Frozen – O que é o amor verdadeiro?


Finalmente, depois de muito tempo querendo, conseguir assistir a “Frozen – um aventura congelante”. Apesar da música “Let it go” ser sucesso, optei por assistir  à animação na versão dublada. Sim, sou daquelas que gosta de ver desenho na minha língua rs rs

***spoiler****

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Quando eu vi os primeiros teaser´s, criei uma imagem totalmente diferente do filme. Jamais pensei que a Disney realmente já estava mudando a forma como tratar as personagens femininas. Achava que a Elsa era tipo a rainha má da Branca de Neve e que ela queria matar a ruivinha. Me enganei rs.

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Na história, Elsa e Anna são princesas de Arendell e irmãs inseparáveis. Elsa tem o poder de “lançar” gelo e neve pelas mãos e, durante uma brincadeira, Elsa sem querer ataca sua irmã. Para a segurança de Anna, sua memória é apagada e Elsa se esconde dela e do mundo, pois teme não conseguir controlar o seu poder.

Anos depois, no dia da coração de Elsa como rainha, um acidente acontece e todo o reino descobre seu poder. Ao contrário de todos, Anna não se intimida e quer ajudar a irmã que foge para as montanhas. A aventura começa aqui, ela conhece novos personagens e enfrenta diversos perigos para ajudar a sua irmã.

O que mais me chamou a atenção neste desenho foi a questão do que é o “amor verdadeiro”. Quando Anna é atingida pelo poder de Elsa, seu coração começa a congelar. A cura só acontece através do amor verdadeiro. Nos contos de fada tradicionais a resposta estaria no beijo de um belo rapaz, certo?

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Pois bem, em “Frozen” não foi assim. Quando Anna está quase recebendo o beijo verdadeiro e, quase morrendo, ela vê sua irmã em perigo e decidi salvá-la. Ignora sua fraqueza e como seu último ato da vida, impede que Elsa seja morta. Está aí, bem claramente, uma demonstração de amor verdadeiro. Claro que, para ajudar a entender isso, o bonequinho da neve repete a frase: isto é o amor verdadeiro.

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Amor verdadeiro é amor entre irmãos. Claro que filosoficamente podemos expandir o conceito de irmão para além do convívio familiar, mas eu fiquei admirada pela ideia da Disney de dizer que encontramos o verdadeiro amor dentro de nossa família. É muito lindo isso. E olha que maravilha: amor é a chave para Elsa controlar seu poder. Lindo, né?Com certeza é uma animação que toda criança (e por que não adulto) deve assistir.

Outra coisa que me chamou a atenção e me fez gostar ainda mais do desenho foi que Esza precisou se aceitar. A música “Let it go” faz sucesso, na minha opinião, justamente por ser no momento em que ela se assume. Sim, ela tem poderes….sim, ela pode ser do jeito que é. E uma das coisas mais difíceis na vida é sabermos justamente quem somos e nos aceitarmos.

Arrasou, Disney…mais uma vez!

 

TCC: e nasce um filho


Hoje, dia 02 de novembro de 2012 ficará marcado para a minha história. Para você pode ser apenas um feriado, para outros a lembrança dos que já se foram, mas para mim um nascimento. Estou com a minha monografia impressa aqui na minha frente.

Para quem não sabe estou finalizando o 4º ano do curso de rádio e TV na faculdade Cásper Líbero. Ok, pode parecer algo simples e comum, mas não para quem teve este curso como a sua segunda graduação. Ahan, isso aí. Eu tive a coragem de encarar duas faculdades seguidas: mal saí de jornalismo e já entrei em rádio e TV. Se fizer as contas direitinho, hoje eu tenho 25 anos e estudo há pelo menos 20 anos ininterruptos.  É um bocado de tempo, não é mesmo?

Mas terminar este TCC significa pra mim muito mais que encerrar mais uma faculdade. Estudar na Cásper Líbero sempre foi um sonho meu. Este sonho iniciou aos 14 anos quando decidi que queria fazer comunicação, na época jornalismo, e o meu tio Ricardo me falou que a faculdade mais conceituada era a Cásper Líbero. Quando entrei para o colégio Lumière, isso em janeiro de 2002 ouvi de um outro professor, o Márcio que dava aula de química, que a Cásper, além da USP, claro, tinha que ser o meu alvo. Pois bem. Chegou a época de prestar os vestibular e fui nas três maiores: USP, Cásper Líbero e PUC.

Porém, com 17 anos eu só passei na PUC. E ainda na sétima lista de chamada. Imaginem a minha tristeza. Mas tudo bem, eu tentaria fazer a transferência no final daquele ano. Eu tentei. E não passei. Tentei mais uma vez e não passei. A primeira vez que entrei na Cásper foi para fazer cursos extracurriculares de locução. A sensação ao entrar lá era que eu pertencia ali. Mesmo sendo um prédio cinza, sem janelas, algo me dizia que eu deveria estar ali.

