TCC: e nasce um filho


Hoje, dia 02 de novembro de 2012 ficará marcado para a minha história. Para você pode ser apenas um feriado, para outros a lembrança dos que já se foram, mas para mim um nascimento. Estou com a minha monografia impressa aqui na minha frente.

Para quem não sabe estou finalizando o 4º ano do curso de rádio e TV na faculdade Cásper Líbero. Ok, pode parecer algo simples e comum, mas não para quem teve este curso como a sua segunda graduação. Ahan, isso aí. Eu tive a coragem de encarar duas faculdades seguidas: mal saí de jornalismo e já entrei em rádio e TV. Se fizer as contas direitinho, hoje eu tenho 25 anos e estudo há pelo menos 20 anos ininterruptos.  É um bocado de tempo, não é mesmo?

Mas terminar este TCC significa pra mim muito mais que encerrar mais uma faculdade. Estudar na Cásper Líbero sempre foi um sonho meu. Este sonho iniciou aos 14 anos quando decidi que queria fazer comunicação, na época jornalismo, e o meu tio Ricardo me falou que a faculdade mais conceituada era a Cásper Líbero. Quando entrei para o colégio Lumière, isso em janeiro de 2002 ouvi de um outro professor, o Márcio que dava aula de química, que a Cásper, além da USP, claro, tinha que ser o meu alvo. Pois bem. Chegou a época de prestar os vestibular e fui nas três maiores: USP, Cásper Líbero e PUC.

Porém, com 17 anos eu só passei na PUC. E ainda na sétima lista de chamada. Imaginem a minha tristeza. Mas tudo bem, eu tentaria fazer a transferência no final daquele ano. Eu tentei. E não passei. Tentei mais uma vez e não passei. A primeira vez que entrei na Cásper foi para fazer cursos extracurriculares de locução. A sensação ao entrar lá era que eu pertencia ali. Mesmo sendo um prédio cinza, sem janelas, algo me dizia que eu deveria estar ali.

Pois bem. Por 4 anos, foi apenas por cursos extras que entrei ali. Quando estava no terceiro ano de jornalismo na PUC comecei a perceber que o curso não estava me dando aquilo que eu mais queria. Eu queria mexer com câmera, com edição, entender como funciona um microfone, com iluminação e tudo mais. Foi aí que descobri o curso de rádio e tv. Todos os trabalhos de jornalismo que dava para fazer em vídeo, eu fazia. Fiquei pensando por um ano até que chegou o TCC de jornalismo e fui fazer um documentário sozinha. Senti grandes dificuldades na parte técnica e estava frustrada por simplesmente não saber como certas coisas funcionavam. Foi quando abriram as inscrições para o vestibular da Cásper Líbero. E a vontade de continuar os estudos gritava dentro de mim.

Eu já namorava o Thiago e ele estava na luta para entrar na faculdade. Naquela época ele queria medicina, mas algo dentro dele chamava-o para o curso de Direito. Eu me formei desempregada, quase sem sorte nos estágios que fiz. Queria trabalhar numa grande emissora, mas meus 4 anos ficaram em assessoria de imprensa. Tudo estava acontecendo para eu encarar outra faculdade. Conversei com os meus pais, perguntando da possibilidade financeira de iniciar outra faculdade, mas não era outra qualquer, eu queria estudar na Cásper. Como sempre, eles me apoiaram.

E foi aí que fiz a inscrição. Mas fiz a inscrição no último dia, a poucos dias da prova. Fiz apenas para a Cásper, porque se não fosse lá, eu não queria. Fui para a prova de vestibular sem estudar nada das matérias do colegial. Apenas li os livros e vi os filmes que eles indicavam. Dias mais tarde o resultado saiu. E eu passei em 7º lugar, na primeira lista.

Foi muita emoção. Eu liguei para o meu pai chorando sem acreditar que eu finalmente iria estudar lá. Claro que perguntei de novo se ele poderia pagar e ele disse que sim. Fui fazer a matrícula com a felicidade transbordando dentro de mim.  Dá até para ver na foto da carteirinha, né? Explico: o fotógrafo leu o que estava escrito na minha camiseta, mas eu estava com sorriso solto e achei que era para sorrir. E a foto saiu assim rs.

Quando as aulas começaram eu sabia que era 4 anos mais velha que a maioria da turma. Em alguns momentos isso atrapalhava porque eu estava levando tudo muito a sério e eles, ainda saindo da escola e curtindo a vida.  O primeiro ano foi bem teórico e tinha aula aos sábados. Ao contrário do PUC, janelas na grade não existiam. Eu estava aproveitando tudo ao máximo, virei nerd completamente. Lia todos os textos, fazia todos os trabalhos com antecedência e tinha notas como nunca tive em toda a minha vida escolar.  Mas calma lá, a faculdade tem sim os seus problemas, mas eu gosto mesmo assim. No segundo ano fomos tendo aulas mais práticas e finalmente eu entrei numa grande emissora que estou ainda e hoje e espero continuar por muitos e muitos anos.

