#13 No transporte público


Depois de muito tempo, chega mais um episódio no Transporte público!

Em um feriado, entre 19h50 e 20h10, eu voltava para casa após um dia de trabalho. Metrô estava vazio, afinal quem mais anda nele em um
feriado? Poucas pessoas.

Sentei de costas para a janela e um senhor entra com uma caixa de papelão um tanto grande. Daquelas que batem nos joelhos e são mais
largas que os quadris de uma pessoa normal (nem gorda, nem magra). Até aí, tudo bem.

De repente, percebo um movimento estranho. O rapaz abre, olha o conteúdo da caixa e fecha rapidamente. Depois, faz de novo. E de
novo…de novo e de novo.

Aquele sentimento de desconfiança surge no meu estômago e resolvo fazer a minha viagem em pé. Ele continua com seus movimentos.

Quando faltava apenas uma estação para eu sair dali…o rapaz, em uma conversa com uma senhorinha, abre a caixa e revela o mistério.
Ele estava carregando uma galinha preta dentro da caixa!

É…eu sabia que andar de metrô me renderia um post!

Anúncios

Caos no metrô


imagem do jornal Estado de SP

Em tempos de eleição é interessante notar como os candidatos prometem mais trilhos de metrô e expansão daqui para lá, mas quando aparece um caos como o de hoje, as propostas ficam vazias e sem sentido.

Nesta terça-feira a linha vermelha do metrô de São Paulo paralisou. Para variar, o metrô não sabe, ou não quer falar, o motivo. Apontaram a culpa para os usuários que apertaram o botão de emergências e as portas foram abertas entre a estação Dom Pedro e Sé. Isto causou um efeito dominó e travou tudo. Alguns jornais apontam que o problema começou às 7h50, outros às 8h10. Eu fiquei sabendo do caos, antes da notícia, uma vez que a funcionária do meu pai ligou aqui avisando que iria se atrasar.

Mas  este post não é para noticiar a paralisação, mas sim lembrar algumas coisas. Eu ando muito de metrô e sei que as portas, supostamente, não abrem entre as estações. Quando pedimos socorro, somos obrigados a esperar que o trem chegue a plataforma seguinte para sermos resgastados. Outra coisa, tenho certeza que o trem estava parado há muito tempo para alguém ter apertado aquele botão. E pelas imagens da TV Record, percebi que era o trem novo que estava parado: sim…o trem ultra mega moderno que não tem janelas. Então, imagine a situação: o metrô corta a energia..e junto com ela o ar condicionado. Caos total. Desespero mesmo para sair daquele forno. Não é a toa que iriam disparar o alarme de segurança.

Confesso que fiquei feliz por terem aberto as portas na plataforma. Já fiquei presa dentro do metrô e sei que é terrível. Mais terrível ainda é ver que a imprensa nunca sabe o motivo, já que a assessoria de imprensa do metrô é realmente muito boa! Conseguem esconder as mortes diárias, acidentes e tem a maior facilidade para apontar que a culpa é o usuário.

Queria muito que tivesse um candidato ao governo de são Paulo fazendo campanha dentro do metrô hoje…ou qualquer outro dia em horário de pico, para eles verem que não é brincadeira e que merecemos respeito. Ao invés de brigar que um só entregou 650 metros de trilhos por ano, por que não se movimenta e faz o negócio funcionar? De que adianta ter  mil km de metrô se em falhas como essa somos tratados como números e ainda culpados por uma falha do sistema? Está na hora de repensar isso e também no seu candidato.

Este texto foi escrito às 9h33 e até este momento estava sem respostas quanto ao real problema que levou ao caos no metrô de são Paulo. O potal G1 foi esperto….ouviu quem estava preso. Teve uma fala que resume tudo o que eu falei:

‘Tivemos de andar sobre os trilhos’
“Eu estava no trem que parou na estação Sé. Ficamos mais de 15 minutos parados. Desligaram as luzes e o sistema de ar. As portas foram abertas pelo operador do trem e começamos a sair e andar pelos trilhos, pois os funcionários não nos dava informações. Quando passei em frente à cabine do condutor havia funcionários da manutenção tentando solucionar o problema.”
– Rodrigo Lucas dos Santos, internauta, São Paulo, SP  para G1

#12 No transporte público


Mulher tem uma necessidade incrível para desabafar. Às vezes o que ela tem a dizer é tão grande que não se importa em compartilhar com a amiga mesmo dentro do metrô, onde milhares de pessoas, inclusive eu, estão  grudadas nas duas amigas contra vontade própria e praticamente somos obrigados a escutar já que as moçoilas falam alto.