Pois bem. Por 4 anos, foi apenas por cursos extras que entrei ali. Quando estava no terceiro ano de jornalismo na PUC comecei a perceber que o curso não estava me dando aquilo que eu mais queria. Eu queria mexer com câmera, com edição, entender como funciona um microfone, com iluminação e tudo mais. Foi aí que descobri o curso de rádio e tv. Todos os trabalhos de jornalismo que dava para fazer em vídeo, eu fazia. Fiquei pensando por um ano até que chegou o TCC de jornalismo e fui fazer um documentário sozinha. Senti grandes dificuldades na parte técnica e estava frustrada por simplesmente não saber como certas coisas funcionavam. Foi quando abriram as inscrições para o vestibular da Cásper Líbero. E a vontade de continuar os estudos gritava dentro de mim.

Eu já namorava o Thiago e ele estava na luta para entrar na faculdade. Naquela época ele queria medicina, mas algo dentro dele chamava-o para o curso de Direito. Eu me formei desempregada, quase sem sorte nos estágios que fiz. Queria trabalhar numa grande emissora, mas meus 4 anos ficaram em assessoria de imprensa. Tudo estava acontecendo para eu encarar outra faculdade. Conversei com os meus pais, perguntando da possibilidade financeira de iniciar outra faculdade, mas não era outra qualquer, eu queria estudar na Cásper. Como sempre, eles me apoiaram.

E foi aí que fiz a inscrição. Mas fiz a inscrição no último dia, a poucos dias da prova. Fiz apenas para a Cásper, porque se não fosse lá, eu não queria. Fui para a prova de vestibular sem estudar nada das matérias do colegial. Apenas li os livros e vi os filmes que eles indicavam. Dias mais tarde o resultado saiu. E eu passei em 7º lugar, na primeira lista.

Foi muita emoção. Eu liguei para o meu pai chorando sem acreditar que eu finalmente iria estudar lá. Claro que perguntei de novo se ele poderia pagar e ele disse que sim. Fui fazer a matrícula com a felicidade transbordando dentro de mim.  Dá até para ver na foto da carteirinha, né? Explico: o fotógrafo leu o que estava escrito na minha camiseta, mas eu estava com sorriso solto e achei que era para sorrir. E a foto saiu assim rs.

Quando as aulas começaram eu sabia que era 4 anos mais velha que a maioria da turma. Em alguns momentos isso atrapalhava porque eu estava levando tudo muito a sério e eles, ainda saindo da escola e curtindo a vida.  O primeiro ano foi bem teórico e tinha aula aos sábados. Ao contrário do PUC, janelas na grade não existiam. Eu estava aproveitando tudo ao máximo, virei nerd completamente. Lia todos os textos, fazia todos os trabalhos com antecedência e tinha notas como nunca tive em toda a minha vida escolar.  Mas calma lá, a faculdade tem sim os seus problemas, mas eu gosto mesmo assim. No segundo ano fomos tendo aulas mais práticas e finalmente eu entrei numa grande emissora que estou ainda e hoje e espero continuar por muitos e muitos anos.

Jamais pensaria que trabalharia com rádio, mas foi onde a oportunidade surgiu e tenho que confessar que me apaixonei pelo lugar logo de cara. Além de nerd, passei a ser sistemática. Mas tudo porque eu estava amando tudo o que estava acontecendo. Não via nada daquilo como obrigação, eu me divertia nas duas coisas. Fazer as coisas de qualquer jeito não é comigo não. Se é pra fazer, faço com paixão e vontade.

Quando chegou no terceiro ano, tivemos um projeto chamado interdisciplinar que consistia em fazer um curta-metragem. O trabalho foi em grupo. E foi aqui que percebi que não queria fazer um filme como projeto final do curso. Conheci alguns professores que eu admiro muito e a vontade de, quem sabe, ministrar aulas um dia, cresceu dentro de mim. Escolhi que faria monografia para ir treinando para a futura pós-graduação. Outro motivo desta escolha é que seria a primeira vez na vida que faria um trabalho tão importante sozinha. Tudo dependeria apenas de mim e, por isso, aceitei o desafio.

Meu orientador foi um dos grandes – se não o melhor – professores que tive ali. As reuniões foram bem diferentes das que tive em jornalismo e nele vi um apoio que eu não esperava. (sim a minha experiência anterior foi meio traumática rs). A cobrança veio nas suas medidas corretas e aprendi muito durante todo o processo.
Sei que este post está gigante, mas ele reflete parte do que estou sentindo nesse momento ao ver o TCC impresso aqui.  Estou simplesmente emocionada. Realizei dois grandes sonhos.

Agradecimentos especiais aos meus pais Hilda e Eduardo, ao noivo que sempre esteve ao meu lado, Thiago, ao orientador Luis Mauro e à Camila Fink, que me apresentou ao mundo do Hitchcok no segundo ano de jornalismo e que revisou o meu texto com o maior carinho. E a todos que de alguma forma participaram de tudo isso.

Agora, resta esperar a banca de TCC no dia 6 de dezembro de 2012, às 20h. Exatos 4 anos depois que defendi o meu documentário e recebi um dez com louvor. Não estou tão preocupada com a nota porque a realização que estou sentindo, só as lágrimas de felicidade conseguem exprimir. 