Jamais pensaria que trabalharia com rádio, mas foi onde a oportunidade surgiu e tenho que confessar que me apaixonei pelo lugar logo de cara. Além de nerd, passei a ser sistemática. Mas tudo porque eu estava amando tudo o que estava acontecendo. Não via nada daquilo como obrigação, eu me divertia nas duas coisas. Fazer as coisas de qualquer jeito não é comigo não. Se é pra fazer, faço com paixão e vontade.

Quando chegou no terceiro ano, tivemos um projeto chamado interdisciplinar que consistia em fazer um curta-metragem. O trabalho foi em grupo. E foi aqui que percebi que não queria fazer um filme como projeto final do curso. Conheci alguns professores que eu admiro muito e a vontade de, quem sabe, ministrar aulas um dia, cresceu dentro de mim. Escolhi que faria monografia para ir treinando para a futura pós-graduação. Outro motivo desta escolha é que seria a primeira vez na vida que faria um trabalho tão importante sozinha. Tudo dependeria apenas de mim e, por isso, aceitei o desafio.

Meu orientador foi um dos grandes – se não o melhor – professores que tive ali. As reuniões foram bem diferentes das que tive em jornalismo e nele vi um apoio que eu não esperava. (sim a minha experiência anterior foi meio traumática rs). A cobrança veio nas suas medidas corretas e aprendi muito durante todo o processo.
Sei que este post está gigante, mas ele reflete parte do que estou sentindo nesse momento ao ver o TCC impresso aqui.  Estou simplesmente emocionada. Realizei dois grandes sonhos.

Agradecimentos especiais aos meus pais Hilda e Eduardo, ao noivo que sempre esteve ao meu lado, Thiago, ao orientador Luis Mauro e à Camila Fink, que me apresentou ao mundo do Hitchcok no segundo ano de jornalismo e que revisou o meu texto com o maior carinho. E a todos que de alguma forma participaram de tudo isso.

Agora, resta esperar a banca de TCC no dia 6 de dezembro de 2012, às 20h. Exatos 4 anos depois que defendi o meu documentário e recebi um dez com louvor. Não estou tão preocupada com a nota porque a realização que estou sentindo, só as lágrimas de felicidade conseguem exprimir. 

PS: A banca é livre, quem quiser ir, basta me enviar um e-mail com nome completo e RG.

 

Semana Hitchcock – Parte final


Planos dentro da banheira

1.       Plano fechado – Marion de ombros para cima e de frente para a câmera se ensaboando. Ela liga o chuveiro e a água começa a cair.

2.       Plano detalhe do chuveiro derrubando água

3.       Plano fechado – mesmo enquadramento de Marion no primeiro item, ela se enxaguando.

4.       Plano fechado na lateral de Marion com o chuveiro à esquerda da tela e ela à direita. A personagem se ensaboa e se molha.

5.       Plano detalhe do mesmo enquadramento anterior, mais próximo da personagem.  Ela esta na diagonal da câmera e continua a se ensaboar.

6.       Plano fechado da lateral do chuveiro – vemos a água caindo.

7.       Contra-plano fechado, vemos Marion recebendo a água de olhos fechados.

8.       Plano fechado com Marion em primeiro plano se enxaguando e em destaque a cortina atrás dela ocupa a maior parte do enquadramento.  Há um leve contra luz que rebate na cabeça de Marion vindo por trás da cortina que marca a silhueta da atriz e a destaca do fundo.  Conforme a sombra do assassino se aproxima, o mesmo ocorre com a câmera dando a impressão de que somos impulsionados para a tela para entender o que está chegando.  O quadro fecha com o rosto de Marion no canto inferior direito da tela.  A sombra na cortina ocupa a maior parte do enquadramento e está na centralizada um pouco mais para a esquerda.  Marion é retirada do plano e a câmera se aproxima mais da cortina. A partir daqui vemos a silhueta perfeita de uma pessoa da cabeça até a barriga. A personagem se aproxima, levanta a mão direita e abre a cortina.  Quando a cortina é aberta, vemos só a silhueta do assassino causada pela contraluz e falta da key light. O assassino segura uma faca com a mão direita. No exato momento em que esse estranho, que está com uma faca na mão, abre a cortina rapidamente, a música volta. Não é mais aquela sensação que tínhamos anteriormente. Os violinos utilizados na música marcam exatamente as facadas que o assassino está dando na personagem. Além disso, os gritos aumentam o terror. Segundo Brener, Herrman causa isso por causa do ostinato, repetição constante de um motivo (melódico, harmônico ou rítmico), figura definida ritmicamente, repetitiva, persistente em geral no mesmo registro e na mesma intensidade. Esta repetição causa a tensão e ela aparece na música casada com as facadas do assassino.