Pois bem, vamos ao que aconteceu.  Joana (nome fictício, ok?) é atendente de telemarketing e trabalha por escalas. Logo, rotina é o que falta no seu dia a dia. Há momentos em que trabalha de manhã, à tarde…de noite, sábado, domingo e até feriados. Sua grande alegria e divertimento era Pedro, seu namorado há mais de 5 anos.  Joana acreditava que ele era o cara perfeito e que assim que tivesse uma vida mais tranqüila no trabalho, o casamento seria o próximo passo.

Porém, após ter que viajar para participar de um treinamento, Joana percebeu que Pedro estava diferente. Mais atencioso ao mesmo tempo em que o ciúme, que não existia, começou a se manifestar dele por causas bobas, como quando ela passava um batom vermelho. De início, não desconfiou de nada. Até que um dia, o celular dele apitou avisando que havia uma mensagem. Ele estava no banho e nunca se importou que ela mexesse nas coisas dele.  Sem neuras, ela leu.

“Onde você está? Estou tentando te achar desde ontem! Saudades, M.”

Ao contrário da maioria das mulheres, acrediton eu, Joana não deu “piti”. Anotou o número da fulana e fingiu que nada tinha acontecido.  No dia seguinte, ligou para M. como a desculpa de vender alguma coisa.

– Alô? – disse M.

– Olá, M. Meu nome é Joana e sou namorada do Pedro há cinco anos e vi que você enviou uma mensagem no celular dele. Precisamos conversar. – respondou
– Como assim? – perguntou M.
– Tenho o seu endereço e tô indo aí.

Mais uma vez, bem diferente da maioria, Joana não chegou lá e bateu na amante. Mas sentaram para conversar.
– A gente tá saindo há 5 meses. Nunca imaginei que ele tivesse outra – disse a M.
– Nem eu. Por isso que ele não brigou quando arranjei este novo emprego. Assim ele podia me trair – disse Joana.
– Mas ele me ama! Vamos nos casar no final do ano.
– Como assim? Eu namoro com ele há 5 anos e ele nunca falou em casamento. – replica Joana.
– É que minha religião não permite que eu namore muito tempo, sabe? Tenho que casar logo e ele entende. Disse que vamos noivar no final do ano. Sinto muito. – disse M.
– Calma lá que a gente pega essa cachorro!

O celular de M. toca e era Pedro. Encabulada, M. aceita o conselho de Joana e o convida para ir em casa.

– Não posso – disse ele – vou passar na casa do meu amigo.  – E desliga.  Neste mesmo momento toca o telefone de Joana.

– Oi, meu amor – disse a voz de Pedro do outro lado da linha – Já tá em SP?
– Sim, onde você esta, querido? – pergunta Joana.
– Em casa. Vem pra cá.

Desligam. M estava em prantos e Joana a convence de irem juntas para a casa de Pedro. Chegam lá, o rapaz se faz de desentendido  ao mesmo tempo em que entra em pânico. As duas conversam com ele e terminam o relacionamento.

Antes de eu sair do metrô, ouvi que Pedro ainda corre atrás de Joana, mas que ela e M são agora grandes amigas. Vai entender…

Veja + da série
#11 No transporte público – sufoco
#10 No transporte público –  tecnologia
#9 No transporte público – dúvida e incerteza
#8 No transporte público – fones de ouvido
#7 No transporte público – seleção brasileira deixa a Copa
#6 No transporte público – o que é o respeito?
#5 No transporte público – jogo do brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – que série é essa?

#11 No transporte público


Sufoco

Às vezes sentimos a necessidade de compartilhar algo com alguém, mesmo que seja desconhecido. Em uma segunda-feira, às 23h00, quatro jovens se dirigiam ao metrô após o primeiro dia de aula de um curso extracurricular. Alguns já se conheciam, outros aproveitaram o transporte para conversar um pouco antes de seguirem rumo às suas estações.

Por causa do horário, se livraram do pico, mas mesmo assim o metrô estava cheio. Não sentaram, mas conseguiram até fazer uma roda no meio do vagão e conversar. Porém, em determinado momento, o metrô faz um barulho estranho, um apito diferente.

– Xi, deu problema – disse a menina.

O metrô ficou um bom tempo parado na estação com as portas fechadas. Ela respirava e pedia que os outros continuassem falando para que o pânico não tomasse conta dela (afinal, já ficou presa por 40 minutos embaixo de túnel em pleno verão e horário de pico). Ela não se permitiu tocar  no assunto e continuava falando das expectativas para o curso daquela semana, quando ouve a voz do metrô.

“ Este trem com destino a Tucuruvi não prestará mais serviços devido a falha. Solicitamos a todos que desembarquem e aguardem o próximo trem”.

Ela suspirou aliviada. Assim que abrissem as portas, estariam livres e poderia respirar com mais calma. Não se sabe era o medo, mas foram intermináveis segundos até as portas se abrirem.

