#doepalavras


Fiquei encantada quando recebi  da Ana Luisa um e-mail pedindo doação de palavras. Não era dinheiro, comida, roupa, mas palavras.

O Hospital Mário Penna, em Belo Horizonte, que cuida de doentes de câncer, lançou um projeto lindo que se chama “DOE PALAVRAS”.

Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho.

Você acessa o site http://www.doepalav ras.com.br/, escreve uma mensagem de otimismo, curta (como twitter), e sua mensagem aparece no telão para os  pacientes que estão fazendo o tratamento.

É uma atitude simples que pode ajudar muitos pacientes. Participe

#3 No transporte público


Quando chove em São Paulo, o caos se instaura

Hoje o dia já amanhece prometendo não ser nada fácil. Chuva e frio invadiram São  Paulo o que complica ainda mais o caos no metrô e o trânsito na rua. Tenho uma crônica sobre chuva em SP. Clique aqui

Foram necessários 25 minutos para que eu conseguisse embarcar no trem na estação Tatuapé, mas para a minha alegria, uma nova conversa rendeu o capítulo 3 da série “No transporte público”.

Relógio: 8:35
– Pessoal, vamos ficar atrás da faixa amarela, por favor? – pergunta o funcionário
– Por acaso hoje não vai passar um vazio? – perguntou um cidadão
– Olha, a gente tinha mandado um que fez manobra, mas daí deu problema na estação Brás e ele teve que voltar – respondeu o funcionário
– É, eu vi. Cheguei na estação 8:10, bem na hora que anunciou que ia fazer a manobra, mas daí vi que ele foi pro outro lado.

Um metrô chega na estação molhando a todos por causa da chuva

– E ainda por cima ele tá parando fora da marcação da porta – reclama o cidadão
– É proposital – disse o funcionário – para que as pessoas que ficam na frente esperando o vazio darem passagem a quem quer embarcar.
– É…tipo eu?
– Você e todos que estão na frente – riu o funcionário.

Neste momento, o funcionário olha para o metrô cheio e diz:
– Sabe o que é pior? Fica tudo abafado e um monte de gente passa mal
– É, eu não tenho coragem de embarcar por causa do Brás – falou o cidadão
– O Brás é complicado mesmo. Meus equipamentos de trabalho são rádio, lanterna e luvas. Ja já que venho com desodorante.
– Desodorante?
– É! Tem gente que consegue feder logo cedo
Neste momento não pude conter a minha risada
– Tipo assim, sabe? Joga o desodorante antes de todo mundo entrar – fala o funcionário
– É…e uma bala talvez? Tem gente com bafão.
– hehehe, faz parte

– Ah, meu deus! – grita uma mulher
O funcionário vá ao lado dela e pergunta o problema
– Caiu meu guarda-chuva no vão entre o trem e a plataforma – disse
– Tudo bem, eu pego. Isso não é nada. Pior quando alguém cai – responde o funcionário
– E pensar que morre tanta gente e o metrô não divulga – fala o cidadão
– Tem tanta coisa que acontece neste país que não é divulgado – fala o funcionário – olha só…lá vem o vazio. Pessoal, se dirijam aos corredores.
Relógio: 8:40
E lá fomos nós lançados para dentro do vagão.

Para esclarecer:
O metrô em São Paulo nos horários de picos, das 7hs às 9h30, é lotado, principalmente na linha vermelha (leste-oeste). Todos os dias, neste período, há alguns trens que vão vazios nas estações penha, carrão e tatuapé para aliviar o acúmulo de usuários. O problema é que tem gente que fica esperando estacado na frente da porta e não dá passagem aos demais usuários. Falta mais cidadania do que estrutura por parte do metrô.

Outros episódios
#2 No transporte público
#1 No transporte público
No transporte público

Você tem uma história boa pra contar? Mande pra mim! ldbartolomeo@gmail.com

Vous parlez français?


Uma das minhas paixões é estudar línguas, em especial a francesa já que desde pequena sou fascinada pela Torre e pelas maravilhosas paisagens que, por enquanto, vejo a partir de filmes e fotografias. Em 2005 resolvi iniciar os meus estudos e hoje venho colocar aqui uma redação que tive que fazer com 10 palavras (em negrito) e que foi parar no blog da Aliança Francesa. Legal isso, fiquei feliz!

Un jour,  j’écoutais de la musique  sur  mon baladeur quand mon mentor est arrivé et m’a dit que si je n´étudiais pas, je me escagasserais dans les tests. C’était la galère quand j’ai entendu ça, mais j’ai décidé de changer ma vie.
Ma première tâche était d’écrire un essai sur un thème libre, mais je n’avais aucune idée de ce que je devais dire. J’ai zappé les boutons à la télévision et j´ai même fait un remue-méninges pour voir si je retrouvais de l´inspiration. Les idées ont commencé  à arriver, dans un crescendo….
J’ai décidé d’écrire une version du cheval de Troie. J’ai appelé mon professeur dans le mobile et il a aimé l’ idée. J’ai lui ai  envoyé une version définitive et une variante. Le résultat ? Je les ai réussis avec un 10 !

É só escrevendo para pegar a prática mesmo. E, em junho, tem Delf…vamos que vamos

Salut!

Jogo de palavras


Sou daquelas pessoas que não acredita no acaso. Porque o acaso é uma ocasião imprevista que acaba produzindo um fato. Será que acredito em coincidência? Acho que ainda não é esta palavra, pois aquilo que se realiza e acontece ao mesmo tempo não causa tanto impacto. Acredito que a palavra certa é destino, uma combinação de circustâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inevitável.

Sim, chama destino. E só. Agora resta entender o porquê. Sabe aquele clichezão “o mundo dá voltas”? É, ele dá…afinal o dia passa…semanas, meses, anos e o inesperado acontece, é o destino. Só tenho a dizer isso neste post introspectivo.

“Eclipse” – cena liberada


Hum…dia 26 de abril eu escrevi um post falando que a Summit estava bem “calminha”com relação a publicidade do filme “Eclispe” da “Saga Crepúsculo”. Estava indo tudo bem, os atores conseguiam chamar a atenção ainda mais com o “bafafá” dos coadjuvantes em pedir aumento no cachê para gravar “Amanhecer”, último livro de Stephenie Meyer.

Porém, a maré foi baixando e os acessos ao making of e os dois trailers no youtube não aumentaram mais de forma astrônomica como vinha acontecendo. E o que aparece hoje? Uma nova cena é liberada, só que desta vez o trio queridinho não está nela. Vemos os Volturi e a Dakota Fanning que até ontem era uma menininha.

A pergunta que fica é: será que seremos bombardeados com novas cenas até o dia 30 de junho? Hum…tem gente que não reclamaria.

Segue vídeo – Pra quem não gosta de spoilers, não veja.

Fonte: Twilight disorder

Mais cenas da Oprah
http://www.youtube.com/watch?v=QY8lvjQJFwo%5D

Spot de TV em 17 de maio de 2010

#2 No transporte público


Mulheres e futebol

Homens só falam de mulher e futebol! Que mulher nunca disse ou ao menos pensou isso a respeito do sexo masculino? Pois é, eu preferia não acreditar nisso, mas hoje tive que concordar com essa frase feita. Eis o que ouvi indo para o trabalho. Tentei reproduzir o diálogo o mais fiel possível, por isso das palavras estranhas.

No meio da lotação do metrô às 7:55 AM dois rapazes se reconheceram.

– Cara, não acredito que é você! – disse Rafael
– ô, loco, mano! Faz tempo, hein?! – respondeu Caio
– Bons tempos aqueles que a gente jogava futebol, não?
– Nossa, era feliz e não sabia.
– Mas lembro que você parou cedo de jogar. Por que?
– Por causa da minha mina. A gente ficava junto só de final de semana e ela ficava putinha se eu ia jogar com os muleque. Daí fui cedendo e você sabe como é mulher, né?
– ô se sei, mas nada que um belo trato não acalme a mina.
– é, mas com ela não funcionava. Por isso, terminei com ela.
– Tá solteiro agora?
– Tô nada, vou casar em breve.
– Eita, por que?
– Ah, tá na hora, né? Cinco anos de namoro e tals…ela tá ficando impaciente
– Você é um dominado!
– Olha só quem fala. Quem ficou preso a Bruna, hein?
– ah, a mina era gostosa. Catei ela durante três anos, mas na hora que ela veio com esse papinho de juntar meia, caí fora. Você sabe que não sou homem de uma mulher só.
– Sei bem disso. Ou, você viu a escalação?
– Dunga burro.
– Pra que tanto volante?

“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Fui jogada do trem junto com o tal de Rafael e confesso que não pude parar de rir e pensar em como muitas vezes uma frase feita faz sentido.  E você? Já se deparou com alguma frase feita na sua frente?

Leia:

#1 No transporte público

Momento nostalgia


É tão engraçado como uma coisa te faz recordar a sua infância. O lançamento do primeiro cd solo da Sandy, agora Sandy Leah, foi suficiente para despertar em mim todo aquele sentimento de criança/adolescente de quando eu ia aos shows e assistia ao seriado que passava na Rede Globo. Alguém se lembra?

Graças ao youtube, achei ele dividido em 06 partes. Segue a primeira. Segue a primeira

Pra quem não gostava da dupla é legal olhar a carinha de infância deles e dos outros atores. Em 1998, a Mariana Ximenes ainda era um bebê e tava começando a carreira. Muito fofinha. Este primeiro episódio foi um especial para a emissora e só em 1999 que acabou virando seriado. Confesso que eu adorava! Também tinha 12 anos e tudo era lindo, morria de vontade de estudar no Liceu deles hehe. Nessa época eu estava na 6ª série e idealizava o ensino médio, achava que era igualzinho ao seriado (ó, doce inocência rs). Lembro até de quando uma amiga da escola foi figurante em um dos episódios…e eu gravei em VHS tentando encontrá-la ao melhor estilo “Onde está o Wally?”

Enfim…post curto mais para externar esse sentimento que bateu em mim ao ouvir o novo álbum dela. Segue vídeo da Sandy cantando no Caldeirão do Huck em 8 de maio de 2010.

