concentração que já choro e sinto enjôos, a leitura me chama. Talvez justamente porque minha memória pegue leve nas cenas mais tensas…não sei dizer…

Enfim, escolhi esta obra do Grégory Samak porque ele apresenta um personagem judeu que seria capaz de mudar a história da humanidade. Veja bem:o que você faria se encontrasse a biblioteca divina na qual está repletas de livros contando a história de cada pessoa que já viveu, vive ou ainda viverá na Terra? Mais magnífico que isso seria imaginar o que você faria se descobrisse que fosse capaz de alterar o rumo da vida de alguém, ou até mesmo mudar a história da humanidade?

São com estes questionamentos que conhecemos Elias Ein, um judeu que mudou recentemente para a Áustria para morrer em sua solidão. Elias, como a maioria dos judeus alemães, teve sua família exterminada durante o holocausto e carregou dentro de sim, a pergunta de como seria se Hitler simplesmente não tivesse existido.

Eis que, na ficção, ele tem a oportunidade de mudar a história. Ao tocar as letras do Livro Sagrado, ele nos leva a Alemanha pré-holocausto e nos mostra as suas tentativas de assassinato ao Hitler. Confesso que enquanto lia, o meu lado racional tentava sabotar o livro: como, como ele mudaria o rumo disso? Como uma ficção pode querer mudar o rumo de uma história tão trágica?  Mas, eu batia em minha cabeça que o autor poderia fazer a viagem que ele quisesse e que eu estava disposta a segui-lo.

Me lembrou um pouco daquele filme “Efeito borboleta”, sabe? Uma simples decisão que tomamos hoje pode influenciar todo o curso da nossa história. Nisso, o livro estava me prendendo bem. Enquanto o assassinato de Hitler não acontecia, estava muito interessante. As viagens que Elias fez ao passado, a mudança na vida de Sof, seu vizinho, me deixavam pregada no livro.

Até ele finalmente viajar para 1922, antes de Hitler ser o Hitler e matá-lo. A partir deste momento, senti que o autor se perdeu. Se perdeu na magnitude da ideia que ele mesmo construiu: O holocausto existiria mesmo sem Hitler?

A narração ficou acelerada, cortada e quase perdi o fio da meada da história dele. E o final do livro me decepcionou. Ele me fez acreditar que tudo tinha mudado e, por mais irreal que tenha parecido, eu estava feliz com a mudança. Afinal, estamos falando de um livro de ficção. Mas, seja por vontade dos editores ou do próprio autor, senti que houve um medo de brincar com isso e ele encerra o livro com uma situação política muito parecida com o holocausto: judeus sendo perseguidos, presos e exterminados.

Desculpe, Samak…errou ai. Por que tentar encaixar a sua ficção na realidade? Por que brincar de Deus e depois me justificar que os judeus tinham que morrer de qualquer forma?

Se a sua intenção era me deixar intrigada, parabéns, você conseguiu.

 

Sabor da paixão


Uma das coisas que mais gosto no Netflix é quando ele faz a sugestão de filmes pra mim. Gosto porque costumam aparecer uns títulos que jamais imaginei que existia.

Um deles me chamou a atenção “Sabor da paixão (woman on top)”. Chamou a atenção porque vi Penélope Cruz como uma personagem baiana, interagindo com atores brasileiros, entre eles, Murilo Benício. Se eu tinha ficado curiosa com esta mistura, me choquei mais ainda ao ver que o filme era em inglês.  Sim, senhoras e senhoras.

A trama se passa boa parte no nordeste brasileiro e eles falam em inglês, praticamente o tempo inteiro. De curiosa, cliquei para ouvir em português e me assustei ao não ouvir a voz do Murilo, mas sim, outro dublador.

Tico e teco na cabeça quase piraram rs rs

O interessante é que finalmente entendi o sotaque dos brasileiros falando em inglês. Alguns atores soavam bem mecânicos, mas outros até que me enganaram. A história não é das mais interessantes.

“O sabor da Paixão” conta a história de Izabella uma baiana que tem problemas com enjôo e que encontra conforto na cozinha. Já que estamos falando do Brasil, podemos dizer que ela é uma cozinheira de mão cheia.

Ela se apaixona por Toninho (nome mais brasileiro, impossível) e juntos abrem um restaurante. Mas, como toda caracterização de homem nativo, ele trai Izabella e ela resolve ir para São Francisco morar com seu amigo que se veste de mulher. Nesta viagem, Izabella faz uma oferenda a Iemanjá pedindo que a ajude esquecer de seu marido.

Lá, ela encontra um americano que se encanta por ela e resolve dar uma chance para ela na TV. Izabella encanta a todos com sua beleza e talento e fica famosa. No Brasil, Toninho está a falência e sente falta da esposa. Ele vai até São Francisco para recuperar o seu amor.

É um romance pastelão, mas é interessante observar como somos retratados por aí.

ps: certas expressões brasileiras não fazem sentido algum no inglês rs

Ame o que é seu, Emily Giffin


Está aí um livro que considero um conto de fadas ou um episódio de “Sex and the City”.

Ellen é uma garota mulher que está em um impasse. Tem um casamento perfeito com o irmão de sua melhor amiga. Vive em um apartamento em Nova Iorque e é fotógrafa.

Assim como a maioria dos seres humanos, teve um relacionamento antes de seu marido com o Leo. Leo, o cara que mexeu demais com ela quando tinha seus 23 anos. Era aquele tipo de amor obsessão que ela largava tudo pra ver o rapaz. Abriu mão dos amigos, tinha um emprego medíocre e sem ambição na vida.

Tudo muda quando o Leo fica frio e o relacionamento termina. Termina daquele jeito que enlouquece qualquer mulher: termina de um jeito que nao teve realmente um ponto final. Mas o tempo passa e ela se encanta com Andy, irmão de sua melhor amiga.

Pouco tempo depois eles se casam e vivem uma vida boa, agradável, nas palavras da personagem. Mas o ser humano é ingrato e ela fica se questionando como teria sido se ainda estivesse com o Leo. Eis então que o ex reaparece, por acaso, em sua vida e todo aquele sentimento de coisa inacabada volta ao coração de Ellen.

Ela racionaliza e decide mudar para Atlanta com Andy, deixando sua carreira, vida agitada e talvez seus sentimentos por Leo em Nova Iorque.

Mas a ponta do sentimento dela não quer afundar, quer ficar ali cutucando ela. Enquanto eu lia o livro só conseguia pensar o quanto ela estava brincando com o fogo e sabendo que se fosse relato de uma vida real o final não teria sido tão feliz.

Eu adoro contos de fadas, sonho com episódios romanceados de seriados para mulheres, mas este livro me incomodou. Eu realmente, e pela primeira vez, torci para que a protagonista se desse mal.

Sei que se trata apenas de um livro, uma história inventada, mas talvez tenha sido exatamente pela falta de elementos que eu teria julgado como reais tenham me feito desgostar da obra.

Nota- se que li o livro de uma tacada só e torci para ela se dar mal porque faltou um elemento fundamental para que eu gostasse do livro: o tal ponto de virada ou, se preferir, faltou me surpreender.

Pra quem não tem esta exigência de ser surpreendido, vale a leitura.

Uma prova de amor, Emily Giffin


Este foi um dos livros que a minha mãe emprestou pra eu ler. 

Lendo a sinopse pude de cara me idendificar com um dilema que já passei pela vida: qual é o proximo passo?

Você nasce, estuda e depois? Trabalha, pode ser que encontra alguém.. que se case e depois? Filhos?

Por muito tempo eu me imaginei sem filhos e muito menos casada. Achava que viveria pra mim apenas, que seria rica, teria meu apartamento e viajaria pelo mundo várias vezes ao ano.

Eu estudei, fiz duas faculdades até e tive o lindo merecimento de encontrar um alguém que hoje é o meu marido. Obviamente que a partir do momento em que disse “eu aceito” a sociedade já me veio com a seguinte cobrança: quando você vai ter filhos?

Não que eu não queira, mas ainda não sinto que é a hora.  E o engraçado deste livro é que fala desta cobrança, a cobrança de ter filhos.

Cláudia e Ben tinham um relacionamento perfeito. Os dois não queriam ter filhos, viajavam sempre que podiam e estavam concentrados em suas carreiras.

Até que em determinado momento, algo mudou. Algo pequeno, simples, mas profundo. Ben deseja ser pai.

A partir do ponto de vista de Cláudia, acompanhamos sua jornada, sua dificil escolha entre manter o seu relacionamento ou manter seu desejo de não ser mãe.

Ela passa por poucas e boas, inclusive por aquelea diálogos familiares onde costuma haver maior cobrança pela prole.