Ela saiu com rapidez e até voltou a sorrir, rindo para disfarçar o nervoso. Muitas pessoas aguardavam o trem seguinte quando uma outra moça, carregando duas mochilas, percebe que a menina não pára de falar e diz:

– Posso comentar uma coisa com você?

– Claro. – ela responde.

– Todo dia eu vou para casa de ônibus. Hoje que resolvi acompanhar um amigo no metrô, que provavelmente já está em casa, dá problema – diz.

– É…claro.  Lei de Murphy! – diz a menina sorrindo – A culpa foi sua então.

Todos dão risada e o próximo trem chega.

– Você vai colocar isso no seu blog, não vai? – pergunta um dos meninos que acompanhava a jovem após o curso.

– Com certeza.

Eles embarcara e ela não pôde deixar de lembrar que quando ficou presa, fez o mesmo que a moça que carregava duas mochilas: falou com estranhos para se distrair e desabafar a angústia que é ficar sozinha num trem lotado quebrado.

Veja + da série

#10 No transporte público –  tecnologia
#9 No transporte público – dúvida e incerteza
#8 No transporte público – fones de ouvido
#7 No transporte público – seleção brasileira deixa a Copa
#6 No transporte público – o que é o respeito?
#5 No transporte público – jogo do brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – que série é essa?

#10 no transporte público


Tecnologia: segundo novo trem na linha vermelha

Sexta-feira amanheceu chuvosa. Aliás em algumas regiões da capital paulista ela não parou desde ontem à noite. Pois bem, quem utiliza o transporte público todos os dias sabe o que uma chuva (chuvisco, garoa, chuva, tempestade ou fim do mundo) pode significar: caos. Para isso é bom sair de casa com uma dose extra de paciência.

Para a minha sorte, cheguei à plataforma e o segundo metrô novo da linha vermelha estava lá:  lindo, novo e com ar condicionado. “Oba” – pensei – “Não vou sufocar”.

Mas, mero engano. O ar condicionado não estava funcionando direito. E para piorar as pessoas emperravam a porta. Mas, ao contrário dos trens normais, não ouvimos mais a voz emocionada do condutor: “Não segure as portas do trem, isso causa atrasos”. É tecnologia, melhora algumas coisas, mas piora outras.

Série
#9 No transporte público – dúvida e incerteza
#8 No transporte público – fones de ouvido
#7 No transporte público – seleção brasileira deixa a Copa
#6 No transporte público – o que é o respeito?
#5 No transporte público – jogo do brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – que série é essa?

#8 No transporte público


Fones de ouvido

No início de março deste ano escrevi um post para este blog sobre o rádio. Nele eu discutia sobre ouvir rádio e terminei comentando que seria bom as pessoas usarem fones de ouvido ao ouvirem música em seus mp3, celulares e etc.

Pois bem, nesta semana fui obrigada a me lembrar deste texto. Plena segunda-feira às 7h00, logo após o Brasil voltar aos eixos com a saída da seleção da Copa do Mundo, uma mulher resolve deixar o som das vuvuzelas e da waka waka da Shakira para se dedicar ao seu gosto musical: PSY.

Acreditem ou não, a moça ouvia aquele ziriguidum pesado logo cedo e para completar, mexia o pescoço no ritmo frenético. Ok, pode parecer implicância minha, mas quando eu estava tentando ignorar as batidas, uma morena ao meu lado comenta com sua amiga:

– Psy logo cedo? Pelo amor de Deus, né?
– O pior é que ela tá com fone e ainda dá para ouvir – responde a amiga.
– É, irritante.
– Mas podia ser pior. Ela podia ser daquelas que tiram o fone e deixa o celular gritando como muita gente faz por ae.
– Mas daí não seria psy, seria funk.
– É, tenho que concordar com você.

Caro leitor, te convido a refletir: Quais são as músicas mais tocadas por celulares que, não sabemos porquê, estão sem fone?
a) funk
b) sertanejo
c) psy
d) samba
e) nenhuma das alternativas.

Veja +
#7 No transporte público – Brasil sai da Copa do Mundo
#6 No transporte público – O que é o respeito?
#5 No transporte público – O jogo do Brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

#7 No transporte público


A seleção brasileira volta para casa, mas será que os brasileiros voltam para a realidade?
Acho o brasileiro uma coisa muito engraçada. Levantaram nesta sexta-feira na esperança de ter torta holandesa como sobremesa. As vuvuzelas começaram logo cedo e estava estampado na cara dos jornalistas da tv e nas pessoas que assistiam que a semi-final estava garantida.

Todo mundo concordava que a Holanda é um time forte, mas a esperança que o time de Dunga vencesse, mesmo com uma escalação odiada, era grande. Brasil fez bonito no primeiro tempo. Um golaço de Robinho! Um gol tão bonito que encheu as ruas do Brasil de gritos e vuvuzelas.