Leitura de metrô: “A cabana”, de William P. Young


Capa do livro

Andar de metrô é uma ótima maneira para saber quais livros estão na lista dos mais vendidos. Muitas vezes eu nem reparo nas capas abertas, mas teve um livro que se destacou: “A cabana”, de William P. Young. Lançado em 2007 pela editora Sextante,  já foram vendidos mais de 7 milhões de exemplares no mundo inteiro.

Foram alguns meses observando as pessoas com os olhos pregados nesta obra sem se preocupar com o empurra-empurra do horário de pico. Foi isso que chamou a minha atenção.

Eu adoro ler livros que te sugam dessa forma, que fazem você esquecer onde está …são os que eu chamo de “Leitura de metrô”. Confesso que demorei para comprar, foi preciso um descontão da livraria para finalmente começar a ler este livro.

A capa dele é linda, tem um gráfico impressionante e as folhas são daquelas texturas fáceis de ler e virar páginas, de modo que é possível esquecer que está lendo o livro e, assim,  acabo entrando de corpo e alma na história.

“A cabana” conta a história de um pai cuja filha desapareceu e o único resquício foi a roupa ensaguentada da menina dentro de uma caverna velha e abanadonada. A editora coloca na sinopse que a história começa quando este pai, Mackenzie Allen Phillips, recebe um bilhete supostamente de Deus para que ele volte a cabana.

Até aí parece um romance espírita ou coisa do gênero. Eu diria que até se encaixa, mas conforme fui lendo não chego a concordar que parece uma oração, mas literatura mesmo. Daquelas bem fantasiosas capazes de criar lindas imagens enquanto você lê.

Tem muita gente que não gostou, mas para mim foi muito especial, me tocou profundamente até que chorei por causa de algumas partes, sem contar que refleti sobre a minha vida em alguns aspectos. Calma, não é livro de auto-ajuda. Eu encarei como um lindo romance, uma história de amor e vingança da morte da própria filha.

A partir daqui o texto passa a ter spoilers

Quem não gostaria de receber as respostas que tanto busca? Ou de ter uma conversinha com Deus tête-a-tête para entender por que coisas ruins acontecem com você? É aí que o livro se torna mágico.

Não se desespere, não há nenhuma religião defendida pelo livro, ao contrário, ele questiona para que serve uma religião se a pessoa não deixa Deus habitar dentro de si.

O interessante para mim foi que muitas das perguntas do personagem, principalmente quando ele se revolta, já se passaram para a minha cabeça e o livro, de certa forma, dá uma resposta. Ela não precisa ser necessariamente a verdade revelada num livro, mas despertou a consciência para avaliar melhor os aspectos da minha vida.

Eu fico imaginando como seria um filme adaptado deste livro. Certamente teria a melhor fotografia, pelo menos na minha cabeça, claro. Quem sabe não vai para as telonas?

Se interessou pela leitura? Vá sem preconceitos e deixe as palavras te envolverem. Deixe as suas crenças de lado, ainda mais se for descrente, e encare um livro sobre o sofrimento de um pai que perde uma filha.

Se você já leu, comente aqui o que achou.

“A queda da casa de Usher” X “Casa Tomada”


Este post é dedicado a um trabalho que fiz sobre a comparação entre “A queda de Usher”, de Edgar Allan Poe e “Casa Tomada” de Júlio Cortázar.

Atenção! Este texto tem spoilers

Fonte: alemdaimaginacao.com.br

A análise comparativa entre o conto “A queda da casa de Usher”, de Edgar Allan Poe, e “Casa Tomada”, de Júlio Cortázar, demonstra proximidade entre vários pontos das construções narrativas. Os dois tratam de histórias que se passam dentro de uma casa e têm como personagem central um casal de irmãos.

No conto de Poe, a descrição da casa faz com que o leitor entre no clima de tensão do narrador-personagem. A estação é o outono, época de queda das folhas que representa o declínio e a decadência de seu morador principal. A casa é descrita como um personagem, por apresentar as janelas como olhos vazios, os mesmos de Usher, muros frios e troncos apodrecidos. Toda a impressão que se tem é de morte e os objetos jazem pelo chão, aumentando o incômodo do narrador, amigo do dono da mansão.

Conhecer o habitante reforça a impressão de ruína dos Usher, pois Roderick e sua irmã, Lady Madeline, estão doentes e são os últimos representantes desta família que nunca teve ramificações. Da irmã, não temos muitas informações. Ela é vista de longe, como um fantasma de si mesma. Seu gêmeo, além dos olhos como as janelas, tem a tez cadavérica, lábios finos e pálidos e cabelo como uma teia de aranha. Aparenta ser muito frágil e a casa é o seu mundo, como se tivesse aversão à vida. Suas expressões são marcadas pelo medo de que alguma verdade venha à tona.

No decorrer do conto, Lady Madeline morre e Usher a enterra na cripta da casa, mas ela sofre de catalepsia. Obviamente, seu irmão sabia disso. Este fato dá um certo tom sádico e masoquista ao conto.

Aparentemente há um desejo  incestuoso entre os gêmeos. O ato de Roderick enterrar a irmã seria uma forma de reprimir seu desejo por ela ou até mesmo alguma lembrança; afinal a casa é um repositório de fatos do passado.  Neste sentido, a volta de Madeline desenterraria tudo e Roderick não aguentaria relembrar os fatos. O abraço mortal de Madeline leva ao desmoronamento da casa, que pode remete a expiação de todos os pecados e erros que estavam ocultos.

No conto de Cortázar, o narrador é o personagem principal, mas, assim como em Usher, os irmãos vivem sozinhos numa mansão, e a casa guarda memórias ancestrais e é  como um personagem que decide o destino deles. Nunca sabemos nada da irmã, a não ser o que o irmão narra.

Também há uma suposta fantasia incestuosa quando narrador fala do “silencioso matrimônio” com Irene. Os dois têm insônia, que pode ser considerada um sinal de inquietação e ambos são aficionados por limpar a casa.  Esta limpeza pode ser uma compensação da sensação de sujeira que não é vista, mas presente na vida dos personagens. Assim como em Usher, eles querem se livrar deste incômodo, por isso limpam a casa todos os dias

Alguém ou alguma coisa está tomando a casa. Eles não procuram saber quem ou quê, mas cada ruído representa o afloramento do inconsciente, uma pulsação do passado. Os personagens de Cortázar continuam tentando fugir do passado que os persegue e a casa vai se transformando num ambiente opressor – ao contrário do solar de Usher que já era assim desde o início – até que eles saem da casa. São expulsos do “útero” que os mantinha juntos e protegidos da sociedade.

Nos dois contos a casa pode ser considerada uma representação psicótica da identidade, ou seja, é um símbolo do desejo reprimido.  A queda ou ser expulso dela significa a emersão dessas vontades adormecidas.

Choro de mãe


O dia das mães se aproximava e a jovem resolveu que aquele seria o dia em que compraria o presente de sua mãe.

O tempo estava indeciso entre o calor e o frio, típico de São Paulo. Era hora do almoço e ela resolveu comer no shopping ao lado do seu trabalho. Enquanto comia, pensava no que compraria até que olhou que ao lado havia uma loja de presentes e enfeites e as vitrines estavam recheadas de cacarecos com a palavra MÃE.

A loja é pequena, mas daquelas que em cada cantinho que você olha, tem um produto à venda. Alías…tem que tomar cuidado ao andar por lá para não quebrar nada. A garota demorou para perceber que uma das vendedoras estava aos prantos.
– Eu não acredito que isso está acontecendo comigo! – exclamou.
Neste momento a jovem olhou e viu que a vendedora estava de costas para a porta da loja e falava chorando ao telefone. Logo passou por sua cabeça que era apenas uma briga de namorados, afinal ela mesma já usou essa frase em muitas brigas com o rapaz que ama.
– Oi, posso ajudar? – disse a outra vendedora ao ver que a jovem observava o choro.
– Sim, estou procurando um presente para a minha mãe – respondeu ao mesmo tempo em que ouviu
– Mas como ele ainda não apareceu por ae? Ele sai da escola às 11h30 e a pirua deixa ele aí sempre 12h.

A jovem olhou no relógio. Eram 13h30. Sentiu um aperto no coração.
– Temos copos enfeitados, camisolas, pantufas…. – interveio a vendedora
– Hum…quanto custa?
A chefe do estabelecimento pegou outro telefone e enquanto discava, dizia
– Vamos ligar pra polícia. Quem sequestraria um menino de 7 anos?
– Calma, ele deve tá brincando na escola ainda com os amiguinhos. Já ligou pra escola? – perguntou a vendedora que atendia a jovem.
– Não – respondeu a mãe.
– Deixa que eu ligo que você tá quase enfartando – disse a chefe.
– Moça, vou levar essa necessaire e este copo – falou a jovem que incomodada com a situação não via a hora de ir embora.
– Claro, pode me acompanhar até o caixa?

Era tudo o que a jovem não queria. A mãe, aos prantos, estava ao lado da máquina do cartão.  Para piorar a situação, a máquininha estava emperrando.
– Oi, alô. Não, eu trabalho com ela. Ela tá quase tendo um enfarte.  Você viu o Vinícius por ae? – perguntou a chefe ao telefone.

A mãe desesperada se ajoelhou no chão em sinal de oração. Os olhos inchados deixavam correr as lágrimas do desespero de não saber onde estava o filho. Dó não era a palavra certa para descrever o que a jovem sentia ao ver a situação, era algo inexplicável. Pensou em sua mãe.
A chefa desligou o telefone e tentou acalmar a moça. Silêncio.
– Linha ocupada – foi o que apareceu na máquina do cartão.
– Deixa, moça, eu pago em dinheiro – disse a jovem.
O telefone toca.
– Alô? – diz a chefe – Acharam ele?
A mãe chora ainda mais.
– Deixa eu falar com ele – responde a chefe – Vi? É a tia. Onde você tava?
_ Ai, meu deus!! Ele tá vivo – fala a mãe – deixa eu falar com ele? Filho? Você tá bem?
– Aqui está o seu troco – diz a vendedora.
– Obrigada- sorri a jovem. Ela sai da loja e volta para o trabalho. Não consegue parar de pensar no desespero daquela mãe, mesmo a noite, durante a sua aula na faculdade. Pensou tanto que teve que escrever este texto.
Uma pena que é totalmente baseado em fatos reais.