PS: A banca é livre, quem quiser ir, basta me enviar um e-mail com nome completo e RG.

 

O que é o suspense?


Eu achava que essa seria uma pergunta ridiculamente fácil para responder quando me foi solicitado um relatório com ao menos cinco livros de bibliografia. Ah, que engano!  Pelo dicionário da língua portuguesa, suspense é

“Momento de um filme, de uma obra literária, em que ação, parando um instante, mantém o espectador, o auditor ou o leitor em angustiosa expectativa sobre o que vai acontecer.”

Mas será que é só isso? Acho que tem muito mais coisa para se chegar a esta definição.
Já encontrei algumas explicações…mas já percebi também que minha biliografia vai aumentar… e muito!

Inter #1


Fazer um curta-metragem não é fácil. E nem precisa entrar no meio para imaginar as dificuldades que podem aparecer enquanto você tenta transformar uma ideia em um filme.

Este ano na faculdade temos uma coisa, isso – coisa, chamada interdisciplinar que é, carinhosamente ou não, chamada pelos alunos de inter.

E o inter é exatamente isso: a sua chance de criar um curta-metragem.

Resolvi usar o espaço do meu blog para falar como foi a experiência. A ideia inicial era um diário de bordo, mas não tive experiência suficiente para tal atividade.

Então fica um resumão que pode ou não ser dividido em mais posts.

Como se faz um curta-metragem?

Primeiramente tivemos que escolher um tema X. Pesquisar a respeito, fazer entrevistas com as pessoas, criar um roteiro de um documentário sobre este tema para depois partir para a ficção. Pois bem, inicialmente queríamos falar sobre signos. Isso, zodíaco.

Pesquisa daqui, pesquisa de lá. Foi engraçada esta parte porque as respostas que apareciam nos faziam rir muito. Até cheguei a postar a pesquisa aqui para você responder…

Depois desta parte, fizemos o roteiro de documentário. Como as pessoas se portavam em relação ao tema. Terminada esta parte, o sonho começa.

O roteiro da ficção. Em um grupo de 9 pessoas é meio difícil que todos cheguem a um consenso, mas até que conseguimos. Terminamos o segundo ano com o roteiro lá…prontinho para ser filmado.

Eis que vira o ano e uma reviravolta. Não quisemos mais aquele tema e resolvemos criar um novo roteiro totalmente do zero. Yep. Não se assustem que isso pode acontecer com vocês.

Queríamos algo diferente e depois de muitas conversas um novo roteiro foi nascendo. Até chegar ao conceito final de “Cais” demoramos um tanto. Reuniões, reuniões, ideias mirabolantes, zilhões de e-mails até que chegamos à uma história.

Os cargos já foram se definindo e para meu desafio acabei ficando com a produção. Função paradoxa que me faz arrepender da escolha ao mesmo tempo em que percebi o quanto eu amadureci. É justamente por isso que este post irá tratar mais de produção, meu chabú!

Até então eu não fazia muito ideia da tarefa de um produtor de curta-metragem. Ainda nem sei se o que fiz foi o correto, mas….o trabalho saiu! Produtor é aquela pessoa ligada nos 220 v, que tem que estar ligada em todos cargos e saber dialogar com cada um. Aturar mau humor, ideias bizarras e impossíveis de ser realizadas ao mesmo tempo em que deve encorojar quem precisa ser encorajado. Organização é fundamental e ter um carro facilita, no caso do nosso curta, foi a salvação! Noção financeira também ajuda, assim você não estoura o orçamento do grupo comprando besteiras e coisas desncessárias.

Para mim o produtor tinha que estar presente em praticamente tudo. Castings, reuniões de roteiro, direção, arte, fotografia…tudo para ajudar a ideia se transformar no curta em si. Eu tentei ao máximo fazer isso, mesmo incomodando o restante do grupo.

É importante que você tenha o roteiro decorado. Não precisa saber as falas de cada personagem, mas saber a sequência de cenas. Sentar com o assistente de direção e com os demais integrantes para definir o famoso cronograma de gravação. Analisar com cuidado cada locação, ajudar a escolher onde vai ser e ainda saber se o acesso ao local é viável.  Acho que vale um texto a parte a respeito de cada locação do Cais.

Por que o nome Cais? Por mais irônico que seja, pensamos em cais, mas verdade falávamos de píer, aquela passarela que sai da terra e termina já na água. O cais na verdade é paralelo à água e não teria o sentido do filme que queríamos. Mas como “Cais” soa mais bonito que “píer”, ficou este nome mesmo.  Ainda mais porque o nosso personagem principal pode enganar o espectador como fomos enganadas pelo real significado da palavra Cais.   Outra referência foi a música “Cais” de Milton Nascimento que fala muito a respeito do nosso curta.

“Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar”

Dogville e a influência de Brecht


Mais um vez trago um trabalho que fiz com a Bruna Marques e Mayara Picoli para a Cásper Líbero. Desta vez, tínhamos que encontrar algum filme que apresentasse características do dramaturgo Bertolt Brecht e analisar como apareciam no cinema. Pois bem, escolhemos Dogville (2003), dirigido por Lars Von Trier.