“Uma prova de amor” é um romance típico feminino e Cláudia poderia ser ate uma blogueira famosa que posta seu dia dia.

É praticamente impossível não se identificar com alguma personagem. Seja Cláudia, ou uma de suas irmãs: Daphne que deseja ter um filho desesperadamente, mas não consegue ou Maura que tem três filhos, é rica, mas seu marido a trai.

Ou mesmo sua mãe, Vera, que abandonou a família quando encontrou um outro amor. Ou até mesmo a amiga Jess, corpo maravilhoso, rica, inteligente, mas sofre todos os casos no campo amoroso.

Para ajudar, o livro tem sua fonte grande confortável, capítulos médios e fácil leitura. E apesar de parecer um livro “mamão com açúcar”, ou seja que você acha que não vai aprender nada, me surpreendi com uma auto análise enquanto lia e vi que nao há problema em ter medo do desconhecido, que não preciso seguir regras e que posso ser feliz ao meu modo.

Recomendo a leitura para mulheres que sabem o que querem, para aquelas que acham que sabem e para aqueles que não fazem ideia.

Jardim de inverno, Kristin Hannah


jardimConheci este livro por acaso. A minha mãe, assim como eu, se empolgou com os livros de Lucinda Riley e isso despertou a nossa paixão por romances. Logo, ela foi passear por livrarias e deu de cara com “Jardim de inverno” da Kristin Hannah.

O primeiro contato que tive com as palavras de Hannah foram na sinopse:

Jardim de Inverno – Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas.
A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história.
Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.
“Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.”
– Publishers Weekly
A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrad congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Quando percebi que era uma jornada ao passado (ao estilo Riley), fiquei curiosa para ler. Logo de cara senti um certo ódio de Anya pela falta de atenção e carinho com suas filhas e queria entender o que o conto de fadas tinha a ver com toda esta frieza. A autora, de forma brilhante e envolvente, vai nos contando pouco a pouco a narração da vida atual destas filhas ao mesmo tempo que nos leva ao passado de Anya e ao mundo criado por ela que mistura fantasia e realidade.

Para quem gosta de ouvir histórias a respeito da segunda guerra mundial fugindo do tema holocausto, fica uma narrativa surpreendente em detalhes e sentimentos.

Não quero falar mais detalhes do livro porque eu mesma fiquei tentando toda hora descobrir sozinha o final, mas amei a forma como fui surpreendida pela autora. Este livro entrou na minha lista dos favoritos.

Não chega a ser tão grande, menos de 500 páginas, o que facilita para “segurar o livro e não cansar de ler”

Este foi o primeiro livro da Kristin que li. Sei que tem mais 17 obras publicadas no Brasil que torço para que sejam tão emocionantes e belas como “Jardim de inverno”.

HANNAH, Kristin. Jardim de Inverno. Novo conceito, 2013.

Bum bum bum, Castelo Rá-Tim-Bum


Quando eu era criança, mais ou menos uns 7 anos, lembro que a TV Cultura lançou o “Castelo Rá Tim Bum”. E pra mim foi mágico. Não digo nem pela magia já existente no roteiro, mas sim, porque já me dei conta na época que estava vendo algo inédito na TV, feito no Brasil.

Eu acompanhava o mundo de Beakman e outras coisas que passavam na TV Cultura, mas como os episódios se repetiam muito, algo em mim (talvez o instinto de rádio e tv que nasceria alguns anos depois) me dizia que nada daquilo era novidade. Não que eu achasse ruim, de modo algum. Aliás, meu marido ainda fica inconformado com a minha capacidade de assistir o mesmo filme/seriado milhões de vezes sem me incomodar (ele fazia isso com o Chaves, mas nunca se deu conta rs). Mas quando eu vi pela primeira vez o Castelo e notei que o episódio seguinte era diferente, me encantei.

Claro que eu sonhava em ter o vestido da Biba, queria que a porta do meu quarto fosse tão legal quanto a do Nino, achava a Celeste a coisa mais fofa, apesar de morrer de medo de cobras, e cantava todas as músicas do ratinho de massinha e também as outras que passavam pelo programa.

Me encantei com a biblioteca e o gato inteligente e me divertia horrores com o Etevaldo (mesmo tendo medos de ETs rs). Vai ver o interesse pelo jornalismo possa até ter algo a ver com a Penélope…vai saber rs….só sei que “Castelo Rá Tim Bum” fez parte da minha infância e eu confesso que fiquei muito triste quando acabou.

Eis que, anos depois, o museu de imagem e som, em São Paulo, resolve fazer uma exposição com os cenários, bonecos e figurinos. Eu quase surtei quando vi rs. Demorei para visitar por causa da super lotação, mas aproveitei uma sexta-feira de férias e fui com minha mãe e minha prima.

Chegamos lá por volta das 13h30 e conseguimos ingresso para às 16h00. O jeito foi ficar por ali, aguardando o horário. Observar o público da exposição era bem interessante. Vi muitas pessoas que a faixa etária parecida com a minha e muitas destas pessoas já tinham filhos pequenos ali. (tenho certeza que usaram o filho como desculpa para visitar a exposição rs)

A exposição

Eu simplesmente queria tirar foto de tudo!!! Fiquei encantada de ver que a entrada era a porta do Castelo com o porteiro e o piso era igual ao da TV! Muito fofo! O meu lado radialista deu de cara com a sinopse na parede e quase chorei. Fiquei encantada de ver os roteiros, mapas de cenário e a carta convite do Cao Hamburguer para assistir ao programa. Tudo muito lindo.

Lá você consgeue ver o laboratório do Tíbio e do Perônio, a oficina do doutor Victor, a sala de estar (onde ficam o piano, a TV escondida na caixa preta), a biblioteca, o encanamento onde fica o Mau e o Godofredo, a cozinha, o quintal da Caipora, o quarto do Nino, a sala onde fica a Celeste, a escada incrível da Morgana, o quarto da Morgana, o lustre das fadas, o cenário dos passarinhos…tudo muito lindo! Para quem era fã do programa, é visita obrigatória.

Mas corra, eles expandiram até o dia 16 de novembro e nos finais de semana só vendas online. Vai com paciência, mas vá. Vale muito a pena.

Quem sabe não incentiva a ter uma expo assim do Cocoricó? Ou quem sabe não desperte novamente a produção audiovisual brasileira para programas infantis tão bons quanto o Castelo?

Informações: Exposição Castelo Rá Tim Bum

Ele “só” tem 30 anos de carreira!


Fazer sucesso é fácil, difícil é construir uma carreira sólida onde o sucesso é apenas uma consequência. Acho que isso define muito bem a carreira do cantor Daniel. E que maneira melhor de celebrar 30 anos na estrada com a gravação de um DVD? E que tal melhorar essa ideia fazendo um musical que conte a história desses 30 anos?

Foi exatamente isso que José Daniel Camilo,44 anos, fez ontem, dia 24 de abril de 2013, no Credicard Hall, em São Paulo. Quando recebi o convite de prestigiar este momento histórico, fiquei emocionada. Admiro o trabalho dele, gosto das músicas, da voz e quando o conheci, gostei da pessoa que ele é. Ainda não vi uma pessoa que falasse mal dele e, na imprensa marrom, isso é quase impossível de acontecer.

Como já disse acima, a gravação seria de um musical. E, foi assim mesmo. Quando as luzes se acenderam, um garotinho entra em cena com um gravador cantando “Romaria”. Logo deu para perceber que se tratava do Daniel mirim. Nesta mesma cena, vimos dois atores/cantores/bailarinos representando os pais do Daniel. Momentos depois, entra o próprio Daniel que também canta trecho da mesma música.

A história do cantor foi cantada a partir da música. Música de autores consagrados, músicas que fizeram sucesso com outros intérpretes e músicas da dupla João Paulo e Daniel e que ficaram famosas com o Daniel, já em carreira solo.

Foi muito interessante ver João Paulo e Daniel novinhos em cena, sendo muito bem interpretados pelos atores. O palco era simples. A orquestra na parte de cima e toda a arte estava nos painéis de LED e no jogo de luz que encantava demais. Daniel não só cantou, como atuou e dançou.

Um dos momentos auge, foi a representação da morte de João Paulo. Quando o sucesso da dupla “Te amo cada vez mais” começou, eu já sabia que se tratava do fim da dupla. Os bailarinos dançavam lindamente, Daniel interpretou com o coração e o ator que representou o João Paulo ia saindo lentamente pelo palco enquanto uma tempestade era representada nos painéis. Foi de arrepiar.

Momentos depois, Daniel sai do palco e os atores, imobilizados, começam a falar o que devem ter falado ao cantor no momento do fim de dupla: palavras de incentivo para que ele continuasse. E quando Daniel volta, volta com a música perfeita “Tocando em frente”. Nossa, caiu até uma lágrima. Foi tudo tão sutil e muito bem feito.

