Caos no metrô


imagem do jornal Estado de SP

Em tempos de eleição é interessante notar como os candidatos prometem mais trilhos de metrô e expansão daqui para lá, mas quando aparece um caos como o de hoje, as propostas ficam vazias e sem sentido.

Nesta terça-feira a linha vermelha do metrô de São Paulo paralisou. Para variar, o metrô não sabe, ou não quer falar, o motivo. Apontaram a culpa para os usuários que apertaram o botão de emergências e as portas foram abertas entre a estação Dom Pedro e Sé. Isto causou um efeito dominó e travou tudo. Alguns jornais apontam que o problema começou às 7h50, outros às 8h10. Eu fiquei sabendo do caos, antes da notícia, uma vez que a funcionária do meu pai ligou aqui avisando que iria se atrasar.

Mas  este post não é para noticiar a paralisação, mas sim lembrar algumas coisas. Eu ando muito de metrô e sei que as portas, supostamente, não abrem entre as estações. Quando pedimos socorro, somos obrigados a esperar que o trem chegue a plataforma seguinte para sermos resgastados. Outra coisa, tenho certeza que o trem estava parado há muito tempo para alguém ter apertado aquele botão. E pelas imagens da TV Record, percebi que era o trem novo que estava parado: sim…o trem ultra mega moderno que não tem janelas. Então, imagine a situação: o metrô corta a energia..e junto com ela o ar condicionado. Caos total. Desespero mesmo para sair daquele forno. Não é a toa que iriam disparar o alarme de segurança.

Confesso que fiquei feliz por terem aberto as portas na plataforma. Já fiquei presa dentro do metrô e sei que é terrível. Mais terrível ainda é ver que a imprensa nunca sabe o motivo, já que a assessoria de imprensa do metrô é realmente muito boa! Conseguem esconder as mortes diárias, acidentes e tem a maior facilidade para apontar que a culpa é o usuário.

Queria muito que tivesse um candidato ao governo de são Paulo fazendo campanha dentro do metrô hoje…ou qualquer outro dia em horário de pico, para eles verem que não é brincadeira e que merecemos respeito. Ao invés de brigar que um só entregou 650 metros de trilhos por ano, por que não se movimenta e faz o negócio funcionar? De que adianta ter  mil km de metrô se em falhas como essa somos tratados como números e ainda culpados por uma falha do sistema? Está na hora de repensar isso e também no seu candidato.

Este texto foi escrito às 9h33 e até este momento estava sem respostas quanto ao real problema que levou ao caos no metrô de são Paulo. O potal G1 foi esperto….ouviu quem estava preso. Teve uma fala que resume tudo o que eu falei:

‘Tivemos de andar sobre os trilhos’
“Eu estava no trem que parou na estação Sé. Ficamos mais de 15 minutos parados. Desligaram as luzes e o sistema de ar. As portas foram abertas pelo operador do trem e começamos a sair e andar pelos trilhos, pois os funcionários não nos dava informações. Quando passei em frente à cabine do condutor havia funcionários da manutenção tentando solucionar o problema.”
– Rodrigo Lucas dos Santos, internauta, São Paulo, SP  para G1

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#10 no transporte público


Tecnologia: segundo novo trem na linha vermelha

Sexta-feira amanheceu chuvosa. Aliás em algumas regiões da capital paulista ela não parou desde ontem à noite. Pois bem, quem utiliza o transporte público todos os dias sabe o que uma chuva (chuvisco, garoa, chuva, tempestade ou fim do mundo) pode significar: caos. Para isso é bom sair de casa com uma dose extra de paciência.

Para a minha sorte, cheguei à plataforma e o segundo metrô novo da linha vermelha estava lá:  lindo, novo e com ar condicionado. “Oba” – pensei – “Não vou sufocar”.

Mas, mero engano. O ar condicionado não estava funcionando direito. E para piorar as pessoas emperravam a porta. Mas, ao contrário dos trens normais, não ouvimos mais a voz emocionada do condutor: “Não segure as portas do trem, isso causa atrasos”. É tecnologia, melhora algumas coisas, mas piora outras.

Série
#9 No transporte público – dúvida e incerteza
#8 No transporte público – fones de ouvido
#7 No transporte público – seleção brasileira deixa a Copa
#6 No transporte público – o que é o respeito?
#5 No transporte público – jogo do brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – que série é essa?

#4 No transporte público


Amor entre amigas

Duas amigas voltam de metrô da faculdade depois de uma longa semana de trabalho e estudos. Sexta-feira, 23h. Descem da estação do metrô e resolvem embarcar na segunda lotação para poderem ir sentadas durante a viagem.

Infelizmente, só conseguiram sentar em corredores diferentes, mas lado a lado. A conversa gira em torno do que fizeram durante a semana. De repente, duas meninas embarcam.

A loira passa o bilhete na catraca tranquilamente, enquanto que a morena de cabelos curtos passa o bilhete e diz:

– Ai, amiga…tô zerada.