Já vale lembrar que se você não gosta de spoilers,  pare de ler agora.

Antes de começar, confira o trailer do filme.

Quando o cinema nasceu com os irmãos Lumière, acreditava-se que ele servia pura e simplesmente para retratar a realidade. Com os planos gerais e câmeras fixas, víamos toda a ação acontecendo diante de nós como se fôssemos a quarta parede de uma sala, justamente como acontecia com o teatro clássico. Não demorou muito para que o cinema conseguisse a sua própria linguagem e inovasse com o passar do tempo.

O modelo clássico é o mais seguido e referenciado, assim como aconteceu no teatro. Cenários exuberantes, atores famosos e trilhas encantadoras nos fazem mergulhar de tal forma na tela que nem percebemos que tudo não passa de uma montagem de imagens que, unidas, fazem algum sentido. Às vezes até esquecemos dos planos e enquadramentos e nos vemos ali no meio da história.

Como Alfred Hitchcock já disse inúmeras vezes, o ser humano é voyeur e é isto que garante que as pessoas fiquem horas diante de uma tela sendo enfeitiçados pela história.  De certa forma, este encantamento também apareceu no teatro clássico. Mesmo com a distância da poltrona ao palco, somos engolidos pela fantasia de tal forma que pertencemos a ela.

O que vemos ali, no palco ou na tela, não chega a ser um retrato da realidade, como os criadores do cinema acreditavam, mas mesmo assim tendemos a acreditar que aquilo é real.

Entretanto, existiu um escritor e dramaturgo alemão que decidiu quebrar este paradigma de representação da realidade e nos lembrar constantatemente de que o que estamos vendo é uma peça de teatro: Bertolt Brecht. Para ilustrar as suas ideias, escolhemos o filme Dogville (2003), dirigido por Lars von Trier.

A maneira utilizada para filmar Dogville é o aspecto mais característico de Brecht. O filme foi rodado em um estúdio fechado e sem cenário, apenas com riscos desenhados no chão representando as casas e ruas do vilarejo. Até o cachorro é um desenho no chão, bem como a referência à cadeira de descanso e os arbustos, uma clara referência também ao cachimbo de Magritte.Isso já questiona se o que vemos é de fato a realidade ou uma representação dela.

No cinema e no teatro, isso nos faz lembrar que estamos assistindo a uma peça/filme e não que estamos vendo a história real.

Os atores circulam sobre a planta da cidade e atuam como se houvesse objetos invisíveis aos nossos olhos, sem paredes e portas, apenas com alguns móveis. É como uma criança que brinca de faz de conta e desenha uma casa no chão e passa a atuar nela como se fosse real.

A sonoplastia ajuda nossa imaginação quando a porta realmente faz barulho ao ser aberta pelos personagens.

Esta estética usada no filme mantém o espectador sempre ciente de que é uma representação da realidade. Todo filme foi gravado em um galpão da Suécia, o que remete ao teatro caixa preta de Brecht enquanto que a atuação dos atores com os objetos imaginários remete ao teatro do absurdo do dramaturgo.

Dogville é um pequeno vilarejo isolado no alto das montanhas e de difícil acesso. A história mostra a rotina sossegada dos poucos habitantes do lugar, cada um com suas manias e conformismo. Thomas Edson Jr. é o único personagem que não se conforma com a situação pacata das pessoas e promove reuniões moralistas para comunidade refletir sobre suas ações, com o intuito de promover o bem no mundo.

O nome Dogville significa vila do cão, mas em um sentido mais subjetivo, diz que os habitantes desta vila agem como cães por instinto uma vez que o contexto da Grande Depressão trouxe miséria a algumas cidades. Brecht ressaltava que as causas podem levar às consequências diferentes porque o ser humano é capaz de fazer escolhas, vê-se isso em Dogville pela submissão de Grace e depois pela vingança.

Baseada no distanciamento entre público e personagem proposto por Brecht, o filme trabalha a história como um componente para reflexão e didática, apresentando um caráter não-ilusório e colocando os espectadores fora de ação para interromper identificações.

As ações acontecem frente às câmeras e, simultaneamente, as outras casas e personagens são exibidas ao fundo, provocando estranheza para quem assiste, mas é a melhor maneira de interromper a ilusão e trazer reflexão, pois acentua momentos dramáticos.

A narração em “off” acentua ainda mais que se trata de uma história sendo contada ao público, assim com a divisão em capítulos, que se assemelha ao teatro e à história, ou seja, é  o narrador quem controla e da voz aos personagens. Brecht tinha um narrador que interrompia a ação e Von Trier também faz isso, comandando às vezes até a fala do personagem.

A principal característica encontrada no filme é a descontinuidade. Fica bem aparente como o diretor faz isso, pois coloca um letreiro informando o número do capítulo e o que irá acontecer, algo que é comum ao teatro Brechtiano. Enquanto muitos buscavam fazer as pessoas se sentirem no filme, Brecht fazia de tudo para que isso não acontecesse em suas peças.