A partir deste momento, começamos a ver a ascensão de Daniel na sua carreira solo. Cantou trechos de seus maiores sucessos embalados por um público emocionado.  Uma parte divertida do show é quando os bailarinos descem do palco e selecionam algumas pessoas para dançar no palco “A Jiripoca”. Divertidíssimo!

Eu, particularmente, estava esperando pela música “Pra ser feliz”. E quando ele cantou, voz, violão e uma percussão ao fundo, fiquei ainda mais encantada. Simplesmente sensacional.

O musical encerrou com o novo sucesso interpretado pelo cantor: Tantinho. Mas encerrou de uma forma que sabemos que se passaram 30 anos, mas ainda não chegou ao fim. Tem muitos mais anos pela frente aí de carreira. Sucesso, Daniel!!

Hoje, dia 25 de abril, também tem a gravação, mas é show aberto ao público. Agora fico na expectativa para ver o resultado do DVD.

Para quem quer saber quais foram as músicas cantadas, segue:

1. Romaria
2. Poeira na Estrada
3. Saudade da Minha Terra
4. Solidão de Amigos
5. Desejo de Amar
6. Rosto Molhado
7. Só dá você na minha vida
8. Hoje Eu sei
9. Eu me amarei
10. Que dure para sempre
11. Estou apaixonado
12. Te amo cada vez mais
13. Bridge over troubled water
14. Ela tem o dom de me fazer chorar
15. Tocando em frente
16. Adoro amar você
17. Um dia de domingo
18. Eu amo amar você
19. Quando o coração se apaixona
20. Fricote
21. Dengo
22. A Jiripoca
23. Meu mundo e nada mais
24. Pra ser feliz
25. Esperança
26. Os amantes
27. O menino da porteira
28. Disparada
29. Nos bailes da vida
30. Tantinho

As fotos, eu retirei do Uol.com.br

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Uma noite com Yanni


Nessa quinta-feira eu realizei um sonho. Aliás, eu e o noivo realizamos um sonho. Fomo ao show do Yanni no Credicard Hall, na turnê “One evening with Yanni”. (pra quem curte, ele está em São Paulo até amanhã)
Eu conheci as músicas do Yanni em 2005, logo no início do namoro. Nunca vou esquecer a emoção que foi ver o DVD dele de Acrópolis. Eu nunca tinha escutado nada igual e fiquei impressionada. Desde então, procuro os dvds e músicas dele e sempre ficava de olho se algum dia ele viria se apresentar no Brasil.

Na primeira vez que ele veio, perdemos a chance de comprar os ingressos: se esgotaram quase que instantaneamente. Mas, desta vez, ganhamos um par e fomos alegres e contentes prestigiar este instrumentista grego. Chegamos lá e já percebemos que a orquestra é reduzida em comparação ao que já tínhamos assistido em dvd, mas a emoção continuou.

Esta é a abertura filmada por alguém que estava na plateia superior

Eu confesso que as lágrimas caíram no momento em que a orquestra entrou.

Fiquei extremamente feliz de ver que o Yanni trouxe consigo: Charlie Adams, seu baterista que nos supreendeu no meio do show com um incrível solo de bateria e ainda usando o uniforme da seleção brasileira. Samvel Yervinyan, nos violinos, o armênio que manda muito bem. Já tínhamos admirado o trabalho dele nos dvds e foi emocionante vê-lo ali ao vivo. O arpista ,Victor Espinola, com cabelos curtos e bem mais velho, mas com um talento admirável.

Fiquei muito feliz de conhecer praticamente todas as músicas que ele tocou. É claro que para mim, 0 momento ápice foi quando ele tocou “storm”.

– este é do DVD.

Um momento que me fez chorar muito foi a música Nightingale que Yanni compôs especialmente para a China. Ouçam a voz da cantora. É de chorar…linda demais

Cenas engraçadas e divertidas

1) Charlie com uniforme da seleção e no meio do solo da bateria, ele bebe água.
2) Yanni falando em português: frases como “Olá, obrigado são paulo, boa noite brasil e jamais esquecerei vocês”
3) Yanni fazendo discurso em inglês e o tradutor traduzindo mal e porcamente. Detalhe que até o Yanni percebeu e deu risada.
4)  Fãs doidas gritando “Yanni lindo” e ele dando risada

Enfim..foi tudo de bom. Quero ir mais vezes com certeza. Mas é bom juntar dinheiro porque um show deste é beeeeem caro, mas vale a pena. ô, se vale. Guardarei esse dia na memória!

Jorge e Mateus ao vivo em Londres e algumas horas mais tarde nos cinemas brasileiros


A expectativa era grande. A data havia sido marcada para o dia 20 de setembro de 2012. A dupla sertaneja Jorge & Mateus estaria pela primeira vez na casa mais famosa de shows de Londres, “Royal Albert Hall”, mesmo local em que Adele e grandes nomes da música já passaram. A casa suporta menos de 4 mil pessoas e pelas imagens, o número estava bem próximo: praticamente lotado.

A gravação do DVD foi dirigida por Hamish Hamilton, que já dirigiu Madonna e U2 e teve uma direção de fotografia e arte de tirar o fôlego. O cenário era apenas um telão e nele se via as mais belas imagens.

Mas eles não ficaram só nisso.

Fizeram uma parceria com a Rede Cinemark e este mesmo show seria transmitido no mesmo dia na rede de cinemas. 16 cidades brasileiras tiveram acesso à novidade. Tudo muito mágico para os milhões de fãs da dupla.

Porém, o show não foi ao vivo como o de Chitãozinho & Xororó para a Ford no ano passado no Villa Country, com transmissão simultânea pelo YouTube. Com algumas horas de atraso, o show aqui no Brasil estava marcado para as 21h (e já tinha sido encerrado 4 horas antes). E veio editado porque normalmente uma gravação de DVD tem algumas pausas, repetição de música por problemas técnicos dentre outras coisas.E no cinema, show direto.

Tive a experiência de assistir ao show no Cinemark do Shopping Iguatemi. A sala não estava lotada, mas foi o show iniciar que tive a impressão que as pessoas conseguiram se sentir em Londres.

Digo isso porque todas as músicas tocadas tiveram coro na sala, palmas, mãozinhas pra cima e até algumas pessoas levantaram para dançar. Claro que lembrei do meu TCC (rs), porque da mesma forma que Hitchcock conseguiu fazer uma metáfora do cinema com “Janela Indiscreta” ,o Cinemark nos fez sentir no show em Londres, só que o inverso que o filme fez. Em “Janela Indiscreta”, Jefferies age como o público do cinema e no cinemark, agimos como o público que estava presente no show.

Foi algo interessante de se ver. Brecht não iria curtir a brincadeira, certeza. Afinal ele gostaria de lembrar que estávamos na sala de cinema e não nas arquibancadas em Londres.

Infelizmente, a transmissão teve algumas quedas de sinal e o show terminou de uma maneira brusca, fade out e fim. Soubemos que lá na terra da rainha teve bis do novo sucesso “Flor”, mas por aqui, foi-se a última música e a luz do cinema se acendeu. Mas tenho quase certeza que isso não tirou o brilho dos olhos de quem esteve lá em Londres e de quem conseguiu comprar o ingresso do cinema.

Foi uma maneira criativa de divulgar o trabalho e imagino que muito em breve, os artistas irão nos surpreender cada vez mais. Eu, estudante de rádio e tv, fico cada vez mais encantada com as possibilidades que a tecnologia nos traz para fazer o nosso trabalho cada vez mais com maestria e criatividade. Sensacional.

Vamos alguns videozinhos não oficiais?

Alguém lá no show, live in London

Muita gente filmando pelo cinema. Sim, os lanterninhas tentaram impedir várias vezes, sem muito sucesso.

Este aqui é o vídeo oficial de “Flor” que fez parte do DVD de Floripa

Coração de tinta, 2009


Quando eu era pequena lia muitos livros de contos de fadas e histórias apropriadas para a minha idade, mas não me lembro de ter os meus pais lendo alguma dessas histórias em voz alta.

Não vejo isso como um problema, afinal eu despertei assim a vontade de ler e percebi desde cedo que cada um lê uma história de um jeito, com entonações e criação da figura dos personagens na cabeça à sua maneira.

Assistir “Coração de tinta”, com Brendan Fraser é como experimentar a nossa leitura se tornando realidade. No filme, Mortimer é um língua de prata, pessoa capaz de transformar a história em realidade quando a lê em voz alta.

Sem saber deste dom, ele lê uma história para sua filha e sua mulher acaba ficando presa dentro do livro enquanto que alguns personagens saltam para a realidade e atormentam o rapaz.