Audiopasseio – Metropolitana 98,5 FM


Este post é dedicado ao trabalho que fiz junto com a Bruna Marques para a disciplina Produção de Rádio, chamado Audiopasseio.

A tarefa era sair pela avenida paulista com gravador na mão e falar sobre alguma rádio FM. Escolhemos a Metropolitana porque era uma das rádios que as duas já escutaram e ainda escutam algumas vezes.  O desafio era escolher o que falar…tem tanta coisa…mas o formato estava claro.

Íamos ficar as duas falando para o celular no meio da rua, mesmo que o som ficasse chiado, não tinha problema, era esse o objetivo mesmo

Quanto a experiência de fazer um trabalho desse:

O texto demorou um pouco pra sair, mas no final deu tudo certo. Do jeito que estávamos dava para fazer um programa com 1 hora de duração, mas conseguimos finalizar com 22’29”.  A escolha das músicas foi fácil, bastou olhar as dez mais pedidas do mês de abril.

A parte mais difícil foi lidar com as pessoas na paulista. Primeiro um cidadão vestido de lojas Renner da cabeça aos pés queria porque queria que a gente participasse de uma pesquisa. Falávamos que não dava e o cidadão ficava insistindo em vender o cartão de crédito. Meu…como existe pessoas inconvenientes nesse mundo!  Mal nos livramos dele, dois outros pararam na nossa frente e ficaram ouvindo a gente gravar. Até aí, normal..o ser humano é curioso e não pode ver gente gravando que já acha que é famoso.

Mas as duas criaturas ficaram esperando a gente dar uma pausa para entregar panfleto! PANFLETO!!! Pelo amoooooooooooooooorrrrrrrrr !!!! Não tem mais o que fazer não? Affe…sem noção.

Enfim, tirando essas bizarrices que só a paulista oferece para você o trabalho foi muito legal de fazer. Tive dificuldade com o Sound Forge pra editar, mas nada que uma fuçada aqui e outra ali não resolvesse o problema. O resultado você pode ouvir neste link.  Mas separe aí 22’29” do seu tempo,  pois, como eu disse, nos empolgamos e tá longo.

Novo trailer de “Eclipse”: e a Summit volta com suas jogadas de marketing!


Poster 02 do filme "Eclipse"

Na sexta-feira foi transmitido no programa Oprah a segunda (e última?) versão do trailer de Eclipse, da Saga Crepúsculo. Até aí não é novidade já que o filme estreia dia 30 de junho. Mas o que mais me intrigou é a diferença da campanha de marketing da produtora Summit com o filme anterior, Lua Nova.Foram inúmeras as cenas liberadas no youtube e os diversos trailer meses antes da première. Confesso que até cansou um pouco e ao assistir o longa no cinema, quase não houve surpresas..tudo já estava na internet.

Por que será que houve mudança? Eu tenho um palpite. Nem toda sequência de um filme faz sucesso. Lógico que há exceções como a trilogia “O senhor dos anéis” , que foi filmada toda de uma vez e dividida só depois, Harry Potter que tem sete livros e o saldo final será de oito longas, “Piratas do Caribe” etc, mas há grandes fiascos como “Efeito Borboleta” e “Premonição”. Para mim seria esse o motivo da exaustiva campanha de Lua Nova: garantir a fidelidade dos fãs de Crepúsculo e atiçar novos seguidores que desejam uma mordida de Edward.

O resultado foi algo surreal. Enquanto “Crepúsculo” faturou US$ 250 milhões, “Lua Nova”passou de US$ 700 milhões. Agora que os fãs já estão enlouquecidos e aguardam ansiosos a estreia, os tabloides investem no “namoro”entre os protagonistas e atiçam para a polêmica da quarta adaptação. Será que “Amanhecer” será dividido como Harry Potter? Não sabemos ainda, por enquanto só acompanho o que vem sendo publico a respeito desta febre.

“Na continuação de “Lua Nova”, Bella Swan precisa enfrentar as consequências de ser amiga do lobisomem Jacob Black e namorada do vampiro Edward Cullen. Ao mesmo tempo, a moça se vê aterrorizada por uma misteriosa onda de assassinatos em Seattle e o fato de estar sendo perseguida por uma maligna vampira. Baseado no terceiro livro da série iniciada em “Crepúsculo”.” (fonte: cinema em cena)

A primeira coisa que apareceu foi um teaser de 10 segundos do trailer 10 segundos liberados do trailer:

Dias depois, saiu o trailer completo trailer 01

O que mais me chamou a atenção, foi uma fã (medo dela) ter filmado a sua reação quando o primeiro trailer de “Eclipse” caiu na rede. Fã enlouquecida:

Pouco tempo depois, uma cena é liberada:

E na sexta-feira, o novo trailer Trailer 02:

Pra quem ainda não viu, o dvd de “Lua Nova” traz os bastidores de “Eclipse”:

Confesso que fiquei mais encantada com o primeiro trailer por causa da música e da fotografia. O segundo já entrega muito coisa, perde um pouco da surpresa. Mas a questão que fica é: será que este foi o último trailer antes da estreia? Posso estar enganada…quem sabe quando se aproximar da data não aconteça outro bombardeio?? Eclipse ocorre raramente, mas a publicidade…. Temos que aguardar só.

O hábitus de cada dia


Este post eu destino ao trabalho de comunicação comparada a respeito do hábitus. Você sabe o que é isso?

Hábitus é o princípio estruturador e gerador de práticas, gosto, ações e percepções adquiridos ao longo da sua trajetória social. Em outras palavras, é o princípio que te faz agir do jeito que você age. É uma ação tão profunda que se torna inconsciente e você chega ao hábitus a partir de um longo processo de aprendizagem. Confuso? Simples, basta pensar em andar de bicicleta. Não se lembra como foi difícil aprender? Então pense em quando você aprendeu a dirigire em como você dirige agora. Parece tudo simples, certo? Mas não é bem assim.

Basta lembrar de todas as coisas que você faz sem pensar e todos os conceitos que você incorporou. Tudo é culpa do hábitus. Se dá para mudá-lo? Dá sim, mas imagine mudar uma coisa que é tão enraizada em você? É um grande desafio.

Somos bombardeados com informação e constantamente vamos reformulando nosso hábitus, isso se dá de forma automática porque somos domestificados, mas tem certas coisas que “não descem”, sabe? Imagine a seguinte situação: Você aos 20 anos sabe, provavelmente, mexer em um computador e acessar um blog – senão não estaria lendo isso aqui -, mas a minha mãe, por exemplo, tem quase 50 anos e só agora ela está aprendendo a mexer no computador. Ela tem bastante dificuldade em assimilar as coisas, enquanto que para mim é tudo muito simples. Isso acontece porque meu hábitus se rearranja o tempo inteiro enquanto que o dela está há muito tempo enrraigado. Mas, caros leitores, para ela não ficar mal, vamos inverter a situação: você acha que eu entendo tão bem de cozinha? Nem de longe. Ela com certeza sabe muito mais. Por que? Porque cozinhar não está incorporado no meu hábitus. Com o meu blog eu estou tentando incorporar ao hábitus: atualizá-lo sempre, no mínimo uma vez por semana…

Ó céus! Chega de divagar! Vamos ao trabalho. Baseado nas aulas e nesse viagem ae encima, meu grupo: Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos, eu e Mayara Picoli brincamos com duas gerações para tentar desmistificar a confusão que acabei de fazer a respeito do hábitus. A história é a seguinte: a neta pede que a avó a leve na casa da amiga.  Se interessou? Então clique aqui e ouça.

Programa “Traduções”


Caio Poltronieri e Mayara Picoli na locução do Programa Traduções

Durante o mês de março meu grupo na Cásper Líbero deu de cara com o desafio de criar um programa musical que fosse transmitido ao vivo. Fomos responsáveis por tudo: desde a criação da ideia do programa, produção, trilha, direção até a locução. Tudo isso aos olhos da sala inteira e da professora, claro.

As regras eram claras: tínhamos que falar sobre música e tocar algumas, mas  com um roteiro diferente. Lá se foi o grupo ouvir diversas rádios para ver o que já é feito e se era possível ao menos melhorar alguma ideia, uma vez que é quase impossível criar algo do zero sem referências. O programa “Traduções” surgiu do nada. Tudo porque encontrei sem querer no youtube um vídeo bizarro.

Eu achava que era brega traduzir a música estrangeira para o português, só que esse cara conseguiu piorar rs…
Enfim, foi vendo esse cidadão que veio o insight de fazer um programa que falasse de versões de músicas brasileiras em outras línguas. O grupo aceitou e logo de cara escolhemos falar sobre “Garota de Ipanema”, já que conhecíamos a versão francesa e inglesa.

E foi assim. Preparamos o texto, fiquei responsável pela produção e trilha, a Bruna Marques pela direção e o Caio e a Mayara soltaram a voz na locução.  Na realidade, toda a produção foi feita em conjunto, só na hora do programa que segmentou mesmo.
Então, quem quiser conferir, basta clicar aqui. Está hospedado no uol mais.

Ao fundo, Livia e Bruna na produção e direção

Curiosidades
Vozes das vinhetas: Livia Di Bartolomeo e Bruna Marques
Rádio Ramos – nome veio do sobrenome do Caio Ramos Poltronieri. Faltou ideia para o nome da rádio, foi o dele mesmo hehe
Músicas: grande ajuda de Camila Fink para encontrar as bg

CAIXA PRETA ao vivo na rádio Gazeta AM


Esta faculdade de rádio e TV está me rendendo boas surpresas.  Na semana passada a sala recebeu uma tarefa de produzir um programa cujo entrevistado seria Paulo Lima, editor da revista Trip e apresentador-faz-tudo do programa Trip FM na rádio Eldorado.  Como estávamos para entrar em semana de provas e eu sabia que todos ficariam como zumbis, tomei a iniciativa de agilizar a produção deste programa.  O povo foi se juntando e fomos montando perguntas, pensando na estrutura do programa…tudo para no dia fazer a prova no horário anterior com calma e chegar tranquilo para a gravação que seria no estúdio de rádio normal.

