Série – A seleção, Kiera Cass


Olá!

Tem vídeo novo no meu canal do youtube! Desta vez eu me aventurei pela literatura infanto-juvenil com a autora norte americana Kiera Cass. Ela lançou a série “A Seleção”, composta pelos livros “A seleção”, “A elite”, “A escolha”, “A herdeira” e “A coroa”, o lançamento de maio de 2016. Todos estes livros são da Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras e eles têm feito muito sucesso ficando atá na lista dos mais vendidos em diversos sites aqui pelo Brasil.

Eu confesso que fiquei na dúvida se fazia um vídeo por livro, mas achei melhor fazer um vídeo só falando da série toda. Assim, eu tomei todo o cuidado para evitar spoilers e, quem sabe, ajudar você a decidir se entra ou não no mundo mágico de Illéa.

Vamos ao vídeo?

Para quem gosta das resenhas escritas, continue comigo neste post. Mas agora me atrevo a dizer que por aqui você vai sim encontrar spoilers. Então, se não gosta, assista apenas ao vídeo.

Vamos começar então pelo livro 1.

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CASS, Kiera. A seleção. Editora Seguinte, 2012.

Gosto bastante de começar as minhas resenhas dizendo como eu conheci o livro.  Quem me segue no instagram (@liviadibartolomeo) já deve ter notado que costumo postar o que ando lendo. E como uma usuária deste aplicativo, também tenho o costume de navegar pelas tags #livro #instabook #instalivros e foi numa delas que dei de cara com a capa acima.

Vou confessar que julgo sim o livro pela capa. Afinal já se foi a época em que as editoras lançavam suas obras em capas pretas com letras prateadas ou douradas. Hoje há um investimento pesado também na arte da capa do livro e, na maioria das vezes, eu acabo sendo fisgada justamente por isso.

Pois bem. Vi muita gente postando este livro e falando que existia uma série. E mais: quem postava, só rasgava elogios à autora. Então, não teve jeito, tive que comprar pra ler. Mas, temendo não gostar, comprei apenas o volume 1 porque, sinceramente, pensei que poderia ser infantil demais.

Sentei para ler e em dois dias já tinha terminado. E fui fisgada. Sim, eu gosto do universo Disney, sim eu amo conto de fadas, sim eu gosto de romance, bobo ou até profundo. Além disso, o livro é extremamente fácil de ler. O tamanho da letra é agradável, ele tem quase o formato pocket pra facilitar o manuseio, os capítulos são curtos e a linguagem me lembrou muito de blog pessoal, tipo diário. Então, a leitura vai que vem.

“A seleção” é narrado em primeira pessoa pela personagem América Singer. Ela vive num país chamado Illéa, onde as pessoas vivem divididas em castas. No total são 8, sendo que a primeira diz respeito à monarquia e a oitava, à classe mais pobre, miserável. América e sua família fazem parte da casta 5. São artistas – cantores, pintores – e tem épocas que vivem  bem, mas também passam pelas vacas magras.

Illéa está em festa, na verdade está com ar de esperança porque o príncipe Maxon finalmente abriu a seleção. A seleção nada mais é do que um concurso para encontrar a futura esposa do príncipe e todas as garotas entre 16 e 18 anos solteiras podem se inscrever, independente da casta. Obviamente é o sonho de todas as meninas e também de suas famílias, afinal quem não gostaria de mudar de vida?

Todas, menos América. Pois é, a nossa protagonista não quer saber de tiaras, palácio e muito menos do príncipe. Ela está mais interessada no seu namorado secreto, Aspen, que faz parte da casta número seis.

Illéa, apesar de estar num futuro, é bem retrógrada. Existem leis que exigem a castidade dos jovens e ainda por cima o país tem toque de recolher todas as noites. Sem contar que é uma desonra para qualquer família se sua filha casar com alguém de uma casta inferior à sua. Mas para a nossa Meri, nada disso importa. O seu coração tem dono e todas as noites ela encontra Aspen às escondidas na casa da árvore. O mundo dela parecia perfeito. Ela realmente não se incomodava em ir para um casta inferior, desde que estivesse com o seu amor. Mas tudo isso estava prestes à mudar.

Sua família praticamente a força a fazer a inscrição. Inclusive seu namorado porque ele tem medo que ela possa perder a oportunidade de ao menos passar um tempo no palácio. Sem contar que ele está chegando na fase do alistamento e pode ser enviado para qualquer lugar do país a qualquer momento.

Sendo assim, América se inscreve. Se inscreve e não faz nem ideia do que o destino separou para ela. Pouco tempo depois, o resultado: América está entre as 35 selecionadas. Mas ela não está pronta,  não quer ser princesa. Aqui, a autora diz que se inspirou em duas histórias: a de Ester, que está na Bíblia, e também do conto da Cinderella.

Segundo Kiera Cass, América representa a resposta da seguinte pergunta: E se Ester estivesse apaixonada por alguém antes de ser enviada ao palácio? E se Cinderella não estivesse pronta para viver seu “felizes para sempre”? Como as histórias teriam se desenvolvido?

Então, somos convidados a entrar neste questionamento. América não queria mudar de vida e estava apaixonada. Mas como dizer que ela não iria? O empurrão final veio de Aspen que termina com a garota e ela não vê outra saída a não ser ir para o palácio.

Quando ela chega lá, é praticamente impossível não comparar com Jogos Vorazes já que ela participa de uma disputa na qual apenas uma será a vencedora. Também lembrei de O diário da princesa, por causa da transformação física dela, das aulas de etiqueta e, principalmente, pela negação em querer assumir o cargo de princesa. Ah! A gente pode também comparar com o triângulo amoroso da saga Crepúsculo, mas sem a parte de vampiros e lobisomens. Enfim, tá bem dentro do universo infanto juvenil.

Durante a leitura eu até me diverti. Ri em algumas partes e a minha imaginação foi longe ao tentar visualizar a vida no palácio. O príncipe Maxon me intrigou, na verdade, me encantou logo de cara. O primeiro encontro entre eles eu realmente admirei. Gostei bastante do sufocamento que ela sentiu e da amizade que nasceu entre os dois.

Aí, você vai acompanhando as brigas, as tarefas, as malvadezas de Celeste, a doçura de Marlee e a teimosia de América. Sério, teve horas que senti raiva de tão cabeça dura que ela é. O príncipe e boa parte das candidatas parecem acreditar que América é sim a favorita, mas ela não se valoriza e insiste em continuar na competição porque sua família vem recebendo uma contribuição semanal em dinheiro enquanto ela está lá.

Em meio ao conto de fadas de “A seleção” a autora traz o conflito com os rebeldes e os constantes ataques ao palácio. Tudo isso para dar uma movimentada para não ficar uma história de amor adolescente morna. O caráter de América ressalta em cada ataque deste e ela se mostra bem solidária às suas criadas e também às outras meninas. Mas o seu coração continua confuso e tudo piora quando Aspen vira seu guarda pessoal (lembra do recrutamento lá em cima?).

Uma das minhas partes favoritas desta história toda é  o momento do “Jornal de Illéa”, pois é somente aqui que a gente não sabe o pensamento da América e, muitas vezes, somos surpreendidos com a suas respostas. Respostas estas que desagradam o rei, mas impressionam o povo e também Maxon.

O livro se encerra com a diminuição do número das participantes. De 35 agora temos 6, ou seja, temos A Elite. E, claro, acaba com aquele ar que você se vê obrigado a comprar o volume 2 da série.

a elite

CASS, Kiera. A elite. Editora Seguinte, 2013.

Como eu fui fisgada pelo conto de fadas de Kiera Cass, já comprei logo os 4 livros restantes de uma vez pela internet. Encontrei um preço bacana e mandei ver.

Em “A elite” eu senti América ainda mais confusa. Ela começa a aceitar que tem sentimentos pelo príncipe, mas não quer assumir de jeito nenhum para ela, pois morre de ciúmes do tempo que ele desprende com as outras candidatas. Além disso, ainda tem medo da coroa e das responsabilidades como princesa. Os encontros entre ela e Maxon se torna assim mais calientes, mas calma que tudo permanece casto, afinal é um livro infanto juvenil.

Maxon a coloca contra a parede: se ela assumir o que sente, ele encerra a seleção e fica com ela. Mas o que América mai quer é tempo. E tempo é o luxo que ela não pode ter. O palácio continua sendo invadido e o pânico se espalha pelo país.  Volto a dizer que as respostas de América durante o jornal são as melhores e ela mostra um interesse pelos assuntos do país.

O livro chega ao final quase te fazendo acreditar que América vai embora, mas sabendo que ainda existiam mais livros já publicados, aguardei a resolução da autora.  Apesar de a donzela ter sido resgatada – e a autora afirma em suas entrevistas que a ideia era uma heroína forte – chegamos enfim, ao terceiro livro.

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CASS, Kiera. A escolha. Editora Seguinte, 2014.

Assista ao lindo book trailer

Em “A escolha”, América recebe uma segunda chance e continua participando da seleção. Ela luta por Maxon em meio aos ataques rebeldes que estão cada vez mais frequentes. Apesar de ser um livro com mais ação que os anteriores, senti falta de uma explicação mais grandiosa em relação aos ataques dos rebeldes. Ficou claro que a saga não passa de uma história de amor, mas tudo bem. Não é por isso que deixa de ser interessante, mas se autora tivesse dado mais valor ao resto, talvez teríamos aí uma obra mais grandiosa e com certeza, mais bem aceita no universo adulto.