O enredo mostra a saga de Fraser atrás de uma cópia deste livro para tentar resgatar a sua mulher. Infelizmente, a história pouco abusa dos efeitos especiais que poderia ter e acaba ficando meio sem sal e sem açúcar já que o roteiro não se segura. Destaque da atuação para Dedo Empoeirado e Maggie, filha do personagem principal.

A trilha agrada, mas de nada adianta uma super trilha se as imagens não correspondem a emoção das notas emitidas. Só sei de uma coisa: ainda bem que assisti a este longa em casa…ficaria muito brava em gastar dinheiro no cinema. Mas tudo bem, valeu a tentativa de imaginar como seria ver os personagens dos livros que já li bem na minha cara.

Operação Frente Fria


Fazia muito tempo que eu não acordava com um frio desses. Quinta-feira, 5 de agosto de 2010, São Paulo amanhece com 10°C, mas a sensação térmica parece bem menor. Se eu, que acordei cheia de cobertas e bem agasalhada, tremi de frio ao por o pé para fora da cama, não pude deixar de pensar nos moradores de rua.

Lembro que quando trabalhei em uma Subprefeitura havia uma coisa chamada “Operação Frente Fria” que consistia em distribuir cobertores aos sem-teto e até mesmo recolhê-los  a um abrigo quando a temperatura batia dez graus. Eu achava isso admirável. Sei que não iria resolver o problema, é um paliativo, e as pessoas precisam de muito mais, mas mesmo assim esse trabalho de certa forma me confortava. Será que isso existe ainda?

De acordo com uma busca feita no Google, não. Não encontrei nenhuma notícia recente sobre isto. Eu espero mesmo que seja resultado da negligência da imprensa em cubrir matérias assim do que a falta deste tipo de serviço.

Em época de eleição a cargos altos, isso deveria ter certa relevânica. Se bem que a chance de um morador ter um título de eleitor é pequena, mas não é por isso que eles devem ser ignorados. Afinal, não é um problema restrito à cidade de São Paulo.

Shrek chega ao capítulo final (?)


E a saga “Shrek” chega ao fim, aparentemente. Estreou nesta sexta-feira o capítulo final da série que tira sarro dos contos de fadas e foi com grande expectativa que fui ao cinema conferir meu ogro favorito.

Mas, tive uma pequena decepção. Shrek para mim era um grande tirador de sarro das histórias infantis e a cada episódio havia um mix de paródias dessas histórias regado a muitas piadas e bom humor. Desta vez foi diferente. Fomos literalmente introduzidos ao conto de Rumpelstiltskin, aquele duende que faz o acordo com a princesa: ele promete transformá-la em rainha se ela der o seu primeiro filho a ele.  A recisão do contrato era advinhar o nome dele tão complicado. Está lembrado?
Veja o vídeo abaixo da série “Contos de fada” da TV Cultura.


Pois é, desta vez o conto manteve as suas características na animação da DreamWorks, quase sem pitadas de risada. Shrek está entediado por não ser mais temido pelos aldeões. Juntando a isso, vem a rotina de cuidar dos seus trigêmeos. Cansado de tudo isso, assina um acordo com Rumpelstiltskin, que lhe promete um dia de ogro.

Aqui começa a trama. Todos estão diferentes, Burro não conhece Shrek, mas continua cantarolando, o Gato está mais gordo do que nunca e a Fiona é uma ogra revolucionária que tenta, junto com outros ogros, derrubar o reino de Rumpelstiltskin. Como todo vilão, Rumpelstiltskin faz de tudo para que Shrek não cumpra a recisão do contrato que, no caso, é o beijo do verdadeiro amor.

“Shrek para sempre” ficou parecendo um desenho cheio de “moral da história”com apenas alguns momentos engraçados garantidos pelo Gato de Botas e o Burro. Se esta foi a real despedida da animação, deixou muito a desejar.  Não vi a cópia em 3D, mas acho que nem isso salva o roteiro fraco do capítulo final.

Veja trailers


Uma opinião sobre “Eclipse”


ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS

Ontem eu fui assistir  “Eclipse”, terceiro filme da Saga Crepúsculo.  Estava empolgada porque muita gente que detesta a série dizia ser o melhor até agora. Sem contar que fãs enlouquecidas compraram mais de 90 mil ingressos antecipados para ver a pré-estreia  às 0h00 do dia 30 de junho.  Até pensava que não seria possível assistir neste final de semana.

Mas como metade das salas do cinema que freqüento estava oferecendo o longa, consegui. Compramos pela internet para evitar demoras, jantamos e momentos antes fomos para a fila que já se formava na frente da sala.

O filme começa com uma sacada boa que não tem no livro. Grande mérito do roteirista.  Logo de cara sabemos como Riley foi transformado em vampiro. Este personagem até ganha um destaque que não havia no livro. Conhecemos seus pais e como Charlie, pai da Bella, fica preocupado com o desaparecimento do jovem rapaz.  Mas a parte surpreendente acaba aqui.  O logo da saga aparece e tudo começa a desmoronar.

Uma das milhares cenas de amor entre Bella e Edward

Não culpo o diretor, culpo o responsável pela montagem do filme. Isto porque em quase todas as cenas de diálogo os cortes de plano e contra-plano estão MUITO, mas MUITO mal feitos. A não ser que a ideia original fosse que a gente não visse o personagem que fala e somente aquele que está ouvindo.

Um exemplo, uma cena super delicada e engraçada entre Bella e seu pai na cozinha. Charlie tenta iniciar uma conversa sobre sexo seguro com sua filha. No livro, dá para sentir a tensão, mas na telona a cena fica esquisita. Quando Charlie está falando, só vemos a cara da Bella e vice-versa. Ainda mais quando ela anuncia que é virgem. O plano nela tem 1 segundo e já corta para um plano geral dela correndo para a escada. Aquilo me incomodou, pois em todo filme os planos e movimentações de câmera fazem com que a gente se sinta dentro do filme, como um figurante.  Basta lembrar da primeira vez em que Jacob aparece na tela: câmeras meio tremidas, planos curtos e em detalhes. E bem nesta da cozinha, há um corte brusco que nos distancia.

Os Cullen se preparando para lutar contra os recém-criados

O mesmo ocorre com a luta entre lobos, vampiros e os recém-criados. A cena de luta de Neo e Smith em Matrix, ganha de dez a zero.  Acho que aqui houve um abuso da tecnologia, é tudo tão rápido que não dá para entender muito. Só vemos borrões. Em Matrix, havia bons planos das reações dos personagens.  Mas a tecnologia teve seu lado bom sim. Os lobos foram muito bem feitos. Os pêlos são tão incríveis quanto os de Sully, em Monstros  S.A.

Voltando à montagem, enquanto eu assistia ao filme surgiu uma dúvida: será que quem não leu o livro está entendendo alguma coisa? Para quem não leu: quando Bella diz: “Sou a Suíça”, faz algum sentido para você? Se você leu o livro, faz.

No desespero de comprimir a história em algumas horas fez com que o filme perdesse a continuidade. Está tudo jogado.  Uma montagem bem esquisita e diferente dos outros longas da série.

Aqui me atrevo a fazer outra comparação: Eclipse é fantástico na direção de arte, os cenários estão lindos, atores mais preparados e o filme mais sombrio como no livro, mas como fã da série, Catherine Hardwick foi , para mim, mais fiel à adaptação. Com orçamento baixíssimo, o filme com certeza respeitou muito mais coisa que Eclipse.

Mas isso vai de gosto de cada um. É inegável dizer que a série tomou grandes proporções e deixou muitos cinéfilos e críticos de cinema bravos por uma história tão mamão com açúcar e com atores quase sem experiência ser aceita pelo público.  Dá vontade de rir. Sério. Falem bem, falem mal…mas tudo mundo está falando de “Eclipse”.

Eu poderia escrever muito mais coisa neste post, mas vou aguardar o resultado dele. Se rolar diálogo, escrevo mais.

Leitura de metrô: “A cabana”, de William P. Young


Capa do livro

Andar de metrô é uma ótima maneira para saber quais livros estão na lista dos mais vendidos. Muitas vezes eu nem reparo nas capas abertas, mas teve um livro que se destacou: “A cabana”, de William P. Young. Lançado em 2007 pela editora Sextante,  já foram vendidos mais de 7 milhões de exemplares no mundo inteiro.

Foram alguns meses observando as pessoas com os olhos pregados nesta obra sem se preocupar com o empurra-empurra do horário de pico. Foi isso que chamou a minha atenção.