Mas como em todo jogo, ficamos com raiva do juiz. Muitas faltas deixaram de ser marcadas e o gol contra assustou. Não entendo de futebol, mas para mim foi um jogo de tirar o fôlego, mesmo com o desânimo de Juan e Júlio César, abalados com o empate.  Mesmo lutando muito, perdemos de 2X1, de virada.

Terminado o jogo, hora de voltar a realidade e trabalhar. Metrô estava mais ou menos vazio. O silêncio imperava. Algumas camisas amarelas no meio de uma multidão de luto. Quase fiquei sem episódio para a série No Transporte Público se não fossem por duas pessoas.

A primeira era uma mulher que falava ao telefone:
– Nem acredito que perdi meu tempo vendo esse jogo. Até me vesti de preto para sair de casa e ir trabalhar. Sabe o que é pior? Eu tinha me prometido que não veria mais nenhum jogo….a culpa é toda do Dunga.

Mais a frente um outro cara fala com o amigo ao lado:
– Não podemos negar que o jogo foi bom. E não há vergonha em perder para a Holanda…mas se o Dunga tivesse levado o Neimar…

Pois é. Agora todo mundo é técnico e acredito que muito em breve voltarão a criticar a escalação do Dunga e também por ele ter xingado um jornalista. Se tivesse ganho, como seria?

O lado bom é que agora não há mais desculpas para não prestar atenção nos candidatos.  Eleição logo mais.

Veja +
#6 No transporte público – O que é o respeito?
#5 No transporte público – O jogo do Brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

#6 No transporte público




O que é o respeito?

Sexta-feira atípica no metrô de São Paulo. O dia amanheceu nublado, mas logo o sol resolveu aparecer e guardar os casacos de lã dentro do armário. Não, o verão ainda não chegou, mas já é possível sair de casa com um casaco leve.
 Quando cheguei à estação, uma surpresa desagradável: uma enorme fila para passar pela catraca.

Não estava chovendo, logo alguém caiu na via. 
Sei que parece uma conclusão estranha, mas quando você usa o metrô todos os dias, já consegue pegar os macetes das coisas  e entender as coisas que não são anunciadas.

Pois bem, enfrentada a fila imaginei que a plataforma estaria lotada. Mas não, estava lotada o normal, nada de estranho. Mas o trens chegavam impossíveis de embarcar. Uma ou duas pessoas conseguiam entrar civilizadamente. Se entrasse mais, era a tática do empurra empurra com o corpo, segurando-se na porta para se jogar para dentro.

Como eu sabia que em breve viria um vagão vazio, resolvi aguardar e revisar o conteúdo da prova que eu faria mais tarde. Eis que ocorre outra coisa inacreditável para uma sexta-feira ensolarada: briga.

Fazia muito tempo que eu não via isso, mesmo de segunda-feira quando as pessoas já acordam mau humoradas e iniciam a semana daquele jeito. Ainda mais em uma sexta ensolarada…mas…aconteceu.

Tudo começou assim: uma garota vestida de roxo com um rabo de cavalo que não parava de balançar de um lado para o outro (era quase hipnótico e tive que me concentrar muito no texto waveform para não me irritar) teimava em ficar na frente da porta e não embarcar. As pessoas passavam por ela, xingavam e ela fazia bico de quem estava bravinha.Até que um casal se aproximou atrás dela e conversava enquanto aguardava o trem seguinte:

– Nossa, eu tive que falar pro chefe que vou acompanhar o pai no exame amanhã e ele não gostou não. Ficou reclamando. O que eu posso fazer? Esse exame não fazem de sábado – disse a mulher com o cachecol cheio de pom pom
– Vai, ué. Se ele chiar, você compensa depois – respondeu o  marido.

O trem chegou e ele tentou embarcar. Vendo que a mulher ficou para trás, segurou todo o fluxo de pessoas e permaneceu na plataforma.

Calma, a briga não começou aqui.

 A mulher, vendo que seu marido estava lá na frente, pediu licença dizendo:

– Meu marido foi empurrado lá para frente. Posso, por favor, passar e ficar ali com ele? – perguntou.

A rabo-de-cavalo roxa responde:

– Por que você não vai para trás?
– Porque meu marido foi empurrado para frente e eu quero ficar com ele – responde o cachecol pom pom
– É, mas eu tô esperando o trem há caras e você não passar na minha frente – resmunga a beringela.

O trem se aproxima e a pom pom fala:
– Amor, deixa a moça passar para ela não achar que a gente tá na frente dela.

As portas se abriram…o casal foi lançado para dentro e a menina de roxo, permaneceu na plataforma resmungando:
– Puta falta de respeito. Passar assim, na frente

.