O comentário foi tão alto que todos perceberam e entenderam que quem estava zerado era o bilhete e não a menina.

– Ué, tenta ae a integração, oras – respondeu a loira

– Tá liberado, pode passar – interveio o cobrador

A morena hesita, não sabe se vai ou se fica, até que a catraca apita e ela passa. Curiosamente, as duas param entre as duas amigas que estavam sentadas de modo que a conversa foi cortada.

Se bem que vale ressaltar que as amigas já estavam rindo do comentário da morena. E para piorar:

– Ai, amiga….eu amo você – disse a morena

Silêncio na lotação. Eu tento olhar para a minha amiga, mas só percebo que ela está sentada com a cara escondida entre os cabelos. Pela movimentação dos ombros, vejo que ela também estava rindo. Com um sorriso a la “gato do Alice no País das Maravilhas”, tive que imitá-la.

O ataque de riso veio de uma forma incontrolável naqueles poucos segundos em que a loira demorou para responder.

– Ah, eu também amiga.

A conversa entre a loira e a morena seguiu, mas eu estava mais concentrada em disfarçar a minha risada. A lotação para no ponto e as duas descem. No mesmo momento, olho para a minha amiga e as duas caem na risada.

– Você ouviu? – pergunta ela

– Sim. – respondi

– Tudo? Até a parte “eu amo você”?

– Sim.

Risos e mais risos

– Isso vai pro blog, com certeza – falei

E aqui está este momento hilário que, nas palavras da minha amiga, foi uma ótima maneira de encerrar a semana.

E você? Tem histórias engraçadas no transporte público? Mande pra mim.

Veja os outros capítulos

#3 No transporte público – Cidadão e Funcionário
#2 No transporte público – Mulheres e Futebol
#1 No transporte público – O riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

#3 No transporte público


Quando chove em São Paulo, o caos se instaura

Hoje o dia já amanhece prometendo não ser nada fácil. Chuva e frio invadiram São  Paulo o que complica ainda mais o caos no metrô e o trânsito na rua. Tenho uma crônica sobre chuva em SP. Clique aqui

Foram necessários 25 minutos para que eu conseguisse embarcar no trem na estação Tatuapé, mas para a minha alegria, uma nova conversa rendeu o capítulo 3 da série “No transporte público”.

Relógio: 8:35
– Pessoal, vamos ficar atrás da faixa amarela, por favor? – pergunta o funcionário
– Por acaso hoje não vai passar um vazio? – perguntou um cidadão
– Olha, a gente tinha mandado um que fez manobra, mas daí deu problema na estação Brás e ele teve que voltar – respondeu o funcionário
– É, eu vi. Cheguei na estação 8:10, bem na hora que anunciou que ia fazer a manobra, mas daí vi que ele foi pro outro lado.

Um metrô chega na estação molhando a todos por causa da chuva

– E ainda por cima ele tá parando fora da marcação da porta – reclama o cidadão
– É proposital – disse o funcionário – para que as pessoas que ficam na frente esperando o vazio darem passagem a quem quer embarcar.
– É…tipo eu?
– Você e todos que estão na frente – riu o funcionário.

Neste momento, o funcionário olha para o metrô cheio e diz:
– Sabe o que é pior? Fica tudo abafado e um monte de gente passa mal
– É, eu não tenho coragem de embarcar por causa do Brás – falou o cidadão
– O Brás é complicado mesmo. Meus equipamentos de trabalho são rádio, lanterna e luvas. Ja já que venho com desodorante.
– Desodorante?
– É! Tem gente que consegue feder logo cedo
Neste momento não pude conter a minha risada
– Tipo assim, sabe? Joga o desodorante antes de todo mundo entrar – fala o funcionário
– É…e uma bala talvez? Tem gente com bafão.
– hehehe, faz parte

– Ah, meu deus! – grita uma mulher
O funcionário vá ao lado dela e pergunta o problema
– Caiu meu guarda-chuva no vão entre o trem e a plataforma – disse
– Tudo bem, eu pego. Isso não é nada. Pior quando alguém cai – responde o funcionário
– E pensar que morre tanta gente e o metrô não divulga – fala o cidadão
– Tem tanta coisa que acontece neste país que não é divulgado – fala o funcionário – olha só…lá vem o vazio. Pessoal, se dirijam aos corredores.
Relógio: 8:40
E lá fomos nós lançados para dentro do vagão.

Para esclarecer:
O metrô em São Paulo nos horários de picos, das 7hs às 9h30, é lotado, principalmente na linha vermelha (leste-oeste). Todos os dias, neste período, há alguns trens que vão vazios nas estações penha, carrão e tatuapé para aliviar o acúmulo de usuários. O problema é que tem gente que fica esperando estacado na frente da porta e não dá passagem aos demais usuários. Falta mais cidadania do que estrutura por parte do metrô.

Outros episódios
#2 No transporte público
#1 No transporte público
No transporte público

Você tem uma história boa pra contar? Mande pra mim! ldbartolomeo@gmail.com