9.       Plano fechado – Marion de ombros para cima vira assustada e nota a presença de seu assassino.

10.   Plano detalhe de seu rosto à direita da tela assustado e gritando.

11.   Plano super detalhe da boca de Marion gritando.

12.   Plano fechado contra-plongée do assassino na diagonal com a menção de esfaquear. Em primeiro plano, vemos a água do chuveiro. Não conseguimos ver o rosto do assassino nem as características da roupa e feições por causa da contra luz.

13.   Contra plano plongée – Marion, de ombros para cima e um leve teto recebe a primeira facada. A luz vem da direita para a esquerda, no mesmo sentido da facada.

14.   Plano fechado normal – assassino com contra luz acentuado preparando mais uma facada.

15.   Plano fechado plongée – aparece parte do assassino tentando dar outra facada, a cortina da banheira. É um dos planos mais curtos que só é percebido se prestado bem atenção.

16.   Plano fechado plongée visto de cima – O braço do assassino invade a banheira e parte do corpo também aparece, mas ele fica de costas para a câmera.  Marion está nua, mas por causa da água do chuveiro, cortina e da rapidez da cena nada é mostrado.  Nem mesmo o rosto de Marion, uma vez que ela esconde ao mesmo tempo em que tenta se defender da facada.

17.   Plano super detalhe do rosto dela gritando sem a preocupação de seguir o movimento dela. A câmera fica estática e Marion até sai e volta de quadro.

18.   Plano fechado plongée – Marion à direita da tela e a mão do assassino invade o enquadramento tentando esfaqueá-la. Ela tenta se proteger.  A luz deixa as formas ressaltadas.

19.   Plano detalhe do rosto de Marion gritando, com ênfase do nariz ao queixo da personagem.

20.   Volta para o plano 18, mas Marion está mais afastada e vemos a faca em primeiro plano tentando acertar a personagem e seu corpo está meio desfocado.

21.   Plano fechado do assassino visto de frente em segundo plano. Em primeiro plano está a chuva que ajuda a contra luz a manter o clima de suspense sobre a identidade do personagem.  A luz atrás aumenta a profundidade de campo, destacando o personagem do fundo.  Ele tenta outra facada.

22.   Plano fechado do rosto de Marion atrás da água caindo tentando escapar da facada.  Ela até sai do enquadramento.

23.   Plano detalhe do assassino se aproximando da tela como se aproxima da vítima.

24.   Plano super detalhe do pescoço de Marion tentando se esquivar de outra facada.

25.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.

26.   Plano super detalhe desfocado do rosto de Marion e sua mão tentando escapar de outra facada.

27.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.

28.   Plano super detalhe desfocado do rosto de Marion e sua mão tentando escapar de outra facada.

29.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.  A facada é dada de frente e atravessa o chuveiro vindo direito ao telespectador.

30.   Plano fechado da barriga de Marion recebendo outra facada.

31.   Plano super detalhe do rosto de Marion tentando escapar de outra facada. Ela está no canto direito e sai de enquadramento.

32.   Plano fechado contra plongée do teto para destacar a facada do assassino que vem da direita para a esquerda da tela.

33.   Plano fechado das costas de Marion à esquerda da tela recebendo a facada pela direita da tela.  A personagem está em primeiro plano e o braço do assassino em segundo plano.  A contra luz está mais forte que a key light.

34.   Plano fechado do rosto de Marion mais para esquerda do quadro gritando e tentando espantar a facada de si.

35.   Plano detalhe plongée das pernas de Marion, dos joelhos para baixo com parte do chão da banheira mostrado para sinalizar o sangue escorrendo junto com a água.

36.   Plano super detalhe de Marion gritando e virando o rosto tentando se defender.

37.   O plano anterior recebe um corte e é aberto, mostrando Marion com o corpo virado para frente e o rosto para trás. A iluminação vem da direita para esquerda e a imagem quase não tem destaque do fundo, como se ela tivesse se desintegrando na parede.  Ela vira de costas e recebe outra facada.

38.   Plano detalhe plongée das pernas de Marion, das coxas para baixo, sem mostrar os pés, sinalizando a agitação da personagem.

39.   Plano super detalhe da parede e a mão de Marion aparece no centro da tela desfocado. E logo sai.

40.   Plano fechado, Marion aparece de costas do pescoço à cabeça, levantando a mão como se tivesse se rendido.

A música combina muito bem com os gritos de Marion e os cortes de câmera que Hitchcock utilizou no momento do assassinato. Isso acontece em 24 segundos, então a música muda de tom, passando para algo mais desesperador, que nos causa dó e ao mesmo tempo agonia, não sabemos o que irá acontecer com a personagem agora. Ficamos imaginando se ela irá morrer, se ela irá sobreviver e ficar sofrendo ainda mais, se alguém irá chegar ou até mesmo se alguém irá chegar para socorrê-la.

