#8 No transporte público


Fones de ouvido

No início de março deste ano escrevi um post para este blog sobre o rádio. Nele eu discutia sobre ouvir rádio e terminei comentando que seria bom as pessoas usarem fones de ouvido ao ouvirem música em seus mp3, celulares e etc.

Pois bem, nesta semana fui obrigada a me lembrar deste texto. Plena segunda-feira às 7h00, logo após o Brasil voltar aos eixos com a saída da seleção da Copa do Mundo, uma mulher resolve deixar o som das vuvuzelas e da waka waka da Shakira para se dedicar ao seu gosto musical: PSY.

Acreditem ou não, a moça ouvia aquele ziriguidum pesado logo cedo e para completar, mexia o pescoço no ritmo frenético. Ok, pode parecer implicância minha, mas quando eu estava tentando ignorar as batidas, uma morena ao meu lado comenta com sua amiga:

– Psy logo cedo? Pelo amor de Deus, né?
– O pior é que ela tá com fone e ainda dá para ouvir – responde a amiga.
– É, irritante.
– Mas podia ser pior. Ela podia ser daquelas que tiram o fone e deixa o celular gritando como muita gente faz por ae.
– Mas daí não seria psy, seria funk.
– É, tenho que concordar com você.

Caro leitor, te convido a refletir: Quais são as músicas mais tocadas por celulares que, não sabemos porquê, estão sem fone?
a) funk
b) sertanejo
c) psy
d) samba
e) nenhuma das alternativas.

Veja +
#7 No transporte público – Brasil sai da Copa do Mundo
#6 No transporte público – O que é o respeito?
#5 No transporte público – O jogo do Brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

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#7 No transporte público


A seleção brasileira volta para casa, mas será que os brasileiros voltam para a realidade?
Acho o brasileiro uma coisa muito engraçada. Levantaram nesta sexta-feira na esperança de ter torta holandesa como sobremesa. As vuvuzelas começaram logo cedo e estava estampado na cara dos jornalistas da tv e nas pessoas que assistiam que a semi-final estava garantida.

Todo mundo concordava que a Holanda é um time forte, mas a esperança que o time de Dunga vencesse, mesmo com uma escalação odiada, era grande. Brasil fez bonito no primeiro tempo. Um golaço de Robinho! Um gol tão bonito que encheu as ruas do Brasil de gritos e vuvuzelas.

Mas como em todo jogo, ficamos com raiva do juiz. Muitas faltas deixaram de ser marcadas e o gol contra assustou. Não entendo de futebol, mas para mim foi um jogo de tirar o fôlego, mesmo com o desânimo de Juan e Júlio César, abalados com o empate.  Mesmo lutando muito, perdemos de 2X1, de virada.

Terminado o jogo, hora de voltar a realidade e trabalhar. Metrô estava mais ou menos vazio. O silêncio imperava. Algumas camisas amarelas no meio de uma multidão de luto. Quase fiquei sem episódio para a série No Transporte Público se não fossem por duas pessoas.

A primeira era uma mulher que falava ao telefone:
– Nem acredito que perdi meu tempo vendo esse jogo. Até me vesti de preto para sair de casa e ir trabalhar. Sabe o que é pior? Eu tinha me prometido que não veria mais nenhum jogo….a culpa é toda do Dunga.

Mais a frente um outro cara fala com o amigo ao lado:
– Não podemos negar que o jogo foi bom. E não há vergonha em perder para a Holanda…mas se o Dunga tivesse levado o Neimar…

Pois é. Agora todo mundo é técnico e acredito que muito em breve voltarão a criticar a escalação do Dunga e também por ele ter xingado um jornalista. Se tivesse ganho, como seria?

O lado bom é que agora não há mais desculpas para não prestar atenção nos candidatos.  Eleição logo mais.

Veja +
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#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

#5 No transporte público


Estreia do Brasil na Copa do Mundo 2010

Antes tarde do que nunca!

Queria muito dedicar um episódio do Transporte público a respeito da Copa ontem mesmo, mas como no trabalho foi aquela correria, teve que ficar para hoje.

O jogo do Brasil

Pela manhã ela saiu no mesmo horário de casa para ir ao trabalho. Na rua, movimento intenso e cheio de verde-amarelo. Camisetas, bandeiras, luvas, boinas e tudo mais que a criatividade permitisse colocar a bandeira do brasil como estampa.

No metrô, uma surpresa: muito mais cheio que o normal.  Fila para passar pela catraca. Uma olhada rápida aos funcionários também provou que o transporte público estava em clima de festa.

A plataforma parecia um formigueiro.  Mistura de cores, sexos, idade, mas todos com um só pensamento: chegar mais cedo ao trabalho para poder ir embora antes do jogo ou assistir com os colegas de trabalho. E as conversas não poderiam deixar de serem as mesmas:

– Meu chefe liberou. Vou pra casa uma hora antes do jogo e nem vou ter que compensar horas – disse um.
– Sorte a sua. O meu me obrigou a ver no trabalho e ainda compensar as horas do jogo. Vê se pode? – resmunga outro
– Pelo menos vocês podem assistir, eu vou ver na surdina. Entrar naqueles sites lá ao vivo e acompanhar pelo fone de ouvido – fala um terceiro
– Duvido você não gritar gol – desafia o primeiro
– Eu vou dar o meu jeito – responde o terceiro.
– Você acha que vai ser quanto? – interfere um quarto
– 3X0, certeza. – responde o quinto
– Eu acho que fica 2X0 – fala o sexto
– 3×0 se o Dunga não colocar o Kaka, ele tá zoado – fala o primeiro
– ah, o Kaka tem que jogar. Ele é lindo – fala uma primeira mulher

Estação Sé – desembarque pelo lado esquerdo do trem

– Se beleza fosse sinal de jogo bom, o Robinho tava ferrado – ri o segundo.