Eu adoro ler livros que te sugam dessa forma, que fazem você esquecer onde está …são os que eu chamo de “Leitura de metrô”. Confesso que demorei para comprar, foi preciso um descontão da livraria para finalmente começar a ler este livro.

A capa dele é linda, tem um gráfico impressionante e as folhas são daquelas texturas fáceis de ler e virar páginas, de modo que é possível esquecer que está lendo o livro e, assim,  acabo entrando de corpo e alma na história.

“A cabana” conta a história de um pai cuja filha desapareceu e o único resquício foi a roupa ensaguentada da menina dentro de uma caverna velha e abanadonada. A editora coloca na sinopse que a história começa quando este pai, Mackenzie Allen Phillips, recebe um bilhete supostamente de Deus para que ele volte a cabana.

Até aí parece um romance espírita ou coisa do gênero. Eu diria que até se encaixa, mas conforme fui lendo não chego a concordar que parece uma oração, mas literatura mesmo. Daquelas bem fantasiosas capazes de criar lindas imagens enquanto você lê.

Tem muita gente que não gostou, mas para mim foi muito especial, me tocou profundamente até que chorei por causa de algumas partes, sem contar que refleti sobre a minha vida em alguns aspectos. Calma, não é livro de auto-ajuda. Eu encarei como um lindo romance, uma história de amor e vingança da morte da própria filha.

A partir daqui o texto passa a ter spoilers

Quem não gostaria de receber as respostas que tanto busca? Ou de ter uma conversinha com Deus tête-a-tête para entender por que coisas ruins acontecem com você? É aí que o livro se torna mágico.

Não se desespere, não há nenhuma religião defendida pelo livro, ao contrário, ele questiona para que serve uma religião se a pessoa não deixa Deus habitar dentro de si.

O interessante para mim foi que muitas das perguntas do personagem, principalmente quando ele se revolta, já se passaram para a minha cabeça e o livro, de certa forma, dá uma resposta. Ela não precisa ser necessariamente a verdade revelada num livro, mas despertou a consciência para avaliar melhor os aspectos da minha vida.

Eu fico imaginando como seria um filme adaptado deste livro. Certamente teria a melhor fotografia, pelo menos na minha cabeça, claro. Quem sabe não vai para as telonas?

Se interessou pela leitura? Vá sem preconceitos e deixe as palavras te envolverem. Deixe as suas crenças de lado, ainda mais se for descrente, e encare um livro sobre o sofrimento de um pai que perde uma filha.

Se você já leu, comente aqui o que achou.

Audiopasseio – Metropolitana 98,5 FM


Este post é dedicado ao trabalho que fiz junto com a Bruna Marques para a disciplina Produção de Rádio, chamado Audiopasseio.

A tarefa era sair pela avenida paulista com gravador na mão e falar sobre alguma rádio FM. Escolhemos a Metropolitana porque era uma das rádios que as duas já escutaram e ainda escutam algumas vezes.  O desafio era escolher o que falar…tem tanta coisa…mas o formato estava claro.

Íamos ficar as duas falando para o celular no meio da rua, mesmo que o som ficasse chiado, não tinha problema, era esse o objetivo mesmo

Quanto a experiência de fazer um trabalho desse:

O texto demorou um pouco pra sair, mas no final deu tudo certo. Do jeito que estávamos dava para fazer um programa com 1 hora de duração, mas conseguimos finalizar com 22’29”.  A escolha das músicas foi fácil, bastou olhar as dez mais pedidas do mês de abril.

A parte mais difícil foi lidar com as pessoas na paulista. Primeiro um cidadão vestido de lojas Renner da cabeça aos pés queria porque queria que a gente participasse de uma pesquisa. Falávamos que não dava e o cidadão ficava insistindo em vender o cartão de crédito. Meu…como existe pessoas inconvenientes nesse mundo!  Mal nos livramos dele, dois outros pararam na nossa frente e ficaram ouvindo a gente gravar. Até aí, normal..o ser humano é curioso e não pode ver gente gravando que já acha que é famoso.

Mas as duas criaturas ficaram esperando a gente dar uma pausa para entregar panfleto! PANFLETO!!! Pelo amoooooooooooooooorrrrrrrrr !!!! Não tem mais o que fazer não? Affe…sem noção.

Enfim, tirando essas bizarrices que só a paulista oferece para você o trabalho foi muito legal de fazer. Tive dificuldade com o Sound Forge pra editar, mas nada que uma fuçada aqui e outra ali não resolvesse o problema. O resultado você pode ouvir neste link.  Mas separe aí 22’29” do seu tempo,  pois, como eu disse, nos empolgamos e tá longo.

O hábitus de cada dia


Este post eu destino ao trabalho de comunicação comparada a respeito do hábitus. Você sabe o que é isso?

Hábitus é o princípio estruturador e gerador de práticas, gosto, ações e percepções adquiridos ao longo da sua trajetória social. Em outras palavras, é o princípio que te faz agir do jeito que você age. É uma ação tão profunda que se torna inconsciente e você chega ao hábitus a partir de um longo processo de aprendizagem. Confuso? Simples, basta pensar em andar de bicicleta. Não se lembra como foi difícil aprender? Então pense em quando você aprendeu a dirigire em como você dirige agora. Parece tudo simples, certo? Mas não é bem assim.

Basta lembrar de todas as coisas que você faz sem pensar e todos os conceitos que você incorporou. Tudo é culpa do hábitus. Se dá para mudá-lo? Dá sim, mas imagine mudar uma coisa que é tão enraizada em você? É um grande desafio.

Somos bombardeados com informação e constantamente vamos reformulando nosso hábitus, isso se dá de forma automática porque somos domestificados, mas tem certas coisas que “não descem”, sabe? Imagine a seguinte situação: Você aos 20 anos sabe, provavelmente, mexer em um computador e acessar um blog – senão não estaria lendo isso aqui -, mas a minha mãe, por exemplo, tem quase 50 anos e só agora ela está aprendendo a mexer no computador. Ela tem bastante dificuldade em assimilar as coisas, enquanto que para mim é tudo muito simples. Isso acontece porque meu hábitus se rearranja o tempo inteiro enquanto que o dela está há muito tempo enrraigado. Mas, caros leitores, para ela não ficar mal, vamos inverter a situação: você acha que eu entendo tão bem de cozinha? Nem de longe. Ela com certeza sabe muito mais. Por que? Porque cozinhar não está incorporado no meu hábitus. Com o meu blog eu estou tentando incorporar ao hábitus: atualizá-lo sempre, no mínimo uma vez por semana…

Ó céus! Chega de divagar! Vamos ao trabalho. Baseado nas aulas e nesse viagem ae encima, meu grupo: Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos, eu e Mayara Picoli brincamos com duas gerações para tentar desmistificar a confusão que acabei de fazer a respeito do hábitus. A história é a seguinte: a neta pede que a avó a leve na casa da amiga.  Se interessou? Então clique aqui e ouça.

Show de risada com John Travolta e Robin Williams


É quase impossível não pensar em “Grease – Nos tempos da brilhantina” quando vejo que John Travolta vai à tela dos cinemas. O mesmo ocorre com Robin Williams que ganhou minha admiração com “Jumanji” (1991), “Flubber” (1997) e “O homem bicentenário”(1999). Desta vez os dois aparecem juntos em “Surpresa em dobro”(Old dog, 2010).

Dirigido por Walter Becker o longa é uma comédia sobre dois amigos de infância, Charlie (John Travolta) e Dan (Robin Williams), sócios de uma grande empresa de marketing que passam por uma reviravolta ao terem que cuidar de gêmeos de sete anos de idade.

Os dois já estão velhinhos e foi bem bacana ver que uma das piadas foi essa: a idade dos (ex)galãs. As cenas mais engraçadas são a da troca das pílulas e a invasão da área do gorila (cenas que você pode ver no trailer abaixo).

A história é simples, previsível e ideal para acalmar as crianças dentro do cinema – em breve um típico filme de sessão da tarde. É da Disney, tá explicado, mas para os adultos vale a expressão corporal de Robin Williams. O vovô tá bem engraçado, dá para dar boas risadas.

Um comentário sobre “Como treinar o seu dragão”


Soluço e Banguela em "Como treinar o seu dragão"

Uma história aparentemente tosquinha surpreende nos diálogos, ou ausência deles, e na montagem. “Como treinar o seu dragão” é uma adaptação do livro “How to train your dragon” de Cressida Cowell e  conta a história do desajeitado Soluço, filho de um grande Viking.  Eles moram numa aldeia que vive sendo atacada por dragões e a função destes vikings é exterminar todos.