Neste livro senti pressa. Não pressa de terminar de ler, mas pressa da autora em resolver os conflitos. Teve momentos em que ela simplesmente esqueceu de costurar suas pontas soltas, mas também teve momentos que me surpreendeu mais que nos outros dois livros.

A própria origem do nome de América é surpreendente. A história do seu pai mais ainda. O encontro com rebeldes lembrou muito a fase final de Jogos Vorazes. O interessante é ver que América amadurece e deixa de ser tão irritante. O rei nos assusta, dá até raiva na verdade, mas a rainha ganha o nosso coração.

As tarefas das garotas remanescentes são muito interessantes e o convívio de América com a princesa italiana é muito bom e apimenta a obra.  Este foi o livro da série que li mais rápido. Tanto porque queria saber logo o final quanto também pela narrativa frenética da autora.

O livro tem um final interessante. Agrada aos românticos e choca como tudo acontece. Mas, uma pena que ela acelerou o final e não deu muito gostinho para os leitores. Porém, ao escrever o epílogo, Kiera Cass se convenceu que “A seleção” podia ser muito mais que uma trilogia e no ano seguinte ela lançou “A herdeira” para o delírio dos fãs.

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CASS, Kiera. A herdeira. Editora Seguinte, 2015.

Assista ao lindo book trailer

20 anos se passaram desde a seleção para Maxon e América. Aqui acompanhamos a aventura, em primeira pessoa, de Eadlyn, a primogênita que será a futura rainha de Illéa. É bem difícil falar deste livro sem dar spoilers dos anteriores, mas vamos lá!

Aqui Eadlyn é convencida pelos seus pais a fazer a sua seleção. A realidade é que o país passou por grandes mudanças, com a extinção das castas, mas passa por enormes dificuldades. E, na tentativa de distrair o povo e também fazer com Eadlyn seja amada em seu país, a nossa personagem se vê no meio de 35 rapazes.

Eadlyn se acha autossuficiente e não quer nem saber de marido, mas é obediente e acata as decisões de seus pais.  Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, mas como nasceu 7 minutos antes é a herdeira do trono.  Então, desde pequena é treinada para o dia em que se tornará rainha. A sua mãe era teimosa e insegura, já Eadlyn se acha demais. Momentos divertidos do livro acontecem quando ela leva aqueles “chega pra lá” da realidade, sabe?

A seleção de Eadlyn pode até ter começado como uma jogada política, mas se torna uma jornada de autoconhecimento. E é interessante ver a seleção ao contrário, diversos rapazes e apenas uma moça. E desta vez temos o ponto de vista de quem escolhe e não de um selecionado. Gostei desta inversão.

E, ao contrário dos livros anteriores, quase não se nota um triângulo amoroso. Na verdade eu torci para um rapaz e fiquei feliz com o desenvolvimento da personalidade dele.  Obviamente que o livro não se encerra com o escolhido, na verdade ele teve um final que me chocou e me deixou doida para ler “A coroa”.

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CASS, Kiera. A coroa. Editora Seguinte, 2016.

Assista o lindo book trailer

Iniciamos o último livro da série com fortes provas para Eadlyn. Ela assume como regente, sofre preconceito por ser muito nova, ainda é odiada pelo seu povo e nota que o seu coração deseja sim encontrar um grande amor. Ela teme não ter o relacionamento dos seus pais e acredita que a sua escolha tenha que ser mais política do que emocional.

É legal ver que ela forçadamente tem que baixar a bola e começa a reunir aliados. Sente a sua confiança testada várias vezes e finalmente começa a revelar características dos seus pais. Kiera aqui quis brincar com o leitor. Apontou um favorito, depois mudou para outro e nos surpreende com o coração.

O mais legal é que Eadlyn descobre que não precisa ser perfeita e que muitas vezes precisamos quebrar as regras e seguir o nosso coração. Bem conto de fadas, né?

Mais uma vez, na finalização, Kiera errou. Jogou diversas informações e resoluções sem ter muito carinho.  Mas o final até que agrada e dá uma resolução.

Boatos dizem que no aniversário de 10 anos de “A seleção” pode ser que Kiera Cass escreva o livro intermediário entre “A escolha” e “A herdeira”. E corre, há algum tempo, que existe uma grande possibilidade de toda a série virar filme. O jeito é esperar.

COMENTÁRIOS GERAIS

Eu fico muito feliz em dizer que só soube da série este ano. Sério! Ia ficar muito brava de ter que esperar um ano por cada livro. É totalmente diferente da experiência que eu tive com Harry Potter já que cada livro tinha uma aventura e se encerrava em si, mesmo a gente aguardando o grande duelo entre Voldemort e Harry. A realidade é que “A seleção” podia ser um livro só, um grande livro de 600 páginas, escrito de forma mais fluida e mais interessante. Mas, claro que vamos ganhar dinheiro e lançar um parte da história por ano, não é mesmo? rs

Outra coisa: recomendo para todos os pré-adolescentes, adolescentes e adultos que amam contos de fadas. Incentive sempre alguém a ler. É o melhor que podemos fazer nesta vida.

Se, com este textão eu te convenci a ler, já fico feliz. Se não te convenci a ler os livros, mas você leu cada palavra daqui: já valeu também!

Agora quero saber o que você achou de tudo isso. Comente! Estou te esperando.

Continuar a ler

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O resgate do tigre, Colleen Houck


Depois de ter lido “A promessa do tigre” e “A maldição do tigre” me vi na obrigação de ler “O resgate do tigre” da Coollen Houck.

Se você ainda não leu pelo menos uma das obras acima, peço que pare de ler este post porque pode ser que tenha algo que adiante algo da história e sei que tem muita gente que não gosta de saber nada.

Sinopse:

“Fé. Confiança. Desejo. Até onde você iria para libertar a pessoa amada? Kelsey Hayes nunca imaginou que seus 18 anos lhe reservassem experiências tão loucas. Além de lutar contra macacos d´água imortais e se embrenhar pelas selvas indianas, ela se apaixonou por Ren, um príncipe indiano amaldiçoado que já viveu 300 anos. Agora que ameaças terríveis obrigam Kelsey a encarar uma nova busca – dessa vez com Kishan, o irmão bad boy de Ren -, a dupla improvável começa a questionar seu destino. A vida de Ren está por um fio, assim como a verdade no coração de Kelsey.

Em O resgate do tigre, a aguardada sequência de A maldição do tigre, os três personagens dão mais um passo para quebrar a antiga profecia que os une. ”

Realmente este livro tem mais ação, mais suspense, mas também um pouco mais de chilique de Kelsey, a personagem principal. Chegou um momento em que me vi em Crepúsculo, quando a adolescente se vê dividida entre dois amores. De fato, tem horas que torcer para o casal feliz cansa. Mas tem uns momentos engraçadinhos. Tirando esta parte que achei um tanto chatinha, a obra me surpreendeu.

Belas aventuras que a dupla Kelsey-Kishan teve que passar e mais de uma vez me peguei imaginando como seria um filme ou seriado sobre a saga. Que vontade que deu de conhecer Shangrila e mais: veio aquela vontade doida de ver uma estátua da deusa Durga de perto e também conhecer um senhor tão fofo como Phet.

A aventura aqui também lembra um pouco um jogo de videogame: passar fases, recolher objetos mágicos e desvendar mistérios. Eu simplesmente devorei o volume 2 e não aguentei e comprei o 3 e 4 logo na sequência. A autora me ganhei, eu comprei a história, acreditei e espero, de verdade, que ela não me decepcione no final.

HOUCK, Colleen. O resgate do tigre. Editora Arqueiro, 2012.

 

A maldição do tigre, Colleen Houck


Como eu disse aqui, eu me encantei pelo livro pela capa. A primeira impressão que tive do livro é que seria uma aventura cheia de magia, mitologia e uma pitada de romance. E eu estava certa.

A sinopse original diz o seguinte:

“Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço.

Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem. ”

Kelsey é a típica adolescente perdida que não sabe o que vai fazer da vida. O trabalho no circo não estava na lista de seus sonhos, aliás sonho era uma coisa que ela não tinha muito. Foi no acaso que ela descobre sua grande aventura e um propósito na vida. Enfrenta medos, se apaixona e é forçada a amadurecer em pouco tempo. Mas, ela ainda mantém a cabeça de adolescente e tem umas birras durante o livro que me cansaram bastante.  Talvez porque eu esteja com quase 30 anos me sinta meio afastada da realidade dos 18 anos da personagem.  O que realmente me prendeu é: como ela vai quebrar a maldição.

A parte mais maravilhosa do livro – e aqui dou meus parabéns à autora – é a forma como ela mistura mitos hindus e de diversas culturas e costura tudo no enredo do livro. De verdade, eu nunca fui à Índia, mas suas palavras foram poderosas com a minha imaginação. Durante a leitura eu senti os aromas, o calor, o sol e toda a beleza da magia que se passa na trama.

Me inspirei na sabedoria do Senhor Kadam, suspirei com algumas atitudes de Ren, me surpreendi com a valentia de Kesley, ri com Phet, xinguei Lokesh e tive pena de Kishan. Eu fico aqui imaginando que daria uma excelente série, mas de fato, bem cara para dar conta de todos os efeitos especiais e locações.

Convido você, amigo leitor, a passear pela Índia e a se entregar, de corpo e alma, a este romance. Deixe o preconceito de lado e leia, vale a pena.

