Boa viagem e volte sempre


Sabe aquela pessoa que aparece do nada e quando você menos espera percebe que ela deve fazer parte da sua vida para sempre? Pois é.

Ainda lembro com clareza a primeira vez que a vi na escola. Nós duas éramos as novatas no primeiro ano do ensino médio naquela escola. Logo, não foi muito difícil conversar já que estávamos inseguras com o restante dos alunos.

A afinidade chegou rapidinho. Durante os três anos do colegial a amizade foi crescendo. Chegou a formatura e eu sabia que não veria nunca mais muitas pessoas dali, mas ela eu tinha certeza que veria.

Não deu outra. Passaram os anos, fiz faculdade e lá estava ela na minha formatura. Torcendo por mim. Um tempo depois ela casou com uma rapaz muito bom e que eu sabia logo quando ela conheceu ele que alguma coisa mais séria iria acontecer entre os dois.

A correria da vida não permitiu a amizade diária, mas sempre que nos vemos é aquela alegria. Não tem tempo ruim. Afinal, a afinidade sempre nos acompanhou.

E ontem…ah ontem…foi a despedida do casal. Os dois vão morar na Alemanha por três anos. Foi um mix de felicidade pela oportunidade que eles estão tendo, mas tristeza por saber que ela não mora mais por aqui.

Pensando melhor…não foi uma despedida não. Foi um desejo de boa viagem e volte sempre porque sei que nossa amizade ultrapassa os limites do continente. Estou feliz de saber que existe a internet para poder me comunicar com ela e saber como os alemães estão aceitando a culinária brasileira. Boa sorte, queridos. Sucesso. Que Deus os acompanhe e clareie a consciência de vocês para fazerem o melhor.

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Quanto são três unidades de banana?


Três garotas vão ao restaurante japonês comemorar o encerramento do ano, relembrar o passado, atualizar o presente e pensar no futuro. Eis que na hora de pedir a sobremesa, uma das garotas sugere:

– Olha. Tem banana caramelada aqui por R$ 10.
– É uma boa ideia. Quantas vêm? – perguntou a loira.
A garota que teve a ideia chama o garçom.
– Escuta. Estas três unidades significa três bananas carameladas?
– Sim -responde o garçom.
– Pode trazer, então – disse feliz por pagar apenas R$ 10 por três bananas caramelizadas.

Elas continuam conversando, rindo e de repente o garçom chega com um prato enorme. Mal tiveram tempo de salivar porque no meio do prato, havia três toquinhos de banana.

O garçom foi esperto. Se retirou na velocidade da luz e as três garotas olhavam espantadas para as três unidades que juntas não chegavam nem perto de uma banana.

Vieram as risadas e a dicussão filosófica de qual banana seria aquela. Prata, maçã? Ouro?

– Deve ser diamante por ser tão pequena – disse a terceira garota da mesa.

Terminaram de comer em menos de três mordidas. E riam. Como riam por se sentirem enganadas, a raiva saía pelas gargalhadas. Tiveram certeza que outro garçom percebeu algo estranho porque ele se aproximou.

– Desejam algo mais? – perguntou.
– Ah, moço. Pode trazer a banana agora. Por que essa foi a amostra, né? – perguntou a mais “cara-de-pau”.
O garçom não respondeu. E ela continuou.
– Quando perguntei para o outro rapaz se eram três bananas ele disse que sim. E você me manda três pedacinhos?

Quem pensa que ela falou isso na raiva, está enganado.  As três não paravam de rir.

– Da próxima vez que vieram, faremos melhor – disse o garçom
– E você acha que a gente volta? – perguntou uma das garotas.
– Você podia trazer outra banana, mas de verdade – disse a loira.
– Que tal um sorvete? – pergunta o garçom
– Na faixa, né?