41.   Plano americano contra-plongée com a água do chuveiro em primeiro plano e o assassino sai pela porta que está no meio do enquadramento.  A fill light aparece em equilíbrio com a key e a contra luz o que permite notar a figura de uma mulher de roupão e cabelos presos como autora do assassinato de Marion.

42.   Plano super detalhe da mão de Marion na parede escorregando como escorre a água do chuveiro. A mão vai saindo de quadro.

43.   Plano fechado de Marion de costas para a câmera olhando para a sua mão e ela vai escorregando para o chão conforme a água vai caindo. A iluminação ressalta que seu rosto está se difundindo com a parede, quase morrendo. Ela vira para frente da câmera e a vemos no canto direito, escorregando. A câmera acompanha o movimento. Seu rosto está disfarçado pela água que continua em primeiro plano.  Ela tenta esticar a mão como um sinal de ajuda e a câmera vai se afastando dela. Marion não morreu ainda, está sofrendo com os ferimentos e caindo na banheira, se retorcendo, enquanto a música nos causa a mesma sensação

44.   Plano detalhe de sua mão puxando a cortina da banheira.

45.   Plano aberto visto de cima da banheira, Marion puxa a cortina. Sua nudez é disfarçada pela constante queda da água.

46.   Plano detalhe do carrilho da cortina da banheira. Marion puxa a cortina que arrebenta. Vemos só os ganchos enquanto ela arranca.

47.   Plano detalhe do chão, a parte da frente do corpo de Marion aparece junto com a cortina. Ela cai no chão. Vemos seu cotovelo e parte da cabeça. O restante do corpo está coberto pela cortina. Enquanto isso a música vai abaixando e no exato momento em que a personagem cai morta e música para e só conseguimos ouvir o barulho da água caindo do chuveiro.

48.   Plano detalhe do chuveiro derrubando água. O silêncio é preenchido pelo barulho da água.

49.   Plano detalhe das pernas de Marion e a água escorrendo. A câmera movimenta conforme o sangue vai escoando e segue até o ralo. A câmera se aproxima do ralo e o preenche em todo o enquadramento.

50.   Primeira fusão da cena do ralo para plano detalhe do olho da personagem caída no chão. A câmera faz um movimento circular e vai se afastando do olho da personagem até mostrar seu rosto por completo e parte do chão.

51.   Plano fechado do chuveiro visto da lateral ainda ligado.

52.   Plano fechado dela deitada no chão. A câmera faz um pan para a direita indo até a porta.  Entra no quarto, passa pela cama e focaliza o jornal em cima do criado-mudo. Detalhes mostrados que mais tarde será um mistério a ser revelado pelos personagens.

A cena analisada nesse artigo, tal como o diretor do filme Psicose, Alfred Hitchcock, foi considerada um marco na história do cinema. Ele inaugurou um gênero que até hoje é copiado por muitos cineastas. Depois dos filmes dele apareceram outros utilizados sempre suas técnicas de construção do suspense. Por isso sua carreira e seus filmes podem ser considerados geniais e indispensáveis nos estudos cinematográficos.

O filme e a cena analisada são uns dos melhores que o cinema já teve, porque fizeram história. E até mesmo a trilha sonora é lembrada e utilizada até hoje quando se pretende dar a ideia de suspense ou causar um medo maior, chegando ao terror.  Em entrevista a Truffaut, Hitchcock fiz que acreditasse que o sucesso do filme se deu porque as pessoas são voyeurs por natureza, por isso ele gostava de brincar com enquadramentos, iluminação e a trilha para direcionar ou enganar o telespectador na medida em que ele queria. São poucos os diretores que hoje conseguem alcançar isso. Eis o legado de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense.
Bibliografia

ARAÚJO, Inácio. Alfred Hitchcock: o mestre do medo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984

BRENER, Rosinha Ida Spiewak. A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock. Doutorado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2001 (PUC-SP)

TRUFFAUT, François. Hitchcock, Truffaut entrevistas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988

Leia a parte 3
Leia a parte 2
Leia a parte 1

Semana Hitchcock – Parte 3


A cena mais famosa do filme é chamada de cena do chuveiro. Ela tem apenas 45 segundos e 71 posições de câmera. Mas o suspense inicia alguns momentos antes, totalizando quase 4 minutos de tensão ao espectador.

A trilha é assinada por Bernard Herrman, compositor musical que teve uma parceria com Alfred Hitchcock de 1955 a 1966. A parceria foi importante uma vez que, nas palavras do diretor, a música de Herrman foi perfeita uma vez que ela teve a força para intensificar o suspense da cena. (A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock).

Inicia com a personagem Marion sentada em uma cadeira em frente a uma escrivaninha. A trilha dá a impressão de que ela está fazendo algo de errado. Ela está tensa e não sabe muito bem o que fazer com aquele dinheiro.