Ao contrário dos jovens da sua idade, Soluço é franzinho e não tem aptidão para lutar contra dragões, mas tem sede de provar suas habilidades. Numa dessas, inventa uma catapulta para capturar as feras e, por acaso, consegue prender aquele que todos temem: Fúria da noite, o dragão que só aparece à noite e destrói tudo que vê pela frente. Incapaz de matá-lo, Soluço o liberta e a partir daqui a animação ganha ritmo.

Os planos são mais curtos e a montagem bem surpreendente. Mas pra mim, o melhor de tudo foi a expressão do Banguela, nome dado ao Fúria da noite. Fiquei encantadíssima a observar como a computação gráfica vai além do esperado e consegue passar emoções que nenhum diálogo passaria. Aliás, diálogo verbal entre o menino e o dragão não existe, mas você entende perfeitamente tudo que está acontecendo.

Os diretores Dean DeBlois e Chris Sanders usaram muito bem a montagem paralela entre o crescimento do relacionamento do menino e do dragão e o treinamento de Soluço como viking.  “Como treinar o seu dragão”é uma animação da Dreamworks e na mesma linha de Kung Fu Panda e Espanta Tubarões traz uma moral da história. Neste caso, trata-se de não julgar aquele que você não conhece.

Não sou nenhuma cinéfila, mas este filme encantou tanto que resolvi falar dele aqui. Se interessou?  Dá uma olhada no trailer. A animação ainda está passando no IMAX e nos principais cinemas.

Ficha Técnica
Título Original: How to train your Dragon
Direção: Chris Sanders & Dean Deblois
Roteiro: Will Davies, Chris Sanders, Dean Deblois
Adaptado da obra de: Cressida Cowell
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller
Produção: Bonnie Arnold
Produção Executiva: Kristine Belson, Tim Johnson
Direção de Arte: Pierre-Oliver Vincent
Supervisor de Efeitos Visuais: Craig Ring
Chefe de História: Alessandro Carloni
Chefe de Animação de Personagens: Simon Otto
Supervisor Estereoscópico: Phil McNally
Chefe de Efeitos: Matt Baer

A única coisa permanente no universo é a mudança


Este post inicia com uma frase de Heráclito (540 a.C.- 470 a.C.) para apresentar uma análise do filme “Efeito Borboleta” (2004) e a obra deste filósofo. Veja o trailer do filme.

Esta análise partiu de um trabalho de filosofia realizado em 2008. Para variar, escrevi ele com a Bruna Marques.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

As pessoas que dizem desgostar de filosofia o fazem porque não entendem o pensamento expressado muitas vezes em palavras incompreensíveis ao vocabulário cotidiano do século XXI, mas também é comum encontrar diversos filmes chamados Blockbuster´s, que vendem muito e que na maioria das vezes tem seus roteiros baseados em filósofos supostamente desconhecidos para elas em razão da falta de interesse.

Um deles é Efeito Borboleta, cujo título original em inglês é Butterfly Effect. Lançado em 2004, foi dirigido e roteirizado por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com o protagonista representado por um dos atores juvenis mais cobiçados da época, Ashton Kutcher, o filme teve grande divulgação e multidões assistiram à história de um rapaz que, assim como seu pai, quando criança tinha surtos de falta de memória -blackouts, como chamado no filme. Em algumas cenas, esse problema do garoto causa os diversos pontos de virada observados na montagem.

Ao ficar mais velho, Evan, o personagem principal, percebe que ao ler os seus diários ele é capaz de voltar ao passado, especialmente naqueles momentos em que ele não se lembra, mas com um detalhe: ele recorda o que teria acontecido durante os blackouts. Surpreso, procura seus amigos de infância para ver se aquela visão era real. Porém, ele deixa os outros personagens atormentados causando até o suicídio de Kayleigh, personagem pela qual foi apaixonado por toda a sua infância.

Aqui começa o desenrolar da história. Assustado, ele tenta reler alguns de seus cadernos para tentar evitar o suicídio de Kayleigh e assim começa a mudar o seu passado. O grande problema é que nada permanece. Qualquer nova decisão que ele toma em seu passado deflagra nas consequências mais diversas.

Heráclito

É aqui que nos atrevemos a comparar o filme com o pensamento do pré-socrático Heráclito (540 a.C a 470 a.C) começando com uma citação retirada do livro “Convite a filosofia” de Marilena Chauí: “O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece. Para Heráclito tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”

É exatamente isso que ocorre com Evan. A cada mudança, por mínima que seja, causa uma contradição, quando ele decide voltar ao seu passado. Ele resolve um de seus problemas, mas outros surgem, ainda mais complexos de se entenderem e mais difíceis de serem resolvidos. Até Evan muda,não em sua relação sentimental com as pessoas que ele sempre amou, mas sim em seus gostos e sua maneira de levar a vida.  Por isso a cada nova situação vemos uma nova personalidade que ele demora a compreender e também percebe que as pessoas ao seu redor sofrem influências dessas reviravoltas. Enfim, ele está em constante metamorfose, como qualquer outro elemento da natureza.

Mais uma vez nos utilizamos de um exemplo da teoria de Heráclito. Evan seria o rio modificado, ou seja, ele nunca é o mesmo, pois “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.O filósofo ainda avisou em seus excertos que os humanos devem sempre esperar e reencontrar o inesperado, pois “a incredulidade pura e simples denota um espírito obtuso e fechado ao enigma do mundo”. Pelo filme, vemos que o personagem desconhece essa teoria.

Outra questão observada no filme é que ele constantemente se refere ao tempo. Mas o que é o tempo? Para Heráclito o conceito de tempo é abstrato e existe a partir dos opostos. Ele é e não é, e está posto numa unidade e, ao mesmo tempo, está separado, ou seja, é abstrata contemplação da mudança já que o conceito de passado, futuro e presente foi convencionado, foi o ser humano que deu sentido e significado ao tempo.

Para Evan, voltar ao tempo passado era uma oportunidade de “reparar” alguns detalhes de sua vida, mas ao interferir no que foi feito, ele muda o seu presente sendo que as consequências dependerão das suas novas escolhas ao voltar ao passado, pois cada mudança que é feita, por mínima que seja, interfere em muitas outras coisas. O nome do filme explica exatamente isto. O efeito borboleta remete a teoria do caos, citada no início do filme. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Esta teoria diz que o simples bater de uma asa de borboleta poderia mudar o curso natural das coisas podendo até causar um terremoto do outro lado do mundo. Mas há cientistas que dizem que o formato dos gráficos analisados quando há movimentos caóticos é de uma borboleta.

Se a borboleta influencia um terremoto ou se é mera ilustração gráfica não sabemos. O que importa é que dentro dessas duas explicações pode-se analisar o filme e a teoria de Heráclito.  A cada novo “bater de asas” do personagem, sua vida inteira sofre um terremoto e a cada “bater de asas” da própria borboleta, sua essência também muda porque de acordo com Heráclito, a única coisa que permanece no universo é a mudança.

Em oposição, podemos comparar o filme com os pensamentos de outro pré-socrático Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), que sustenta a idéia contrária a de Heráclito. Esse filósofo diz que a mudança é algo criado no mundo dos sentidos e que é ilusório.
Ao contrário de Heráclito que afirma que “tudo muda”, Parmênides diz que “nada muda”. Assim, por mais que suas águas mudem de posição, um rio será sempre o mesmo rio. E no filme “Efeito Borboleta” também se pode enxergar isso. Por mais que as situações mudassem, a essência de Evan, ou seja, seus sentimentos e princípios sempre continuavam os mesmos.

E o que você acha de tudo isso? Comente abaixo.

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Gravando!


Trabalhar no Ikwa me exige uma atividade que eu, particularmente, gosto muito: fazer reportagens em vídeo. Para mim, cada matéria é um novo desafio que me entrego de corpo e alma porque eu aprendo muito com os entrevistados e comigo mesma. A cada gravação sinto que vou dando mais um passo e ao ver a matéria no ar, sinto que estou evoluindo. E dentro disso, tem vezes que um vídeo se destaca.

E esta semana foi ao ar uma matéria que com certeza vou guardar no coração pra vida inteira. “Duas carreiras ao mesmo tempo” foi muito especial para mim nem tanto pelo assunto, mas como a equipe resolveu abordar o tema. Ela fala de pessoas que têm dois empregos e mostra como eles lidam com a rotina puxada. E eu senti na pele o que é se dividir em duas para dar conta do trabalho.

Thumb da matéria que foi ao ar hoje, 03 de março de 2010

A ideia da duplicação não foi minha, mas veio num momento muito especial. Foi muito trabalhoso gravar, regravar, trocar e destrocar de roupa, decorar texto e ainda pedir que o Ikwa inteiro ficasse sem falar alto pra gente conseguir gravar as intervenções na matéria. Mas confesso que a dor no corpo e o cansaço compensou o resultado final e me sinto orgulhosa. Só tenho a agradecer por ter participado de algo tão legal.

