O que são as empresas juniores?

Já imaginou ser presidente de uma empresa antes de terminar a graduação? Conheça uma maneira de treinar para o mercado de trabalho

Por Livia Di Bartolomeo

Quem pensa que a universidade oferece somente a teoria para determinada carreira pode estar enganado. Algumas instituições têm à disposição dos alunos outro instrumento para entender como funciona o dia a dia da profissão na prática. São as chamadas empresas juniores (EJ). De acordo com a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), existem aproximadamente 600 empresas juniores distribuídas pelo país, com cerca de 22 mil universitários realizando mais de 2 mil projetos por ano.

Estas empresas não tem fins lucrativos e são geridas pelos próprios alunos, com o objetivo de aprimorar o conhecimento e o crescimento profissional a partir do atendimento e contato com clientes que sabem que o trabalho é realizado seriamente por um preço abaixo do mercado. Para entender melhor todo este conceito, o Ikwa foi até a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV), que oferece quatro modelos de empresas juniores para os alunos sentirem na pele o dia a dia da profissão. São elas: Empresa Júnior (EJ-FGV), para o curso de administração de empresas; a Júnior Pública, para administração pública; Consultoria Júnior de Economia (CJE), para os estudantes de economia, e o Escritório Modelo, para os futuros bacharéis de direito.

Fomos conhecer a EJ-FGV por ser a mais antiga. Esta empresa júnior já atendeu mais de 500 projetos para implantar e regulamentar micros e pequenas empresas, e atualmente conta com 50 membros, todos estudantes do 1º ao 5º semestre de administração de empresas. Os alunos se dividem entre os estudos e o trabalho durante os intervalos, na hora do almoço e, até mesmo, depois das aulas. Eles não têm remuneração e toda renda arrecadada com os cases é reinvestida na sede, que por sinal é bem decorada e conta com equipamentos de ponta para receber os clientes.

Apesar de cada um ter um cargo específico, o trabalho é todo realizado em equipe e os principais temas são discutidos e resolvidos por todos. De acordo com o presidente Alexandre Mello, 23 anos, as empresas juniores podem ser uma grande rede social. “Já fizemos algumas vezes viagens para comemorar os casos de sucesso e para discutir os novos projetos. Aqui também fazemos amigos e futuros colegas de trabalho”, afirma o estudante do 5º semestre.

Casos de sucesso não são encontrados somente na GV. A ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) apresenta em seu site o “Hall da Fama”, que lista nomes de alunos que participaram da empresa júnior e que hoje estão em grandes empresas. E, assim como nas duas universidades, para fazer parte de empresas juniores como a da PUC, FEA-USP, FAAP e  Trevisan, é necessário passar por um longo processo seletivo, que inclui entrevistas, dinâmicas de grupo e até resoluções de cases.

Para Alexandre, fazer parte da empresa júnior pode ser um caminho mais fácil para entrar no mercado de trabalho. “Não é garantia, mas vemos que muitos que passaram por aqui estão bem empregados”, como é o caso Rogério Chér, que hoje ocupa a presidência em uma importante multinacional. A maioria dos alunos reconhece a importância deste trabalho, o que faz aumentar a concorrência por uma vaga. Por exemplo, na última edição da ESPM Jr., havia 22 candidatos por vaga, mais concorrido que o curso de psicologia no vestibular da USP de Ribeirão Preto do ano passado. E aí, vai encarar?

Publicado no site Ikwa em 03/11/2009

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