A música causa certa inquietação, pois conseguimos imaginar como ela está se sentindo perdida e desorientada com a atitude que tomou. Vemos a personagem em plano médio com a iluminação lateral, causando uma pequena sombra da cabeça da personagem na cortina.

Logo em seguida, há um corte para plano detalhe dela anotando umas contas em um caderno Abaixo deste caderno, há uma folha de balancete de banco.

O plano volta a ser médio e a personagem rasga o papel. Levanta de sua mesa e em plano-sequência, ela caminha até o banheiro. Há um corte para a entrada do banheiro e em plano geral a personagem está de pé.

Corta para plano detalhe enquanto ela joga o papel na privada. A tensão da trilha aumenta quando a música para e ouvimos só o barulho dela se preparando para o banho.

Em plano fechado, vemos a partir de seus ombros, a vemosela dando descarga e fechando a porta do banheiro. Ela tira o robe em dois planos, ombros para cima e joelhos para baixo em um clima mais erótico.

Ela entra na banheira em pé e fecha a cortina. A partir daqui o plano é mais aberto e vemos sua sombra enquanto toma banho.  Enquanto isso só conseguimos ouvir os sons dos objetos de cena.

Nesse caso o silêncio na cena nos causa o suspense, dando um realce nas trilhas utilizadas antes e depois. Ficamos tentando imaginar o que virá a seguir e então quando vemos algo se aproximar da cortina do chuveiro que está fechada, ficamos ainda mais tensos. Dentro da banheira, conseguimos contar apenas 58 cortes.

Leia a parte 02
Leia a parte 01

Amanhã tem mais

Semana Hitchock – Parte 2


O filme Psicose longa foi lançado em 1960 e não foi um filme caro nas palavras do diretor. Dirigido e produzido por Alfred Hitchcock, foi criticado por não ter o roteiro como destaque, mas sim por ressaltar elementos que antes serviam como base para o cinema: montagem, iluminação e trilha sonora.

Psicose conta a história de Marion, uma mulher que podia ser considerada moderna quando comparada a mulheres que viviam na mesma época. Tinha relações frequentemente com um homem sem que fossem casados e trabalhava em uma imobiliária, quando um dia seu chefe pede a ela que deposite uma quantia alta de dinheiro no banco, mas Marion não o fez. Pegou alguns pertences e resolveu fugir.

No meio do caminho troca seu carro, talvez para não acharem ela tão facilmente. Chegando em um motel de beira de estrada, que ninguém ia há muito tempo, ela resolve se hospedar por uma noite. Encontra então Normam Bates, responsável pelo local. Os dois conversam bastante, tomam lanche juntos até o momento no qual ela se acomoda em um dos quartos.

Bates a espia por um buraquinho que dava da parede de seu escritório para o quarto em que ela estava. O dono do motel apresentava comportamento estranho, pois era dominado por sua mãe idosa, a misteriosa personagem que não aparece claramente até o final do filme.

Em seu quarto, Marion faz algumas contas com o dinheiro que tinha roubado e resolve tomar um banho. Tudo parece calmo até que alguém inesperadamente, que não conseguimos ver o rosto, entra no banheiro com uma faca e esfaqueia a loira até a morte. Esse é o grande mistério de todo o filme para os outros personagens envolvidos, o grande choque que o diretor conseguiu trazer a todos os espectadores.

No prefácio do livro “Hitchcock Truffaut, entrevistas”, Ismail Xavier destaca que o suspense do diretor é diferente do suspenses comuns, pois é psicológico, “apoiado na pura dimensão do olhar, quando o que parece ser uma configuração de rotina, a paisagem, a rua ou a casa de todo dia, de repente se revela uma anomalia, uma mancha, um ponto de incongruência que atiça a percepção e aguça as expectativas, suscita indagações” (p. 17) isto é claramente visto em Psicose, uma vez que Hitchcock desvia a atenção do espectador para saber se a moça será pega ou não e o assassinato dela é inesperado.

Ele causa isso com a demora das cenas iniciais e por frisar a importância dos 40 mil dólares e no final, o dinheiro é jogado junto com a moça e o carro no pântano. Ou seja, todos os detalhes mostrados no início despreparam o telespectador daquilo que está por vir. “Foi de propósito que matei a estrela, pois assim o crime era mais inesperado ainda”, diz o cineasta no mesmo livro durante a entrevista a Truffaut (pag. 275).

François Truffaut aponta que em Psicose, Hitchcock utilizou elementos de terror que normalmente não aparecem em seus filmes como a mansão velha, ambiente misterioso. Em contrapartida, Hitchcock justifica que este é um estilo gótico da Califórnia e como o filme se passa em Phoenix, essas características já estão presentes na cidade, mesmo se fosse uma comédia.

“Não iniciei o meu trabalho tencionando a reproduzir a atmosfera de um velho filme de terror da Universal, queria apenas ser autêntico. Ora não há a menor dúvida, a casa é uma reprodução fiel de uma casa verdadeira, e o motel também é uma cópia exata” responde o diretor na mesma entrevista. ( pg. 274).