Li este livro muito rápido, nas minhas férias e não devo ter gastado mais de 20 horas para ler. Simplesmente amei.

HOUCK, Colleen. A maldição do tigre. Editora Arqueiro, 2011.

 

 

 

 

A promessa do tigre


Olá, este post é destinado ao livro “A promessa do tigre” de Collen Houck, autora da Saga “A maldição do tigre”. Eu fiquei sabendo deste livro quando descobri a saga e resolvi começar por ele, já que a sinopse explicava que ele era o início de tudo.

“Mais de 300 anos antes de Kelsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram.

Criada longe dos olhos da corte, isolada do convívio no castelo, Yesubai luta para suportar os maus-tratos do pai e manter em segredo suas habilidades mágicas. Lokesh é um poderoso e cruel feiticeiro que foi capaz de assassinar a própria esposa porque ela lhe deu uma filha em vez de um filho.

Ao completar 16 anos, Yesubai é surpreendida por um anúncio do rei. Procurando fortalecer suas relações diplomáticas, o nobre acredita que um casamento entre a filha de Lokesh, comandante de seu exército, e um pretendente de algum dos reinos vizinhos será uma boa estratégia para diminuir os conflitos na região.

A jovem recebe a notícia com alegria. Pela primeira vez ela enxerga um fio de esperança, a perspectiva de escapar do controle do pai e de levar uma vida fora do confinamento de seus aposentos. Mas esses não são os planos do feiticeiro. Ele vê no iminente casamento de Yesubai uma oportunidade de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios.

A Promessa do Tigre conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série A maldição do Tigre.”

No começo do livro me senti perdida porque não fazia ideia de quem era quem. Mas não demorou muito para me habituar. Em “A promessa do tigre” conhecemos a história de Yesubai sob o seu ponto de vista. Logo de cara podemos dizer que a obra é fantasiosa e me lembrou de certa forma Harry Potter por mexer com magia. E como sou fã da série, me senti instigada a querer conhecer o poder da menina.

A partir da sua trajetória, nota-se uma relação de submissão, quase escravidão, de sua filha perante o pai, Lokesh. O livro possui apenas 6 capítulos e 111 páginas numa letra grande e agradável. Achei excelente para quem tem medo de encarar uma séria. A autora nos dá um gostinho de sua escrita e também de uma ideia do que esperar da Saga do Tigre.

Se você ainda não iniciou a série, recomendo que inicie por “A promessa do tigre”. Se preferir não ler, não se assuste, não irá te atrapalhar com os outros 4 volumes, mas está aí uma oportunidade de ler mais sobre Lokesh e a rivalidade entre Ren e Kishan, além de entender o início da maldição.

E aí, topa?

HOUCK, Collen. A promessa do tigre. Editora Arqueiro, 2014.

Público: para quem gosta de literatura estrangeira, séries, magia, mitologia e não se incomoda com história de amor adolescente.

O livro secreto, de Grégory Samak


Olá, antes que você inicie a leitura deste post, aviso que está cheio de spoilers. Então, se você não gosta de saber o que vai acontecer antes de se perder nas palavras do autor, pare de ler imediatamente. Agora, se você, assim como eu, não se importa com o final, mas sim que gosta de ser surpreendido pelo desenrolar da trama, seja bem vindo. Aproveito para convidar você, meu amigo leitor, a discutir este livro que me deixou um tanto intrigada.

Eu conheci  “O livro secreto” por acaso. Estava chegando a data do amigo secreto da firma e eu precisava indicar presentes para quem me tirasse. Como eu gosto muito de ler, resolvi navegar nos sites de livraria buscando algum livro de ficção. Sim, gosto de ler histórias que nunca existiriam na realidade, não vejo problema algum nisso em deixar a minha mente ser comandada por palavras fantasiosas.

Eu já tinha lido alguns livros com a temática nazismo. Passei por “A menina que roubava livros”, “O menino de pijama listrado” entre outros. Apesar do holocausto me chocar, sou daquelas que não consegue assistir qualquer referência aos campos de concentração que já choro e sinto enjôos, a leitura me chama. Talvez justamente porque minha memória pegue leve nas cenas mais tensas…não sei dizer…

Enfim, escolhi esta obra do Grégory Samak porque ele apresenta um personagem judeu que seria capaz de mudar a história da humanidade. Veja bem:o que você faria se encontrasse a biblioteca divina na qual está repletas de livros contando a história de cada pessoa que já viveu, vive ou ainda viverá na Terra? Mais magnífico que isso seria imaginar o que você faria se descobrisse que fosse capaz de alterar o rumo da vida de alguém, ou até mesmo mudar a história da humanidade?

São com estes questionamentos que conhecemos Elias Ein, um judeu que mudou recentemente para a Áustria para morrer em sua solidão. Elias, como a maioria dos judeus alemães, teve sua família exterminada durante o holocausto e carregou dentro de sim, a pergunta de como seria se Hitler simplesmente não tivesse existido.

Eis que, na ficção, ele tem a oportunidade de mudar a história. Ao tocar as letras do Livro Sagrado, ele nos leva a Alemanha pré-holocausto e nos mostra as suas tentativas de assassinato ao Hitler. Confesso que enquanto lia, o meu lado racional tentava sabotar o livro: como, como ele mudaria o rumo disso? Como uma ficção pode querer mudar o rumo de uma história tão trágica?  Mas, eu batia em minha cabeça que o autor poderia fazer a viagem que ele quisesse e que eu estava disposta a segui-lo.

Me lembrou um pouco daquele filme “Efeito borboleta”, sabe? Uma simples decisão que tomamos hoje pode influenciar todo o curso da nossa história. Nisso, o livro estava me prendendo bem. Enquanto o assassinato de Hitler não acontecia, estava muito interessante. As viagens que Elias fez ao passado, a mudança na vida de Sof, seu vizinho, me deixavam pregada no livro.

Até ele finalmente viajar para 1922, antes de Hitler ser o Hitler e matá-lo. A partir deste momento, senti que o autor se perdeu. Se perdeu na magnitude da ideia que ele mesmo construiu: O holocausto existiria mesmo sem Hitler?

A narração ficou acelerada, cortada e quase perdi o fio da meada da história dele. E o final do livro me decepcionou. Ele me fez acreditar que tudo tinha mudado e, por mais irreal que tenha parecido, eu estava feliz com a mudança. Afinal, estamos falando de um livro de ficção. Mas, seja por vontade dos editores ou do próprio autor, senti que houve um medo de brincar com isso e ele encerra o livro com uma situação política muito parecida com o holocausto: judeus sendo perseguidos, presos e exterminados.

Desculpe, Samak…errou ai. Por que tentar encaixar a sua ficção na realidade? Por que brincar de Deus e depois me justificar que os judeus tinham que morrer de qualquer forma?

Se a sua intenção era me deixar intrigada, parabéns, você conseguiu.

 

Sabor da paixão


Uma das coisas que mais gosto no Netflix é quando ele faz a sugestão de filmes pra mim. Gosto porque costumam aparecer uns títulos que jamais imaginei que existia.

Um deles me chamou a atenção “Sabor da paixão (woman on top)”. Chamou a atenção porque vi Penélope Cruz como uma personagem baiana, interagindo com atores brasileiros, entre eles, Murilo Benício. Se eu tinha ficado curiosa com esta mistura, me choquei mais ainda ao ver que o filme era em inglês.  Sim, senhoras e senhoras.

A trama se passa boa parte no nordeste brasileiro e eles falam em inglês, praticamente o tempo inteiro. De curiosa, cliquei para ouvir em português e me assustei ao não ouvir a voz do Murilo, mas sim, outro dublador.

Tico e teco na cabeça quase piraram rs rs

O interessante é que finalmente entendi o sotaque dos brasileiros falando em inglês. Alguns atores soavam bem mecânicos, mas outros até que me enganaram. A história não é das mais interessantes.

“O sabor da Paixão” conta a história de Izabella uma baiana que tem problemas com enjôo e que encontra conforto na cozinha. Já que estamos falando do Brasil, podemos dizer que ela é uma cozinheira de mão cheia.

Ela se apaixona por Toninho (nome mais brasileiro, impossível) e juntos abrem um restaurante. Mas, como toda caracterização de homem nativo, ele trai Izabella e ela resolve ir para São Francisco morar com seu amigo que se veste de mulher. Nesta viagem, Izabella faz uma oferenda a Iemanjá pedindo que a ajude esquecer de seu marido.

Lá, ela encontra um americano que se encanta por ela e resolve dar uma chance para ela na TV. Izabella encanta a todos com sua beleza e talento e fica famosa. No Brasil, Toninho está a falência e sente falta da esposa. Ele vai até São Francisco para recuperar o seu amor.

É um romance pastelão, mas é interessante observar como somos retratados por aí.

ps: certas expressões brasileiras não fazem sentido algum no inglês rs

Ame o que é seu, Emily Giffin


Está aí um livro que considero um conto de fadas ou um episódio de “Sex and the City”.

Ellen é uma garota mulher que está em um impasse. Tem um casamento perfeito com o irmão de sua melhor amiga. Vive em um apartamento em Nova Iorque e é fotógrafa.

Assim como a maioria dos seres humanos, teve um relacionamento antes de seu marido com o Leo. Leo, o cara que mexeu demais com ela quando tinha seus 23 anos. Era aquele tipo de amor obsessão que ela largava tudo pra ver o rapaz. Abriu mão dos amigos, tinha um emprego medíocre e sem ambição na vida.