Espero de coração que a gente tenha mais ideias criativas assim porque além de ter aprendido muito, a diversão foi garantida. Sei que este texto tá muito meloso, mas quero deixar claro que não foi encomendado, foi só a consequência de um trabalho bem feito: satisfação.

A alegria vem junto com o sentimento de: “será que o público vai gostar?”Eu espero que sim. Se você ficou curioso para ver a matéria, acesse aqui e não deixem de comentar, aqui ou lá, o que acharam.

Para ver todas as inserções, inclusive as que não foram para a matéria, veja o vídeo abaixo.  Participação do Newman me ajudando nas falas! Valeu,  Minhoca

Volta às aulas com tudo


O ano letivo mal começou e a faculdade resolveu fechar o cerco. Nunca me vi tão cheia de coisa pra ler na minha vida como agora neste segundo ano de rádio e tv. Confesso que, apesar do medinho, to gostando do desafio. Algumas leituras exigem colocações minhas e a primeira delas foi sobre o texto “Devanio e Rádio” de Gaston Bachelard. Como tive que postar o texto na rede, resolvi colocá-lo aqui também para ver se incita uma discussão.

O que é o rádio e qual é o seu papel?

Desde sua origem o rádio tem uma magia de criar imagens mentais e despertar sentimentos em quem o está escutando. Mais que um livro, este veículo nos transporta para dentro de nós e nos permite sonhar acordado porque ele consegue a partir da leitura das palavras, despertar a nossa imaginação.

É com esta premissa que Gaston Bachelard escreveu “Devaneio e Rádio”.
Segundo o autor, vivemos no universo na palavra e por causa disso estamos sempre ocupados a falar. Cada um fala de um jeito e nem sempre nos entendemos, mas o rádio tem uma linguagem universal. Ele fala para todos e ao ouvirmos sua voz nos calamos e escutamos em paz a sua mensagem.

No princípio, o rádio era o ponto central de uma casa, era símbolo de status social e todos se uniam em volta dele para ouvir as notícias, músicas e as famosas radionovelas. Com a chegada da TV, ele perde seu lugar de destaque no coletivo e passa a ser contemplado isoladamente, facilitando assim uma segregação de conteúdo. Por causa disso, “o rádio possui tudo o que é preciso para falar em solidão, não necessita de rosto”, diz o autor. E Bachelard aponta que essa falta de rosto não é sinal de inferioridade, mas sim uma maneira de se tornar mais íntimo ao ouvinte.

A leitura do texto desperta o interesse em saber como este meio de comunicação sobrevive ainda mais num período em que tudo está misturado. Será que o rádio terá fim com as rádios online? Não se sabe, o que sabemos, segundo o autor, é que o rádio é “a realização da psique humana” e enquanto nenhum meio fizer isso, eu acredito que o rádio terá vida plena.
E como eu acredito fielmente que o rádio é para ser ouvido sozinho, gostaria muito que as pessoas usassem fones de ouvido e não obrigassem a mais ninguém ouvir o que elas tanto escutam.

Um olhar sobre “Crepúsculo” e “Lua Nova”


Eu lembro muito bem que quando era criança não gostava muito de paródias. Pra falar a verdade eu não gostava porque geralmente não conhecia a obra original. Hoje é diferente e por causa disso resolvi falar de duas em especiais.

As obras originais são as adaptações cinematográficas de “Crepúsculo” e “Lua Nova”. Sem entrar no mérito se os filmes e livros são bons, vim aqui destacar a criatividade de duas irmãs, Hilly e Hannah Hindi. Elas ultrapassaram o limite de fãs.

As paródias delas são muito criativas, cheia de humor, mas conservam o essencial de cada história. Para quem não sabe, as duas usam apenas uma câmera e são elas mesmas quem filmam, atuam e editam. Obviamente que tem uma grande equipe por trás, mas a grosso modo, o trabalho é delas. O sucesso foi tanto em “Crepúsculo” que a Summit liberou o uso do carro de Bella e alguns cenários para que elas fizessem a paródia do “Lua Nova”. É mole?rs

A fama delas está crescendo e novas paródias como Batman já foram ao ar. Quem sabe ainda o que vem por ae. Para ficar por dentro do que elas vão aprontar, entre no site “The Hillywood Show“.

Me despeço deixando os dois vídeos aqui para quem curte a saga “Crepúsculo”

Crepúsculo

Lua Nova

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)

O primeiro curta a gente nunca esquece


Desde pequena eu adoro filmadoras e câmeras fotográficas. Se você não acredita, basta pedir uma daquelas fitas VHS da minha infância que você vai ver eu gritando pro meu pai: “ filma eu, pai. Filma, eu”. Pois é, o que era só registro familiar virou hobby mais tarde quando a minha família comprou a primeira JVC, estilo handcam.

O gosto pela brincadeira fez com que eu usasse a criatividade e regravasse os clipes da minha musa na época (sim, podem rir. Eu tinha 14 anos e adorava a Britney Spears). Como não tinha nenhuma técnica de edição, a gente pausava a música e a filmagem junto para mudar de cenário e lá ia o play de novo. Até hoje me surpreendo que a música nunca cortou. Ficavam bem bacanas, pena que não tenho nenhum desses vídeos mais.

Tudo mudou quando apareceu aqui em casa uma filmadora de HD. Nossa…foi sensacional! Nunca me esqueço da alegria ao descobrir que poderia passar o vídeo para o computador e gravar em DVD. Tanta tecnologia… e eu ainda não sabia mexer em nada.

Até que entrei na faculdade. Aí me encantei mais ainda. Vi pela primeira vez uma ilha de edição de perto. Confesso que era MUITO amadora, mas era uma ilha. No primeiro dia que vi a mulher capturando e editando e foi daí que eu resolvi instalar o adobe première em casa e aprender a editar na marra. Muitos foram os vídeos simples, como montagem de fotografias até chegar nas matérias de 1 minuto para a PUC.

Fui me aprimorando, lógico que com muita ajuda de amigos, até que me embrenhei em filmar festas de dança do ventre. Foi uma época de grande aprendizado, onde fucei mesmo no programa e me vi fazendo coisas que nem imaginava.

Por causa disso, resolvi encarar um grande desafio: fiz meu tcc em vídeo – um documentário a respeito de feiras livres. Um dia eu dedico um post especialmente ao meu TCC e a tudo que se passou.

Apesar de este post já estar enorme, o foco dele é o meu primeiro curta-metragem. Pra quem não sabe, estou fazendo a segunda graduação em rádio e TV e foi lá que tive a oportunidade de fazer isso.

Claro que não fiz nada sozinha, todo o trabalho foi em equipe. Confesso que foi muito gratificante ver que uma simples ideia de personagem transformou-se num curta que eu jamais esperava ser capaz de produzir.

A elaboração do roteiro não foi nada fácil e quando ficou pronto, olhamos pra ele e pensamos:  “praticamente impossível filmá-lo nas condições que temos para gravar”. Tínhamos apenas 4 horas e não podíamos ir além do quarteirão da faculdade. Mas encaramos o desafio e gravamos em 3h30. Inacreditável como tudo foi se encaixando e quando acabamos a gravação eu só olhei pra Ana, da equipe, e disse: “Fizemos o impossível, a gente conseguiu!”

Eu estava acabada de cansada, mas extremamente feliz. Quando fui editar eu me surpreendi com o resultado. E eis abaixo o trabalho que realizamos. Não ganhamos o Casperito, mas o sentimento de realização valeu por todo o esforço.

Confiram!

“Sem serviço” (2009)
Agitação de cidade grande, as pessoas sempre com a tecnologia pindurada na orelha. Neste mundo comtemporâneo há uma contradição com a ajuda de um mensageiro do passado: Hermes (Caio Ramos). Há muito tempo ele anda sem serviço por causa dos aparelhos celulares já que os humanos o trocaram pelo SMS. Até que um dia, ele percebe que Márcia (Leila Brambilla) não recebe um torpedo importante e resolve ajudá-la, entregando a mensagem ele mesmo.

Este é um trabalho dos alunos do 1 RTVC da Faculdade Cásper Líbero

Ana Luisa Pacheco, Bruna Carvalho Marques, Bruno Teixeira, Danilo Sala, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael

Para quem gosta dos bastidores, confira o making of

“Metrópolis” e a Alemanha dos anos 20


O texto abaixo foi escrito para um trabalho da faculdade de RTV e eu gostei tanto que resolvi postar aqui.

O merecido 10 não dependeu só de mim, pois escreveram comigo Mayara Picoli e Bruna Marques, duas amigas queridas que agora me aguentam nos trabalhos hehehe.

 

Boa leitura!