Assim, é a forma como a mise-en-scene, posições de câmera, gestos e olhares dos personagens que irá revelar o fluxo subterrâneo de interesses e emoções, o que está além do que se expõe nos diálogos, explica Ismail Xavier.

Este estudioso diz que o cinema puro se dá quando a lógica das imagens e sons diz mais sobre a verdade dos comportamentos do que a superfície do enredo. “Em Psicose, o que me importa é a montagem dos fragmentos de filme, a fotografia, a trilha, sonora e tudo o que e puramente técnico. (…)Para mim é apaixonante utilizar a câmera a fim de desorientar o público”, aponta Alfred Hitchock ao falar sobre o filme com François Truffaut.

Veja parte 1

Amanhã tem a parte 03

Semana Hitchock


Mais uma vez realizei um trabalho com a Bruna Marques para a faculdade. Desta vez nos aventuramos em analisar a cena do chuveiro em Psicose, de Alfred Hitchock. Como o texto ficou gigante, decidi publicar aos poucos durante essa semana.

Vamos para a primeira parte?

O suspense no chuveiro de Hitchcok – parte 001

O objetivo deste artigo é observar como a cena do chuveiro em Psicose (Pshyco, 1960), do cineasta Alfred Hitchcock pode ser uma representação do modo como este cineasta cria o clima de suspense a partir da junção da montagem de cenas, iluminação e também trilha sonora.

Para realizar este trabalho, ousamos em analisar a cena a partir dos nossos conhecimentos sobre o diretor, filme, contexto histórico com base nos seguintes livros: “Alfred Hitchcock: o mestre do medo”, por Inácio Araújo, “Hitchcock Truffaut – Entrevistas, de François Truffaut e o doutorado de comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) realizado em 2001 por Rosinha Ida Spiewak Brener intitulado “A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock”.

Sem contar o estudo e às referências dadas pelo professor Marco Vale durante o primeiro ano da faculdade de Rádio e TV na Cásper Líbero sob a disciplina Elementos da linguagem audiovisual (cinema) no ano de 2009.

Nascido em 1899 em Londres, Alfred Hitchcock ficou conhecido como “o mestre do medo”. Seu primeiro filme foi “The pleasure Garden” (1926), que tinha influências de Murnau, como por exemplo, a falsa perspectiva, algo que utilizou em muitos outros trabalhos ao longo de sua carreira.

Mas foi com “The Lodger”, que começou a firmar seu estilo como cineasta, o suspense, “(…) o primeiro filme de suspense, a invenção deste que é o único gênero essencialmente cinematográfico, e o início do que seria na verdade o seu estilo de filmar.” (ARAÚJO, Inácio, 1982, p.20).

Todos os recursos cinematográficos que utilizava em seus filmes tinham algum propósito. “(…) podemos ver que cada deslocamento de câmera, cada detalhe à primeira vista pode parecer insignificante, na verdade são o que realmente faz a respiração da obra” (idem, p.23).

Foi então a partir de 1956 que Hitchcock já contava com uma equipe fixa, entre essas pessoas estava a música Bernard Herrmann, que compôs as trilhas de três principais filmes da carreira do diretor: “Um corpo que cai” (1958), “Intriga Internacional” (1959) e “Psicose” (1960), um de seus filmes de maior sucesso.

Em Psicose, os movimentos de câmera, iluminação, enquadramentos e o que ficou mais conhecido no filme, a trilha sonora de Bernard Herrmann, são essenciais na construção do suspense.

“Se a introdução do som não era uma questão vital para o gênero, pelo menos só servia para enriquecê-lo: á música, a voz, os ruídos, os silêncios constituindo elementos tão importantes quanto a imagem” (ibidem, p. 35-36).

 

Amanhã tem mais =)

Dogville e a influência de Brecht


Mais um vez trago um trabalho que fiz com a Bruna Marques e Mayara Picoli para a Cásper Líbero. Desta vez, tínhamos que encontrar algum filme que apresentasse características do dramaturgo Bertolt Brecht e analisar como apareciam no cinema. Pois bem, escolhemos Dogville (2003), dirigido por Lars Von Trier.

Já vale lembrar que se você não gosta de spoilers,  pare de ler agora.

Antes de começar, confira o trailer do filme.

Quando o cinema nasceu com os irmãos Lumière, acreditava-se que ele servia pura e simplesmente para retratar a realidade. Com os planos gerais e câmeras fixas, víamos toda a ação acontecendo diante de nós como se fôssemos a quarta parede de uma sala, justamente como acontecia com o teatro clássico. Não demorou muito para que o cinema conseguisse a sua própria linguagem e inovasse com o passar do tempo.