Tudo muda quando o Leo fica frio e o relacionamento termina. Termina daquele jeito que enlouquece qualquer mulher: termina de um jeito que nao teve realmente um ponto final. Mas o tempo passa e ela se encanta com Andy, irmão de sua melhor amiga.

Pouco tempo depois eles se casam e vivem uma vida boa, agradável, nas palavras da personagem. Mas o ser humano é ingrato e ela fica se questionando como teria sido se ainda estivesse com o Leo. Eis então que o ex reaparece, por acaso, em sua vida e todo aquele sentimento de coisa inacabada volta ao coração de Ellen.

Ela racionaliza e decide mudar para Atlanta com Andy, deixando sua carreira, vida agitada e talvez seus sentimentos por Leo em Nova Iorque.

Mas a ponta do sentimento dela não quer afundar, quer ficar ali cutucando ela. Enquanto eu lia o livro só conseguia pensar o quanto ela estava brincando com o fogo e sabendo que se fosse relato de uma vida real o final não teria sido tão feliz.

Eu adoro contos de fadas, sonho com episódios romanceados de seriados para mulheres, mas este livro me incomodou. Eu realmente, e pela primeira vez, torci para que a protagonista se desse mal.

Sei que se trata apenas de um livro, uma história inventada, mas talvez tenha sido exatamente pela falta de elementos que eu teria julgado como reais tenham me feito desgostar da obra.

Nota- se que li o livro de uma tacada só e torci para ela se dar mal porque faltou um elemento fundamental para que eu gostasse do livro: o tal ponto de virada ou, se preferir, faltou me surpreender.

Pra quem não tem esta exigência de ser surpreendido, vale a leitura.

Uma prova de amor, Emily Giffin


Este foi um dos livros que a minha mãe emprestou pra eu ler. 

Lendo a sinopse pude de cara me idendificar com um dilema que já passei pela vida: qual é o proximo passo?

Você nasce, estuda e depois? Trabalha, pode ser que encontra alguém.. que se case e depois? Filhos?

Por muito tempo eu me imaginei sem filhos e muito menos casada. Achava que viveria pra mim apenas, que seria rica, teria meu apartamento e viajaria pelo mundo várias vezes ao ano.

Eu estudei, fiz duas faculdades até e tive o lindo merecimento de encontrar um alguém que hoje é o meu marido. Obviamente que a partir do momento em que disse “eu aceito” a sociedade já me veio com a seguinte cobrança: quando você vai ter filhos?

Não que eu não queira, mas ainda não sinto que é a hora.  E o engraçado deste livro é que fala desta cobrança, a cobrança de ter filhos.

Cláudia e Ben tinham um relacionamento perfeito. Os dois não queriam ter filhos, viajavam sempre que podiam e estavam concentrados em suas carreiras.

Até que em determinado momento, algo mudou. Algo pequeno, simples, mas profundo. Ben deseja ser pai.

A partir do ponto de vista de Cláudia, acompanhamos sua jornada, sua dificil escolha entre manter o seu relacionamento ou manter seu desejo de não ser mãe.

Ela passa por poucas e boas, inclusive por aquelea diálogos familiares onde costuma haver maior cobrança pela prole.

“Uma prova de amor” é um romance típico feminino e Cláudia poderia ser ate uma blogueira famosa que posta seu dia dia.

É praticamente impossível não se identificar com alguma personagem. Seja Cláudia, ou uma de suas irmãs: Daphne que deseja ter um filho desesperadamente, mas não consegue ou Maura que tem três filhos, é rica, mas seu marido a trai.

Ou mesmo sua mãe, Vera, que abandonou a família quando encontrou um outro amor. Ou até mesmo a amiga Jess, corpo maravilhoso, rica, inteligente, mas sofre todos os casos no campo amoroso.

Para ajudar, o livro tem sua fonte grande confortável, capítulos médios e fácil leitura. E apesar de parecer um livro “mamão com açúcar”, ou seja que você acha que não vai aprender nada, me surpreendi com uma auto análise enquanto lia e vi que nao há problema em ter medo do desconhecido, que não preciso seguir regras e que posso ser feliz ao meu modo.

Recomendo a leitura para mulheres que sabem o que querem, para aquelas que acham que sabem e para aqueles que não fazem ideia.

Jardim de inverno, Kristin Hannah


jardimConheci este livro por acaso. A minha mãe, assim como eu, se empolgou com os livros de Lucinda Riley e isso despertou a nossa paixão por romances. Logo, ela foi passear por livrarias e deu de cara com “Jardim de inverno” da Kristin Hannah.

O primeiro contato que tive com as palavras de Hannah foram na sinopse:

Jardim de Inverno – Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas.
A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história.
Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.
“Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.”
– Publishers Weekly
A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrad congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Quando percebi que era uma jornada ao passado (ao estilo Riley), fiquei curiosa para ler. Logo de cara senti um certo ódio de Anya pela falta de atenção e carinho com suas filhas e queria entender o que o conto de fadas tinha a ver com toda esta frieza. A autora, de forma brilhante e envolvente, vai nos contando pouco a pouco a narração da vida atual destas filhas ao mesmo tempo que nos leva ao passado de Anya e ao mundo criado por ela que mistura fantasia e realidade.

Para quem gosta de ouvir histórias a respeito da segunda guerra mundial fugindo do tema holocausto, fica uma narrativa surpreendente em detalhes e sentimentos.

Não quero falar mais detalhes do livro porque eu mesma fiquei tentando toda hora descobrir sozinha o final, mas amei a forma como fui surpreendida pela autora. Este livro entrou na minha lista dos favoritos.

Não chega a ser tão grande, menos de 500 páginas, o que facilita para “segurar o livro e não cansar de ler”

Este foi o primeiro livro da Kristin que li. Sei que tem mais 17 obras publicadas no Brasil que torço para que sejam tão emocionantes e belas como “Jardim de inverno”.

HANNAH, Kristin. Jardim de Inverno. Novo conceito, 2013.

Frozen – O que é o amor verdadeiro?


Finalmente, depois de muito tempo querendo, conseguir assistir a “Frozen – um aventura congelante”. Apesar da música “Let it go” ser sucesso, optei por assistir  à animação na versão dublada. Sim, sou daquelas que gosta de ver desenho na minha língua rs rs

***spoiler****

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Quando eu vi os primeiros teaser´s, criei uma imagem totalmente diferente do filme. Jamais pensei que a Disney realmente já estava mudando a forma como tratar as personagens femininas. Achava que a Elsa era tipo a rainha má da Branca de Neve e que ela queria matar a ruivinha. Me enganei rs.

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Na história, Elsa e Anna são princesas de Arendell e irmãs inseparáveis. Elsa tem o poder de “lançar” gelo e neve pelas mãos e, durante uma brincadeira, Elsa sem querer ataca sua irmã. Para a segurança de Anna, sua memória é apagada e Elsa se esconde dela e do mundo, pois teme não conseguir controlar o seu poder.

Anos depois, no dia da coração de Elsa como rainha, um acidente acontece e todo o reino descobre seu poder. Ao contrário de todos, Anna não se intimida e quer ajudar a irmã que foge para as montanhas. A aventura começa aqui, ela conhece novos personagens e enfrenta diversos perigos para ajudar a sua irmã.

O que mais me chamou a atenção neste desenho foi a questão do que é o “amor verdadeiro”. Quando Anna é atingida pelo poder de Elsa, seu coração começa a congelar. A cura só acontece através do amor verdadeiro. Nos contos de fada tradicionais a resposta estaria no beijo de um belo rapaz, certo?

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Pois bem, em “Frozen” não foi assim. Quando Anna está quase recebendo o beijo verdadeiro e, quase morrendo, ela vê sua irmã em perigo e decidi salvá-la. Ignora sua fraqueza e como seu último ato da vida, impede que Elsa seja morta. Está aí, bem claramente, uma demonstração de amor verdadeiro. Claro que, para ajudar a entender isso, o bonequinho da neve repete a frase: isto é o amor verdadeiro.

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Amor verdadeiro é amor entre irmãos. Claro que filosoficamente podemos expandir o conceito de irmão para além do convívio familiar, mas eu fiquei admirada pela ideia da Disney de dizer que encontramos o verdadeiro amor dentro de nossa família. É muito lindo isso. E olha que maravilha: amor é a chave para Elsa controlar seu poder. Lindo, né?Com certeza é uma animação que toda criança (e por que não adulto) deve assistir.

Outra coisa que me chamou a atenção e me fez gostar ainda mais do desenho foi que Esza precisou se aceitar. A música “Let it go” faz sucesso, na minha opinião, justamente por ser no momento em que ela se assume. Sim, ela tem poderes….sim, ela pode ser do jeito que é. E uma das coisas mais difíceis na vida é sabermos justamente quem somos e nos aceitarmos.

Arrasou, Disney…mais uma vez!

 

Dogville e a influência de Brecht


Mais um vez trago um trabalho que fiz com a Bruna Marques e Mayara Picoli para a Cásper Líbero. Desta vez, tínhamos que encontrar algum filme que apresentasse características do dramaturgo Bertolt Brecht e analisar como apareciam no cinema. Pois bem, escolhemos Dogville (2003), dirigido por Lars Von Trier.

Já vale lembrar que se você não gosta de spoilers,  pare de ler agora.

Antes de começar, confira o trailer do filme.