No filme, apesar de seguir uma ordem cronológica dos fatos a divisão dos capítulos causa uma quebra, fazendo com que nos lembramos de que estamos assistindo a um filme. Nos momentos em que começamos a nos acostumar e ficamos compenetrados, os letreiros aparecem fazendo-nos lembrar de que aquilo não é real, é apenas uma história.

Por mais que os cenários não sejam comuns, chega a certo ponto no filme em que nos esquecemos disso, o cenário fica algo insignificante e nos tornamos atraídos pela narrativa. Quando aparece o número do capítulo, nossa concentração acaba por um momento e voltamos à realidade.

Devido a sua experiência de vida, Brecht adquiriu uma posição de luta pelos oprimidos, retratava de forma cênica as diferenças entre classes sociais e a injustiça do mundo. Podemos identificar essa estética na obra “O círculo de giz caucasiano”, onde a protagonista Grucha luta por Miguel, o menino de sangue real abandonado, o qual ela salvou da guerra e adotou com filho.

Nesta peça, Brecht representa as diferenças entre ricos e pobres e o caráter social deles. Ele sempre abordou temas que pudessem ser reconhecidos pelos espectadores e que trouxessem subjetividade.

Já notamos semelhanças entre o livro e o filme. A primeira referência se dá que o primeiro trata da situação das pessoas durante a Revolução Russa e o segundo da Grande Depressão. De certa forma, Von Trier e Brecht abordam a reação das pessoas simples diante de eventos de grande magnitude nos quais eles só fazem parte do cenário e não possuem voz ativa.

Em relação às personagens, há certa semelhança entre a personagem Grucha do livro “O círculo de giz caucasiano de Brecht” e Grace do filme “Dogville”. As duas estão durante toda a história fugindo de alguém. A diferença é que com Grucha conseguimos saber de quem e o motivo de sua fuga, já com Grace sabemos de quem ela foge, mas o porquê permanece um mistério durante todo o filme.

Ela chega à pequena cidade e começa a ajudar a todos, querendo ser agradável e permanecer por lá, enquanto Grucha ajuda o menino, vê que ele não seria bem tratado se continuasse com a verdadeira mãe e então foge com ele. Por mais que existam diferenças significantes em cada uma, a maneira como estão se preocupando com o outro cria uma semelhança entre as personagens.

Outro aspecto é que nas duas histórias há julgamentos em que nem sempre o que todos dizem ser o certo acontece. Em Dogville, primeiro Grace é julgada para que fique na cidade e as pessoas concordam mesmo sabendo que ela é uma fugitiva.

Depois, no final do filme ela julga as pessoas que maltrataram ela, matando todos e pensando que será melhor assim, não só para ela como para toda a humanidade eliminar aquela cidade, para que outros não sintam o mesmo que ela sentiu quando chegou.

No livro de Brecht o juiz impõe o veredicto que pensa ser o certo para ele, não de acordo com o que a humanidade e nossos costumes dizem ser o certo.

Quando resolve que o menino irá ficar com Grucha, por exemplo, o certo é que ele devesse ficar com a mãe verdadeira, mas o juiz acredita que Grucha fará o melhor por ele já que passou por tantas dificuldades e não puxou os braços dele no momento em que estava sendo julgada.

O cenário também dá a ideia do teatro. Na verdade não é o clássico cenário para cinema, mas  é como se fosse uma maquete do que seria o cenário. O fato de toda a história acontecer em um mesmo local, lembra uma peça teatral, na qual os personagens que saem da cidade ou até mesmo aqueles chegam, só aparecem no momento em que estão nela realmente.

Não conseguimos saber o que acontece fora de Dogville. Até mesmo na cena em que Grace tenta fugir, só conseguimos ver ela deitada na traseira da carreta, e ela falando o quanto está andando, temos apenas a impressão de que ela saiu e está se deslocando, mas em nenhum momento vemos isso realmente.

Mas por que Lars von Trier seguiu as ideias de Bertold Brecht? Porque ele fazia parte do Dogma 95, movimento cinematográfico revolucionário que exigia não usar cenários, nem trilhas sonoras e a câmera deve estar sempre nos ombros do cineasta. Isto explica os movimentos bruscos com a câmera, imagens meio tremidas e cortes descontínuos.

Entretanto, Von Trier usa iluminação artificial, gruas para as tomadas do alto e de certa forma possui cenografia, mesmo que não seja exuberante, e isso contraria os princípios do manifesto ao mesmo tempo em que vai ao encontro às ideias de Brecht.

Tudo isso para reforçar que estamos vendo uma representação da verdade como um faz de conta, assim como você está lendo um recorte do filme analisado a partir de dramaturgo, o que significa questionar: este texto é real? Ou uma representação dele? Será que deveríamos ter cortado ele, colorido e feito diversas coisas estranhas para você lembrar que está lendo isto? Brecth e Lars von Trier teriam feito, certeza.

Coração de tinta, 2009


Quando eu era pequena lia muitos livros de contos de fadas e histórias apropriadas para a minha idade, mas não me lembro de ter os meus pais lendo alguma dessas histórias em voz alta.