Mas daí…a coisa ganhou proporções. Na segunda aula, que ocorreria o programa, ficamos sabendo que a professora deu um jeito de colocar a gente AO VIVO na Rádio Gazeta AM com a justificativa que estávamos bem organizados. Ó, céus! Foi uma odisséia!

Tudo bem que estava tudo pronto, mas foi uma pauleira! Tínhamos 10 minutos para achar trilhas, “treinar” locutores, definir fala-povo, depoimentos e vinhetas e ainda fazer um espelho decente! Coooorrreeee ….mas no final, deu TUDO certo! Os locutores destravaram rapidinho e ainda conseguiram entender as minhas mímicas de produtora (que aliás, preciso trabalhar melhor isso hehe).

Bloco 02 do programa CAIXA PRETA

Só rolou mesmo porque as pessoas se empenharam antes, durante e depois! Fiquei super feliz mesmo e estou emocionada que meu segundo programa de rádio já foi ao vivo!

Agradecimentos:

Um agradecimento especial a Camila Fink que lindamente criou o nome do programa!
A Tiemy também que ficou online no ning comigo praticamente o tempo inteiro,
ao Rafa que foi atrás das músicas,
a Mayara que deu seu jeito: na sua falta de tempo, ela conseguiu analisar o programa da Eldorado e contribuir com informações cruciais,
a Carol, mais estressada do que eu (hehe) que mandou muito bem na pré e pós-produção,
a Bruna que mais uma vez me socorreu nas pautas de cada bloco,
a Renata que teve toda a paciência comigo momentos antes de irmos pro ar,
ao Bruno Rava que pegou a bucha da produção executiva e me orientou sempre que foi preciso,
a Magaly, professora, que colocou a gente ao vivo e
aos locutores que toparam participar e mandaram muito bem! Enfim..a TODOS que de alguma forma se envolveram! Foi genial!

Pra quem ficou curioso, segue link!

Show de risada com John Travolta e Robin Williams


É quase impossível não pensar em “Grease – Nos tempos da brilhantina” quando vejo que John Travolta vai à tela dos cinemas. O mesmo ocorre com Robin Williams que ganhou minha admiração com “Jumanji” (1991), “Flubber” (1997) e “O homem bicentenário”(1999). Desta vez os dois aparecem juntos em “Surpresa em dobro”(Old dog, 2010).

Dirigido por Walter Becker o longa é uma comédia sobre dois amigos de infância, Charlie (John Travolta) e Dan (Robin Williams), sócios de uma grande empresa de marketing que passam por uma reviravolta ao terem que cuidar de gêmeos de sete anos de idade.

Os dois já estão velhinhos e foi bem bacana ver que uma das piadas foi essa: a idade dos (ex)galãs. As cenas mais engraçadas são a da troca das pílulas e a invasão da área do gorila (cenas que você pode ver no trailer abaixo).

A história é simples, previsível e ideal para acalmar as crianças dentro do cinema – em breve um típico filme de sessão da tarde. É da Disney, tá explicado, mas para os adultos vale a expressão corporal de Robin Williams. O vovô tá bem engraçado, dá para dar boas risadas.

#1 No transporte público


O riso é o melhor remédio contra o mau humor

No meio do vagão, tinha uma moça que me fez rir

O mais desesperador não é ouvir o despertador te acordar no momento em que você acaba de pregar os olhos, mas sim abrir a janela e ver que chove. Chuva pode significar muitas coisas, mas em São Paulo a melhor palavra que define a situação é o caos. O caos te traz o trânsito infernal e o metrô lotado, que prova que dois corpos ocupam sim o mesmo espaço. Pois bem, naquele dia foi bem assim.

Mas como estou acostumada com a odisséia do metrô, tomei aquele banho relaxante, me agasalhei neste frio de 16ºC e tive a sorte de a mamãe estar em casa e me deixar no metrô. Chegando na estação, já veio o primeiro índice: a fila para passar na catraca estava muito grande e quando você começa a questionar o motivo,  a voz do além, vide voz do funcionário que ecoa por toda a estação, informa: “Estamos restringindo a entrada na plataforma devido à chuva e acúmulo de usuários.”

Ao contrário da multidão a minha volta, respirei fundo e pensei “Não se estresse que não vale a pena”. Com este pensamento, cheguei na plataforma e fui jogada para dentro do vagão. No meio do amasso, o mau humor começou a querer aparecer…e foi então que a vi e ouvi a menos de 10 cm do meu ouvido, uma moça morena e um pouco mais alta do que eu estava com a bolsa na minha cara conversando com uma loira, menor do que eu, que foi socada atrás de mim.

As duas eram amigas e logo deu para perceber que a morena chamava Vanessa e a loira, Tati. E por causa do aperto do vagão, uma ficou de costas para a outra, mas a comunicação entre elas se deu mesmo assim, até mesmo comigo ali no meio. Geralmente eu me irrito com as conversas, mas dessa vez eu não me contive e ri na cara delas rs

Reprodução do diálogo

Tati: Tá tão cheio hoje que nem consigo mexer os meus braços…
Vanessa: Ai, amiga. Pensa assim: Você nem precisa segurar. Não vai cair, o povo segura. E eu to aqui de boa, tão apertada que em sinto sentada.

Freada brusca

Vanessa: Ixi….acho que quebrei as minhas pernas. Ui…ainda bem que a moça ta com as costas escoradas na minha, dá até pra alongar.
Tati: Ai, vou chegar atrasada de novo.
Vanessa: Mas que horas são? Não consigo ver o meu pulso.
Moça X: São 8h30
Vanessa: O, moça, brigada. Adoro esse povo do metrô, povo unido nos corpos e na solidariedade.
Tati: é, espera chegar o brás.
Vanessa: Ai a gente grita: Socorro….

silêncio

Vanessa: mas de que adianta gritar socorro se ninguém vai ouvir?
Tati: Pois é.
Vanessa: Vamos gritar todos juntos.

Estação Brás, transferência gratuita para as linhas da CPTM. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Ui, Jesus!!
Tati: Ai, socorro
Uma multidão entra gritando e aperta ainda mais as duas moças.
Vanessa: Gente, vamos todo mundo empurrar pra trás, tipo uma barreira…
Tai: Tarde demais…já até fechou as portas. Que calor, meu deus.
Vanessa: Pensa assim, ó. Parou de chover o povão deixou as janelas abertas.

Brecada brusca

Vanessa: Tá tão lotado que nem me mexo, eu desafio o maquinista me fazer cair. Pode brecar que eu não caio… o povo não deixa.

Brecada brusca

Vanessa: Tome, maquinista  ruinzinho! eu to aqui inteirinha hahaha
Tati: Ai, Vanessa…só você mesmo.
Vanessa: ué, tati. Rir é o melhor remédio pro mau humor. Pode rir moça (se referindo a mim que já tava roxa de tanto rir). Assim eu já chego bem no trabalho. Pra que estressar? Vou chegar bem e fazer o meu trabalho é isso que importa.

Estação Sé, transferência gratuita para a linha 1 azul. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Hora de ser lançada pra fora. Tchau, amiga. Bom dia pra você e você (eu). Que o seu dia seja mais iluminado que hoje porque voltou a chover.

E não é que a Vanessa tinha razão? Ri tanto que cheguei bem humorada no trabalho e o meu dia rendeu muito. Queria encontrar ela de novo…com certeza iria rir muito.

E você? Já encontrou alguém assim no meio da muvuca?

No transporte público


Moro em São Paulo e ando de transporte público como grande parte da população que mora na mesma região que eu: na ZL. E ainda uso nos famigerados horários de pico. Para sentir o clima, selecionei um poema de um autor desconhecido (quem souber de quem é, me avise, por favor)

O pico de cada dia

O momento em que estamos juntos é interminável…
Nossos corpos estão tão unidos que posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro…
Nossos movimentos são sincronizados…
Indo e voltando…
Para frente e para trás…
Às vezes pára, e então, quando nos cansamos da mesma posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer.
Um calor enorme parece que nos fará desmaiar…
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro e, quando não aguentamos mais segurar…
Uma voz ecoa em nossos ouvidos…

“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Resolvi criar a série “No transporte público” a partir deste poema e de um comentário que já ouvi dentro do metrô:  “Falou alto, é porque quer ser ouvido” dito por Cristiana Uehara, uma colega do Curso teatral para não-atores.

Se você tiver histórias para contar, escreva aqui também. Afinal, aguentar o pico não é fácil e tem vezes que a gente precisa dar risada pra não chorar. Ainda não defini o formato da série, mas é bem provável que apareça como crônica ou roteiro…vou observando o andar da carruagem e também o que faça jus a determinados acontecimentos.

Até segunda-feira estará no ar o primeiro episódio! Aguardem

Um comentário sobre “Como treinar o seu dragão”


Soluço e Banguela em "Como treinar o seu dragão"

Uma história aparentemente tosquinha surpreende nos diálogos, ou ausência deles, e na montagem. “Como treinar o seu dragão” é uma adaptação do livro “How to train your dragon” de Cressida Cowell e  conta a história do desajeitado Soluço, filho de um grande Viking.  Eles moram numa aldeia que vive sendo atacada por dragões e a função destes vikings é exterminar todos.

Ao contrário dos jovens da sua idade, Soluço é franzinho e não tem aptidão para lutar contra dragões, mas tem sede de provar suas habilidades. Numa dessas, inventa uma catapulta para capturar as feras e, por acaso, consegue prender aquele que todos temem: Fúria da noite, o dragão que só aparece à noite e destrói tudo que vê pela frente. Incapaz de matá-lo, Soluço o liberta e a partir daqui a animação ganha ritmo.

Os planos são mais curtos e a montagem bem surpreendente. Mas pra mim, o melhor de tudo foi a expressão do Banguela, nome dado ao Fúria da noite. Fiquei encantadíssima a observar como a computação gráfica vai além do esperado e consegue passar emoções que nenhum diálogo passaria. Aliás, diálogo verbal entre o menino e o dragão não existe, mas você entende perfeitamente tudo que está acontecendo.