Quando o cinema nasceu com os irmãos Lumière, acreditava-se que ele servia pura e simplesmente para retratar a realidade. Com os planos gerais e câmeras fixas, víamos toda a ação acontecendo diante de nós como se fôssemos a quarta parede de uma sala, justamente como acontecia com o teatro clássico. Não demorou muito para que o cinema conseguisse a sua própria linguagem e inovasse com o passar do tempo.

O modelo clássico é o mais seguido e referenciado, assim como aconteceu no teatro. Cenários exuberantes, atores famosos e trilhas encantadoras nos fazem mergulhar de tal forma na tela que nem percebemos que tudo não passa de uma montagem de imagens que, unidas, fazem algum sentido. Às vezes até esquecemos dos planos e enquadramentos e nos vemos ali no meio da história.

Como Alfred Hitchcock já disse inúmeras vezes, o ser humano é voyeur e é isto que garante que as pessoas fiquem horas diante de uma tela sendo enfeitiçados pela história.  De certa forma, este encantamento também apareceu no teatro clássico. Mesmo com a distância da poltrona ao palco, somos engolidos pela fantasia de tal forma que pertencemos a ela.

O que vemos ali, no palco ou na tela, não chega a ser um retrato da realidade, como os criadores do cinema acreditavam, mas mesmo assim tendemos a acreditar que aquilo é real.

Entretanto, existiu um escritor e dramaturgo alemão que decidiu quebrar este paradigma de representação da realidade e nos lembrar constantatemente de que o que estamos vendo é uma peça de teatro: Bertolt Brecht. Para ilustrar as suas ideias, escolhemos o filme Dogville (2003), dirigido por Lars von Trier.

A maneira utilizada para filmar Dogville é o aspecto mais característico de Brecht. O filme foi rodado em um estúdio fechado e sem cenário, apenas com riscos desenhados no chão representando as casas e ruas do vilarejo. Até o cachorro é um desenho no chão, bem como a referência à cadeira de descanso e os arbustos, uma clara referência também ao cachimbo de Magritte.Isso já questiona se o que vemos é de fato a realidade ou uma representação dela.

No cinema e no teatro, isso nos faz lembrar que estamos assistindo a uma peça/filme e não que estamos vendo a história real.

Os atores circulam sobre a planta da cidade e atuam como se houvesse objetos invisíveis aos nossos olhos, sem paredes e portas, apenas com alguns móveis. É como uma criança que brinca de faz de conta e desenha uma casa no chão e passa a atuar nela como se fosse real.

A sonoplastia ajuda nossa imaginação quando a porta realmente faz barulho ao ser aberta pelos personagens.

Esta estética usada no filme mantém o espectador sempre ciente de que é uma representação da realidade. Todo filme foi gravado em um galpão da Suécia, o que remete ao teatro caixa preta de Brecht enquanto que a atuação dos atores com os objetos imaginários remete ao teatro do absurdo do dramaturgo.

Dogville é um pequeno vilarejo isolado no alto das montanhas e de difícil acesso. A história mostra a rotina sossegada dos poucos habitantes do lugar, cada um com suas manias e conformismo. Thomas Edson Jr. é o único personagem que não se conforma com a situação pacata das pessoas e promove reuniões moralistas para comunidade refletir sobre suas ações, com o intuito de promover o bem no mundo.

O nome Dogville significa vila do cão, mas em um sentido mais subjetivo, diz que os habitantes desta vila agem como cães por instinto uma vez que o contexto da Grande Depressão trouxe miséria a algumas cidades. Brecht ressaltava que as causas podem levar às consequências diferentes porque o ser humano é capaz de fazer escolhas, vê-se isso em Dogville pela submissão de Grace e depois pela vingança.

Baseada no distanciamento entre público e personagem proposto por Brecht, o filme trabalha a história como um componente para reflexão e didática, apresentando um caráter não-ilusório e colocando os espectadores fora de ação para interromper identificações.

As ações acontecem frente às câmeras e, simultaneamente, as outras casas e personagens são exibidas ao fundo, provocando estranheza para quem assiste, mas é a melhor maneira de interromper a ilusão e trazer reflexão, pois acentua momentos dramáticos.

A narração em “off” acentua ainda mais que se trata de uma história sendo contada ao público, assim com a divisão em capítulos, que se assemelha ao teatro e à história, ou seja, é  o narrador quem controla e da voz aos personagens. Brecht tinha um narrador que interrompia a ação e Von Trier também faz isso, comandando às vezes até a fala do personagem.

A principal característica encontrada no filme é a descontinuidade. Fica bem aparente como o diretor faz isso, pois coloca um letreiro informando o número do capítulo e o que irá acontecer, algo que é comum ao teatro Brechtiano. Enquanto muitos buscavam fazer as pessoas se sentirem no filme, Brecht fazia de tudo para que isso não acontecesse em suas peças.

No filme, apesar de seguir uma ordem cronológica dos fatos a divisão dos capítulos causa uma quebra, fazendo com que nos lembramos de que estamos assistindo a um filme. Nos momentos em que começamos a nos acostumar e ficamos compenetrados, os letreiros aparecem fazendo-nos lembrar de que aquilo não é real, é apenas uma história.

Por mais que os cenários não sejam comuns, chega a certo ponto no filme em que nos esquecemos disso, o cenário fica algo insignificante e nos tornamos atraídos pela narrativa. Quando aparece o número do capítulo, nossa concentração acaba por um momento e voltamos à realidade.

Devido a sua experiência de vida, Brecht adquiriu uma posição de luta pelos oprimidos, retratava de forma cênica as diferenças entre classes sociais e a injustiça do mundo. Podemos identificar essa estética na obra “O círculo de giz caucasiano”, onde a protagonista Grucha luta por Miguel, o menino de sangue real abandonado, o qual ela salvou da guerra e adotou com filho.

Nesta peça, Brecht representa as diferenças entre ricos e pobres e o caráter social deles. Ele sempre abordou temas que pudessem ser reconhecidos pelos espectadores e que trouxessem subjetividade.

Já notamos semelhanças entre o livro e o filme. A primeira referência se dá que o primeiro trata da situação das pessoas durante a Revolução Russa e o segundo da Grande Depressão. De certa forma, Von Trier e Brecht abordam a reação das pessoas simples diante de eventos de grande magnitude nos quais eles só fazem parte do cenário e não possuem voz ativa.

Em relação às personagens, há certa semelhança entre a personagem Grucha do livro “O círculo de giz caucasiano de Brecht” e Grace do filme “Dogville”. As duas estão durante toda a história fugindo de alguém. A diferença é que com Grucha conseguimos saber de quem e o motivo de sua fuga, já com Grace sabemos de quem ela foge, mas o porquê permanece um mistério durante todo o filme.

Ela chega à pequena cidade e começa a ajudar a todos, querendo ser agradável e permanecer por lá, enquanto Grucha ajuda o menino, vê que ele não seria bem tratado se continuasse com a verdadeira mãe e então foge com ele. Por mais que existam diferenças significantes em cada uma, a maneira como estão se preocupando com o outro cria uma semelhança entre as personagens.

Outro aspecto é que nas duas histórias há julgamentos em que nem sempre o que todos dizem ser o certo acontece. Em Dogville, primeiro Grace é julgada para que fique na cidade e as pessoas concordam mesmo sabendo que ela é uma fugitiva.

Depois, no final do filme ela julga as pessoas que maltrataram ela, matando todos e pensando que será melhor assim, não só para ela como para toda a humanidade eliminar aquela cidade, para que outros não sintam o mesmo que ela sentiu quando chegou.

No livro de Brecht o juiz impõe o veredicto que pensa ser o certo para ele, não de acordo com o que a humanidade e nossos costumes dizem ser o certo.

Quando resolve que o menino irá ficar com Grucha, por exemplo, o certo é que ele devesse ficar com a mãe verdadeira, mas o juiz acredita que Grucha fará o melhor por ele já que passou por tantas dificuldades e não puxou os braços dele no momento em que estava sendo julgada.

O cenário também dá a ideia do teatro. Na verdade não é o clássico cenário para cinema, mas  é como se fosse uma maquete do que seria o cenário. O fato de toda a história acontecer em um mesmo local, lembra uma peça teatral, na qual os personagens que saem da cidade ou até mesmo aqueles chegam, só aparecem no momento em que estão nela realmente.

Não conseguimos saber o que acontece fora de Dogville. Até mesmo na cena em que Grace tenta fugir, só conseguimos ver ela deitada na traseira da carreta, e ela falando o quanto está andando, temos apenas a impressão de que ela saiu e está se deslocando, mas em nenhum momento vemos isso realmente.

Mas por que Lars von Trier seguiu as ideias de Bertold Brecht? Porque ele fazia parte do Dogma 95, movimento cinematográfico revolucionário que exigia não usar cenários, nem trilhas sonoras e a câmera deve estar sempre nos ombros do cineasta. Isto explica os movimentos bruscos com a câmera, imagens meio tremidas e cortes descontínuos.

Entretanto, Von Trier usa iluminação artificial, gruas para as tomadas do alto e de certa forma possui cenografia, mesmo que não seja exuberante, e isso contraria os princípios do manifesto ao mesmo tempo em que vai ao encontro às ideias de Brecht.

Tudo isso para reforçar que estamos vendo uma representação da verdade como um faz de conta, assim como você está lendo um recorte do filme analisado a partir de dramaturgo, o que significa questionar: este texto é real? Ou uma representação dele? Será que deveríamos ter cortado ele, colorido e feito diversas coisas estranhas para você lembrar que está lendo isto? Brecth e Lars von Trier teriam feito, certeza.