Eis que uma loira super maquiada ao lado da menina de roxo vira para trás e diz:
– Vou segurar em você Carla, para não ter perder, maridinha.

Risadas para descontrair. Acredito que o roxo da menina beringela ficou só na cor da blusa e a raiva dela passou com a piada.

Momentos seguintes a plataforma foi enchendo mais. Uma senhora de óculos de sol da moda ouvia e cantava a música do seu mp3 parou ao lado da menina de roxo. Atrás delas, um senhor de idade. E ao lado dele, duas meninas que reclamavam:

– O que aconteceu nesse metrô hoje? Tá lotado. E olha que sacanagem, o metrô vem e as dondocas ficam paradas na porta sem embarcar – reclama a loira platinada a la Adriane Galisteu.

Neste momento o senhorzinho resolveu entrar na frente delas….
– ô, seu folgado. Não tá vendo que essa m** tá lotado e você ainda quer passar na minha frente? Tô atrasada e vou entrar no próximo – gritou a versão falsificada da Galisteu

.
– Desculpe, eu volto – disse o vovô de Up

.
– É, volta mesmo, seu velho folgado.

Do nada…a mulher do mp3 vira para trás e grita:
– E você respeite ele. Ele é senhor de idade. Pare de falar asneiras.
– Ah, cala a boca. Quem é você para me dizer o que fazer? – fala a platinada.
– Calma, moça, deixa. Não precisa brigar por causa disso – fala o velhinho para a mulher do mp3.
– Tinha que ser uma baianinha mesmo. Respeito é bom e eu gosto. Respeite ele, sua vagabunda – grita o mp3.
– Ah sua velha descarada, vai pro inferno.
– Eu bato em você.
– Vem pegar então

.

E não é que a mulher do mp3 foi para cima da Galisteu? No empurra empurra, elas continuam gritando:
– Aposto que você não respeita seus pais e nem eles te respeitam – fala o mp3
.
– Graças a Deus eu não moro com eles – retruca a Galisteu.

Segundos antes de a Galisteu levar um tapa. As pessoas tentavam separar a briga e chega um funcionário do metrô.
:
– Calma. Tivemos um problema com usuário na via. Tenham paciência. Sugiro que mudem de porta de embarque para evitar problemas – aconselha o homem de preto do metrô.
– Essa baianinha não tem respeito pelas pessoas – fala a mp3.

Quando a Galisteu ia retrucar, chega um metrô vazio. Somos todos lançados para dentro e eu fiz questão de ficar longe…afinal…eu que quase levei o tapa da mp3. Lembrei o porquê das pessoas tirarem sarro da zona leste… Já dentro do vagão, olho para o lado e vejo o senhorzinho em pé.

– O senhor gostaria de sentar? – pergunta uma mulher sentada.

– Obrigado – ele diz e senta.

Ao sentar, ele me vê e diz:
– As pessoas estão bravas hoje, né? Nem esperava que fosse sentar.

Só sorri, não sabia o que falar
.

– Eu vi tudo da plataforma. Se as pessoas respeitassem umas as outras não teríamos tanto problemas – disse a mulher que cedeu o lugar.

É..respeito..será que as pessoas sabem o real significado desta palavra?

Veja +

#5 No transporte público – O jogo do Brasil
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – o que é isso?

#5 No transporte público


Estreia do Brasil na Copa do Mundo 2010

Antes tarde do que nunca!

Queria muito dedicar um episódio do Transporte público a respeito da Copa ontem mesmo, mas como no trabalho foi aquela correria, teve que ficar para hoje.

O jogo do Brasil

Pela manhã ela saiu no mesmo horário de casa para ir ao trabalho. Na rua, movimento intenso e cheio de verde-amarelo. Camisetas, bandeiras, luvas, boinas e tudo mais que a criatividade permitisse colocar a bandeira do brasil como estampa.

No metrô, uma surpresa: muito mais cheio que o normal.  Fila para passar pela catraca. Uma olhada rápida aos funcionários também provou que o transporte público estava em clima de festa.

A plataforma parecia um formigueiro.  Mistura de cores, sexos, idade, mas todos com um só pensamento: chegar mais cedo ao trabalho para poder ir embora antes do jogo ou assistir com os colegas de trabalho. E as conversas não poderiam deixar de serem as mesmas:

– Meu chefe liberou. Vou pra casa uma hora antes do jogo e nem vou ter que compensar horas – disse um.
– Sorte a sua. O meu me obrigou a ver no trabalho e ainda compensar as horas do jogo. Vê se pode? – resmunga outro
– Pelo menos vocês podem assistir, eu vou ver na surdina. Entrar naqueles sites lá ao vivo e acompanhar pelo fone de ouvido – fala um terceiro
– Duvido você não gritar gol – desafia o primeiro
– Eu vou dar o meu jeito – responde o terceiro.
– Você acha que vai ser quanto? – interfere um quarto
– 3X0, certeza. – responde o quinto
– Eu acho que fica 2X0 – fala o sexto
– 3×0 se o Dunga não colocar o Kaka, ele tá zoado – fala o primeiro
– ah, o Kaka tem que jogar. Ele é lindo – fala uma primeira mulher

Estação Sé – desembarque pelo lado esquerdo do trem

– Se beleza fosse sinal de jogo bom, o Robinho tava ferrado – ri o segundo.