Não vejo isso como um problema, afinal eu despertei assim a vontade de ler e percebi desde cedo que cada um lê uma história de um jeito, com entonações e criação da figura dos personagens na cabeça à sua maneira.

Assistir “Coração de tinta”, com Brendan Fraser é como experimentar a nossa leitura se tornando realidade. No filme, Mortimer é um língua de prata, pessoa capaz de transformar a história em realidade quando a lê em voz alta.

Sem saber deste dom, ele lê uma história para sua filha e sua mulher acaba ficando presa dentro do livro enquanto que alguns personagens saltam para a realidade e atormentam o rapaz.

O enredo mostra a saga de Fraser atrás de uma cópia deste livro para tentar resgatar a sua mulher. Infelizmente, a história pouco abusa dos efeitos especiais que poderia ter e acaba ficando meio sem sal e sem açúcar já que o roteiro não se segura. Destaque da atuação para Dedo Empoeirado e Maggie, filha do personagem principal.

A trilha agrada, mas de nada adianta uma super trilha se as imagens não correspondem a emoção das notas emitidas. Só sei de uma coisa: ainda bem que assisti a este longa em casa…ficaria muito brava em gastar dinheiro no cinema. Mas tudo bem, valeu a tentativa de imaginar como seria ver os personagens dos livros que já li bem na minha cara.

Sexta-feira 13


Hoje é o dia do azar. Dia da macaca solta, no qual a superstição põe as caras para fora e tudo que dá errado é culpa dela. Bater três vezes na madeira para isolar o azar, carregar pimenta no pescoço, sal grosso ou olho grego na bolsa, não passar embaixo de escada, fazer figas e evitar gatos pretos são apenas algumas delas.

Quem nunca carregou pimenta para afastar mau olhado?

Em uma pesquisa rápida no google o “bom” e velho wikipedia conta que o número 13 é mal visto pela numerologia. E o motivo seria que o 12 é o número completo. Exemplo: 12 meses no ano, 12 apóstolos de Jesus e 12 signos do zodíaco.

Junta o número 13 com uma sexta-feira na qual Jesus foi crucificado e eis a lenda: Sexta-feira 13 é o dia da má sorte.  Se quiser um viés histórico, foi em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira claro, que a ordem dos templários foi considerada ilegal pelo rei da França, Filipe IV. Os membros foram presos e torturados a mando do rei. Que azar, não?

Na mitologia também encontramos uma justificativa para essa data ser tão temerosa. Durante um banquete para 12 deus, o 13º chega e arranja uma grande briga que termina em morte.

Coincidência ou não, foi em uma sexta-feira 13 que foi decretado o AI-5 aqui no Brasil. Lembra do estado de sítio? Pois é….

Dizem que devemos evitar gato preto....mas ele parece uma ameaça?

Dia das bruxas, traição e medo são uma boa pedida para lançar filmes sobre o tema. Não é à toa que tem um que chama “Sexta-feira 13”. Confesso que nunca assisti porque não sou do gênero terror.

Para finalizar este post, coloco algumas dicas do site sextafeira13.com para o que não devemos fazer no dia a dia…ainda mais hoje em pleno dia do azar.

Pé direito –  Devemos entrar em qualquer lugar, sempre com o pé direito, para não ter azar.

Casamento – A maior parte das noivas ainda fazem o que a velha superstição manda: usar algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul no dia do casamento. O noivo não pode ver a noiva antes da cerimónia, senão não será um casamento feliz, quem quer arriscar?!.

Despedidas – Nunca se deve despedir de um amigo numa ponte pois jamais o verá! (essa eu não conhecia)

Eu não arrisco deixando a carteira no chão

Carteira no chão – Não devemos colocar a carteira no chão se não quisermos perder dinheiro. (já ouvi que não podemos deixar bolsa no chão também)

Estrela Cadente – Ao ver uma estrela cadente, peça um desejo, pois vai realizar-se!. (Nunca vi uma)

Buda – O buda, virado para a parede, trás fortuna. (A personagem Ashling, de Sushi, faz isso direto rs)

Orelha Quente – Se a sua orelha aquecer de repente, é porque alguém está a falar mal de si. Nesse caso, vá dizendo o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder. Para aumentar a eficiência do contra-ataque, morda o dedo mínimo da mão esquerda: quem está a dizer mal morderá a própria língua.

Objetos Perdidos – A maneira mais eficiente de encontrar algo que desapareceu é dar três pulinhos para São Longuinho. (Já usei muitooooo…até encontrei as coisas…será que é real?)

Espelho partido – sete anos de azar!!  (clássica!! Mas por que 7? Não deveria ser 13?)

Guarda-chuva – Nunca abra um guarda-chuva dentro de casa, pois trás infortúnio e problemas aos familiares. (já ouvi que dá goteira na casa)

Garfo – Deixar cair um garfo indica que a pessoa receberá uma visita masculina (bom para as solteiras, né?)

Cadeira de balouço –  Deixar uma cadeira de balanço balançar sozinha é um convite para os demónios se sentarem nela (medoo)

Todas essas superstições, eu retirei daqui. Só o que está entre parênteses é de minha autoria.