Os diretores Dean DeBlois e Chris Sanders usaram muito bem a montagem paralela entre o crescimento do relacionamento do menino e do dragão e o treinamento de Soluço como viking.  “Como treinar o seu dragão”é uma animação da Dreamworks e na mesma linha de Kung Fu Panda e Espanta Tubarões traz uma moral da história. Neste caso, trata-se de não julgar aquele que você não conhece.

Não sou nenhuma cinéfila, mas este filme encantou tanto que resolvi falar dele aqui. Se interessou?  Dá uma olhada no trailer. A animação ainda está passando no IMAX e nos principais cinemas.

Ficha Técnica
Título Original: How to train your Dragon
Direção: Chris Sanders & Dean Deblois
Roteiro: Will Davies, Chris Sanders, Dean Deblois
Adaptado da obra de: Cressida Cowell
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller
Produção: Bonnie Arnold
Produção Executiva: Kristine Belson, Tim Johnson
Direção de Arte: Pierre-Oliver Vincent
Supervisor de Efeitos Visuais: Craig Ring
Chefe de História: Alessandro Carloni
Chefe de Animação de Personagens: Simon Otto
Supervisor Estereoscópico: Phil McNally
Chefe de Efeitos: Matt Baer

A única coisa permanente no universo é a mudança


Este post inicia com uma frase de Heráclito (540 a.C.- 470 a.C.) para apresentar uma análise do filme “Efeito Borboleta” (2004) e a obra deste filósofo. Veja o trailer do filme.

Esta análise partiu de um trabalho de filosofia realizado em 2008. Para variar, escrevi ele com a Bruna Marques.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

As pessoas que dizem desgostar de filosofia o fazem porque não entendem o pensamento expressado muitas vezes em palavras incompreensíveis ao vocabulário cotidiano do século XXI, mas também é comum encontrar diversos filmes chamados Blockbuster´s, que vendem muito e que na maioria das vezes tem seus roteiros baseados em filósofos supostamente desconhecidos para elas em razão da falta de interesse.

Um deles é Efeito Borboleta, cujo título original em inglês é Butterfly Effect. Lançado em 2004, foi dirigido e roteirizado por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com o protagonista representado por um dos atores juvenis mais cobiçados da época, Ashton Kutcher, o filme teve grande divulgação e multidões assistiram à história de um rapaz que, assim como seu pai, quando criança tinha surtos de falta de memória -blackouts, como chamado no filme. Em algumas cenas, esse problema do garoto causa os diversos pontos de virada observados na montagem.

Ao ficar mais velho, Evan, o personagem principal, percebe que ao ler os seus diários ele é capaz de voltar ao passado, especialmente naqueles momentos em que ele não se lembra, mas com um detalhe: ele recorda o que teria acontecido durante os blackouts. Surpreso, procura seus amigos de infância para ver se aquela visão era real. Porém, ele deixa os outros personagens atormentados causando até o suicídio de Kayleigh, personagem pela qual foi apaixonado por toda a sua infância.

Aqui começa o desenrolar da história. Assustado, ele tenta reler alguns de seus cadernos para tentar evitar o suicídio de Kayleigh e assim começa a mudar o seu passado. O grande problema é que nada permanece. Qualquer nova decisão que ele toma em seu passado deflagra nas consequências mais diversas.

Heráclito

É aqui que nos atrevemos a comparar o filme com o pensamento do pré-socrático Heráclito (540 a.C a 470 a.C) começando com uma citação retirada do livro “Convite a filosofia” de Marilena Chauí: “O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece. Para Heráclito tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”

É exatamente isso que ocorre com Evan. A cada mudança, por mínima que seja, causa uma contradição, quando ele decide voltar ao seu passado. Ele resolve um de seus problemas, mas outros surgem, ainda mais complexos de se entenderem e mais difíceis de serem resolvidos. Até Evan muda,não em sua relação sentimental com as pessoas que ele sempre amou, mas sim em seus gostos e sua maneira de levar a vida.  Por isso a cada nova situação vemos uma nova personalidade que ele demora a compreender e também percebe que as pessoas ao seu redor sofrem influências dessas reviravoltas. Enfim, ele está em constante metamorfose, como qualquer outro elemento da natureza.

Mais uma vez nos utilizamos de um exemplo da teoria de Heráclito. Evan seria o rio modificado, ou seja, ele nunca é o mesmo, pois “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.O filósofo ainda avisou em seus excertos que os humanos devem sempre esperar e reencontrar o inesperado, pois “a incredulidade pura e simples denota um espírito obtuso e fechado ao enigma do mundo”. Pelo filme, vemos que o personagem desconhece essa teoria.

Outra questão observada no filme é que ele constantemente se refere ao tempo. Mas o que é o tempo? Para Heráclito o conceito de tempo é abstrato e existe a partir dos opostos. Ele é e não é, e está posto numa unidade e, ao mesmo tempo, está separado, ou seja, é abstrata contemplação da mudança já que o conceito de passado, futuro e presente foi convencionado, foi o ser humano que deu sentido e significado ao tempo.

Para Evan, voltar ao tempo passado era uma oportunidade de “reparar” alguns detalhes de sua vida, mas ao interferir no que foi feito, ele muda o seu presente sendo que as consequências dependerão das suas novas escolhas ao voltar ao passado, pois cada mudança que é feita, por mínima que seja, interfere em muitas outras coisas. O nome do filme explica exatamente isto. O efeito borboleta remete a teoria do caos, citada no início do filme. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Esta teoria diz que o simples bater de uma asa de borboleta poderia mudar o curso natural das coisas podendo até causar um terremoto do outro lado do mundo. Mas há cientistas que dizem que o formato dos gráficos analisados quando há movimentos caóticos é de uma borboleta.

Se a borboleta influencia um terremoto ou se é mera ilustração gráfica não sabemos. O que importa é que dentro dessas duas explicações pode-se analisar o filme e a teoria de Heráclito.  A cada novo “bater de asas” do personagem, sua vida inteira sofre um terremoto e a cada “bater de asas” da própria borboleta, sua essência também muda porque de acordo com Heráclito, a única coisa que permanece no universo é a mudança.

Em oposição, podemos comparar o filme com os pensamentos de outro pré-socrático Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), que sustenta a idéia contrária a de Heráclito. Esse filósofo diz que a mudança é algo criado no mundo dos sentidos e que é ilusório.
Ao contrário de Heráclito que afirma que “tudo muda”, Parmênides diz que “nada muda”. Assim, por mais que suas águas mudem de posição, um rio será sempre o mesmo rio. E no filme “Efeito Borboleta” também se pode enxergar isso. Por mais que as situações mudassem, a essência de Evan, ou seja, seus sentimentos e princípios sempre continuavam os mesmos.

E o que você acha de tudo isso? Comente abaixo.

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Vencedor do Casperito 2009


Quase esqueci de falar sobre isso por aqui. Com a cobertura do Oscar lembrei que eu já ganhei um prêmio, em equipe, claro.
No ano passado, o primeiro trabalho prático que tive como estudante de rádio e tv foi criar uma história sem palavras em áudio com até 1 minuto. A dificuldade foi tremenda! Como fazer isso?

Lá se foram dois sábados a tarde!! A ideia do roteiro foi tranquila: um rapaz está na casa da namorada quando o amigo chama ele pra balada. Com uma desculpa esfarrapada, ele deixa a namorada e vai curtir. No meio da festa, uma garota se aproxima e “flerta” com o cara. Ele cai na dela, mas uma amiga da namorada vê tudo e liga contando o “bafão”. Quando o cara volta pra casa, lá vem a briga. E o nome da história: “A traição“. Clique no link para ouvir.

O trabalho não foi muito bem aceito pela professora e a nota no bimestre confirmou que ela esperava mais do grupo. Porém, no final do ano aconteceu uma grande surpresa!

Lá na faculdade tem, todo ano, uma premiação chamada “Casperito” e os alunos do primeiro ano podem participar. Aliás, tem até uma categoria específica para eles. Confesso que inscrevi esse trabalho quase sem esperanças, mas na hora H fomos premiado como melhor áudio dos alunos do primeiro ano! É isso ae!! aha uhu…o Casperito foi nosso!! eheheheh

2010 tem mais!

Elenco: Bruna Marques, Livia Di Bartolomeo, Mayara Picoli, Rafael Batista e Vinícius Peres

A= namorada
E = amigo
I = amiga da namorada
O = namorado
U = a outra

Gravando!


Trabalhar no Ikwa me exige uma atividade que eu, particularmente, gosto muito: fazer reportagens em vídeo. Para mim, cada matéria é um novo desafio que me entrego de corpo e alma porque eu aprendo muito com os entrevistados e comigo mesma. A cada gravação sinto que vou dando mais um passo e ao ver a matéria no ar, sinto que estou evoluindo. E dentro disso, tem vezes que um vídeo se destaca.

E esta semana foi ao ar uma matéria que com certeza vou guardar no coração pra vida inteira. “Duas carreiras ao mesmo tempo” foi muito especial para mim nem tanto pelo assunto, mas como a equipe resolveu abordar o tema. Ela fala de pessoas que têm dois empregos e mostra como eles lidam com a rotina puxada. E eu senti na pele o que é se dividir em duas para dar conta do trabalho.

Thumb da matéria que foi ao ar hoje, 03 de março de 2010

A ideia da duplicação não foi minha, mas veio num momento muito especial. Foi muito trabalhoso gravar, regravar, trocar e destrocar de roupa, decorar texto e ainda pedir que o Ikwa inteiro ficasse sem falar alto pra gente conseguir gravar as intervenções na matéria. Mas confesso que a dor no corpo e o cansaço compensou o resultado final e me sinto orgulhosa. Só tenho a agradecer por ter participado de algo tão legal.

Espero de coração que a gente tenha mais ideias criativas assim porque além de ter aprendido muito, a diversão foi garantida. Sei que este texto tá muito meloso, mas quero deixar claro que não foi encomendado, foi só a consequência de um trabalho bem feito: satisfação.