E o garçom sai. As três começam a rir novamente. Imaginando que viria três bolotinhas de sorvete, menores que os tocos de banana. Eis que o garçom surpreendeu e trouxe três potinhos com muito sorvete e direito a cobertura.

Saíram felizes, mas rindo demais com a história da banana. Encerro este post questionando: quando você lê “Banana caramelizada (03 unidades)”, significa o que? Uma banana dividida em três pedaços ou três bananas?

Eis uma pergunta para se pensar.

Despedida


Confesso que é difícil dizer “tchau”. Não aquele tchau que você diz quando sabe que vai ver a pessoa no dia seguinte, mas aquele que você sente que é mais prolongado. Não chega a ser um “adeus”. Ok, pode ser um “adeus” à aquela rotina.

Se não fosse por ela, eu não teria arranjado um emprego. Aliás, indo mais para o passado, foi com ela que aprendi a ser nerd e entender que não preciso dar satisfação a ninguém. Posso rir alto, gostar de coisas fúteis e ao mesmo tempo apreciar cineastas renomados. Não preciso ter vergonha de assumir quem sou. Aprendi tudo isso com ela.  A garota sem papas na língua que sempre foi sincera: na amizade e nas broncas.

Nutrimos coisas iguais: profissão e paixão pela dança do ventre. Gostos musicais ora se juntam, ora se distanciam. Filmes, eu aprendo muito com ela. Livros, compartilhamos ideias e divergimos em alguns gêneros.  Mas não brigamos por isso.

Depois de um ano trabalhando juntas, ela se foi. Para outro lugar. Um lugar que ela gosta, disso eu tenho certeza. A despedida foi uma mistura de tristeza por não vê-la mais todo dia, mas alegria por saber que ela vai seguir firme no que gosta. Só posso desejar felicidades e sucesso e nem preciso ficar muito triste, porque a amizade continua. Demorei para escrever aqui porque não achava palavras dignas, mas como ela mesmo me lembrou que posso ser quem eu sou, saiu isso. (risos)

#9 No transporte público


Dúvida e incerteza

Mulher é muito engraçada. Algumas lutam pela liberdade e não submissão aos homens. Outras se rastejam e tem aquelas que fazem os homens se rastejarem por elas. Mas quase todas são inseguras quando um relacionamento começa, ou recomeça.

Na quinta passada estava indo embora para casa no meio do horário de pico. Dei sorte de entrar no vagão e encontrar um lugar para sentar na linha azul.

Eu estava completamente imersa no livro de Stieg Larsson (“A rainha do castelo de ar”, volume III da Série Millennium) quando o senhor do meu lado levantou e duas amigas vestidas com calça preta e blusa roxa, se aproximaram. A menos magra sentou ao meu lado.

– Ai, Pri..eu não sei o que eu faço com o Daniel, to muito brava – disse a que estava sentada.
– Por que, Carol? – perguntou a que estava em pé.
– Ele veio me dizer que vai viajar por uma semana para a Bahia.
– E dai?
– E daí que vou ter que ficar em casa?
– É nada, amiga…sai. Quem disse que você tem que ficar trancafiada toda vez que ele viaja?
– É…verdade
– E outra. Vocês voltaram agora a namorar, sai mesmo. Não tem nada a perder.
– É..você tem razão. Mas isso que me incomoda. Acabamos de voltar e ele já vai viajar com os amigos?
– Ué, do que você tá reclamando? Semana que vem você viaja comigo e com as meninas.
– É, mas eu não queria que ele fosse.
– Ah, amiga…pára com isso. Nem faz duas semanas que voltaram e tá assim? Deixa ele viajar, passeia muito e depois viajamos nós.
– Pode crer.
– Não vai querer repetir o que aconteceu da outra vez, né?
– Ah, não…claro. Dessa vez fico longe da mãe dele. Sogra maldita.
– A família do seu namorado é um saco mesmo. Não me desce a mãe dele nem aquela irmã…menina nojenta.
– hahahhahaha
– hehehe
– Me irrita muito o controle que a mãe dele tem dele.
– O que aconteceu?
– Ah, ela olha a fatura do cartão de crédito dele todo dia na internet.
– Sério?
– É..daí ela viu que tinha lá o valor do Hotel Ibis e foi perguntar o que era.
– E o que ele disse?
– Falou que tinha ido dormir no hotel. Aí a mãe dele perguntou se ele tava bêbado e tinha ido para lá para não dirigir.
– Affe. E o que ele disse?
– Aí ele falou que tinha ido dormir comigo. Mas ele só me contou essa história porque a mãe dele ligou pra ele hoje na hora que estávamos almoçando. Daí ele disse que tava comigo e eu perguntei desde quando ela sabia.
– Entendi. Mas meu, mesmo assim eu acho que você deve sair..ele vai farrear na Bahia e você vai ficar em casa?
– É, vou sair. Ele vai ficar chocado, mas vou sair.

Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Saí do vagão pensando em quanto algumas mulheres têm o azar de ter uma sogra como essas que olham fatura do filho. Pior foi ver que a moça devia ter uns 25 anos e imaginar que o cara deve ter a mesma idade. E ter uma mãe controladora assim? Nossa…algumas coisas ficaram na idade média mesmo.

Veja +
#8 No transporte público – Fones de Ouvido
#7 No transporte público – Brasil sai da Copa do Mundo
#6 No transporte público – O que é o respeito?
#5 No transporte público – O jogo do Brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

#4 No transporte público


Amor entre amigas

Duas amigas voltam de metrô da faculdade depois de uma longa semana de trabalho e estudos. Sexta-feira, 23h. Descem da estação do metrô e resolvem embarcar na segunda lotação para poderem ir sentadas durante a viagem.

Infelizmente, só conseguiram sentar em corredores diferentes, mas lado a lado. A conversa gira em torno do que fizeram durante a semana. De repente, duas meninas embarcam.

A loira passa o bilhete na catraca tranquilamente, enquanto que a morena de cabelos curtos passa o bilhete e diz:

– Ai, amiga…tô zerada.

O comentário foi tão alto que todos perceberam e entenderam que quem estava zerado era o bilhete e não a menina.

– Ué, tenta ae a integração, oras – respondeu a loira

– Tá liberado, pode passar – interveio o cobrador

A morena hesita, não sabe se vai ou se fica, até que a catraca apita e ela passa. Curiosamente, as duas param entre as duas amigas que estavam sentadas de modo que a conversa foi cortada.

Se bem que vale ressaltar que as amigas já estavam rindo do comentário da morena. E para piorar:

– Ai, amiga….eu amo você – disse a morena

Silêncio na lotação. Eu tento olhar para a minha amiga, mas só percebo que ela está sentada com a cara escondida entre os cabelos. Pela movimentação dos ombros, vejo que ela também estava rindo. Com um sorriso a la “gato do Alice no País das Maravilhas”, tive que imitá-la.

O ataque de riso veio de uma forma incontrolável naqueles poucos segundos em que a loira demorou para responder.

– Ah, eu também amiga.

A conversa entre a loira e a morena seguiu, mas eu estava mais concentrada em disfarçar a minha risada. A lotação para no ponto e as duas descem. No mesmo momento, olho para a minha amiga e as duas caem na risada.

– Você ouviu? – pergunta ela

– Sim. – respondi

– Tudo? Até a parte “eu amo você”?

– Sim.

Risos e mais risos

– Isso vai pro blog, com certeza – falei

E aqui está este momento hilário que, nas palavras da minha amiga, foi uma ótima maneira de encerrar a semana.

E você? Tem histórias engraçadas no transporte público? Mande pra mim.

Veja os outros capítulos

#3 No transporte público – Cidadão e Funcionário
#2 No transporte público – Mulheres e Futebol
#1 No transporte público – O riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou