Colagem


Eba! Primeiro trabalho prático pronto deste terceiro ano de faculdade!!

Na aula de edição de rádio eu e minha dupla (como sempre a Bruna Marques) fizemos uma colagem de 3 minutos com sons e músicas. A ideia do professor era brincar com colagem mesmo.

Não precisava ser uma narrativa, mas tinha que ter começo, meio e fim.

Pois bem, soltamos a nossa imaginação e eis o que saiu.

Não vou falar aqui porque fizemos assim, quero ouvir o que você entendeu desta colagem.

Semana Hitchcock – Parte final


Planos dentro da banheira

1.       Plano fechado – Marion de ombros para cima e de frente para a câmera se ensaboando. Ela liga o chuveiro e a água começa a cair.

2.       Plano detalhe do chuveiro derrubando água

3.       Plano fechado – mesmo enquadramento de Marion no primeiro item, ela se enxaguando.

4.       Plano fechado na lateral de Marion com o chuveiro à esquerda da tela e ela à direita. A personagem se ensaboa e se molha.

5.       Plano detalhe do mesmo enquadramento anterior, mais próximo da personagem.  Ela esta na diagonal da câmera e continua a se ensaboar.

6.       Plano fechado da lateral do chuveiro – vemos a água caindo.

7.       Contra-plano fechado, vemos Marion recebendo a água de olhos fechados.

8.       Plano fechado com Marion em primeiro plano se enxaguando e em destaque a cortina atrás dela ocupa a maior parte do enquadramento.  Há um leve contra luz que rebate na cabeça de Marion vindo por trás da cortina que marca a silhueta da atriz e a destaca do fundo.  Conforme a sombra do assassino se aproxima, o mesmo ocorre com a câmera dando a impressão de que somos impulsionados para a tela para entender o que está chegando.  O quadro fecha com o rosto de Marion no canto inferior direito da tela.  A sombra na cortina ocupa a maior parte do enquadramento e está na centralizada um pouco mais para a esquerda.  Marion é retirada do plano e a câmera se aproxima mais da cortina. A partir daqui vemos a silhueta perfeita de uma pessoa da cabeça até a barriga. A personagem se aproxima, levanta a mão direita e abre a cortina.  Quando a cortina é aberta, vemos só a silhueta do assassino causada pela contraluz e falta da key light. O assassino segura uma faca com a mão direita. No exato momento em que esse estranho, que está com uma faca na mão, abre a cortina rapidamente, a música volta. Não é mais aquela sensação que tínhamos anteriormente. Os violinos utilizados na música marcam exatamente as facadas que o assassino está dando na personagem. Além disso, os gritos aumentam o terror. Segundo Brener, Herrman causa isso por causa do ostinato, repetição constante de um motivo (melódico, harmônico ou rítmico), figura definida ritmicamente, repetitiva, persistente em geral no mesmo registro e na mesma intensidade. Esta repetição causa a tensão e ela aparece na música casada com as facadas do assassino.

9.       Plano fechado – Marion de ombros para cima vira assustada e nota a presença de seu assassino.

10.   Plano detalhe de seu rosto à direita da tela assustado e gritando.

11.   Plano super detalhe da boca de Marion gritando.

12.   Plano fechado contra-plongée do assassino na diagonal com a menção de esfaquear. Em primeiro plano, vemos a água do chuveiro. Não conseguimos ver o rosto do assassino nem as características da roupa e feições por causa da contra luz.

13.   Contra plano plongée – Marion, de ombros para cima e um leve teto recebe a primeira facada. A luz vem da direita para a esquerda, no mesmo sentido da facada.

14.   Plano fechado normal – assassino com contra luz acentuado preparando mais uma facada.

15.   Plano fechado plongée – aparece parte do assassino tentando dar outra facada, a cortina da banheira. É um dos planos mais curtos que só é percebido se prestado bem atenção.

16.   Plano fechado plongée visto de cima – O braço do assassino invade a banheira e parte do corpo também aparece, mas ele fica de costas para a câmera.  Marion está nua, mas por causa da água do chuveiro, cortina e da rapidez da cena nada é mostrado.  Nem mesmo o rosto de Marion, uma vez que ela esconde ao mesmo tempo em que tenta se defender da facada.

17.   Plano super detalhe do rosto dela gritando sem a preocupação de seguir o movimento dela. A câmera fica estática e Marion até sai e volta de quadro.

18.   Plano fechado plongée – Marion à direita da tela e a mão do assassino invade o enquadramento tentando esfaqueá-la. Ela tenta se proteger.  A luz deixa as formas ressaltadas.

19.   Plano detalhe do rosto de Marion gritando, com ênfase do nariz ao queixo da personagem.

20.   Volta para o plano 18, mas Marion está mais afastada e vemos a faca em primeiro plano tentando acertar a personagem e seu corpo está meio desfocado.

21.   Plano fechado do assassino visto de frente em segundo plano. Em primeiro plano está a chuva que ajuda a contra luz a manter o clima de suspense sobre a identidade do personagem.  A luz atrás aumenta a profundidade de campo, destacando o personagem do fundo.  Ele tenta outra facada.

22.   Plano fechado do rosto de Marion atrás da água caindo tentando escapar da facada.  Ela até sai do enquadramento.

23.   Plano detalhe do assassino se aproximando da tela como se aproxima da vítima.

24.   Plano super detalhe do pescoço de Marion tentando se esquivar de outra facada.

25.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.

26.   Plano super detalhe desfocado do rosto de Marion e sua mão tentando escapar de outra facada.

27.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.

28.   Plano super detalhe desfocado do rosto de Marion e sua mão tentando escapar de outra facada.

29.   Plano detalhe da água do chuveiro caindo e em segundo plano o rosto do assassino desfocado.  A facada é dada de frente e atravessa o chuveiro vindo direito ao telespectador.

30.   Plano fechado da barriga de Marion recebendo outra facada.

31.   Plano super detalhe do rosto de Marion tentando escapar de outra facada. Ela está no canto direito e sai de enquadramento.

32.   Plano fechado contra plongée do teto para destacar a facada do assassino que vem da direita para a esquerda da tela.

33.   Plano fechado das costas de Marion à esquerda da tela recebendo a facada pela direita da tela.  A personagem está em primeiro plano e o braço do assassino em segundo plano.  A contra luz está mais forte que a key light.

34.   Plano fechado do rosto de Marion mais para esquerda do quadro gritando e tentando espantar a facada de si.

35.   Plano detalhe plongée das pernas de Marion, dos joelhos para baixo com parte do chão da banheira mostrado para sinalizar o sangue escorrendo junto com a água.

36.   Plano super detalhe de Marion gritando e virando o rosto tentando se defender.

37.   O plano anterior recebe um corte e é aberto, mostrando Marion com o corpo virado para frente e o rosto para trás. A iluminação vem da direita para esquerda e a imagem quase não tem destaque do fundo, como se ela tivesse se desintegrando na parede.  Ela vira de costas e recebe outra facada.

38.   Plano detalhe plongée das pernas de Marion, das coxas para baixo, sem mostrar os pés, sinalizando a agitação da personagem.

39.   Plano super detalhe da parede e a mão de Marion aparece no centro da tela desfocado. E logo sai.

40.   Plano fechado, Marion aparece de costas do pescoço à cabeça, levantando a mão como se tivesse se rendido.

A música combina muito bem com os gritos de Marion e os cortes de câmera que Hitchcock utilizou no momento do assassinato. Isso acontece em 24 segundos, então a música muda de tom, passando para algo mais desesperador, que nos causa dó e ao mesmo tempo agonia, não sabemos o que irá acontecer com a personagem agora. Ficamos imaginando se ela irá morrer, se ela irá sobreviver e ficar sofrendo ainda mais, se alguém irá chegar ou até mesmo se alguém irá chegar para socorrê-la.

41.   Plano americano contra-plongée com a água do chuveiro em primeiro plano e o assassino sai pela porta que está no meio do enquadramento.  A fill light aparece em equilíbrio com a key e a contra luz o que permite notar a figura de uma mulher de roupão e cabelos presos como autora do assassinato de Marion.

42.   Plano super detalhe da mão de Marion na parede escorregando como escorre a água do chuveiro. A mão vai saindo de quadro.

43.   Plano fechado de Marion de costas para a câmera olhando para a sua mão e ela vai escorregando para o chão conforme a água vai caindo. A iluminação ressalta que seu rosto está se difundindo com a parede, quase morrendo. Ela vira para frente da câmera e a vemos no canto direito, escorregando. A câmera acompanha o movimento. Seu rosto está disfarçado pela água que continua em primeiro plano.  Ela tenta esticar a mão como um sinal de ajuda e a câmera vai se afastando dela. Marion não morreu ainda, está sofrendo com os ferimentos e caindo na banheira, se retorcendo, enquanto a música nos causa a mesma sensação

44.   Plano detalhe de sua mão puxando a cortina da banheira.

45.   Plano aberto visto de cima da banheira, Marion puxa a cortina. Sua nudez é disfarçada pela constante queda da água.

46.   Plano detalhe do carrilho da cortina da banheira. Marion puxa a cortina que arrebenta. Vemos só os ganchos enquanto ela arranca.

47.   Plano detalhe do chão, a parte da frente do corpo de Marion aparece junto com a cortina. Ela cai no chão. Vemos seu cotovelo e parte da cabeça. O restante do corpo está coberto pela cortina. Enquanto isso a música vai abaixando e no exato momento em que a personagem cai morta e música para e só conseguimos ouvir o barulho da água caindo do chuveiro.

48.   Plano detalhe do chuveiro derrubando água. O silêncio é preenchido pelo barulho da água.

49.   Plano detalhe das pernas de Marion e a água escorrendo. A câmera movimenta conforme o sangue vai escoando e segue até o ralo. A câmera se aproxima do ralo e o preenche em todo o enquadramento.

50.   Primeira fusão da cena do ralo para plano detalhe do olho da personagem caída no chão. A câmera faz um movimento circular e vai se afastando do olho da personagem até mostrar seu rosto por completo e parte do chão.

51.   Plano fechado do chuveiro visto da lateral ainda ligado.

52.   Plano fechado dela deitada no chão. A câmera faz um pan para a direita indo até a porta.  Entra no quarto, passa pela cama e focaliza o jornal em cima do criado-mudo. Detalhes mostrados que mais tarde será um mistério a ser revelado pelos personagens.

A cena analisada nesse artigo, tal como o diretor do filme Psicose, Alfred Hitchcock, foi considerada um marco na história do cinema. Ele inaugurou um gênero que até hoje é copiado por muitos cineastas. Depois dos filmes dele apareceram outros utilizados sempre suas técnicas de construção do suspense. Por isso sua carreira e seus filmes podem ser considerados geniais e indispensáveis nos estudos cinematográficos.

O filme e a cena analisada são uns dos melhores que o cinema já teve, porque fizeram história. E até mesmo a trilha sonora é lembrada e utilizada até hoje quando se pretende dar a ideia de suspense ou causar um medo maior, chegando ao terror.  Em entrevista a Truffaut, Hitchcock fiz que acreditasse que o sucesso do filme se deu porque as pessoas são voyeurs por natureza, por isso ele gostava de brincar com enquadramentos, iluminação e a trilha para direcionar ou enganar o telespectador na medida em que ele queria. São poucos os diretores que hoje conseguem alcançar isso. Eis o legado de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense.
Bibliografia

ARAÚJO, Inácio. Alfred Hitchcock: o mestre do medo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984

BRENER, Rosinha Ida Spiewak. A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock. Doutorado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2001 (PUC-SP)

TRUFFAUT, François. Hitchcock, Truffaut entrevistas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988

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Leia a parte 2
Leia a parte 1

Semana Hitchcock – Parte 3


A cena mais famosa do filme é chamada de cena do chuveiro. Ela tem apenas 45 segundos e 71 posições de câmera. Mas o suspense inicia alguns momentos antes, totalizando quase 4 minutos de tensão ao espectador.

A trilha é assinada por Bernard Herrman, compositor musical que teve uma parceria com Alfred Hitchcock de 1955 a 1966. A parceria foi importante uma vez que, nas palavras do diretor, a música de Herrman foi perfeita uma vez que ela teve a força para intensificar o suspense da cena. (A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock).

Inicia com a personagem Marion sentada em uma cadeira em frente a uma escrivaninha. A trilha dá a impressão de que ela está fazendo algo de errado. Ela está tensa e não sabe muito bem o que fazer com aquele dinheiro.

A música causa certa inquietação, pois conseguimos imaginar como ela está se sentindo perdida e desorientada com a atitude que tomou. Vemos a personagem em plano médio com a iluminação lateral, causando uma pequena sombra da cabeça da personagem na cortina.

Logo em seguida, há um corte para plano detalhe dela anotando umas contas em um caderno Abaixo deste caderno, há uma folha de balancete de banco.

O plano volta a ser médio e a personagem rasga o papel. Levanta de sua mesa e em plano-sequência, ela caminha até o banheiro. Há um corte para a entrada do banheiro e em plano geral a personagem está de pé.

Corta para plano detalhe enquanto ela joga o papel na privada. A tensão da trilha aumenta quando a música para e ouvimos só o barulho dela se preparando para o banho.

Em plano fechado, vemos a partir de seus ombros, a vemosela dando descarga e fechando a porta do banheiro. Ela tira o robe em dois planos, ombros para cima e joelhos para baixo em um clima mais erótico.

Ela entra na banheira em pé e fecha a cortina. A partir daqui o plano é mais aberto e vemos sua sombra enquanto toma banho.  Enquanto isso só conseguimos ouvir os sons dos objetos de cena.

Nesse caso o silêncio na cena nos causa o suspense, dando um realce nas trilhas utilizadas antes e depois. Ficamos tentando imaginar o que virá a seguir e então quando vemos algo se aproximar da cortina do chuveiro que está fechada, ficamos ainda mais tensos. Dentro da banheira, conseguimos contar apenas 58 cortes.

Leia a parte 02
Leia a parte 01

Amanhã tem mais

Semana Hitchock – Parte 2


O filme Psicose longa foi lançado em 1960 e não foi um filme caro nas palavras do diretor. Dirigido e produzido por Alfred Hitchcock, foi criticado por não ter o roteiro como destaque, mas sim por ressaltar elementos que antes serviam como base para o cinema: montagem, iluminação e trilha sonora.

Psicose conta a história de Marion, uma mulher que podia ser considerada moderna quando comparada a mulheres que viviam na mesma época. Tinha relações frequentemente com um homem sem que fossem casados e trabalhava em uma imobiliária, quando um dia seu chefe pede a ela que deposite uma quantia alta de dinheiro no banco, mas Marion não o fez. Pegou alguns pertences e resolveu fugir.

No meio do caminho troca seu carro, talvez para não acharem ela tão facilmente. Chegando em um motel de beira de estrada, que ninguém ia há muito tempo, ela resolve se hospedar por uma noite. Encontra então Normam Bates, responsável pelo local. Os dois conversam bastante, tomam lanche juntos até o momento no qual ela se acomoda em um dos quartos.

Bates a espia por um buraquinho que dava da parede de seu escritório para o quarto em que ela estava. O dono do motel apresentava comportamento estranho, pois era dominado por sua mãe idosa, a misteriosa personagem que não aparece claramente até o final do filme.

Em seu quarto, Marion faz algumas contas com o dinheiro que tinha roubado e resolve tomar um banho. Tudo parece calmo até que alguém inesperadamente, que não conseguimos ver o rosto, entra no banheiro com uma faca e esfaqueia a loira até a morte. Esse é o grande mistério de todo o filme para os outros personagens envolvidos, o grande choque que o diretor conseguiu trazer a todos os espectadores.

No prefácio do livro “Hitchcock Truffaut, entrevistas”, Ismail Xavier destaca que o suspense do diretor é diferente do suspenses comuns, pois é psicológico, “apoiado na pura dimensão do olhar, quando o que parece ser uma configuração de rotina, a paisagem, a rua ou a casa de todo dia, de repente se revela uma anomalia, uma mancha, um ponto de incongruência que atiça a percepção e aguça as expectativas, suscita indagações” (p. 17) isto é claramente visto em Psicose, uma vez que Hitchcock desvia a atenção do espectador para saber se a moça será pega ou não e o assassinato dela é inesperado.

Ele causa isso com a demora das cenas iniciais e por frisar a importância dos 40 mil dólares e no final, o dinheiro é jogado junto com a moça e o carro no pântano. Ou seja, todos os detalhes mostrados no início despreparam o telespectador daquilo que está por vir. “Foi de propósito que matei a estrela, pois assim o crime era mais inesperado ainda”, diz o cineasta no mesmo livro durante a entrevista a Truffaut (pag. 275).

François Truffaut aponta que em Psicose, Hitchcock utilizou elementos de terror que normalmente não aparecem em seus filmes como a mansão velha, ambiente misterioso. Em contrapartida, Hitchcock justifica que este é um estilo gótico da Califórnia e como o filme se passa em Phoenix, essas características já estão presentes na cidade, mesmo se fosse uma comédia.

“Não iniciei o meu trabalho tencionando a reproduzir a atmosfera de um velho filme de terror da Universal, queria apenas ser autêntico. Ora não há a menor dúvida, a casa é uma reprodução fiel de uma casa verdadeira, e o motel também é uma cópia exata” responde o diretor na mesma entrevista. ( pg. 274).

Assim, é a forma como a mise-en-scene, posições de câmera, gestos e olhares dos personagens que irá revelar o fluxo subterrâneo de interesses e emoções, o que está além do que se expõe nos diálogos, explica Ismail Xavier.

Este estudioso diz que o cinema puro se dá quando a lógica das imagens e sons diz mais sobre a verdade dos comportamentos do que a superfície do enredo. “Em Psicose, o que me importa é a montagem dos fragmentos de filme, a fotografia, a trilha, sonora e tudo o que e puramente técnico. (…)Para mim é apaixonante utilizar a câmera a fim de desorientar o público”, aponta Alfred Hitchock ao falar sobre o filme com François Truffaut.

Veja parte 1

Amanhã tem a parte 03

Semana Hitchock


Mais uma vez realizei um trabalho com a Bruna Marques para a faculdade. Desta vez nos aventuramos em analisar a cena do chuveiro em Psicose, de Alfred Hitchock. Como o texto ficou gigante, decidi publicar aos poucos durante essa semana.

Vamos para a primeira parte?

O suspense no chuveiro de Hitchcok – parte 001

O objetivo deste artigo é observar como a cena do chuveiro em Psicose (Pshyco, 1960), do cineasta Alfred Hitchcock pode ser uma representação do modo como este cineasta cria o clima de suspense a partir da junção da montagem de cenas, iluminação e também trilha sonora.

Para realizar este trabalho, ousamos em analisar a cena a partir dos nossos conhecimentos sobre o diretor, filme, contexto histórico com base nos seguintes livros: “Alfred Hitchcock: o mestre do medo”, por Inácio Araújo, “Hitchcock Truffaut – Entrevistas, de François Truffaut e o doutorado de comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) realizado em 2001 por Rosinha Ida Spiewak Brener intitulado “A construção do suspense: a música nos filmes de Alfred Hitchcock”.

Sem contar o estudo e às referências dadas pelo professor Marco Vale durante o primeiro ano da faculdade de Rádio e TV na Cásper Líbero sob a disciplina Elementos da linguagem audiovisual (cinema) no ano de 2009.

Nascido em 1899 em Londres, Alfred Hitchcock ficou conhecido como “o mestre do medo”. Seu primeiro filme foi “The pleasure Garden” (1926), que tinha influências de Murnau, como por exemplo, a falsa perspectiva, algo que utilizou em muitos outros trabalhos ao longo de sua carreira.

Mas foi com “The Lodger”, que começou a firmar seu estilo como cineasta, o suspense, “(…) o primeiro filme de suspense, a invenção deste que é o único gênero essencialmente cinematográfico, e o início do que seria na verdade o seu estilo de filmar.” (ARAÚJO, Inácio, 1982, p.20).

Todos os recursos cinematográficos que utilizava em seus filmes tinham algum propósito. “(…) podemos ver que cada deslocamento de câmera, cada detalhe à primeira vista pode parecer insignificante, na verdade são o que realmente faz a respiração da obra” (idem, p.23).

Foi então a partir de 1956 que Hitchcock já contava com uma equipe fixa, entre essas pessoas estava a música Bernard Herrmann, que compôs as trilhas de três principais filmes da carreira do diretor: “Um corpo que cai” (1958), “Intriga Internacional” (1959) e “Psicose” (1960), um de seus filmes de maior sucesso.

Em Psicose, os movimentos de câmera, iluminação, enquadramentos e o que ficou mais conhecido no filme, a trilha sonora de Bernard Herrmann, são essenciais na construção do suspense.

“Se a introdução do som não era uma questão vital para o gênero, pelo menos só servia para enriquecê-lo: á música, a voz, os ruídos, os silêncios constituindo elementos tão importantes quanto a imagem” (ibidem, p. 35-36).

 

Amanhã tem mais =)

Dogville e a influência de Brecht


Mais um vez trago um trabalho que fiz com a Bruna Marques e Mayara Picoli para a Cásper Líbero. Desta vez, tínhamos que encontrar algum filme que apresentasse características do dramaturgo Bertolt Brecht e analisar como apareciam no cinema. Pois bem, escolhemos Dogville (2003), dirigido por Lars Von Trier.

Já vale lembrar que se você não gosta de spoilers,  pare de ler agora.

Antes de começar, confira o trailer do filme.

Quando o cinema nasceu com os irmãos Lumière, acreditava-se que ele servia pura e simplesmente para retratar a realidade. Com os planos gerais e câmeras fixas, víamos toda a ação acontecendo diante de nós como se fôssemos a quarta parede de uma sala, justamente como acontecia com o teatro clássico. Não demorou muito para que o cinema conseguisse a sua própria linguagem e inovasse com o passar do tempo.

O modelo clássico é o mais seguido e referenciado, assim como aconteceu no teatro. Cenários exuberantes, atores famosos e trilhas encantadoras nos fazem mergulhar de tal forma na tela que nem percebemos que tudo não passa de uma montagem de imagens que, unidas, fazem algum sentido. Às vezes até esquecemos dos planos e enquadramentos e nos vemos ali no meio da história.

Como Alfred Hitchcock já disse inúmeras vezes, o ser humano é voyeur e é isto que garante que as pessoas fiquem horas diante de uma tela sendo enfeitiçados pela história.  De certa forma, este encantamento também apareceu no teatro clássico. Mesmo com a distância da poltrona ao palco, somos engolidos pela fantasia de tal forma que pertencemos a ela.

O que vemos ali, no palco ou na tela, não chega a ser um retrato da realidade, como os criadores do cinema acreditavam, mas mesmo assim tendemos a acreditar que aquilo é real.

Entretanto, existiu um escritor e dramaturgo alemão que decidiu quebrar este paradigma de representação da realidade e nos lembrar constantatemente de que o que estamos vendo é uma peça de teatro: Bertolt Brecht. Para ilustrar as suas ideias, escolhemos o filme Dogville (2003), dirigido por Lars von Trier.

A maneira utilizada para filmar Dogville é o aspecto mais característico de Brecht. O filme foi rodado em um estúdio fechado e sem cenário, apenas com riscos desenhados no chão representando as casas e ruas do vilarejo. Até o cachorro é um desenho no chão, bem como a referência à cadeira de descanso e os arbustos, uma clara referência também ao cachimbo de Magritte.Isso já questiona se o que vemos é de fato a realidade ou uma representação dela.

No cinema e no teatro, isso nos faz lembrar que estamos assistindo a uma peça/filme e não que estamos vendo a história real.

Os atores circulam sobre a planta da cidade e atuam como se houvesse objetos invisíveis aos nossos olhos, sem paredes e portas, apenas com alguns móveis. É como uma criança que brinca de faz de conta e desenha uma casa no chão e passa a atuar nela como se fosse real.

A sonoplastia ajuda nossa imaginação quando a porta realmente faz barulho ao ser aberta pelos personagens.

Esta estética usada no filme mantém o espectador sempre ciente de que é uma representação da realidade. Todo filme foi gravado em um galpão da Suécia, o que remete ao teatro caixa preta de Brecht enquanto que a atuação dos atores com os objetos imaginários remete ao teatro do absurdo do dramaturgo.

Dogville é um pequeno vilarejo isolado no alto das montanhas e de difícil acesso. A história mostra a rotina sossegada dos poucos habitantes do lugar, cada um com suas manias e conformismo. Thomas Edson Jr. é o único personagem que não se conforma com a situação pacata das pessoas e promove reuniões moralistas para comunidade refletir sobre suas ações, com o intuito de promover o bem no mundo.

O nome Dogville significa vila do cão, mas em um sentido mais subjetivo, diz que os habitantes desta vila agem como cães por instinto uma vez que o contexto da Grande Depressão trouxe miséria a algumas cidades. Brecht ressaltava que as causas podem levar às consequências diferentes porque o ser humano é capaz de fazer escolhas, vê-se isso em Dogville pela submissão de Grace e depois pela vingança.

Baseada no distanciamento entre público e personagem proposto por Brecht, o filme trabalha a história como um componente para reflexão e didática, apresentando um caráter não-ilusório e colocando os espectadores fora de ação para interromper identificações.

As ações acontecem frente às câmeras e, simultaneamente, as outras casas e personagens são exibidas ao fundo, provocando estranheza para quem assiste, mas é a melhor maneira de interromper a ilusão e trazer reflexão, pois acentua momentos dramáticos.

A narração em “off” acentua ainda mais que se trata de uma história sendo contada ao público, assim com a divisão em capítulos, que se assemelha ao teatro e à história, ou seja, é  o narrador quem controla e da voz aos personagens. Brecht tinha um narrador que interrompia a ação e Von Trier também faz isso, comandando às vezes até a fala do personagem.

A principal característica encontrada no filme é a descontinuidade. Fica bem aparente como o diretor faz isso, pois coloca um letreiro informando o número do capítulo e o que irá acontecer, algo que é comum ao teatro Brechtiano. Enquanto muitos buscavam fazer as pessoas se sentirem no filme, Brecht fazia de tudo para que isso não acontecesse em suas peças.

No filme, apesar de seguir uma ordem cronológica dos fatos a divisão dos capítulos causa uma quebra, fazendo com que nos lembramos de que estamos assistindo a um filme. Nos momentos em que começamos a nos acostumar e ficamos compenetrados, os letreiros aparecem fazendo-nos lembrar de que aquilo não é real, é apenas uma história.

Por mais que os cenários não sejam comuns, chega a certo ponto no filme em que nos esquecemos disso, o cenário fica algo insignificante e nos tornamos atraídos pela narrativa. Quando aparece o número do capítulo, nossa concentração acaba por um momento e voltamos à realidade.

Devido a sua experiência de vida, Brecht adquiriu uma posição de luta pelos oprimidos, retratava de forma cênica as diferenças entre classes sociais e a injustiça do mundo. Podemos identificar essa estética na obra “O círculo de giz caucasiano”, onde a protagonista Grucha luta por Miguel, o menino de sangue real abandonado, o qual ela salvou da guerra e adotou com filho.

Nesta peça, Brecht representa as diferenças entre ricos e pobres e o caráter social deles. Ele sempre abordou temas que pudessem ser reconhecidos pelos espectadores e que trouxessem subjetividade.

Já notamos semelhanças entre o livro e o filme. A primeira referência se dá que o primeiro trata da situação das pessoas durante a Revolução Russa e o segundo da Grande Depressão. De certa forma, Von Trier e Brecht abordam a reação das pessoas simples diante de eventos de grande magnitude nos quais eles só fazem parte do cenário e não possuem voz ativa.

Em relação às personagens, há certa semelhança entre a personagem Grucha do livro “O círculo de giz caucasiano de Brecht” e Grace do filme “Dogville”. As duas estão durante toda a história fugindo de alguém. A diferença é que com Grucha conseguimos saber de quem e o motivo de sua fuga, já com Grace sabemos de quem ela foge, mas o porquê permanece um mistério durante todo o filme.

Ela chega à pequena cidade e começa a ajudar a todos, querendo ser agradável e permanecer por lá, enquanto Grucha ajuda o menino, vê que ele não seria bem tratado se continuasse com a verdadeira mãe e então foge com ele. Por mais que existam diferenças significantes em cada uma, a maneira como estão se preocupando com o outro cria uma semelhança entre as personagens.

Outro aspecto é que nas duas histórias há julgamentos em que nem sempre o que todos dizem ser o certo acontece. Em Dogville, primeiro Grace é julgada para que fique na cidade e as pessoas concordam mesmo sabendo que ela é uma fugitiva.

Depois, no final do filme ela julga as pessoas que maltrataram ela, matando todos e pensando que será melhor assim, não só para ela como para toda a humanidade eliminar aquela cidade, para que outros não sintam o mesmo que ela sentiu quando chegou.

No livro de Brecht o juiz impõe o veredicto que pensa ser o certo para ele, não de acordo com o que a humanidade e nossos costumes dizem ser o certo.

Quando resolve que o menino irá ficar com Grucha, por exemplo, o certo é que ele devesse ficar com a mãe verdadeira, mas o juiz acredita que Grucha fará o melhor por ele já que passou por tantas dificuldades e não puxou os braços dele no momento em que estava sendo julgada.

O cenário também dá a ideia do teatro. Na verdade não é o clássico cenário para cinema, mas  é como se fosse uma maquete do que seria o cenário. O fato de toda a história acontecer em um mesmo local, lembra uma peça teatral, na qual os personagens que saem da cidade ou até mesmo aqueles chegam, só aparecem no momento em que estão nela realmente.

Não conseguimos saber o que acontece fora de Dogville. Até mesmo na cena em que Grace tenta fugir, só conseguimos ver ela deitada na traseira da carreta, e ela falando o quanto está andando, temos apenas a impressão de que ela saiu e está se deslocando, mas em nenhum momento vemos isso realmente.

Mas por que Lars von Trier seguiu as ideias de Bertold Brecht? Porque ele fazia parte do Dogma 95, movimento cinematográfico revolucionário que exigia não usar cenários, nem trilhas sonoras e a câmera deve estar sempre nos ombros do cineasta. Isto explica os movimentos bruscos com a câmera, imagens meio tremidas e cortes descontínuos.

Entretanto, Von Trier usa iluminação artificial, gruas para as tomadas do alto e de certa forma possui cenografia, mesmo que não seja exuberante, e isso contraria os princípios do manifesto ao mesmo tempo em que vai ao encontro às ideias de Brecht.

Tudo isso para reforçar que estamos vendo uma representação da verdade como um faz de conta, assim como você está lendo um recorte do filme analisado a partir de dramaturgo, o que significa questionar: este texto é real? Ou uma representação dele? Será que deveríamos ter cortado ele, colorido e feito diversas coisas estranhas para você lembrar que está lendo isto? Brecth e Lars von Trier teriam feito, certeza.

Tira gosto


Em breve irei publicar dois textos que fiz para a faculdade que ficaram geniais, na minha opinião. Um escrito junto com a Bruna Marques, intitulado “o suspense no chuveiro de Hitchcock” no qual a gente analisa juntas a cena do chuveiro em Psicose. O outro também feito com Bruna Marques e Mayara Picoli: uma análise do filme de Dogville sob o ponto de vista de Brecht.

Olha…adorei o resultado..em breve aqui =)

Esse cara existe?!


No meio do frisson “Saga Crepúsculo” duvido que não haja um ser do sexo feminino, independente da idade, que não tenha alguma vez sonhado em ter o cara perfeito na vida. Vampiros e lobisomens a parte, venho falar de outra coisa, mas do mesmo assunto.

Na faculdade somos desafiados a realizar coisas que antes a gente nem parava para pensar sobre. E tem uma matéria, aliás, um professor, que adora botar nossa cabeça para funcionar. Pois bem, o tema do trabalho era discutir o que é a realidade, quem está falando a verdade e outras questões que filósofos ficaram anos discutindo e que nós da casa dos 20 anos devemos começar a refletir.

O que é a realidade? Difícil responder porque ela é uma experiência individual única já que está diretamente ligada à consciência (Edmund Husserl). Pensando que a consciência nunca é pura, é sempre alguma coisa, pode-se dizer que ela se dá a partir da experiência. Aí está o problema. Como ninguém passa pela mesma experiência que o outro, ela só tem significado dentro da consciência de cada um. É complicado fazer o outro saber o que você passou, ele pode ter uma ideia. O engraçado é que mesmo que ele passe por uma mesma situação, a experiência para ele pode ser diferente da sua.

Ficou complicado? Vamos simplificar. Desta vez, resolvi ficar na frente das câmeras e aproveitar a minha semelhança com Ana Luisa para colocarmos em prática a teoria que escrevi precariamente (a aula foi infinitamente melhor) . Livia (eu mesma) acredita que tem no namorado perfeito, mas a sua irmã Ana acha que ela inventou esse cara. (Foi por causa disso que iniciei o post falando de namorado perfeito). As duas têm certeza da sua versão da história…mas e ai, ele existe? Espero a sua resposta, mesmo que seja algo que diga para eu nunca mais atuar (rs).

Grupo: Ana Luisa Pacheco, Bruna Marques, Caio Ramos, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli.

Sintonize sua história


No dia 02 de junho coloquei aqui no blog um post chamado “ Radionovela”. Nele eu falava de um programa que fizemos para a disciplina de produção de rádio. Após ouvir algumas críticas construtivas, resolvemos mudar o sentido do nosso programa.

Deixou de ser radionovela e passou a ser um programa onde as pessoas enviam as suas histórias e nós da rádio fazemos a encenação. O tema desta edição é: choro de mãe, baseado no conto escrito dia 26 de abril de 2010.

O resultado você vê aqui.

Na locução: Ana Luisa e Mayara Picoli

Voz do alfinete: Rafael Fillipini (Sintonize a sua história)

Vozes da vinheta de abertura: Mayara Picoli, Renata Canales, Marcelo Viesti e Guilherme Cintra

Alfinete Rádio Ramos: Livia Di Bartolomeo e Bruna Marques

Edição: Robertinho

Você participaria deste programa?Mandaria a sua história? Dê a sua opinião, ela é muito importante.

Radionovela


Fazer faculdade tem as suas vantagens. Na hora de fazer trabalho em grupo, as risadas são quase garantidas. Ainda mais quando nenhum integrante é ator e resolve, mesmo assim, fazer uma radionovela. É deste trabalho que venho falar.

Para a disciplina de Produção de Rádio, devíamos criar um programa: jornalístico, musical, radionovela..enfim… o que a nossa criatividade permitisse. Baseada no texto que escrevi em 29 de abril, Choro de mãe – que por si só já é baseado em fatos reais-, resolvemos fazer uma radionovela.

Como era uma adaptação, escrever o roteiro foi mais simples. Numa noite de terça-feira, na mesa da cantina, eu,  Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos e Mayara Picoli, sentamos e escrevemos o roteiro. Marcamos a gravação e fomos à caça dos sons que comporiam nosso trabalho. Resolvemos encarar nós mesmos os papeis de atores para aumentar a diversão.

Chegado o dia de gravar…altas risadas. Na hora que era para chorar, eu ri. Na hora de falar, o Caio se perdeu e a Mayara deu um show com um sotaque tirado não sei de onde. A Ana fez dois papeis graças a sua capacidade de emitir sons diferentes quando ela fala, sim ela é uma dubladora. E a Bruna como sempre atenciosa e porque ela acha que tem a voz fina, foi a criança da radionovela.

Contamos com a ajuda do Robertinho, que trabalha lá na Cásper. Ele deu uma super força na hora da gravação, mas não deixou de rir com as nossas presepadas.

Ouça pelo Uol Mais aqui

Audiopasseio – Metropolitana 98,5 FM


Este post é dedicado ao trabalho que fiz junto com a Bruna Marques para a disciplina Produção de Rádio, chamado Audiopasseio.

A tarefa era sair pela avenida paulista com gravador na mão e falar sobre alguma rádio FM. Escolhemos a Metropolitana porque era uma das rádios que as duas já escutaram e ainda escutam algumas vezes.  O desafio era escolher o que falar…tem tanta coisa…mas o formato estava claro.

Íamos ficar as duas falando para o celular no meio da rua, mesmo que o som ficasse chiado, não tinha problema, era esse o objetivo mesmo

Quanto a experiência de fazer um trabalho desse:

O texto demorou um pouco pra sair, mas no final deu tudo certo. Do jeito que estávamos dava para fazer um programa com 1 hora de duração, mas conseguimos finalizar com 22’29”.  A escolha das músicas foi fácil, bastou olhar as dez mais pedidas do mês de abril.

A parte mais difícil foi lidar com as pessoas na paulista. Primeiro um cidadão vestido de lojas Renner da cabeça aos pés queria porque queria que a gente participasse de uma pesquisa. Falávamos que não dava e o cidadão ficava insistindo em vender o cartão de crédito. Meu…como existe pessoas inconvenientes nesse mundo!  Mal nos livramos dele, dois outros pararam na nossa frente e ficaram ouvindo a gente gravar. Até aí, normal..o ser humano é curioso e não pode ver gente gravando que já acha que é famoso.

Mas as duas criaturas ficaram esperando a gente dar uma pausa para entregar panfleto! PANFLETO!!! Pelo amoooooooooooooooorrrrrrrrr !!!! Não tem mais o que fazer não? Affe…sem noção.

Enfim, tirando essas bizarrices que só a paulista oferece para você o trabalho foi muito legal de fazer. Tive dificuldade com o Sound Forge pra editar, mas nada que uma fuçada aqui e outra ali não resolvesse o problema. O resultado você pode ouvir neste link.  Mas separe aí 22’29” do seu tempo,  pois, como eu disse, nos empolgamos e tá longo.

O hábitus de cada dia


Este post eu destino ao trabalho de comunicação comparada a respeito do hábitus. Você sabe o que é isso?

Hábitus é o princípio estruturador e gerador de práticas, gosto, ações e percepções adquiridos ao longo da sua trajetória social. Em outras palavras, é o princípio que te faz agir do jeito que você age. É uma ação tão profunda que se torna inconsciente e você chega ao hábitus a partir de um longo processo de aprendizagem. Confuso? Simples, basta pensar em andar de bicicleta. Não se lembra como foi difícil aprender? Então pense em quando você aprendeu a dirigire em como você dirige agora. Parece tudo simples, certo? Mas não é bem assim.

Basta lembrar de todas as coisas que você faz sem pensar e todos os conceitos que você incorporou. Tudo é culpa do hábitus. Se dá para mudá-lo? Dá sim, mas imagine mudar uma coisa que é tão enraizada em você? É um grande desafio.

Somos bombardeados com informação e constantamente vamos reformulando nosso hábitus, isso se dá de forma automática porque somos domestificados, mas tem certas coisas que “não descem”, sabe? Imagine a seguinte situação: Você aos 20 anos sabe, provavelmente, mexer em um computador e acessar um blog – senão não estaria lendo isso aqui -, mas a minha mãe, por exemplo, tem quase 50 anos e só agora ela está aprendendo a mexer no computador. Ela tem bastante dificuldade em assimilar as coisas, enquanto que para mim é tudo muito simples. Isso acontece porque meu hábitus se rearranja o tempo inteiro enquanto que o dela está há muito tempo enrraigado. Mas, caros leitores, para ela não ficar mal, vamos inverter a situação: você acha que eu entendo tão bem de cozinha? Nem de longe. Ela com certeza sabe muito mais. Por que? Porque cozinhar não está incorporado no meu hábitus. Com o meu blog eu estou tentando incorporar ao hábitus: atualizá-lo sempre, no mínimo uma vez por semana…

Ó céus! Chega de divagar! Vamos ao trabalho. Baseado nas aulas e nesse viagem ae encima, meu grupo: Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos, eu e Mayara Picoli brincamos com duas gerações para tentar desmistificar a confusão que acabei de fazer a respeito do hábitus. A história é a seguinte: a neta pede que a avó a leve na casa da amiga.  Se interessou? Então clique aqui e ouça.

Programa “Traduções”


Caio Poltronieri e Mayara Picoli na locução do Programa Traduções

Durante o mês de março meu grupo na Cásper Líbero deu de cara com o desafio de criar um programa musical que fosse transmitido ao vivo. Fomos responsáveis por tudo: desde a criação da ideia do programa, produção, trilha, direção até a locução. Tudo isso aos olhos da sala inteira e da professora, claro.

As regras eram claras: tínhamos que falar sobre música e tocar algumas, mas  com um roteiro diferente. Lá se foi o grupo ouvir diversas rádios para ver o que já é feito e se era possível ao menos melhorar alguma ideia, uma vez que é quase impossível criar algo do zero sem referências. O programa “Traduções” surgiu do nada. Tudo porque encontrei sem querer no youtube um vídeo bizarro.

Eu achava que era brega traduzir a música estrangeira para o português, só que esse cara conseguiu piorar rs…
Enfim, foi vendo esse cidadão que veio o insight de fazer um programa que falasse de versões de músicas brasileiras em outras línguas. O grupo aceitou e logo de cara escolhemos falar sobre “Garota de Ipanema”, já que conhecíamos a versão francesa e inglesa.

E foi assim. Preparamos o texto, fiquei responsável pela produção e trilha, a Bruna Marques pela direção e o Caio e a Mayara soltaram a voz na locução.  Na realidade, toda a produção foi feita em conjunto, só na hora do programa que segmentou mesmo.
Então, quem quiser conferir, basta clicar aqui. Está hospedado no uol mais.

Ao fundo, Livia e Bruna na produção e direção

Curiosidades
Vozes das vinhetas: Livia Di Bartolomeo e Bruna Marques
Rádio Ramos – nome veio do sobrenome do Caio Ramos Poltronieri. Faltou ideia para o nome da rádio, foi o dele mesmo hehe
Músicas: grande ajuda de Camila Fink para encontrar as bg

CAIXA PRETA ao vivo na rádio Gazeta AM


Esta faculdade de rádio e TV está me rendendo boas surpresas.  Na semana passada a sala recebeu uma tarefa de produzir um programa cujo entrevistado seria Paulo Lima, editor da revista Trip e apresentador-faz-tudo do programa Trip FM na rádio Eldorado.  Como estávamos para entrar em semana de provas e eu sabia que todos ficariam como zumbis, tomei a iniciativa de agilizar a produção deste programa.  O povo foi se juntando e fomos montando perguntas, pensando na estrutura do programa…tudo para no dia fazer a prova no horário anterior com calma e chegar tranquilo para a gravação que seria no estúdio de rádio normal.

Mas daí…a coisa ganhou proporções. Na segunda aula, que ocorreria o programa, ficamos sabendo que a professora deu um jeito de colocar a gente AO VIVO na Rádio Gazeta AM com a justificativa que estávamos bem organizados. Ó, céus! Foi uma odisséia!

Tudo bem que estava tudo pronto, mas foi uma pauleira! Tínhamos 10 minutos para achar trilhas, “treinar” locutores, definir fala-povo, depoimentos e vinhetas e ainda fazer um espelho decente! Coooorrreeee ….mas no final, deu TUDO certo! Os locutores destravaram rapidinho e ainda conseguiram entender as minhas mímicas de produtora (que aliás, preciso trabalhar melhor isso hehe).

Bloco 02 do programa CAIXA PRETA

Só rolou mesmo porque as pessoas se empenharam antes, durante e depois! Fiquei super feliz mesmo e estou emocionada que meu segundo programa de rádio já foi ao vivo!

Agradecimentos:

Um agradecimento especial a Camila Fink que lindamente criou o nome do programa!
A Tiemy também que ficou online no ning comigo praticamente o tempo inteiro,
ao Rafa que foi atrás das músicas,
a Mayara que deu seu jeito: na sua falta de tempo, ela conseguiu analisar o programa da Eldorado e contribuir com informações cruciais,
a Carol, mais estressada do que eu (hehe) que mandou muito bem na pré e pós-produção,
a Bruna que mais uma vez me socorreu nas pautas de cada bloco,
a Renata que teve toda a paciência comigo momentos antes de irmos pro ar,
ao Bruno Rava que pegou a bucha da produção executiva e me orientou sempre que foi preciso,
a Magaly, professora, que colocou a gente ao vivo e
aos locutores que toparam participar e mandaram muito bem! Enfim..a TODOS que de alguma forma se envolveram! Foi genial!

Pra quem ficou curioso, segue link!

A única coisa permanente no universo é a mudança


Este post inicia com uma frase de Heráclito (540 a.C.- 470 a.C.) para apresentar uma análise do filme “Efeito Borboleta” (2004) e a obra deste filósofo. Veja o trailer do filme.

Esta análise partiu de um trabalho de filosofia realizado em 2008. Para variar, escrevi ele com a Bruna Marques.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

As pessoas que dizem desgostar de filosofia o fazem porque não entendem o pensamento expressado muitas vezes em palavras incompreensíveis ao vocabulário cotidiano do século XXI, mas também é comum encontrar diversos filmes chamados Blockbuster´s, que vendem muito e que na maioria das vezes tem seus roteiros baseados em filósofos supostamente desconhecidos para elas em razão da falta de interesse.

Um deles é Efeito Borboleta, cujo título original em inglês é Butterfly Effect. Lançado em 2004, foi dirigido e roteirizado por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com o protagonista representado por um dos atores juvenis mais cobiçados da época, Ashton Kutcher, o filme teve grande divulgação e multidões assistiram à história de um rapaz que, assim como seu pai, quando criança tinha surtos de falta de memória -blackouts, como chamado no filme. Em algumas cenas, esse problema do garoto causa os diversos pontos de virada observados na montagem.

Ao ficar mais velho, Evan, o personagem principal, percebe que ao ler os seus diários ele é capaz de voltar ao passado, especialmente naqueles momentos em que ele não se lembra, mas com um detalhe: ele recorda o que teria acontecido durante os blackouts. Surpreso, procura seus amigos de infância para ver se aquela visão era real. Porém, ele deixa os outros personagens atormentados causando até o suicídio de Kayleigh, personagem pela qual foi apaixonado por toda a sua infância.

Aqui começa o desenrolar da história. Assustado, ele tenta reler alguns de seus cadernos para tentar evitar o suicídio de Kayleigh e assim começa a mudar o seu passado. O grande problema é que nada permanece. Qualquer nova decisão que ele toma em seu passado deflagra nas consequências mais diversas.

Heráclito

É aqui que nos atrevemos a comparar o filme com o pensamento do pré-socrático Heráclito (540 a.C a 470 a.C) começando com uma citação retirada do livro “Convite a filosofia” de Marilena Chauí: “O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece. Para Heráclito tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”

É exatamente isso que ocorre com Evan. A cada mudança, por mínima que seja, causa uma contradição, quando ele decide voltar ao seu passado. Ele resolve um de seus problemas, mas outros surgem, ainda mais complexos de se entenderem e mais difíceis de serem resolvidos. Até Evan muda,não em sua relação sentimental com as pessoas que ele sempre amou, mas sim em seus gostos e sua maneira de levar a vida.  Por isso a cada nova situação vemos uma nova personalidade que ele demora a compreender e também percebe que as pessoas ao seu redor sofrem influências dessas reviravoltas. Enfim, ele está em constante metamorfose, como qualquer outro elemento da natureza.

Mais uma vez nos utilizamos de um exemplo da teoria de Heráclito. Evan seria o rio modificado, ou seja, ele nunca é o mesmo, pois “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.O filósofo ainda avisou em seus excertos que os humanos devem sempre esperar e reencontrar o inesperado, pois “a incredulidade pura e simples denota um espírito obtuso e fechado ao enigma do mundo”. Pelo filme, vemos que o personagem desconhece essa teoria.

Outra questão observada no filme é que ele constantemente se refere ao tempo. Mas o que é o tempo? Para Heráclito o conceito de tempo é abstrato e existe a partir dos opostos. Ele é e não é, e está posto numa unidade e, ao mesmo tempo, está separado, ou seja, é abstrata contemplação da mudança já que o conceito de passado, futuro e presente foi convencionado, foi o ser humano que deu sentido e significado ao tempo.

Para Evan, voltar ao tempo passado era uma oportunidade de “reparar” alguns detalhes de sua vida, mas ao interferir no que foi feito, ele muda o seu presente sendo que as consequências dependerão das suas novas escolhas ao voltar ao passado, pois cada mudança que é feita, por mínima que seja, interfere em muitas outras coisas. O nome do filme explica exatamente isto. O efeito borboleta remete a teoria do caos, citada no início do filme. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Esta teoria diz que o simples bater de uma asa de borboleta poderia mudar o curso natural das coisas podendo até causar um terremoto do outro lado do mundo. Mas há cientistas que dizem que o formato dos gráficos analisados quando há movimentos caóticos é de uma borboleta.

Se a borboleta influencia um terremoto ou se é mera ilustração gráfica não sabemos. O que importa é que dentro dessas duas explicações pode-se analisar o filme e a teoria de Heráclito.  A cada novo “bater de asas” do personagem, sua vida inteira sofre um terremoto e a cada “bater de asas” da própria borboleta, sua essência também muda porque de acordo com Heráclito, a única coisa que permanece no universo é a mudança.

Em oposição, podemos comparar o filme com os pensamentos de outro pré-socrático Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), que sustenta a idéia contrária a de Heráclito. Esse filósofo diz que a mudança é algo criado no mundo dos sentidos e que é ilusório.
Ao contrário de Heráclito que afirma que “tudo muda”, Parmênides diz que “nada muda”. Assim, por mais que suas águas mudem de posição, um rio será sempre o mesmo rio. E no filme “Efeito Borboleta” também se pode enxergar isso. Por mais que as situações mudassem, a essência de Evan, ou seja, seus sentimentos e princípios sempre continuavam os mesmos.

E o que você acha de tudo isso? Comente abaixo.

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Vencedor do Casperito 2009


Quase esqueci de falar sobre isso por aqui. Com a cobertura do Oscar lembrei que eu já ganhei um prêmio, em equipe, claro.
No ano passado, o primeiro trabalho prático que tive como estudante de rádio e tv foi criar uma história sem palavras em áudio com até 1 minuto. A dificuldade foi tremenda! Como fazer isso?

Lá se foram dois sábados a tarde!! A ideia do roteiro foi tranquila: um rapaz está na casa da namorada quando o amigo chama ele pra balada. Com uma desculpa esfarrapada, ele deixa a namorada e vai curtir. No meio da festa, uma garota se aproxima e “flerta” com o cara. Ele cai na dela, mas uma amiga da namorada vê tudo e liga contando o “bafão”. Quando o cara volta pra casa, lá vem a briga. E o nome da história: “A traição“. Clique no link para ouvir.

O trabalho não foi muito bem aceito pela professora e a nota no bimestre confirmou que ela esperava mais do grupo. Porém, no final do ano aconteceu uma grande surpresa!

Lá na faculdade tem, todo ano, uma premiação chamada “Casperito” e os alunos do primeiro ano podem participar. Aliás, tem até uma categoria específica para eles. Confesso que inscrevi esse trabalho quase sem esperanças, mas na hora H fomos premiado como melhor áudio dos alunos do primeiro ano! É isso ae!! aha uhu…o Casperito foi nosso!! eheheheh

2010 tem mais!

Elenco: Bruna Marques, Livia Di Bartolomeo, Mayara Picoli, Rafael Batista e Vinícius Peres

A= namorada
E = amigo
I = amiga da namorada
O = namorado
U = a outra

O primeiro curta a gente nunca esquece


Desde pequena eu adoro filmadoras e câmeras fotográficas. Se você não acredita, basta pedir uma daquelas fitas VHS da minha infância que você vai ver eu gritando pro meu pai: “ filma eu, pai. Filma, eu”. Pois é, o que era só registro familiar virou hobby mais tarde quando a minha família comprou a primeira JVC, estilo handcam.

O gosto pela brincadeira fez com que eu usasse a criatividade e regravasse os clipes da minha musa na época (sim, podem rir. Eu tinha 14 anos e adorava a Britney Spears). Como não tinha nenhuma técnica de edição, a gente pausava a música e a filmagem junto para mudar de cenário e lá ia o play de novo. Até hoje me surpreendo que a música nunca cortou. Ficavam bem bacanas, pena que não tenho nenhum desses vídeos mais.

Tudo mudou quando apareceu aqui em casa uma filmadora de HD. Nossa…foi sensacional! Nunca me esqueço da alegria ao descobrir que poderia passar o vídeo para o computador e gravar em DVD. Tanta tecnologia… e eu ainda não sabia mexer em nada.

Até que entrei na faculdade. Aí me encantei mais ainda. Vi pela primeira vez uma ilha de edição de perto. Confesso que era MUITO amadora, mas era uma ilha. No primeiro dia que vi a mulher capturando e editando e foi daí que eu resolvi instalar o adobe première em casa e aprender a editar na marra. Muitos foram os vídeos simples, como montagem de fotografias até chegar nas matérias de 1 minuto para a PUC.

Fui me aprimorando, lógico que com muita ajuda de amigos, até que me embrenhei em filmar festas de dança do ventre. Foi uma época de grande aprendizado, onde fucei mesmo no programa e me vi fazendo coisas que nem imaginava.

Por causa disso, resolvi encarar um grande desafio: fiz meu tcc em vídeo – um documentário a respeito de feiras livres. Um dia eu dedico um post especialmente ao meu TCC e a tudo que se passou.

Apesar de este post já estar enorme, o foco dele é o meu primeiro curta-metragem. Pra quem não sabe, estou fazendo a segunda graduação em rádio e TV e foi lá que tive a oportunidade de fazer isso.

Claro que não fiz nada sozinha, todo o trabalho foi em equipe. Confesso que foi muito gratificante ver que uma simples ideia de personagem transformou-se num curta que eu jamais esperava ser capaz de produzir.

A elaboração do roteiro não foi nada fácil e quando ficou pronto, olhamos pra ele e pensamos:  “praticamente impossível filmá-lo nas condições que temos para gravar”. Tínhamos apenas 4 horas e não podíamos ir além do quarteirão da faculdade. Mas encaramos o desafio e gravamos em 3h30. Inacreditável como tudo foi se encaixando e quando acabamos a gravação eu só olhei pra Ana, da equipe, e disse: “Fizemos o impossível, a gente conseguiu!”

Eu estava acabada de cansada, mas extremamente feliz. Quando fui editar eu me surpreendi com o resultado. E eis abaixo o trabalho que realizamos. Não ganhamos o Casperito, mas o sentimento de realização valeu por todo o esforço.

Confiram!

“Sem serviço” (2009)
Agitação de cidade grande, as pessoas sempre com a tecnologia pindurada na orelha. Neste mundo comtemporâneo há uma contradição com a ajuda de um mensageiro do passado: Hermes (Caio Ramos). Há muito tempo ele anda sem serviço por causa dos aparelhos celulares já que os humanos o trocaram pelo SMS. Até que um dia, ele percebe que Márcia (Leila Brambilla) não recebe um torpedo importante e resolve ajudá-la, entregando a mensagem ele mesmo.

Este é um trabalho dos alunos do 1 RTVC da Faculdade Cásper Líbero

Ana Luisa Pacheco, Bruna Carvalho Marques, Bruno Teixeira, Danilo Sala, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael

Para quem gosta dos bastidores, confira o making of