A alegria vem junto com o sentimento de: “será que o público vai gostar?”Eu espero que sim. Se você ficou curioso para ver a matéria, acesse aqui e não deixem de comentar, aqui ou lá, o que acharam.

Para ver todas as inserções, inclusive as que não foram para a matéria, veja o vídeo abaixo.  Participação do Newman me ajudando nas falas! Valeu,  Minhoca

Volta às aulas com tudo


O ano letivo mal começou e a faculdade resolveu fechar o cerco. Nunca me vi tão cheia de coisa pra ler na minha vida como agora neste segundo ano de rádio e tv. Confesso que, apesar do medinho, to gostando do desafio. Algumas leituras exigem colocações minhas e a primeira delas foi sobre o texto “Devanio e Rádio” de Gaston Bachelard. Como tive que postar o texto na rede, resolvi colocá-lo aqui também para ver se incita uma discussão.

O que é o rádio e qual é o seu papel?

Desde sua origem o rádio tem uma magia de criar imagens mentais e despertar sentimentos em quem o está escutando. Mais que um livro, este veículo nos transporta para dentro de nós e nos permite sonhar acordado porque ele consegue a partir da leitura das palavras, despertar a nossa imaginação.

É com esta premissa que Gaston Bachelard escreveu “Devaneio e Rádio”.
Segundo o autor, vivemos no universo na palavra e por causa disso estamos sempre ocupados a falar. Cada um fala de um jeito e nem sempre nos entendemos, mas o rádio tem uma linguagem universal. Ele fala para todos e ao ouvirmos sua voz nos calamos e escutamos em paz a sua mensagem.

No princípio, o rádio era o ponto central de uma casa, era símbolo de status social e todos se uniam em volta dele para ouvir as notícias, músicas e as famosas radionovelas. Com a chegada da TV, ele perde seu lugar de destaque no coletivo e passa a ser contemplado isoladamente, facilitando assim uma segregação de conteúdo. Por causa disso, “o rádio possui tudo o que é preciso para falar em solidão, não necessita de rosto”, diz o autor. E Bachelard aponta que essa falta de rosto não é sinal de inferioridade, mas sim uma maneira de se tornar mais íntimo ao ouvinte.

A leitura do texto desperta o interesse em saber como este meio de comunicação sobrevive ainda mais num período em que tudo está misturado. Será que o rádio terá fim com as rádios online? Não se sabe, o que sabemos, segundo o autor, é que o rádio é “a realização da psique humana” e enquanto nenhum meio fizer isso, eu acredito que o rádio terá vida plena.
E como eu acredito fielmente que o rádio é para ser ouvido sozinho, gostaria muito que as pessoas usassem fones de ouvido e não obrigassem a mais ninguém ouvir o que elas tanto escutam.

Um olhar sobre “Crepúsculo” e “Lua Nova”


Eu lembro muito bem que quando era criança não gostava muito de paródias. Pra falar a verdade eu não gostava porque geralmente não conhecia a obra original. Hoje é diferente e por causa disso resolvi falar de duas em especiais.

As obras originais são as adaptações cinematográficas de “Crepúsculo” e “Lua Nova”. Sem entrar no mérito se os filmes e livros são bons, vim aqui destacar a criatividade de duas irmãs, Hilly e Hannah Hindi. Elas ultrapassaram o limite de fãs.

As paródias delas são muito criativas, cheia de humor, mas conservam o essencial de cada história. Para quem não sabe, as duas usam apenas uma câmera e são elas mesmas quem filmam, atuam e editam. Obviamente que tem uma grande equipe por trás, mas a grosso modo, o trabalho é delas. O sucesso foi tanto em “Crepúsculo” que a Summit liberou o uso do carro de Bella e alguns cenários para que elas fizessem a paródia do “Lua Nova”. É mole?rs

A fama delas está crescendo e novas paródias como Batman já foram ao ar. Quem sabe ainda o que vem por ae. Para ficar por dentro do que elas vão aprontar, entre no site “The Hillywood Show“.

Me despeço deixando os dois vídeos aqui para quem curte a saga “Crepúsculo”

Crepúsculo

Lua Nova

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)

O primeiro curta a gente nunca esquece


Desde pequena eu adoro filmadoras e câmeras fotográficas. Se você não acredita, basta pedir uma daquelas fitas VHS da minha infância que você vai ver eu gritando pro meu pai: “ filma eu, pai. Filma, eu”. Pois é, o que era só registro familiar virou hobby mais tarde quando a minha família comprou a primeira JVC, estilo handcam.

O gosto pela brincadeira fez com que eu usasse a criatividade e regravasse os clipes da minha musa na época (sim, podem rir. Eu tinha 14 anos e adorava a Britney Spears). Como não tinha nenhuma técnica de edição, a gente pausava a música e a filmagem junto para mudar de cenário e lá ia o play de novo. Até hoje me surpreendo que a música nunca cortou. Ficavam bem bacanas, pena que não tenho nenhum desses vídeos mais.

Tudo mudou quando apareceu aqui em casa uma filmadora de HD. Nossa…foi sensacional! Nunca me esqueço da alegria ao descobrir que poderia passar o vídeo para o computador e gravar em DVD. Tanta tecnologia… e eu ainda não sabia mexer em nada.

Até que entrei na faculdade. Aí me encantei mais ainda. Vi pela primeira vez uma ilha de edição de perto. Confesso que era MUITO amadora, mas era uma ilha. No primeiro dia que vi a mulher capturando e editando e foi daí que eu resolvi instalar o adobe première em casa e aprender a editar na marra. Muitos foram os vídeos simples, como montagem de fotografias até chegar nas matérias de 1 minuto para a PUC.

Fui me aprimorando, lógico que com muita ajuda de amigos, até que me embrenhei em filmar festas de dança do ventre. Foi uma época de grande aprendizado, onde fucei mesmo no programa e me vi fazendo coisas que nem imaginava.

Por causa disso, resolvi encarar um grande desafio: fiz meu tcc em vídeo – um documentário a respeito de feiras livres. Um dia eu dedico um post especialmente ao meu TCC e a tudo que se passou.

Apesar de este post já estar enorme, o foco dele é o meu primeiro curta-metragem. Pra quem não sabe, estou fazendo a segunda graduação em rádio e TV e foi lá que tive a oportunidade de fazer isso.

Claro que não fiz nada sozinha, todo o trabalho foi em equipe. Confesso que foi muito gratificante ver que uma simples ideia de personagem transformou-se num curta que eu jamais esperava ser capaz de produzir.

A elaboração do roteiro não foi nada fácil e quando ficou pronto, olhamos pra ele e pensamos:  “praticamente impossível filmá-lo nas condições que temos para gravar”. Tínhamos apenas 4 horas e não podíamos ir além do quarteirão da faculdade. Mas encaramos o desafio e gravamos em 3h30. Inacreditável como tudo foi se encaixando e quando acabamos a gravação eu só olhei pra Ana, da equipe, e disse: “Fizemos o impossível, a gente conseguiu!”

Eu estava acabada de cansada, mas extremamente feliz. Quando fui editar eu me surpreendi com o resultado. E eis abaixo o trabalho que realizamos. Não ganhamos o Casperito, mas o sentimento de realização valeu por todo o esforço.

Confiram!

“Sem serviço” (2009)
Agitação de cidade grande, as pessoas sempre com a tecnologia pindurada na orelha. Neste mundo comtemporâneo há uma contradição com a ajuda de um mensageiro do passado: Hermes (Caio Ramos). Há muito tempo ele anda sem serviço por causa dos aparelhos celulares já que os humanos o trocaram pelo SMS. Até que um dia, ele percebe que Márcia (Leila Brambilla) não recebe um torpedo importante e resolve ajudá-la, entregando a mensagem ele mesmo.

Este é um trabalho dos alunos do 1 RTVC da Faculdade Cásper Líbero

Ana Luisa Pacheco, Bruna Carvalho Marques, Bruno Teixeira, Danilo Sala, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael

Para quem gosta dos bastidores, confira o making of

O ritual foi feito, eram aranhas


Nesta quinta-feira, dia 4, foi o derradeiro dia de aula do “Curso teatral para não atores – Comunicação Verbal e Corporal”. Ministrado por Bruna Gasgon, tive 24 horas-aula a respeito de como vencer o medo de falar em público.

Exercício de confiança

Para quem me conhece, pode até ter achado estranho eu me aventurar num cursos desses, mas eu  fico meio travada quando vou falar e as pessoas param para me ouvir. O coração dispara, a mão transpira e a voz muitas vezes falha ou eu acabo falando rápido demais, comendo sílabas e até mesmo palavras inteiras. Já que trabalho como repórter, resolvi participar dessas aulas e confesso que foi um dos melhores investimentos da minha vida.

Eu já fiz dois cursos de locução, para rádio e TV, que foram realmente sensacionais, mas este foi o primeiro que mexeu com o emocional. O foco era administrar toda a adrenalina do meu corpo. Confesso que no primeiro dia de aula fiquei um pouco assustada com as atividades, mas resolvi me entregar de corpo e alma. Foi fácil porque todos fizeram a mesma coisa.

Tenho que ressaltar a sorte de ter entrado numa turma fantástica. Todos eram diferentes,  mas ao mesmo tempo muito parecidos. Não dá muito para explicar, tinha que estar lá pra ver.

Aprendi tanta coisa! Não só para falar em público, mas para vida também. E tem coisas que serão inesquecíveis como as atuações e superações de cada um. E, é claro, o enigma não resolvido “O ritual foi feito, eram aranhas”. Eu tenho o meu palpite do autor…mas…o mistério fica aí para quem sabe estimular um módulo II do curso, que com certeza terá a minha inscrição.

De volta ao blog abandonado


Toda vez que eu visito qualquer blog eu sinto vergonha por ter praticamente abandonado este aqui.  Meu derradeiro post foi há 7 meses…meu deus! Como pude deixar isso de lado?

Aí eu lembrei! A dúvida daquela epoca ainda está em mim: sobre o que devo escrever?

Olhando hoje para o meu quase órfão de escrita, pensei: sobre o que eu quiser, oras! O Blog é meu e eu não preciso, necessariamente, ter um tema focado.