Vai um sushi aí?


Capa do livro. Até deu vontade de comer sushi mesmo

Nessas férias resolvi ler “Sushi” de Marian Keyes porque já tinha lido “Melancia”e me encantado com o estilo folhetinesco/diário pessoal da autora.

O livro retrata a história de três mulheres: Lisa, Ashiling e Clodagh cujas vidas se cruzam seja no pessoal ou na profissão. Cada vez que Marian vai contar um episódio de uma das personagens, lemos em primeira pessoa de modo que aprendemos como cada uma pensa e reage diante das situações nada normais que acontecem com elas.

Os capítulos são curtos e, por isso, dá para ler vários em uma viagem de metrô, ainda mais que as letras grandes e o espaçamento auxiliam no conforto dos olhos no “mexe-e-mexe” do trem.

Mas voltando à história. Lisa é uma diretora de revista feminina muito bem sucedida na carreira, mas em abismo em seu casamento. Ela é transferida para Dublin a contragosto onde conhece Ashiling, seu braço direito na redação de uma revista chamada Garota, que elas devem criar do nada. Lisa é egoísta, linda e fútil. Só se preocupa em se manter impecável e fazer com que todos os homens a desejem.

Ashiling é a garota sem sal e sem açúcar que tem trauma da vida por causa da depressão de sua mãe. É supersticiosa e vive carregando um kit de primeiros socorros em sua bolsa e, por isso, foi rotulada como “Senhorita-Quebra-Galho”, pelo seu chefe Jack Devine (apelidado de Divino por sua amiga Joy).  Ela tem zero experiência como redatora-chefe, mas no desenrolar da história podemos observar seu crescimento na revista.

Clodagh é a mulher mais linda do mundo, casada com o homem perfeito e com dois filhos tão mimados que dá vontade de invadir as páginas do livro e dar uma bela de uma surra nos pais para ver se eles se mexem (não me odeiem por isso, as crianças são MUITO pentelhas e os pais, passivos). Ela é a dona-de-casa que foge do relacionamento íntimo com seu marido e ocupa o seu tempo reformando a casa. Ou seja, uma pessoa bem frustrada.

Pois bem, essas são as personagens principais. A autora vai dividindo as páginas com o íntimo de cada uma e uma coisa muito legal do livro é que muitas vezes ela apresenta a mesma situação, contada pelo ponto de vista das três personagens, uma seguida da outra. O mais incrível, é que dá para entender bem, sem nenhuma confusão.

Assim como no romance “Melancia”, o nome “Sushi” é pouco explicativo. A referência só aparece ao final do livro quando eles falam em comer a comida japonesa. Parece tosco, mas é o sushi que une e separa alguns personagens na trama.

O que me incomodou de verdade foi a quantidade de cenas de sexo presentes no livro. A cada cinco capítulos, lá aparecia. Me incomodou porque nessas horas senti que a autora trata as mulheres independentes com uma mentalidade masculina: “ser independente financeiramente, bem sucedida, significa ter relações com qualquer homem que fique aceso ao te ver”. Essa mensagem quase me fez deixar o livro de lado, mas fui até o fim para ver se a obra se salvava. Nada contra as mulheres escolherem seus parceiros, mas não precisa viver atrás disso só porque você é independente.

O fim da história meio que reforça que a mulher precisa de um homem, mas que pode manter a sua carreira  e vida particular. Interessante porque muitas ainda vivem o conflito entre ser esposa, mãe e ter sua carreira. Eu só acho que nem tudo se resume a sexo e que as mulheres podem sim ser independentes sem serem igualzinhas aos homens.

O livro vale como uma distração e para rir das boas sacadas da autora, ainda mais quando Ashiling entra-e-sai da depressão, sem contar o humor irreverente dos personagens secundários.

Leia + Leitura de metrô
Stupeur et tremblements – Vous parlez français?
A cabana, William P. Young

Uma opinião sobre “Eclipse”


ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS

Ontem eu fui assistir  “Eclipse”, terceiro filme da Saga Crepúsculo.  Estava empolgada porque muita gente que detesta a série dizia ser o melhor até agora. Sem contar que fãs enlouquecidas compraram mais de 90 mil ingressos antecipados para ver a pré-estreia  às 0h00 do dia 30 de junho.  Até pensava que não seria possível assistir neste final de semana.

Mas como metade das salas do cinema que freqüento estava oferecendo o longa, consegui. Compramos pela internet para evitar demoras, jantamos e momentos antes fomos para a fila que já se formava na frente da sala.

O filme começa com uma sacada boa que não tem no livro. Grande mérito do roteirista.  Logo de cara sabemos como Riley foi transformado em vampiro. Este personagem até ganha um destaque que não havia no livro. Conhecemos seus pais e como Charlie, pai da Bella, fica preocupado com o desaparecimento do jovem rapaz.  Mas a parte surpreendente acaba aqui.  O logo da saga aparece e tudo começa a desmoronar.

Uma das milhares cenas de amor entre Bella e Edward

Não culpo o diretor, culpo o responsável pela montagem do filme. Isto porque em quase todas as cenas de diálogo os cortes de plano e contra-plano estão MUITO, mas MUITO mal feitos. A não ser que a ideia original fosse que a gente não visse o personagem que fala e somente aquele que está ouvindo.

Um exemplo, uma cena super delicada e engraçada entre Bella e seu pai na cozinha. Charlie tenta iniciar uma conversa sobre sexo seguro com sua filha. No livro, dá para sentir a tensão, mas na telona a cena fica esquisita. Quando Charlie está falando, só vemos a cara da Bella e vice-versa. Ainda mais quando ela anuncia que é virgem. O plano nela tem 1 segundo e já corta para um plano geral dela correndo para a escada. Aquilo me incomodou, pois em todo filme os planos e movimentações de câmera fazem com que a gente se sinta dentro do filme, como um figurante.  Basta lembrar da primeira vez em que Jacob aparece na tela: câmeras meio tremidas, planos curtos e em detalhes. E bem nesta da cozinha, há um corte brusco que nos distancia.

Os Cullen se preparando para lutar contra os recém-criados

O mesmo ocorre com a luta entre lobos, vampiros e os recém-criados. A cena de luta de Neo e Smith em Matrix, ganha de dez a zero.  Acho que aqui houve um abuso da tecnologia, é tudo tão rápido que não dá para entender muito. Só vemos borrões. Em Matrix, havia bons planos das reações dos personagens.  Mas a tecnologia teve seu lado bom sim. Os lobos foram muito bem feitos. Os pêlos são tão incríveis quanto os de Sully, em Monstros  S.A.

Voltando à montagem, enquanto eu assistia ao filme surgiu uma dúvida: será que quem não leu o livro está entendendo alguma coisa? Para quem não leu: quando Bella diz: “Sou a Suíça”, faz algum sentido para você? Se você leu o livro, faz.

No desespero de comprimir a história em algumas horas fez com que o filme perdesse a continuidade. Está tudo jogado.  Uma montagem bem esquisita e diferente dos outros longas da série.

Aqui me atrevo a fazer outra comparação: Eclipse é fantástico na direção de arte, os cenários estão lindos, atores mais preparados e o filme mais sombrio como no livro, mas como fã da série, Catherine Hardwick foi , para mim, mais fiel à adaptação. Com orçamento baixíssimo, o filme com certeza respeitou muito mais coisa que Eclipse.

Mas isso vai de gosto de cada um. É inegável dizer que a série tomou grandes proporções e deixou muitos cinéfilos e críticos de cinema bravos por uma história tão mamão com açúcar e com atores quase sem experiência ser aceita pelo público.  Dá vontade de rir. Sério. Falem bem, falem mal…mas tudo mundo está falando de “Eclipse”.

Eu poderia escrever muito mais coisa neste post, mas vou aguardar o resultado dele. Se rolar diálogo, escrevo mais.

Releitura


As inovações de Veríssimo na releitura da obra “Noite de Reis”, de William Shakespeare

Chacrinha foi feliz ao dizer nos anos 80 que “nada se cria, tudo se copia”. Apesar de a frase parecer engraçadinha, e, ao mesmo tempo maldosa, querendo dizer que não existem mais mentes criativas, este fenômeno ocorre na literatura de uma forma um pouco diferenciada. Um exemplo é o livro “A décima segunda noite”, de Luís Fernando Veríssimo.

Capa do livro de Veríssimo

Esta obra faz parte da coleção Devorando Shakespeare da Editora Objetiva e é uma releitura de “Noite de Reis”, de William Shakespeare. Os dois livros falam sobre o dia 6 de janeiro, a noite de reis, que acontece  doze  dias após o Natal. Esta data, na tradição britânica, é o dia em que os patrões presenteiam os empregados e também o derradeiro momento dos  festejos natalinos.

Shakespeare criou uma tragicomédia, mistura de tragédia com comédia, a respeito desta data. Em uma ilha fictícia, chamada Illyria, vive um duque chamado Orsino que é apaixonado por Olívia, uma dama que decidiu não amar ninguém e viver o luto pela morte do seu irmão. Neste meio tempo, somos apresentados a Viola, que chega à ilha depois de sobreviver a um naufrágio. Desamparada por acreditar que seu irmão gêmeo, Sebastian, tenha morrido afogado, ela se disfarça de homem e nomeia como Cesário, para preservar a sua identidade e passa a trabalhar para Orsino, por quem se apaixona. Essa rede de amores não correspondidos aumenta quando Cesário (Viola) vira o mensageiro entre as juras de amor de Orsino e as recusas de Olívia, que se encanta pelo jovem rapaz.

Pocket book - Noite de reis

Mas o enredo não para por aqui. Há outros personagens na história, como o tio de Olívia, Sir Toby e sua empregada Maria que resolvem aprontar com Malvolio, serviçal apaixonado pela patroa Olívia. Eles enviam uma carta em nome da chefa e fazem o moçoilo acreditar que ela corresponde ao sentimento e que o amor carnal será consagrado na noite de reis. E no meio desta trama toda, há um elemento típico da comédia: o bobo que faz rir. Nesta obra, Feste está presente para garantir a malícia e ambiguidade até o fim do enredo.

O amigo de Sir Toby, Sir Andrew também é apaixonado por Olívia e desafia Sebastian, achando que ele é Cesário, quando esse reaparece na história junto com Antônio, inimigo de Orsino. Olívia também encontra o gêmeo desaparecido e achando que é Cesário, o pede em casamento. Orsino fica furioso e visita a sua amada junto com Viola, disfarçada de mensageiro. Neste momento, descobre-se a verdadeira identidade de Cesário e toda a rede de amores não correspondidos se desfaz. Shakespeare termina a peça com um final feliz e com três casamentos: Olívia com Sebastian, Viola com Orsino e Maria com Toby.  A história é assim mesmo: confusa e toda entrelaçada, mas de modo que cada relacionamento tenha a sua explicação e algum sentido no final. Ficou confuso? Lembre-se de “A Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, onde  “João amava Teresa que amava Raimundo/que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili/ que não amava ninguém./ João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,/Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,/Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/que não tinha entrado na história.” A obra de Shakespeare é bem por este caminho, pode até ser que tenha servido de base para o poema de Drummond.

Luís Fernando Veríssimo reescreveu esta obra confusa de uma maneira diferente. A começar pelo gênero: enquanto Shakespeare é teatro, Veríssimo partiu para o romance. Ao contrário da estrutura fixa do roteiro teatral, “A décima segunda noite” é como se fosse a transcrição de um depoimento gravado de um papagaio chamado Henri e isso é dado de forma que seja possível entender que haja uma conversa entre leitor e narrador. Sem contar que é muito mais fácil ler esta obra por causa da linguagem simples, do estilo verbal e da diagramação do livro: espaçamento e letras grandes. Além disso, os capítulos tem o mesmo tamanho, como se cada um fosse uma fita gravada. Logo, o final de cada parte é meio interrompido pelo gravador, mesmo que o papagaio não tenha concluído o raciocínio e isto aumenta o grau do humor, pois muitas vezes Henri fala alguns palavrões e se irrita com o leitor.

Os nomes são abrasileirados e também há algumas mudanças na história. Ela se passa em Paris e Illyria é um salão de cabeleireiros cujo dono é o francês Orsino. Henri, além de narrador, é personagem e enfeite do salão e das festas além de estar apaixonado por Violeta, que na obra original é Viola. Violeta se veste como homem, César (Cesário) para ser recepcionista no salão de cabeleireiro. Há novos protagonistas como Negra e suas três flores que ajudam imigrantes brasileiros a viverem na França. Aliás, ao contrário da obra elisabetana, tudo se passa com brasileiros exilados na capital francesa de modo que a cultura brasileira esteja presente a partir da comemoração do carnaval, com as comidas típicas e comportamento dos personagens.

A estrutura da narrativa também modifica a ordem dos acontecimentos e Henri introduz uma nova cena à história original: o caso da Santa que era Santo. Em poucas palavras, trata-se de um contrabando de pedras preciosas em que o irmão falecido de Olívia era o responsável pela ida e vinda de santos recheados de dinheiro para auxílio dos exilados. Neste caso, foi colocada uma saia em cima da roupa de José para poder disfarçar as pedras, mas este santo é “perdido” e a confusão se instaura entre os exilados e a rede de amores não correspondidos. Mais para frente descobrimos quem é o dono da fortuna.

Os fatos são os mesmos: Violeta (Viola) é apaixonada por Orsino que é apaixonada por Olívia que ama César (Cesário), mas se casa com Sebastião, Sebastian na obra original. Malvolio também passa por uma peça pregada por Maria, no caso prima distante de Olívia, Festinha e Arroto (Sir Toby), mas o desfecho da história muda. Enquanto em Shakespeare, Malvolio consegue provar que não é louco e fica sozinho, em Veríssimo, ele “ataca” Maria e os dois têm uma noite de amor durante a décima segunda noite.

É tão confuso explicar quanto ler o que acontece, mas a obra de Veríssimo, por ser mais atual, facilita o  entendimento com a sua linguagem mais clara. Porém, sem ter a referência de Shakespeare a história se perde no seu sentido.   Pode parecer complicado querer comparar tantos detalhes de duas obras que são parecidas ao mesmo tempo em que são diferentes, por isso vale a pena ler as duas, a original primeiro e depois a atual, para entender que grande parte das novas obras é muitas vezes baseada nas tragédias e comédias gregas e elisabetanas.

Stupeur et tremblements – Vous parlez français?


J´ai lu pour l´alliance française

Pour moi, la lecture d’un livre est comme vous inviter même à aller au cinéma. Mon imagination est capable de donner de la vie et de la forme à l’expression écrite par chaque auteur et par conséquent, il semble un film que seulement moi a vu.

Le film “stupeur et tremblements” a été un choc pour moi. C’était presque comme tout ce que j’avais imaginé. Sauf pour le personnage Fubuki, parce que je pensais qu’elle était plus belle. La séquence du filme a été fidèle à celle du livre et que, contrairement à la plupart des films, c’était plutôt bien. L’actrice qui a joué Amélie a réussi à donner de la grâce et l’innocence décrite par l’auteur et je vous avoue que je me suis sentie sur sa peau. Je me voyais en marchant dans une société japonaise et j’imaginais comment je réagirais avec tant de règles. Bien que beaucoup de gens pensent qu´il s´agiit de préjugés, mais je crois que le film montre un stéréotype du Japonais clairement, sansdes idées préconçues.

Certes, ce film a subi à ma liste de favoris et je suis encore plus heureuse d´avoir compris tout ce que l´on a parlé, sans avoir à recourir au sous titre, qui était aussi en français. Il a été une très bonne expérience.

Je vous indique de lire le livre et ensuite voir le film, la seule façon de comprendre l’horreur drôle publiés dans les yeux bleus d’Amélie dans la scène de salle de bains.

Voir le “trailer”

Leitura de metrô: “A cabana”, de William P. Young


Capa do livro

Andar de metrô é uma ótima maneira para saber quais livros estão na lista dos mais vendidos. Muitas vezes eu nem reparo nas capas abertas, mas teve um livro que se destacou: “A cabana”, de William P. Young. Lançado em 2007 pela editora Sextante,  já foram vendidos mais de 7 milhões de exemplares no mundo inteiro.

Foram alguns meses observando as pessoas com os olhos pregados nesta obra sem se preocupar com o empurra-empurra do horário de pico. Foi isso que chamou a minha atenção.

Eu adoro ler livros que te sugam dessa forma, que fazem você esquecer onde está …são os que eu chamo de “Leitura de metrô”. Confesso que demorei para comprar, foi preciso um descontão da livraria para finalmente começar a ler este livro.

A capa dele é linda, tem um gráfico impressionante e as folhas são daquelas texturas fáceis de ler e virar páginas, de modo que é possível esquecer que está lendo o livro e, assim,  acabo entrando de corpo e alma na história.

“A cabana” conta a história de um pai cuja filha desapareceu e o único resquício foi a roupa ensaguentada da menina dentro de uma caverna velha e abanadonada. A editora coloca na sinopse que a história começa quando este pai, Mackenzie Allen Phillips, recebe um bilhete supostamente de Deus para que ele volte a cabana.

Até aí parece um romance espírita ou coisa do gênero. Eu diria que até se encaixa, mas conforme fui lendo não chego a concordar que parece uma oração, mas literatura mesmo. Daquelas bem fantasiosas capazes de criar lindas imagens enquanto você lê.

Tem muita gente que não gostou, mas para mim foi muito especial, me tocou profundamente até que chorei por causa de algumas partes, sem contar que refleti sobre a minha vida em alguns aspectos. Calma, não é livro de auto-ajuda. Eu encarei como um lindo romance, uma história de amor e vingança da morte da própria filha.

A partir daqui o texto passa a ter spoilers

Quem não gostaria de receber as respostas que tanto busca? Ou de ter uma conversinha com Deus tête-a-tête para entender por que coisas ruins acontecem com você? É aí que o livro se torna mágico.

Não se desespere, não há nenhuma religião defendida pelo livro, ao contrário, ele questiona para que serve uma religião se a pessoa não deixa Deus habitar dentro de si.

O interessante para mim foi que muitas das perguntas do personagem, principalmente quando ele se revolta, já se passaram para a minha cabeça e o livro, de certa forma, dá uma resposta. Ela não precisa ser necessariamente a verdade revelada num livro, mas despertou a consciência para avaliar melhor os aspectos da minha vida.

Eu fico imaginando como seria um filme adaptado deste livro. Certamente teria a melhor fotografia, pelo menos na minha cabeça, claro. Quem sabe não vai para as telonas?

