Muitos anos de cursinho

O que fazer quando um ano de cursinho não foi suficiente para passar no vestibular? Conheça a história de três jovens que enfrentaram essa maratona mais de uma vez

Por Livia Di Bartolomeo

A disputa por uma vaga nas faculdades faz com que muitos estudantes entrem em cursinhos pré-vestibulares para ficarem mais preparados para as provas. Mas o que acontece quando estudar um ano a mais não é suficiente? Tem gente que não pensa duas vezes e faz dois, três, quarto e até cinco anos de cursinho para conseguir a vaga tão sonhada.

Thiago Aguiar, 23 anos, é um exemplo. Ele queria medicina, mas não passou em nenhuma prova quando se formou no ensino médio. E lá foi ele fazer um ano de cursinho. “Eu sabia que era difícil passar logo de cara, mas acreditava que um ano seria suficiente”, afirma. Infelizmente, ele não foi aprovado e teve que repetir a dose no ano seguinte e no outro também. “Foram três anos tentando, estudava muito, mas eu não passava”, lembra. Para Thiago esse período não foi um tempo perdido, pois foi essencial para que repensasse a sua escolha profissional. “Sempre quis ajudar as pessoas, por isso tinha escolhido medicina. Mas aí percebi que poderia ajudar os outros cursando direito”, diz. A decisão foi tomada logo após a terceira tentativa e como todos os vestibulares já tinham passado, Thiago teve que fazer mais cursinho mais uma vez para passar no novo curso. O esforço compensou: foi aprovado e hoje está no segundo ano de direito na PUC-SP e estagia em um escritório de advocacia.

Diferente de Thiago, Rodolfo Marano, 28 anos, se interessou por odontologia por causa do pai que é ortodontista. Para perseguir seu sonho, fez dois anos do mesmo cursinho para entrar na faculdade. Rodolfo lembra que a primeira vez que prestou para a USP foi no dia seguinte do show de uma banda que ele gostava muito. “Fui direto do show e não passei. Aí me matriculei no cursinho, fiz o primeiro ano na zueira e não passei de novo”, diz. Na segunda tentativa, Rodolfo estudou muito, ia para a aula de manhã e ficava no cursinho até às 20hs estudando. “Até então eu só tinha prestado USP, mas dessa vez eu prestei também a Unesp e Unicamp e passei em todas.” No meio de tantas opções,  escolheu a USP. “Foi por causa do reconhecimento e também porque eu moro em São Paulo”, justifica.

Bruna Freitas, 25 anos, fez três anos em diferentes cursinhos para entrar em medicina. Depois de muito esforço e estudo passou na Universidade Federal de Alfenas. A família acompanhou a estudante até Minas Gerais para fazer a matrícula, mas na hora de assinar, Bruna hesitou. “Olhei para o contrato e vi que não era medicina o que eu queria. Não assinei e fui embora”, conta. O caminho de volta para casa foi silencioso até que ela decidiu perguntar se o pai estava bravo. A resposta foi uma surpresa: “Meu pai disse que eu tinha que fazer aquilo que me deixasse feliz”, afirma. Ao chegar em casa, veio o momento de decidir o que faria da vida e ela escolheu naturologia. Hoje, Bruna está formada e até pensa em prestar medicina novamente.

A orientadora profissional Giselle Welter diz que fazer tanto tempo de cursinho não precisa ser algo traumático e acredita que este pode ser um período de reavaliação da opção. “Você tem que aprender a reconhecer seus limites e procurar entender por que não passou. Às vezes vale a pena buscar opções mais viáveis e acessíveis que permitem que você chegue ao sucesso sem comprometer a sua autoestima”, afirma.”Eu amadureci muito nesse tempo de cursinho e hoje tomo as minhas decisões com mais clareza”,  diz Thiago. “Se eu não tivesse passado, teria feito mais um ano de cursinho, com certeza”, diz Rodolfo. Thiago, Bruna e Rodolfo acreditam que se a pessoa está determinada, deve seguir em frente.

Publicado no site Ikwa em 24 de março de 2010

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