Então, decidido! O tema que surgir, escrevo…mas e a periodicidade? Ixi….
trabalhando do jeito que estou e estudando também, não sei se terei tempo exato, mas tentarei. Prometo.

Estou de volta…isso é o que importa

“Metrópolis” e a Alemanha dos anos 20


O texto abaixo foi escrito para um trabalho da faculdade de RTV e eu gostei tanto que resolvi postar aqui.

O merecido 10 não dependeu só de mim, pois escreveram comigo Mayara Picoli e Bruna Marques, duas amigas queridas que agora me aguentam nos trabalhos hehehe.

 

Boa leitura!

 "Metrópolis"

A partir de Georges Mèliès o cinema encontrou uma maneira de recriar a sua própria realidade. Este trabalho visa analisar como o filme “Metrópolis”, do diretor austríaco Fritz Lang, demonstra um pensamento comum no momento pós-Primeira Guerra Mundial e pré-ascensão do nazismo.

A Europa estava num período singular de fervor cultural, pois as vanguardas traziam uma nova visão do mundo representada nos avanços na arte, literatura, ciência, tecnologia e, é claro, no cinema. É neste período de descrença na industrialização e ciência que o cinema alemão teve um grande desenvolvimento em termos de estruturação, uma vez que as produções estrangeiras eram barradas e muitos artistas de outras áreas migraram para esta nova indústria com o objetivo de expressar as novas esperanças e temores [1].  “Os filmes expressionistas têm elementos em comum com a necessidade de expressar um sentimento de opressão e revolta em relação ao mundo. Eram elementos puramente visuais (…), baseiam-se todos eles na exteriorização de estados da lama, de situações extremas, que são refletidas no cenário, na composição do quadro e na interpretação”. [2]

O filme refere-se a uma sociedade do futuro, mas na verdade se trata de uma metáfora sobre a Alemanha dos anos 20. “Metrópolis é uma cidade moderna onde a tecnologia domina o tempo e o espaço em que os homens vivem.” [3] A sociedade é disciplinar e Lang destaca uma hierarquia na qual ainda há escravidão sendo que o topo da pirâmide é ocupado pelas máquinas. O indivíduo não existe em “Metrópolis”, só a massa, e o trabalho é visto como necessidade social.

O movimento dos trabalhadores é mecanizado e isso se percebe no início do filme quando uma multidão, que acaba de terminar suas horas de trabalho, é substituída por outro grupo de operários. Todos estão com ombros caídos, resultado do cansaço e insatisfação. É reflexo do mundo expressivo, pois eles parecem engrenagens em funcionamento sustentando uma elite privilegiada. As grandiosas máquinas podem ser interpretadas como a energia que mantinha o luxo para os ricos de Metrópolis, ou seja, as novas tecnologias, e a própria industrialização é representada no filme como geradora de lucros e riquezas.

O enredo é ambientado em 2027 numa grande cidade, Metrópolis, governada por um poderoso empresário, John Fredersen (Alfred Abel). Há nitidamente duas classes sociais: os privilegiados, como o herdeiro da cidade Freder (Gustav Frohlich), que vivem num jardim idílico e os trabalhadores que vivem e trabalham no subsolo, como Maria (Brigitte Helm). Esta personagem é uma líder sentimentalista, “o coração conciliador entre o cérebro capitalista e as mãos que executam” [4], se destaca e convence os companheiros a se organizarem para poderem reivindicar seus direitos.

Nas reuniões com os operários ela pedia paciência, dizia-lhes para aguardarem pacificamente o surgimento de um mediador, que conciliaria os criadores de Metrópoles e o proletariado. Já Freder é alienado, filho do importante dirigente da cidade e dono na fábrica, não sabe o que se passa no fundo da cidade, e se apaixona por Maria. Esta paixão o leva a conhecer a cidade subterrânea. Lá ele adquire consciência social no momento do aparecimento de “Moloch”, divindade que exige sacrifícios humanos, inspirado em “Cabíria” de Pastrone. Após a explosão dessa máquina, Freder tem um delírio imaginando que Moloch engole os trabalhadores como uma forma de substituir a mão-de-obra. Assustado com o que viu, o personagem tenta falar com seu pai que controla a cidade pela janela.

Assim como os trabalhadores, nota-se que o pai de Freder também é um personagem robotizado, uma peça que regula as atividades de Metrópolis. Neste momento é possível observar o cuidado que Fritz Lang teve em demonstrar a arquitetura da cidade, a qual foi inspirada no impacto que o diretor teve ao ver os arranha-céus de Manhattan, em grande desenvolvimento na época.

Não obtendo o resultado esperado, Freder se disfarça de operário e tenta vivenciar o dia-a-dia dos homens-máquina. A partir desse momento o protagonista passa a ficar subordinado às horas. O diretor utiliza no filme um relógio que marca apenas 10 horas, que era o tempo da jornada de trabalho na época. Há diversas cenas que mostram relógios ou coisas que assemelham à sua forma. Desta maneira Lang apresenta o capitalismo como introdutor do trabalho com a noção de tempo, cargas horárias infinitas, representando a vida do homem moderno submetida ao tempo mecânico. É uma sociedade fundamentalmente baseada nas horas e tratada como sistema [6].

 Freder, ao conhecer melhor a cidade, tem uma incansável luta para igualdade de classes, tenta conversar novamente com seu pai, mas não consegue retorno e não sabe que está sendo vigiado. Em razão disso, é feito um clone de Maria e a massa enlouquece com a mudança brusca nos discursos e rebela-se contra a cidade, uma vez que o clone de Maria passa a indagar os trabalhadores sobre sua forma de vida, afirmando que eles já esperaram demais por um acordo entre as classes e os influencia a fazerem uma revolução e a quebrarem as máquinas.

O momento da fabricação do clone é o auge do filme e o que o torna fundamental como ficção científica, por isso a cena ficou muito conhecida. O laboratório mostra a ciência como espetáculo – visão da sociedade anterior à Primeira Guerra Mundial – e os efeitos especiais são riquíssimos.  A obra cinematográfica, inspirada no vislumbre pelas máquinas, mostra de forma alegórica a exploração que sofriam os trabalhadores na época em que foi criado. A história polariza o bem e o mal.

“Metropólis” foi um dos primeiros filmes a tratar da relação “Homem-Máquina”, referindo-se às repercussões das máquinas na sociedade da época. O filme cativa o público por apresentar atores que expressavam os sentimentos. “(…) atores contraindo os olhos para indicar medo, arregalando-os para evidenciar espanto, batendo literalmente o peito para demonstrar paixão, retesando a fisionomia para expressar cólera”[5], mesmo tendo permanecido em exibição apenas por uma semana.

 Seu fracasso é explicado tanto pelos gastos que Fritz Lang teve para produzi-lo, quanto também por apresentar cerca de 153 minutos de duração, o que é muito para a época. Foi afamado por apresentar grandes características políticas, religiosas e encenação sensual, ilustrando uma sociedade tal como a alemã. O filme apresenta cenas memoráveis de acontecimentos com muita influência religiosa, como a sincronia de movimentos dos trabalhadores, a Torre de Babel, forma de alcançar o topo do céu, se juntar aos Deuses, a inundação da cidade dos trabalhadores, a “bruxa” na fogueira, até mesmo a pose de Freder, na máquina do relógio, assemelha-se a Cristo na cruz.

A obra despertou o interesse de Hitler que, ao chegar ao poder, solicitou que seu Ministro Goeebbles convidasse Lang como diretor oficial do nazismo, porque se impressionou com o final conciliador do filme que concretizava a necessidade de uma ordem para as coisas, de se ter um líder, sem contar que é possível notar a semelhança da massa de “Metrópolis” com a massa seguidora do partido nazista que ficou anos no poder. O convite foi o motivo da fuga de Lang, juntamente com outros judeus, para os Estados Unidos, onde realizou diversos filmes antinazistas, mas sempre com “reflexo de uma cultura cujo poder impregna necessariamente todas as formas de arte do país” [6].

“Metropólis” tem uma grande importância hoje para entendermos o pensamento do final dos anos 20, é muito influente e inspirador. É um dos filmes que mais retrata a industrialização européia, mesmo sendo de cinema mudo. É um exemplo importantíssimo do Expressionismo Alemão e deve ser encarado como uma alegoria de uma época de aflição. Originou diversas interpretações, desde um alerta contra o fascismo até a tirania capitalista.

 

 

 Bibliografia

 

[1] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O contexto histórico da produção cinematográfica alemã (dos primórdios até 1931)” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[2] MANZANO, Luiz Adelmo F. “O apogeu do cinema alemão” in Som – imagem no cinema – A experiência alemã de Fritz Lang. Perspectiva. São Paulo, 2003.

[3] DUTRA, Roger Andrade. “Sobre técnica e tecnologia” in Metrópolis – cinema, cultura e tecnologia na República de Weimar. PUC-SP. São Paulo, 1999. Dissertação (Mestrado em História)

[4] LOTTE, Eisner H. Fritz Lang. Paris: Editions de l´Etoile – Cinematheque Francaise, 1984.

 [5] MENDES, Francisco. “Metrópolis, de Fritz Lang” in Pasmos Filtrados. Disponível em http://pasmosfiltrados.blogspot.com/2006/02/metropolis-de-fritz-lang.html. Acessado em 25 de maio de 2009.

[6] PARAIRE, Philippe. O cinema de Hollywood. Martins Fontes. São Paulo, 1994

Enfim, formada


28.01.2009 - Colação de grau - Jornalismo e Multimeios - PUC - realizado no TUCA

A passagem de estudante para jornalista

 

 Colação de grau – 28.01.2009 – Jornalismo e Multimeios – PUC – realizado no TUCA

Foram 04 anos acordando às 5h00 com o céu escuro…

04 anos pegando o metrô muitas vezes lotado e as filas intermináveis do ônibus…

04 anos subindo aquelas rampas e sentando naquelas cadeiras minúsculas…

04 anos para perceber que não sou mais criança…

04 anos de uma longa caminhada.