Ela chega ao trabalho acompanhada pela trilha sonora de vuvuzelas. Não sabe o que é uma vuvuzela? Antes você chamava ela de corneta, certeza. Lembrou, né?
Ela se concentra no trabalho e o dia vôa. Hora do jogo. Tensão, salgadinho, refrigerante e colegas de trabalho.
Tudo junto ali, misturado em frente à tv.
Apita o jogo. As vuvuzelas do bairro param de tocar. Silêncio.
Risada logo de cara: uma baita faixa de “Cala boca Galvão” em plena rede globo. Mas, não demorou dois minutos e a faixa sumiu.

Primeiro tempo: triste. Nenhum gol.
A vontade de comemorar estava entalada.
Intervalo: olhada rápida para o computador. Ela conclui uma tarefa simples.
Segundo tempo: tenso. Mas Maicon aliviou: GOL! O grito veio e o sorriso também. Nem tiveram fôlego para “vuvuzelar”, era mais divertido gritar GOL
Saldo final: 2×1. Ganhamos, mas como todo brasileiro, ela esperava goleada.
Fim do jogo, de volta ao trabalho.
Concentração, próximo jogo só semana que vem.
Ela vai para a faculdade. Ruas vazias…sem trânsito às 18hs.
No ônibus os técnicos de plantão dão a sua opiniao:

– O Dunga tinha que ter tirado o Kaka antes e colocado o Grafite – fala o cobrador
– Pode crer. E por que tirou o Elano logo que ele fez gol? Devia ter deixado mais tempo. – fala o transeunte.

Na faculdade, quase sem comentários sobre o jogo. Semana de provas e trabalho, dá nisso.
Mas nada impede que na semana que vem, tudo se repita.

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No transporte público – como tudo começou

E você? Assistiu à Copa onde? Comente!

Copa do mundo e dia dos namorados


Junho começou. E com ele veio o frio em São Paulo. Mas este post não é para falar do frio, mas sobre outro fenômeno que não é necessariamente da natureza…
Está chegando dois grandes eventos para o comércio: Dia dos namorados e Copa do Mundo.

E ai, o que vai esquentar e encher os bolsos dos vendedores? Corações apaixonados e chocolates caros ou tudo com o logo do Brasil? Meu palpite é uma mistura dos dois…mas..acho que desta vez o amor está ganhando.

Digo isso porque todas as propagandas visuais em foto, cartaz etc, são com dois pombinhos apaixonados: Boticário e sonho de valsa estão investindo pesado. Mas…é passear pelas vitrines que vejo uma situação inversa: O verde-amarelo domina camisetas, almofadas, calcinhas, lençois e tudo o que você imaginar.

A pergunta é: por que não juntar os dois? Coração verde-amarelo comendo chocolate com quem se ama? Eis algo que o comércio ainda não percebeu…acho que poderia vender bem.

Se você tivesse que escolher, ficaria com qual? Entraria no ritmo de Waka Waka da Shakira ou na mistura de O Boticário?

Waka Waka

Boticário 2010

#2 No transporte público


Mulheres e futebol

Homens só falam de mulher e futebol! Que mulher nunca disse ou ao menos pensou isso a respeito do sexo masculino? Pois é, eu preferia não acreditar nisso, mas hoje tive que concordar com essa frase feita. Eis o que ouvi indo para o trabalho. Tentei reproduzir o diálogo o mais fiel possível, por isso das palavras estranhas.

No meio da lotação do metrô às 7:55 AM dois rapazes se reconheceram.

– Cara, não acredito que é você! – disse Rafael
– ô, loco, mano! Faz tempo, hein?! – respondeu Caio
– Bons tempos aqueles que a gente jogava futebol, não?
– Nossa, era feliz e não sabia.
– Mas lembro que você parou cedo de jogar. Por que?
– Por causa da minha mina. A gente ficava junto só de final de semana e ela ficava putinha se eu ia jogar com os muleque. Daí fui cedendo e você sabe como é mulher, né?
– ô se sei, mas nada que um belo trato não acalme a mina.
– é, mas com ela não funcionava. Por isso, terminei com ela.
– Tá solteiro agora?
– Tô nada, vou casar em breve.
– Eita, por que?
– Ah, tá na hora, né? Cinco anos de namoro e tals…ela tá ficando impaciente
– Você é um dominado!
– Olha só quem fala. Quem ficou preso a Bruna, hein?
– ah, a mina era gostosa. Catei ela durante três anos, mas na hora que ela veio com esse papinho de juntar meia, caí fora. Você sabe que não sou homem de uma mulher só.
– Sei bem disso. Ou, você viu a escalação?
– Dunga burro.
– Pra que tanto volante?

“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Fui jogada do trem junto com o tal de Rafael e confesso que não pude parar de rir e pensar em como muitas vezes uma frase feita faz sentido.  E você? Já se deparou com alguma frase feita na sua frente?

Leia:

#1 No transporte público