Se interessou pela leitura? Vá sem preconceitos e deixe as palavras te envolverem. Deixe as suas crenças de lado, ainda mais se for descrente, e encare um livro sobre o sofrimento de um pai que perde uma filha.

Se você já leu, comente aqui o que achou.

“A queda da casa de Usher” X “Casa Tomada”


Este post é dedicado a um trabalho que fiz sobre a comparação entre “A queda de Usher”, de Edgar Allan Poe e “Casa Tomada” de Júlio Cortázar.

Atenção! Este texto tem spoilers

Fonte: alemdaimaginacao.com.br

A análise comparativa entre o conto “A queda da casa de Usher”, de Edgar Allan Poe, e “Casa Tomada”, de Júlio Cortázar, demonstra proximidade entre vários pontos das construções narrativas. Os dois tratam de histórias que se passam dentro de uma casa e têm como personagem central um casal de irmãos.

No conto de Poe, a descrição da casa faz com que o leitor entre no clima de tensão do narrador-personagem. A estação é o outono, época de queda das folhas que representa o declínio e a decadência de seu morador principal. A casa é descrita como um personagem, por apresentar as janelas como olhos vazios, os mesmos de Usher, muros frios e troncos apodrecidos. Toda a impressão que se tem é de morte e os objetos jazem pelo chão, aumentando o incômodo do narrador, amigo do dono da mansão.

Conhecer o habitante reforça a impressão de ruína dos Usher, pois Roderick e sua irmã, Lady Madeline, estão doentes e são os últimos representantes desta família que nunca teve ramificações. Da irmã, não temos muitas informações. Ela é vista de longe, como um fantasma de si mesma. Seu gêmeo, além dos olhos como as janelas, tem a tez cadavérica, lábios finos e pálidos e cabelo como uma teia de aranha. Aparenta ser muito frágil e a casa é o seu mundo, como se tivesse aversão à vida. Suas expressões são marcadas pelo medo de que alguma verdade venha à tona.

No decorrer do conto, Lady Madeline morre e Usher a enterra na cripta da casa, mas ela sofre de catalepsia. Obviamente, seu irmão sabia disso. Este fato dá um certo tom sádico e masoquista ao conto.

Aparentemente há um desejo  incestuoso entre os gêmeos. O ato de Roderick enterrar a irmã seria uma forma de reprimir seu desejo por ela ou até mesmo alguma lembrança; afinal a casa é um repositório de fatos do passado.  Neste sentido, a volta de Madeline desenterraria tudo e Roderick não aguentaria relembrar os fatos. O abraço mortal de Madeline leva ao desmoronamento da casa, que pode remete a expiação de todos os pecados e erros que estavam ocultos.

No conto de Cortázar, o narrador é o personagem principal, mas, assim como em Usher, os irmãos vivem sozinhos numa mansão, e a casa guarda memórias ancestrais e é  como um personagem que decide o destino deles. Nunca sabemos nada da irmã, a não ser o que o irmão narra.

Também há uma suposta fantasia incestuosa quando narrador fala do “silencioso matrimônio” com Irene. Os dois têm insônia, que pode ser considerada um sinal de inquietação e ambos são aficionados por limpar a casa.  Esta limpeza pode ser uma compensação da sensação de sujeira que não é vista, mas presente na vida dos personagens. Assim como em Usher, eles querem se livrar deste incômodo, por isso limpam a casa todos os dias

Alguém ou alguma coisa está tomando a casa. Eles não procuram saber quem ou quê, mas cada ruído representa o afloramento do inconsciente, uma pulsação do passado. Os personagens de Cortázar continuam tentando fugir do passado que os persegue e a casa vai se transformando num ambiente opressor – ao contrário do solar de Usher que já era assim desde o início – até que eles saem da casa. São expulsos do “útero” que os mantinha juntos e protegidos da sociedade.

Nos dois contos a casa pode ser considerada uma representação psicótica da identidade, ou seja, é um símbolo do desejo reprimido.  A queda ou ser expulso dela significa a emersão dessas vontades adormecidas.

A única coisa permanente no universo é a mudança


Este post inicia com uma frase de Heráclito (540 a.C.- 470 a.C.) para apresentar uma análise do filme “Efeito Borboleta” (2004) e a obra deste filósofo. Veja o trailer do filme.

Esta análise partiu de um trabalho de filosofia realizado em 2008. Para variar, escrevi ele com a Bruna Marques.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

As pessoas que dizem desgostar de filosofia o fazem porque não entendem o pensamento expressado muitas vezes em palavras incompreensíveis ao vocabulário cotidiano do século XXI, mas também é comum encontrar diversos filmes chamados Blockbuster´s, que vendem muito e que na maioria das vezes tem seus roteiros baseados em filósofos supostamente desconhecidos para elas em razão da falta de interesse.

Um deles é Efeito Borboleta, cujo título original em inglês é Butterfly Effect. Lançado em 2004, foi dirigido e roteirizado por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com o protagonista representado por um dos atores juvenis mais cobiçados da época, Ashton Kutcher, o filme teve grande divulgação e multidões assistiram à história de um rapaz que, assim como seu pai, quando criança tinha surtos de falta de memória -blackouts, como chamado no filme. Em algumas cenas, esse problema do garoto causa os diversos pontos de virada observados na montagem.

Ao ficar mais velho, Evan, o personagem principal, percebe que ao ler os seus diários ele é capaz de voltar ao passado, especialmente naqueles momentos em que ele não se lembra, mas com um detalhe: ele recorda o que teria acontecido durante os blackouts. Surpreso, procura seus amigos de infância para ver se aquela visão era real. Porém, ele deixa os outros personagens atormentados causando até o suicídio de Kayleigh, personagem pela qual foi apaixonado por toda a sua infância.

Aqui começa o desenrolar da história. Assustado, ele tenta reler alguns de seus cadernos para tentar evitar o suicídio de Kayleigh e assim começa a mudar o seu passado. O grande problema é que nada permanece. Qualquer nova decisão que ele toma em seu passado deflagra nas consequências mais diversas.

Heráclito

É aqui que nos atrevemos a comparar o filme com o pensamento do pré-socrático Heráclito (540 a.C a 470 a.C) começando com uma citação retirada do livro “Convite a filosofia” de Marilena Chauí: “O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece. Para Heráclito tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”

É exatamente isso que ocorre com Evan. A cada mudança, por mínima que seja, causa uma contradição, quando ele decide voltar ao seu passado. Ele resolve um de seus problemas, mas outros surgem, ainda mais complexos de se entenderem e mais difíceis de serem resolvidos. Até Evan muda,não em sua relação sentimental com as pessoas que ele sempre amou, mas sim em seus gostos e sua maneira de levar a vida.  Por isso a cada nova situação vemos uma nova personalidade que ele demora a compreender e também percebe que as pessoas ao seu redor sofrem influências dessas reviravoltas. Enfim, ele está em constante metamorfose, como qualquer outro elemento da natureza.

Mais uma vez nos utilizamos de um exemplo da teoria de Heráclito. Evan seria o rio modificado, ou seja, ele nunca é o mesmo, pois “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.O filósofo ainda avisou em seus excertos que os humanos devem sempre esperar e reencontrar o inesperado, pois “a incredulidade pura e simples denota um espírito obtuso e fechado ao enigma do mundo”. Pelo filme, vemos que o personagem desconhece essa teoria.

Outra questão observada no filme é que ele constantemente se refere ao tempo. Mas o que é o tempo? Para Heráclito o conceito de tempo é abstrato e existe a partir dos opostos. Ele é e não é, e está posto numa unidade e, ao mesmo tempo, está separado, ou seja, é abstrata contemplação da mudança já que o conceito de passado, futuro e presente foi convencionado, foi o ser humano que deu sentido e significado ao tempo.

Para Evan, voltar ao tempo passado era uma oportunidade de “reparar” alguns detalhes de sua vida, mas ao interferir no que foi feito, ele muda o seu presente sendo que as consequências dependerão das suas novas escolhas ao voltar ao passado, pois cada mudança que é feita, por mínima que seja, interfere em muitas outras coisas. O nome do filme explica exatamente isto. O efeito borboleta remete a teoria do caos, citada no início do filme. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Esta teoria diz que o simples bater de uma asa de borboleta poderia mudar o curso natural das coisas podendo até causar um terremoto do outro lado do mundo. Mas há cientistas que dizem que o formato dos gráficos analisados quando há movimentos caóticos é de uma borboleta.

Se a borboleta influencia um terremoto ou se é mera ilustração gráfica não sabemos. O que importa é que dentro dessas duas explicações pode-se analisar o filme e a teoria de Heráclito.  A cada novo “bater de asas” do personagem, sua vida inteira sofre um terremoto e a cada “bater de asas” da própria borboleta, sua essência também muda porque de acordo com Heráclito, a única coisa que permanece no universo é a mudança.

Em oposição, podemos comparar o filme com os pensamentos de outro pré-socrático Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), que sustenta a idéia contrária a de Heráclito. Esse filósofo diz que a mudança é algo criado no mundo dos sentidos e que é ilusório.
Ao contrário de Heráclito que afirma que “tudo muda”, Parmênides diz que “nada muda”. Assim, por mais que suas águas mudem de posição, um rio será sempre o mesmo rio. E no filme “Efeito Borboleta” também se pode enxergar isso. Por mais que as situações mudassem, a essência de Evan, ou seja, seus sentimentos e princípios sempre continuavam os mesmos.

E o que você acha de tudo isso? Comente abaixo.

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)