 

Antes de entrar numa universidade, imaginava um mundo totalmente diferente pelo que passei. Aliás, este mundo existiu, mas percebi que eu não precisava, necessariamente, fazer parte dele.

 

 Eu pude continuar a ser quem eu era sem ter que me adaptar para ser uma universitária. É claro que para isso, deixei de fazer muito amigos que eu sabia que dentro de 01 ano não teria mais contato. Entretanto, posso dizer com toda a sinceridade do meu coração que foram poucas, mas essenciais, as pessoas que eu hoje chamo de amigo. E elas sabem que eu não preciso nomeá-las.

 

Manter a minha essência me deixou fora de bares, baladas, JUCAs e churrascos e de muitas rodinhas, mas não vejo isso como problema porque eu desfrutei a universidade de uma outra forma. Aprendi, com uma dessas pessoas que chamo de amiga, a estudar, a pesquisar e a não ter medo de ultrapassar os limites dos trabalhos e até mesmo de vê-los de outra forma.

Foram inúmeros os domingos e feriados em que me reunia com essas pessoas para transformar os trabalhos em aprendizado e diversão. Não sinto, de forma alguma, que desperdicei meus finais de semana, pois eles foram todos mais que válidos e os guardarei com muito carinho dentro de mim, até sentirei enormes saudades.

 

Aprendi também que a teoria (e olha que foi muita) não se aplicava somente ao exercício da profissão, mas a nova pessoa em que eu pude me transformar.  Eu me olho no espelho e vejo que amadureci sem deixar os meus princípios de lado e isso me deixa orgulhosa.

 

Ontem foi a confirmação de que esses 04 anos já passaram e que, a partir de hoje, meus professores já me chamam de “colega de profissão”. É uma imensa felicidade saber que eles, os nossos grandes orientadores na profissão nos reconhecem como jornalistas e não mais como estudantes. Para mim, é o grande motivo da colação de grau.

 

Participei de todas as colações de graus: 8ª série, 3º colegial, mas nenhuma me causou a emoção de vestir a beca como ontem. Quando eu coloquei o capelo eu vi que havia completado uma fase muito importante na minha e me senti vitoriosa por estar colando o grau de uma universidade tão conceituada  num curso que faz parte de mim.

 

Os discursos foram o meu momento de reflexão. Vi os 04 anos passando diante dos meus olhos e confesso que neste momento as lágrimas caíram de felicidade.  Ao ouvir meu nome, o momento em que estava confirmado. Peguei o canudo, vi a alegria dos meus familiares e amigos presentes e gritei dentro de mim: ESTOU FORMADA!

 

 

08/08/2008 – Chove em São Paulo


Ok..demorei, mas cá estou com um texto cujo tema foi sugerido numa aula na Puc, hoje mesmo.

 

 

05h00. O despertador já me avisa que está na hora de levantar, mas um som estranho me chama atenção. Abro a janela e já vejo: chuva! Não é garoa, chuvisco, é chuva mesmo! É o som da lembrança, da imagem do colorido dos guardas-chuva em meio a uma rua cinzenta e dos joelhos molhados. Por que às vezes parece que a chuva cai de baixo para cima? Para que serve realmente um guarda-chuva? Deve ser para proteger as “chapinhas” femininas, pois a única coisa que ele mantém seco, é o cabelo.

Mas, está na hora de sair e travar a batalha. Será que chegarei seca ao metrô? Duvido, mas é uma luta que não quero perder. Não basta caminhar pela rua, tem que desviar dos bueiros entupidos e das mais variadas poças que impedem a minha rota ao destino, além dos carros que não se importam de evitar aqueles lagos próximos das calçadas.

Após vinte minutos, chego. Perdi a batalha, mas a guerra continua. Sinto-me um cão molhado, chacoalho o guarda-chuva e percebo que não sou a única. Outros cães se sacodem e eles alcançam onde a chuva não conseguiu.

Fila. Aquele amontoado de pessoas esperando o ser humano que esqueceu de carregar o bilhete único e insiste em passar pela catraca. Paciência. Finalmente, passo. Desço a escada e sou recebida pelo vento molhado enquanto o metrô não chega.

As luzes indicam que está a caminho, mas não é possível saber se está lotado. A janelas estão embaçadas pela respiração e pelo calor humano dos cidadãos que embarcaram na estação anterior. A chuva aperta. A abertura das portas me lembra a explosão de uma boiada e quando menos espero, me encontro dentro do vagão. Calor demais. Um apito me avisa que iremos partir. Uma, duas, três, quatro estações…calor, balanço, suspiro. Falta pouco. Abro um espaço na janela embaçada e vejo que a radial leste está tão cheia quanto este vagão.

Estação terminal Palmeiras – Barra Funda. Até que enfim! Mas a guerra não terminou.  A chuva aperta e ainda tenho que pegar o lotado 875P – Ana Rosa, o ônibus que todos da zona oeste pegam para ir à avenida paulista. Depois de muito treme-treme, empurra-empurra, chego ao meu destino. Mais chuva. Trânsito, poças, businas, joelhos molhados, frio, calor…Ligo o MP3 player para ouvir aquela voz que me diz: “08/08/2008, chove em São Paulo”, como se eu já não soubesse. 

 

 

Como tudo começou…


Quando era mais nova, houve uma febre de blogs, weblogs, blogger…enfim..quase todo provedor cedia um espaço gratuito para usuários que desejavam ser lidos na web.

Com as minhas colegas de escola, montei diversos blogs, mas nenhum teve uma vida longa…afinal utilizava o blog como um “diário virtual” e praticamente se resumia a pequenos relatos da minha vida.

Obviamente cansei e acabei desativando.

Hoje, a menos de um ano para me formar em jornalismo, resolvi voltar a escrever como uma forma de praticar e como uma terapia neste ano de TCC.

E, para inaugurar, publico uma pequena crônica que escrevi hoje pela manhã, com a revisão de uma grande amiga, Camila Fink.

Manchas  

Por Livia Di Bartolomeo 

O seu nome é Carlos, tem 28 anos e está na profissão há um mês. Nunca pensou que algo tão inimaginável pudesse ocorrer em tão pouco tempo de serviço. O dia havia amanhecido como qualquer outro, a não ser pela ligação de seu chefe avisando que aquele seria o momento de monitorar uma importante rodovia da cidade. Por mais que fosse domingo, ele estava contente com a oportunidade que lhe havia sido confiada. 

 Chegou ao local com uma hora de antecedência para conhecer os seus companheiros daquela tarefa que muitos achavam tediosa. Num determinado momento, seu superior deixa o posto para tomar seu café da manhã e Carlos encontra-se só diante de telas de monitoramento. Observa que alguns ultrapassam a velocidade e que um determinado carro pára no acostamento.Tudo acontece muito rápido e a sua única reação é chamar seu superior, mesmo sabendo que não deveria interromper o “coffee break”. Irritado, seu chefe derruba o café em sua camisa nova.

Ao fim de tudo, Carlos volta a trabalhar no departamento. Está chocado com o que viu e ainda por cima por ter que lavar a camisa manchada. Seu horário de trabalho volta ao normal, mas naquele dia foi dispensado mais cedo para ir à lavanderia. No caminho, filosofa sobre a “mancha” enquanto observa a camisa.

Ao chegar na estação de metrô depara-se com uma fila imensa e muitas pessoas desesperadas. Nessas horas não há final de expediente e assume seu papel de policial. Se junta aos colegas que já estavam no local e nota a presença de uma ambulância com as portas abertas e uma equipe de pessoas vestidas de branco carregando uma maca na qual transportavam um homem.

Vê manchas avermelhadas no caminho. Manchas. Em dois dias, já havia visto três, mas ele sabe que serão lavadas e os especialistas garantem que deixarão de existir. O que eles não sabem é que existem certas “manchas” que são permanentes e por mais que sejam apagadas da superfície, elas ficam na memória. Mas Carlos sabe que aquela da camisa deve ser tirada.
                                                    

E o básico?


Momento paixão – 18 de maio de 2015

Ah, como é iniciar um relacionamento. Dá aquele friozinho na barriga e a gente não vê a hora de estar nos braços da pessoa amada, não é mesmo?

Mas, o tempo vai passando…e pode acontecer de vocês passarem por umas crises, certo? Por mais difíceis que estas fases podem parecer, o importante é não esquecer do básico. É, do básico.

Como você costuma tratar as pessoas normalmente? Acredito que seja com respeito, certo? Respeito e educação. São duas coisas básicas que não devem ser eliminadas em nenhum tipo de relacionamento, principalmente o amoroso.

Muitas vezes, o simples respeito, evita as piores brigas quando estamos com raiva. Então, não esqueça do básico. Com ele, vocês vão longe.

Você cultiva o amor?


Momento paixão – 12 de maio de 2015

Podemos considerar que o amor é como se fosse uma flor. Pense na sua flor preferida. Pensou?

Eu vou usar a rosa como exemplo, por ser a flor mais usada pelos casais apaixonados.

A rosa é uma flor frágil. Mas, apesar de frágil, cuidar dela é relativamente simples. Ela precisa de um local apropriado e atenção. O mesmo nós podemos dizer a respeito de um casamento.

Como está o local de vocês? Está bem cuidado? Sendo regado ? A rosa, se não receber sol e água o suficiente, pode morrer. O mesmo com o casamento.

Existem diversos tipos e cores de rosa que você pode plantar, o mesmo acontece com os relacionamentos, por isso, não se preocupe se o seu é diferente do vizinho.

Para que as rosam crescem bonitas e vistosas, um bom jardineiro faz a poda. Para manter um relacionamento limpo e sadio, é necessário manutenção. Tirar aquilo que não está bom, ajeitar sentimentos, conversar com o seu amor e procurar se entender com certeza ajudará no relacionamento de vocês.

Cuidado com as pragas. É..isso mesmo que você ouviu. Preste bastante atenção para que seu plantio não seja infestado por pragas, porque podem destruir tudo o que você plantou. Não esqueça de regar a sua rosa e muito menos de regar o seu amor com carinho, amizade e companheirismo.

Jamais abandone o jardim do amor. Cultive, dê atenção todos os dias. Assim o amor de vocês será pra sempre florido.