Bom..não sei se isso é real ou não, mas não me arrisco. Fora que é garantia de risadas =)

Novo trailer de “Eclipse”: e a Summit volta com suas jogadas de marketing!


Poster 02 do filme "Eclipse"

Na sexta-feira foi transmitido no programa Oprah a segunda (e última?) versão do trailer de Eclipse, da Saga Crepúsculo. Até aí não é novidade já que o filme estreia dia 30 de junho. Mas o que mais me intrigou é a diferença da campanha de marketing da produtora Summit com o filme anterior, Lua Nova.Foram inúmeras as cenas liberadas no youtube e os diversos trailer meses antes da première. Confesso que até cansou um pouco e ao assistir o longa no cinema, quase não houve surpresas..tudo já estava na internet.

Por que será que houve mudança? Eu tenho um palpite. Nem toda sequência de um filme faz sucesso. Lógico que há exceções como a trilogia “O senhor dos anéis” , que foi filmada toda de uma vez e dividida só depois, Harry Potter que tem sete livros e o saldo final será de oito longas, “Piratas do Caribe” etc, mas há grandes fiascos como “Efeito Borboleta” e “Premonição”. Para mim seria esse o motivo da exaustiva campanha de Lua Nova: garantir a fidelidade dos fãs de Crepúsculo e atiçar novos seguidores que desejam uma mordida de Edward.

O resultado foi algo surreal. Enquanto “Crepúsculo” faturou US$ 250 milhões, “Lua Nova”passou de US$ 700 milhões. Agora que os fãs já estão enlouquecidos e aguardam ansiosos a estreia, os tabloides investem no “namoro”entre os protagonistas e atiçam para a polêmica da quarta adaptação. Será que “Amanhecer” será dividido como Harry Potter? Não sabemos ainda, por enquanto só acompanho o que vem sendo publico a respeito desta febre.

“Na continuação de “Lua Nova”, Bella Swan precisa enfrentar as consequências de ser amiga do lobisomem Jacob Black e namorada do vampiro Edward Cullen. Ao mesmo tempo, a moça se vê aterrorizada por uma misteriosa onda de assassinatos em Seattle e o fato de estar sendo perseguida por uma maligna vampira. Baseado no terceiro livro da série iniciada em “Crepúsculo”.” (fonte: cinema em cena)

A primeira coisa que apareceu foi um teaser de 10 segundos do trailer 10 segundos liberados do trailer:

Dias depois, saiu o trailer completo trailer 01

O que mais me chamou a atenção, foi uma fã (medo dela) ter filmado a sua reação quando o primeiro trailer de “Eclipse” caiu na rede. Fã enlouquecida:

Pouco tempo depois, uma cena é liberada:

E na sexta-feira, o novo trailer Trailer 02:

Pra quem ainda não viu, o dvd de “Lua Nova” traz os bastidores de “Eclipse”:

Confesso que fiquei mais encantada com o primeiro trailer por causa da música e da fotografia. O segundo já entrega muito coisa, perde um pouco da surpresa. Mas a questão que fica é: será que este foi o último trailer antes da estreia? Posso estar enganada…quem sabe quando se aproximar da data não aconteça outro bombardeio?? Eclipse ocorre raramente, mas a publicidade…. Temos que aguardar só.

Show de risada com John Travolta e Robin Williams


É quase impossível não pensar em “Grease – Nos tempos da brilhantina” quando vejo que John Travolta vai à tela dos cinemas. O mesmo ocorre com Robin Williams que ganhou minha admiração com “Jumanji” (1991), “Flubber” (1997) e “O homem bicentenário”(1999). Desta vez os dois aparecem juntos em “Surpresa em dobro”(Old dog, 2010).

Dirigido por Walter Becker o longa é uma comédia sobre dois amigos de infância, Charlie (John Travolta) e Dan (Robin Williams), sócios de uma grande empresa de marketing que passam por uma reviravolta ao terem que cuidar de gêmeos de sete anos de idade.

Os dois já estão velhinhos e foi bem bacana ver que uma das piadas foi essa: a idade dos (ex)galãs. As cenas mais engraçadas são a da troca das pílulas e a invasão da área do gorila (cenas que você pode ver no trailer abaixo).

A história é simples, previsível e ideal para acalmar as crianças dentro do cinema – em breve um típico filme de sessão da tarde. É da Disney, tá explicado, mas para os adultos vale a expressão corporal de Robin Williams. O vovô tá bem engraçado, dá para dar boas risadas.

A única coisa permanente no universo é a mudança


Este post inicia com uma frase de Heráclito (540 a.C.- 470 a.C.) para apresentar uma análise do filme “Efeito Borboleta” (2004) e a obra deste filósofo. Veja o trailer do filme.

Esta análise partiu de um trabalho de filosofia realizado em 2008. Para variar, escrevi ele com a Bruna Marques.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

As pessoas que dizem desgostar de filosofia o fazem porque não entendem o pensamento expressado muitas vezes em palavras incompreensíveis ao vocabulário cotidiano do século XXI, mas também é comum encontrar diversos filmes chamados Blockbuster´s, que vendem muito e que na maioria das vezes tem seus roteiros baseados em filósofos supostamente desconhecidos para elas em razão da falta de interesse.

