Novo trailer de “Eclipse”: e a Summit volta com suas jogadas de marketing!


Poster 02 do filme "Eclipse"

Na sexta-feira foi transmitido no programa Oprah a segunda (e última?) versão do trailer de Eclipse, da Saga Crepúsculo. Até aí não é novidade já que o filme estreia dia 30 de junho. Mas o que mais me intrigou é a diferença da campanha de marketing da produtora Summit com o filme anterior, Lua Nova.Foram inúmeras as cenas liberadas no youtube e os diversos trailer meses antes da première. Confesso que até cansou um pouco e ao assistir o longa no cinema, quase não houve surpresas..tudo já estava na internet.

Por que será que houve mudança? Eu tenho um palpite. Nem toda sequência de um filme faz sucesso. Lógico que há exceções como a trilogia “O senhor dos anéis” , que foi filmada toda de uma vez e dividida só depois, Harry Potter que tem sete livros e o saldo final será de oito longas, “Piratas do Caribe” etc, mas há grandes fiascos como “Efeito Borboleta” e “Premonição”. Para mim seria esse o motivo da exaustiva campanha de Lua Nova: garantir a fidelidade dos fãs de Crepúsculo e atiçar novos seguidores que desejam uma mordida de Edward.

O resultado foi algo surreal. Enquanto “Crepúsculo” faturou US$ 250 milhões, “Lua Nova”passou de US$ 700 milhões. Agora que os fãs já estão enlouquecidos e aguardam ansiosos a estreia, os tabloides investem no “namoro”entre os protagonistas e atiçam para a polêmica da quarta adaptação. Será que “Amanhecer” será dividido como Harry Potter? Não sabemos ainda, por enquanto só acompanho o que vem sendo publico a respeito desta febre.

“Na continuação de “Lua Nova”, Bella Swan precisa enfrentar as consequências de ser amiga do lobisomem Jacob Black e namorada do vampiro Edward Cullen. Ao mesmo tempo, a moça se vê aterrorizada por uma misteriosa onda de assassinatos em Seattle e o fato de estar sendo perseguida por uma maligna vampira. Baseado no terceiro livro da série iniciada em “Crepúsculo”.” (fonte: cinema em cena)

A primeira coisa que apareceu foi um teaser de 10 segundos do trailer 10 segundos liberados do trailer:

Dias depois, saiu o trailer completo trailer 01

O que mais me chamou a atenção, foi uma fã (medo dela) ter filmado a sua reação quando o primeiro trailer de “Eclipse” caiu na rede. Fã enlouquecida:

Pouco tempo depois, uma cena é liberada:

E na sexta-feira, o novo trailer Trailer 02:

Pra quem ainda não viu, o dvd de “Lua Nova” traz os bastidores de “Eclipse”:

Confesso que fiquei mais encantada com o primeiro trailer por causa da música e da fotografia. O segundo já entrega muito coisa, perde um pouco da surpresa. Mas a questão que fica é: será que este foi o último trailer antes da estreia? Posso estar enganada…quem sabe quando se aproximar da data não aconteça outro bombardeio?? Eclipse ocorre raramente, mas a publicidade…. Temos que aguardar só.

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Programa “Traduções”


Caio Poltronieri e Mayara Picoli na locução do Programa Traduções

Durante o mês de março meu grupo na Cásper Líbero deu de cara com o desafio de criar um programa musical que fosse transmitido ao vivo. Fomos responsáveis por tudo: desde a criação da ideia do programa, produção, trilha, direção até a locução. Tudo isso aos olhos da sala inteira e da professora, claro.

As regras eram claras: tínhamos que falar sobre música e tocar algumas, mas  com um roteiro diferente. Lá se foi o grupo ouvir diversas rádios para ver o que já é feito e se era possível ao menos melhorar alguma ideia, uma vez que é quase impossível criar algo do zero sem referências. O programa “Traduções” surgiu do nada. Tudo porque encontrei sem querer no youtube um vídeo bizarro.

Eu achava que era brega traduzir a música estrangeira para o português, só que esse cara conseguiu piorar rs…
Enfim, foi vendo esse cidadão que veio o insight de fazer um programa que falasse de versões de músicas brasileiras em outras línguas. O grupo aceitou e logo de cara escolhemos falar sobre “Garota de Ipanema”, já que conhecíamos a versão francesa e inglesa.

E foi assim. Preparamos o texto, fiquei responsável pela produção e trilha, a Bruna Marques pela direção e o Caio e a Mayara soltaram a voz na locução.  Na realidade, toda a produção foi feita em conjunto, só na hora do programa que segmentou mesmo.
Então, quem quiser conferir, basta clicar aqui. Está hospedado no uol mais.

Ao fundo, Livia e Bruna na produção e direção

Curiosidades
Vozes das vinhetas: Livia Di Bartolomeo e Bruna Marques
Rádio Ramos – nome veio do sobrenome do Caio Ramos Poltronieri. Faltou ideia para o nome da rádio, foi o dele mesmo hehe
Músicas: grande ajuda de Camila Fink para encontrar as bg

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)