 "Metrópolis"

A partir de Georges Mèliès o cinema encontrou uma maneira de recriar a sua própria realidade. Este trabalho visa analisar como o filme “Metrópolis”, do diretor austríaco Fritz Lang, demonstra um pensamento comum no momento pós-Primeira Guerra Mundial e pré-ascensão do nazismo.

A Europa estava num período singular de fervor cultural, pois as vanguardas traziam uma nova visão do mundo representada nos avanços na arte, literatura, ciência, tecnologia e, é claro, no cinema. É neste período de descrença na industrialização e ciência que o cinema alemão teve um grande desenvolvimento em termos de estruturação, uma vez que as produções estrangeiras eram barradas e muitos artistas de outras áreas migraram para esta nova indústria com o objetivo de expressar as novas esperanças e temores [1].  “Os filmes expressionistas têm elementos em comum com a necessidade de expressar um sentimento de opressão e revolta em relação ao mundo. Eram elementos puramente visuais (…), baseiam-se todos eles na exteriorização de estados da lama, de situações extremas, que são refletidas no cenário, na composição do quadro e na interpretação”. [2]

O filme refere-se a uma sociedade do futuro, mas na verdade se trata de uma metáfora sobre a Alemanha dos anos 20. “Metrópolis é uma cidade moderna onde a tecnologia domina o tempo e o espaço em que os homens vivem.” [3] A sociedade é disciplinar e Lang destaca uma hierarquia na qual ainda há escravidão sendo que o topo da pirâmide é ocupado pelas máquinas. O indivíduo não existe em “Metrópolis”, só a massa, e o trabalho é visto como necessidade social.

O movimento dos trabalhadores é mecanizado e isso se percebe no início do filme quando uma multidão, que acaba de terminar suas horas de trabalho, é substituída por outro grupo de operários. Todos estão com ombros caídos, resultado do cansaço e insatisfação. É reflexo do mundo expressivo, pois eles parecem engrenagens em funcionamento sustentando uma elite privilegiada. As grandiosas máquinas podem ser interpretadas como a energia que mantinha o luxo para os ricos de Metrópolis, ou seja, as novas tecnologias, e a própria industrialização é representada no filme como geradora de lucros e riquezas.

O enredo é ambientado em 2027 numa grande cidade, Metrópolis, governada por um poderoso empresário, John Fredersen (Alfred Abel). Há nitidamente duas classes sociais: os privilegiados, como o herdeiro da cidade Freder (Gustav Frohlich), que vivem num jardim idílico e os trabalhadores que vivem e trabalham no subsolo, como Maria (Brigitte Helm). Esta personagem é uma líder sentimentalista, “o coração conciliador entre o cérebro capitalista e as mãos que executam” [4], se destaca e convence os companheiros a se organizarem para poderem reivindicar seus direitos.

Nas reuniões com os operários ela pedia paciência, dizia-lhes para aguardarem pacificamente o surgimento de um mediador, que conciliaria os criadores de Metrópoles e o proletariado. Já Freder é alienado, filho do importante dirigente da cidade e dono na fábrica, não sabe o que se passa no fundo da cidade, e se apaixona por Maria. Esta paixão o leva a conhecer a cidade subterrânea. Lá ele adquire consciência social no momento do aparecimento de “Moloch”, divindade que exige sacrifícios humanos, inspirado em “Cabíria” de Pastrone. Após a explosão dessa máquina, Freder tem um delírio imaginando que Moloch engole os trabalhadores como uma forma de substituir a mão-de-obra. Assustado com o que viu, o personagem tenta falar com seu pai que controla a cidade pela janela.

Assim como os trabalhadores, nota-se que o pai de Freder também é um personagem robotizado, uma peça que regula as atividades de Metrópolis. Neste momento é possível observar o cuidado que Fritz Lang teve em demonstrar a arquitetura da cidade, a qual foi inspirada no impacto que o diretor teve ao ver os arranha-céus de Manhattan, em grande desenvolvimento na época.

Não obtendo o resultado esperado, Freder se disfarça de operário e tenta vivenciar o dia-a-dia dos homens-máquina. A partir desse momento o protagonista passa a ficar subordinado às horas. O diretor utiliza no filme um relógio que marca apenas 10 horas, que era o tempo da jornada de trabalho na época. Há diversas cenas que mostram relógios ou coisas que assemelham à sua forma. Desta maneira Lang apresenta o capitalismo como introdutor do trabalho com a noção de tempo, cargas horárias infinitas, representando a vida do homem moderno submetida ao tempo mecânico. É uma sociedade fundamentalmente baseada nas horas e tratada como sistema [6].

 Freder, ao conhecer melhor a cidade, tem uma incansável luta para igualdade de classes, tenta conversar novamente com seu pai, mas não consegue retorno e não sabe que está sendo vigiado. Em razão disso, é feito um clone de Maria e a massa enlouquece com a mudança brusca nos discursos e rebela-se contra a cidade, uma vez que o clone de Maria passa a indagar os trabalhadores sobre sua forma de vida, afirmando que eles já esperaram demais por um acordo entre as classes e os influencia a fazerem uma revolução e a quebrarem as máquinas.

O momento da fabricação do clone é o auge do filme e o que o torna fundamental como ficção científica, por isso a cena ficou muito conhecida. O laboratório mostra a ciência como espetáculo – visão da sociedade anterior à Primeira Guerra Mundial – e os efeitos especiais são riquíssimos.  A obra cinematográfica, inspirada no vislumbre pelas máquinas, mostra de forma alegórica a exploração que sofriam os trabalhadores na época em que foi criado. A história polariza o bem e o mal.

“Metropólis” foi um dos primeiros filmes a tratar da relação “Homem-Máquina”, referindo-se às repercussões das máquinas na sociedade da época. O filme cativa o público por apresentar atores que expressavam os sentimentos. “(…) atores contraindo os olhos para indicar medo, arregalando-os para evidenciar espanto, batendo literalmente o peito para demonstrar paixão, retesando a fisionomia para expressar cólera”[5], mesmo tendo permanecido em exibição apenas por uma semana.

 Seu fracasso é explicado tanto pelos gastos que Fritz Lang teve para produzi-lo, quanto também por apresentar cerca de 153 minutos de duração, o que é muito para a época. Foi afamado por apresentar grandes características políticas, religiosas e encenação sensual, ilustrando uma sociedade tal como a alemã. O filme apresenta cenas memoráveis de acontecimentos com muita influência religiosa, como a sincronia de movimentos dos trabalhadores, a Torre de Babel, forma de alcançar o topo do céu, se juntar aos Deuses, a inundação da cidade dos trabalhadores, a “bruxa” na fogueira, até mesmo a pose de Freder, na máquina do relógio, assemelha-se a Cristo na cruz.

A obra despertou o interesse de Hitler que, ao chegar ao poder, solicitou que seu Ministro Goeebbles convidasse Lang como diretor oficial do nazismo, porque se impressionou com o final conciliador do filme que concretizava a necessidade de uma ordem para as coisas, de se ter um líder, sem contar que é possível notar a semelhança da massa de “Metrópolis” com a massa seguidora do partido nazista que ficou anos no poder. O convite foi o motivo da fuga de Lang, juntamente com outros judeus, para os Estados Unidos, onde realizou diversos filmes antinazistas, mas sempre com “reflexo de uma cultura cujo poder impregna necessariamente todas as formas de arte do país” [6].

“Metropólis” tem uma grande importância hoje para entendermos o pensamento do final dos anos 20, é muito influente e inspirador. É um dos filmes que mais retrata a industrialização européia, mesmo sendo de cinema mudo. É um exemplo importantíssimo do Expressionismo Alemão e deve ser encarado como uma alegoria de uma época de aflição. Originou diversas interpretações, desde um alerta contra o fascismo até a tirania capitalista.

 

 

 Bibliografia

 

[1] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O contexto histórico da produção cinematográfica alemã (dos primórdios até 1931)” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[2] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O apogeu do cinema alemão” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[3] DUTRA, Roger Andrade. “Sobre técnica e tecnologia” in Metrópolis – cinema, cultura e tecnologia na República de Weimar. PUC-SP. São Paulo, 1999. Dissertação (Mestrado em História)

[4] LOTTE, Eisner H. Fritz Lang. Paris: Editions de l´Etoile – Cinematheque Francaise, 1984.

 [5] MENDES, Francisco. “Metrópolis, de Fritz Lang” in Pasmos Filtrados. Disponível em http://pasmosfiltrados.blogspot.com/2006/02/metropolis-de-fritz-lang.html. Acessado em 25 de maio de 2009.

[6] PARAIRE, Philippe. O cinema de Hollywood. Martins Fontes. São Paulo, 1994