Um deles é Efeito Borboleta, cujo título original em inglês é Butterfly Effect. Lançado em 2004, foi dirigido e roteirizado por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com o protagonista representado por um dos atores juvenis mais cobiçados da época, Ashton Kutcher, o filme teve grande divulgação e multidões assistiram à história de um rapaz que, assim como seu pai, quando criança tinha surtos de falta de memória -blackouts, como chamado no filme. Em algumas cenas, esse problema do garoto causa os diversos pontos de virada observados na montagem.

Ao ficar mais velho, Evan, o personagem principal, percebe que ao ler os seus diários ele é capaz de voltar ao passado, especialmente naqueles momentos em que ele não se lembra, mas com um detalhe: ele recorda o que teria acontecido durante os blackouts. Surpreso, procura seus amigos de infância para ver se aquela visão era real. Porém, ele deixa os outros personagens atormentados causando até o suicídio de Kayleigh, personagem pela qual foi apaixonado por toda a sua infância.

Aqui começa o desenrolar da história. Assustado, ele tenta reler alguns de seus cadernos para tentar evitar o suicídio de Kayleigh e assim começa a mudar o seu passado. O grande problema é que nada permanece. Qualquer nova decisão que ele toma em seu passado deflagra nas consequências mais diversas.

Heráclito

É aqui que nos atrevemos a comparar o filme com o pensamento do pré-socrático Heráclito (540 a.C a 470 a.C) começando com uma citação retirada do livro “Convite a filosofia” de Marilena Chauí: “O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece. Para Heráclito tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”

É exatamente isso que ocorre com Evan. A cada mudança, por mínima que seja, causa uma contradição, quando ele decide voltar ao seu passado. Ele resolve um de seus problemas, mas outros surgem, ainda mais complexos de se entenderem e mais difíceis de serem resolvidos. Até Evan muda,não em sua relação sentimental com as pessoas que ele sempre amou, mas sim em seus gostos e sua maneira de levar a vida.  Por isso a cada nova situação vemos uma nova personalidade que ele demora a compreender e também percebe que as pessoas ao seu redor sofrem influências dessas reviravoltas. Enfim, ele está em constante metamorfose, como qualquer outro elemento da natureza.

Mais uma vez nos utilizamos de um exemplo da teoria de Heráclito. Evan seria o rio modificado, ou seja, ele nunca é o mesmo, pois “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.O filósofo ainda avisou em seus excertos que os humanos devem sempre esperar e reencontrar o inesperado, pois “a incredulidade pura e simples denota um espírito obtuso e fechado ao enigma do mundo”. Pelo filme, vemos que o personagem desconhece essa teoria.

Outra questão observada no filme é que ele constantemente se refere ao tempo. Mas o que é o tempo? Para Heráclito o conceito de tempo é abstrato e existe a partir dos opostos. Ele é e não é, e está posto numa unidade e, ao mesmo tempo, está separado, ou seja, é abstrata contemplação da mudança já que o conceito de passado, futuro e presente foi convencionado, foi o ser humano que deu sentido e significado ao tempo.

Para Evan, voltar ao tempo passado era uma oportunidade de “reparar” alguns detalhes de sua vida, mas ao interferir no que foi feito, ele muda o seu presente sendo que as consequências dependerão das suas novas escolhas ao voltar ao passado, pois cada mudança que é feita, por mínima que seja, interfere em muitas outras coisas. O nome do filme explica exatamente isto. O efeito borboleta remete a teoria do caos, citada no início do filme. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Esta teoria diz que o simples bater de uma asa de borboleta poderia mudar o curso natural das coisas podendo até causar um terremoto do outro lado do mundo. Mas há cientistas que dizem que o formato dos gráficos analisados quando há movimentos caóticos é de uma borboleta.

Se a borboleta influencia um terremoto ou se é mera ilustração gráfica não sabemos. O que importa é que dentro dessas duas explicações pode-se analisar o filme e a teoria de Heráclito.  A cada novo “bater de asas” do personagem, sua vida inteira sofre um terremoto e a cada “bater de asas” da própria borboleta, sua essência também muda porque de acordo com Heráclito, a única coisa que permanece no universo é a mudança.

Em oposição, podemos comparar o filme com os pensamentos de outro pré-socrático Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), que sustenta a idéia contrária a de Heráclito. Esse filósofo diz que a mudança é algo criado no mundo dos sentidos e que é ilusório.
Ao contrário de Heráclito que afirma que “tudo muda”, Parmênides diz que “nada muda”. Assim, por mais que suas águas mudem de posição, um rio será sempre o mesmo rio. E no filme “Efeito Borboleta” também se pode enxergar isso. Por mais que as situações mudassem, a essência de Evan, ou seja, seus sentimentos e princípios sempre continuavam os mesmos.

E o que você acha de tudo isso? Comente abaixo.

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)