Ela chega ao trabalho acompanhada pela trilha sonora de vuvuzelas. Não sabe o que é uma vuvuzela? Antes você chamava ela de corneta, certeza. Lembrou, né?
Ela se concentra no trabalho e o dia vôa. Hora do jogo. Tensão, salgadinho, refrigerante e colegas de trabalho.
Tudo junto ali, misturado em frente à tv.
Apita o jogo. As vuvuzelas do bairro param de tocar. Silêncio.
Risada logo de cara: uma baita faixa de “Cala boca Galvão” em plena rede globo. Mas, não demorou dois minutos e a faixa sumiu.

Primeiro tempo: triste. Nenhum gol.
A vontade de comemorar estava entalada.
Intervalo: olhada rápida para o computador. Ela conclui uma tarefa simples.
Segundo tempo: tenso. Mas Maicon aliviou: GOL! O grito veio e o sorriso também. Nem tiveram fôlego para “vuvuzelar”, era mais divertido gritar GOL
Saldo final: 2×1. Ganhamos, mas como todo brasileiro, ela esperava goleada.
Fim do jogo, de volta ao trabalho.
Concentração, próximo jogo só semana que vem.
Ela vai para a faculdade. Ruas vazias…sem trânsito às 18hs.
No ônibus os técnicos de plantão dão a sua opiniao:

– O Dunga tinha que ter tirado o Kaka antes e colocado o Grafite – fala o cobrador
– Pode crer. E por que tirou o Elano logo que ele fez gol? Devia ter deixado mais tempo. – fala o transeunte.

Na faculdade, quase sem comentários sobre o jogo. Semana de provas e trabalho, dá nisso.
Mas nada impede que na semana que vem, tudo se repita.

Veja + da série
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

E você? Assistiu à Copa onde? Comente!

#4 No transporte público


Amor entre amigas

Duas amigas voltam de metrô da faculdade depois de uma longa semana de trabalho e estudos. Sexta-feira, 23h. Descem da estação do metrô e resolvem embarcar na segunda lotação para poderem ir sentadas durante a viagem.

Infelizmente, só conseguiram sentar em corredores diferentes, mas lado a lado. A conversa gira em torno do que fizeram durante a semana. De repente, duas meninas embarcam.

A loira passa o bilhete na catraca tranquilamente, enquanto que a morena de cabelos curtos passa o bilhete e diz:

– Ai, amiga…tô zerada.

O comentário foi tão alto que todos perceberam e entenderam que quem estava zerado era o bilhete e não a menina.

– Ué, tenta ae a integração, oras – respondeu a loira

– Tá liberado, pode passar – interveio o cobrador

A morena hesita, não sabe se vai ou se fica, até que a catraca apita e ela passa. Curiosamente, as duas param entre as duas amigas que estavam sentadas de modo que a conversa foi cortada.

Se bem que vale ressaltar que as amigas já estavam rindo do comentário da morena. E para piorar:

– Ai, amiga….eu amo você – disse a morena

Silêncio na lotação. Eu tento olhar para a minha amiga, mas só percebo que ela está sentada com a cara escondida entre os cabelos. Pela movimentação dos ombros, vejo que ela também estava rindo. Com um sorriso a la “gato do Alice no País das Maravilhas”, tive que imitá-la.

O ataque de riso veio de uma forma incontrolável naqueles poucos segundos em que a loira demorou para responder.

– Ah, eu também amiga.

A conversa entre a loira e a morena seguiu, mas eu estava mais concentrada em disfarçar a minha risada. A lotação para no ponto e as duas descem. No mesmo momento, olho para a minha amiga e as duas caem na risada.

– Você ouviu? – pergunta ela

– Sim. – respondi

– Tudo? Até a parte “eu amo você”?

– Sim.

Risos e mais risos

– Isso vai pro blog, com certeza – falei

E aqui está este momento hilário que, nas palavras da minha amiga, foi uma ótima maneira de encerrar a semana.

E você? Tem histórias engraçadas no transporte público? Mande pra mim.