O modelo clássico é o mais seguido e referenciado, assim como aconteceu no teatro. Cenários exuberantes, atores famosos e trilhas encantadoras nos fazem mergulhar de tal forma na tela que nem percebemos que tudo não passa de uma montagem de imagens que, unidas, fazem algum sentido. Às vezes até esquecemos dos planos e enquadramentos e nos vemos ali no meio da história.

Como Alfred Hitchcock já disse inúmeras vezes, o ser humano é voyeur e é isto que garante que as pessoas fiquem horas diante de uma tela sendo enfeitiçados pela história.  De certa forma, este encantamento também apareceu no teatro clássico. Mesmo com a distância da poltrona ao palco, somos engolidos pela fantasia de tal forma que pertencemos a ela.

O que vemos ali, no palco ou na tela, não chega a ser um retrato da realidade, como os criadores do cinema acreditavam, mas mesmo assim tendemos a acreditar que aquilo é real.

Entretanto, existiu um escritor e dramaturgo alemão que decidiu quebrar este paradigma de representação da realidade e nos lembrar constantatemente de que o que estamos vendo é uma peça de teatro: Bertolt Brecht. Para ilustrar as suas ideias, escolhemos o filme Dogville (2003), dirigido por Lars von Trier.

A maneira utilizada para filmar Dogville é o aspecto mais característico de Brecht. O filme foi rodado em um estúdio fechado e sem cenário, apenas com riscos desenhados no chão representando as casas e ruas do vilarejo. Até o cachorro é um desenho no chão, bem como a referência à cadeira de descanso e os arbustos, uma clara referência também ao cachimbo de Magritte.Isso já questiona se o que vemos é de fato a realidade ou uma representação dela.

No cinema e no teatro, isso nos faz lembrar que estamos assistindo a uma peça/filme e não que estamos vendo a história real.

Os atores circulam sobre a planta da cidade e atuam como se houvesse objetos invisíveis aos nossos olhos, sem paredes e portas, apenas com alguns móveis. É como uma criança que brinca de faz de conta e desenha uma casa no chão e passa a atuar nela como se fosse real.

A sonoplastia ajuda nossa imaginação quando a porta realmente faz barulho ao ser aberta pelos personagens.

Esta estética usada no filme mantém o espectador sempre ciente de que é uma representação da realidade. Todo filme foi gravado em um galpão da Suécia, o que remete ao teatro caixa preta de Brecht enquanto que a atuação dos atores com os objetos imaginários remete ao teatro do absurdo do dramaturgo.

Dogville é um pequeno vilarejo isolado no alto das montanhas e de difícil acesso. A história mostra a rotina sossegada dos poucos habitantes do lugar, cada um com suas manias e conformismo. Thomas Edson Jr. é o único personagem que não se conforma com a situação pacata das pessoas e promove reuniões moralistas para comunidade refletir sobre suas ações, com o intuito de promover o bem no mundo.

O nome Dogville significa vila do cão, mas em um sentido mais subjetivo, diz que os habitantes desta vila agem como cães por instinto uma vez que o contexto da Grande Depressão trouxe miséria a algumas cidades. Brecht ressaltava que as causas podem levar às consequências diferentes porque o ser humano é capaz de fazer escolhas, vê-se isso em Dogville pela submissão de Grace e depois pela vingança.

Baseada no distanciamento entre público e personagem proposto por Brecht, o filme trabalha a história como um componente para reflexão e didática, apresentando um caráter não-ilusório e colocando os espectadores fora de ação para interromper identificações.

As ações acontecem frente às câmeras e, simultaneamente, as outras casas e personagens são exibidas ao fundo, provocando estranheza para quem assiste, mas é a melhor maneira de interromper a ilusão e trazer reflexão, pois acentua momentos dramáticos.

A narração em “off” acentua ainda mais que se trata de uma história sendo contada ao público, assim com a divisão em capítulos, que se assemelha ao teatro e à história, ou seja, é  o narrador quem controla e da voz aos personagens. Brecht tinha um narrador que interrompia a ação e Von Trier também faz isso, comandando às vezes até a fala do personagem.

A principal característica encontrada no filme é a descontinuidade. Fica bem aparente como o diretor faz isso, pois coloca um letreiro informando o número do capítulo e o que irá acontecer, algo que é comum ao teatro Brechtiano. Enquanto muitos buscavam fazer as pessoas se sentirem no filme, Brecht fazia de tudo para que isso não acontecesse em suas peças.

No filme, apesar de seguir uma ordem cronológica dos fatos a divisão dos capítulos causa uma quebra, fazendo com que nos lembramos de que estamos assistindo a um filme. Nos momentos em que começamos a nos acostumar e ficamos compenetrados, os letreiros aparecem fazendo-nos lembrar de que aquilo não é real, é apenas uma história.

Por mais que os cenários não sejam comuns, chega a certo ponto no filme em que nos esquecemos disso, o cenário fica algo insignificante e nos tornamos atraídos pela narrativa. Quando aparece o número do capítulo, nossa concentração acaba por um momento e voltamos à realidade.