Veja os outros capítulos

#3 No transporte público – Cidadão e Funcionário
#2 No transporte público – Mulheres e Futebol
#1 No transporte público – O riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

#3 No transporte público


Quando chove em São Paulo, o caos se instaura

Hoje o dia já amanhece prometendo não ser nada fácil. Chuva e frio invadiram São  Paulo o que complica ainda mais o caos no metrô e o trânsito na rua. Tenho uma crônica sobre chuva em SP. Clique aqui

Foram necessários 25 minutos para que eu conseguisse embarcar no trem na estação Tatuapé, mas para a minha alegria, uma nova conversa rendeu o capítulo 3 da série “No transporte público”.

Relógio: 8:35
– Pessoal, vamos ficar atrás da faixa amarela, por favor? – pergunta o funcionário
– Por acaso hoje não vai passar um vazio? – perguntou um cidadão
– Olha, a gente tinha mandado um que fez manobra, mas daí deu problema na estação Brás e ele teve que voltar – respondeu o funcionário
– É, eu vi. Cheguei na estação 8:10, bem na hora que anunciou que ia fazer a manobra, mas daí vi que ele foi pro outro lado.

Um metrô chega na estação molhando a todos por causa da chuva

– E ainda por cima ele tá parando fora da marcação da porta – reclama o cidadão
– É proposital – disse o funcionário – para que as pessoas que ficam na frente esperando o vazio darem passagem a quem quer embarcar.
– É…tipo eu?
– Você e todos que estão na frente – riu o funcionário.

Neste momento, o funcionário olha para o metrô cheio e diz:
– Sabe o que é pior? Fica tudo abafado e um monte de gente passa mal
– É, eu não tenho coragem de embarcar por causa do Brás – falou o cidadão
– O Brás é complicado mesmo. Meus equipamentos de trabalho são rádio, lanterna e luvas. Ja já que venho com desodorante.
– Desodorante?
– É! Tem gente que consegue feder logo cedo
Neste momento não pude conter a minha risada
– Tipo assim, sabe? Joga o desodorante antes de todo mundo entrar – fala o funcionário
– É…e uma bala talvez? Tem gente com bafão.
– hehehe, faz parte

– Ah, meu deus! – grita uma mulher
O funcionário vá ao lado dela e pergunta o problema
– Caiu meu guarda-chuva no vão entre o trem e a plataforma – disse
– Tudo bem, eu pego. Isso não é nada. Pior quando alguém cai – responde o funcionário
– E pensar que morre tanta gente e o metrô não divulga – fala o cidadão
– Tem tanta coisa que acontece neste país que não é divulgado – fala o funcionário – olha só…lá vem o vazio. Pessoal, se dirijam aos corredores.
Relógio: 8:40
E lá fomos nós lançados para dentro do vagão.

Para esclarecer:
O metrô em São Paulo nos horários de picos, das 7hs às 9h30, é lotado, principalmente na linha vermelha (leste-oeste). Todos os dias, neste período, há alguns trens que vão vazios nas estações penha, carrão e tatuapé para aliviar o acúmulo de usuários. O problema é que tem gente que fica esperando estacado na frente da porta e não dá passagem aos demais usuários. Falta mais cidadania do que estrutura por parte do metrô.

Outros episódios
#2 No transporte público
#1 No transporte público
No transporte público

Você tem uma história boa pra contar? Mande pra mim! ldbartolomeo@gmail.com

#2 No transporte público


Mulheres e futebol

Homens só falam de mulher e futebol! Que mulher nunca disse ou ao menos pensou isso a respeito do sexo masculino? Pois é, eu preferia não acreditar nisso, mas hoje tive que concordar com essa frase feita. Eis o que ouvi indo para o trabalho. Tentei reproduzir o diálogo o mais fiel possível, por isso das palavras estranhas.

No meio da lotação do metrô às 7:55 AM dois rapazes se reconheceram.

– Cara, não acredito que é você! – disse Rafael
– ô, loco, mano! Faz tempo, hein?! – respondeu Caio
– Bons tempos aqueles que a gente jogava futebol, não?
– Nossa, era feliz e não sabia.
– Mas lembro que você parou cedo de jogar. Por que?
– Por causa da minha mina. A gente ficava junto só de final de semana e ela ficava putinha se eu ia jogar com os muleque. Daí fui cedendo e você sabe como é mulher, né?
– ô se sei, mas nada que um belo trato não acalme a mina.
– é, mas com ela não funcionava. Por isso, terminei com ela.
– Tá solteiro agora?
– Tô nada, vou casar em breve.
– Eita, por que?
– Ah, tá na hora, né? Cinco anos de namoro e tals…ela tá ficando impaciente
– Você é um dominado!
– Olha só quem fala. Quem ficou preso a Bruna, hein?
– ah, a mina era gostosa. Catei ela durante três anos, mas na hora que ela veio com esse papinho de juntar meia, caí fora. Você sabe que não sou homem de uma mulher só.
– Sei bem disso. Ou, você viu a escalação?
– Dunga burro.
– Pra que tanto volante?