Devido a sua experiência de vida, Brecht adquiriu uma posição de luta pelos oprimidos, retratava de forma cênica as diferenças entre classes sociais e a injustiça do mundo. Podemos identificar essa estética na obra “O círculo de giz caucasiano”, onde a protagonista Grucha luta por Miguel, o menino de sangue real abandonado, o qual ela salvou da guerra e adotou com filho.

Nesta peça, Brecht representa as diferenças entre ricos e pobres e o caráter social deles. Ele sempre abordou temas que pudessem ser reconhecidos pelos espectadores e que trouxessem subjetividade.

Já notamos semelhanças entre o livro e o filme. A primeira referência se dá que o primeiro trata da situação das pessoas durante a Revolução Russa e o segundo da Grande Depressão. De certa forma, Von Trier e Brecht abordam a reação das pessoas simples diante de eventos de grande magnitude nos quais eles só fazem parte do cenário e não possuem voz ativa.

Em relação às personagens, há certa semelhança entre a personagem Grucha do livro “O círculo de giz caucasiano de Brecht” e Grace do filme “Dogville”. As duas estão durante toda a história fugindo de alguém. A diferença é que com Grucha conseguimos saber de quem e o motivo de sua fuga, já com Grace sabemos de quem ela foge, mas o porquê permanece um mistério durante todo o filme.

Ela chega à pequena cidade e começa a ajudar a todos, querendo ser agradável e permanecer por lá, enquanto Grucha ajuda o menino, vê que ele não seria bem tratado se continuasse com a verdadeira mãe e então foge com ele. Por mais que existam diferenças significantes em cada uma, a maneira como estão se preocupando com o outro cria uma semelhança entre as personagens.

Outro aspecto é que nas duas histórias há julgamentos em que nem sempre o que todos dizem ser o certo acontece. Em Dogville, primeiro Grace é julgada para que fique na cidade e as pessoas concordam mesmo sabendo que ela é uma fugitiva.

Depois, no final do filme ela julga as pessoas que maltrataram ela, matando todos e pensando que será melhor assim, não só para ela como para toda a humanidade eliminar aquela cidade, para que outros não sintam o mesmo que ela sentiu quando chegou.

No livro de Brecht o juiz impõe o veredicto que pensa ser o certo para ele, não de acordo com o que a humanidade e nossos costumes dizem ser o certo.

Quando resolve que o menino irá ficar com Grucha, por exemplo, o certo é que ele devesse ficar com a mãe verdadeira, mas o juiz acredita que Grucha fará o melhor por ele já que passou por tantas dificuldades e não puxou os braços dele no momento em que estava sendo julgada.

O cenário também dá a ideia do teatro. Na verdade não é o clássico cenário para cinema, mas  é como se fosse uma maquete do que seria o cenário. O fato de toda a história acontecer em um mesmo local, lembra uma peça teatral, na qual os personagens que saem da cidade ou até mesmo aqueles chegam, só aparecem no momento em que estão nela realmente.

Não conseguimos saber o que acontece fora de Dogville. Até mesmo na cena em que Grace tenta fugir, só conseguimos ver ela deitada na traseira da carreta, e ela falando o quanto está andando, temos apenas a impressão de que ela saiu e está se deslocando, mas em nenhum momento vemos isso realmente.

Mas por que Lars von Trier seguiu as ideias de Bertold Brecht? Porque ele fazia parte do Dogma 95, movimento cinematográfico revolucionário que exigia não usar cenários, nem trilhas sonoras e a câmera deve estar sempre nos ombros do cineasta. Isto explica os movimentos bruscos com a câmera, imagens meio tremidas e cortes descontínuos.

Entretanto, Von Trier usa iluminação artificial, gruas para as tomadas do alto e de certa forma possui cenografia, mesmo que não seja exuberante, e isso contraria os princípios do manifesto ao mesmo tempo em que vai ao encontro às ideias de Brecht.

Tudo isso para reforçar que estamos vendo uma representação da verdade como um faz de conta, assim como você está lendo um recorte do filme analisado a partir de dramaturgo, o que significa questionar: este texto é real? Ou uma representação dele? Será que deveríamos ter cortado ele, colorido e feito diversas coisas estranhas para você lembrar que está lendo isto? Brecth e Lars von Trier teriam feito, certeza.

Tira gosto


Em breve irei publicar dois textos que fiz para a faculdade que ficaram geniais, na minha opinião. Um escrito junto com a Bruna Marques, intitulado “o suspense no chuveiro de Hitchcock” no qual a gente analisa juntas a cena do chuveiro em Psicose. O outro também feito com Bruna Marques e Mayara Picoli: uma análise do filme de Dogville sob o ponto de vista de Brecht.

Olha…adorei o resultado..em breve aqui =)