“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Fui jogada do trem junto com o tal de Rafael e confesso que não pude parar de rir e pensar em como muitas vezes uma frase feita faz sentido.  E você? Já se deparou com alguma frase feita na sua frente?

Leia:

#1 No transporte público

#1 No transporte público


O riso é o melhor remédio contra o mau humor

No meio do vagão, tinha uma moça que me fez rir

O mais desesperador não é ouvir o despertador te acordar no momento em que você acaba de pregar os olhos, mas sim abrir a janela e ver que chove. Chuva pode significar muitas coisas, mas em São Paulo a melhor palavra que define a situação é o caos. O caos te traz o trânsito infernal e o metrô lotado, que prova que dois corpos ocupam sim o mesmo espaço. Pois bem, naquele dia foi bem assim.

Mas como estou acostumada com a odisséia do metrô, tomei aquele banho relaxante, me agasalhei neste frio de 16ºC e tive a sorte de a mamãe estar em casa e me deixar no metrô. Chegando na estação, já veio o primeiro índice: a fila para passar na catraca estava muito grande e quando você começa a questionar o motivo,  a voz do além, vide voz do funcionário que ecoa por toda a estação, informa: “Estamos restringindo a entrada na plataforma devido à chuva e acúmulo de usuários.”

Ao contrário da multidão a minha volta, respirei fundo e pensei “Não se estresse que não vale a pena”. Com este pensamento, cheguei na plataforma e fui jogada para dentro do vagão. No meio do amasso, o mau humor começou a querer aparecer…e foi então que a vi e ouvi a menos de 10 cm do meu ouvido, uma moça morena e um pouco mais alta do que eu estava com a bolsa na minha cara conversando com uma loira, menor do que eu, que foi socada atrás de mim.

As duas eram amigas e logo deu para perceber que a morena chamava Vanessa e a loira, Tati. E por causa do aperto do vagão, uma ficou de costas para a outra, mas a comunicação entre elas se deu mesmo assim, até mesmo comigo ali no meio. Geralmente eu me irrito com as conversas, mas dessa vez eu não me contive e ri na cara delas rs

Reprodução do diálogo

Tati: Tá tão cheio hoje que nem consigo mexer os meus braços…
Vanessa: Ai, amiga. Pensa assim: Você nem precisa segurar. Não vai cair, o povo segura. E eu to aqui de boa, tão apertada que em sinto sentada.

Freada brusca

Vanessa: Ixi….acho que quebrei as minhas pernas. Ui…ainda bem que a moça ta com as costas escoradas na minha, dá até pra alongar.
Tati: Ai, vou chegar atrasada de novo.
Vanessa: Mas que horas são? Não consigo ver o meu pulso.
Moça X: São 8h30
Vanessa: O, moça, brigada. Adoro esse povo do metrô, povo unido nos corpos e na solidariedade.
Tati: é, espera chegar o brás.
Vanessa: Ai a gente grita: Socorro….

silêncio

Vanessa: mas de que adianta gritar socorro se ninguém vai ouvir?
Tati: Pois é.
Vanessa: Vamos gritar todos juntos.

Estação Brás, transferência gratuita para as linhas da CPTM. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Ui, Jesus!!
Tati: Ai, socorro
Uma multidão entra gritando e aperta ainda mais as duas moças.
Vanessa: Gente, vamos todo mundo empurrar pra trás, tipo uma barreira…
Tai: Tarde demais…já até fechou as portas. Que calor, meu deus.
Vanessa: Pensa assim, ó. Parou de chover o povão deixou as janelas abertas.

Brecada brusca

Vanessa: Tá tão lotado que nem me mexo, eu desafio o maquinista me fazer cair. Pode brecar que eu não caio… o povo não deixa.

Brecada brusca

Vanessa: Tome, maquinista  ruinzinho! eu to aqui inteirinha hahaha
Tati: Ai, Vanessa…só você mesmo.
Vanessa: ué, tati. Rir é o melhor remédio pro mau humor. Pode rir moça (se referindo a mim que já tava roxa de tanto rir). Assim eu já chego bem no trabalho. Pra que estressar? Vou chegar bem e fazer o meu trabalho é isso que importa.

Estação Sé, transferência gratuita para a linha 1 azul. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Hora de ser lançada pra fora. Tchau, amiga. Bom dia pra você e você (eu). Que o seu dia seja mais iluminado que hoje porque voltou a chover.

E não é que a Vanessa tinha razão? Ri tanto que cheguei bem humorada no trabalho e o meu dia rendeu muito. Queria encontrar ela de novo…com certeza iria rir muito.

E você? Já encontrou alguém assim no meio da muvuca?

No transporte público


Moro em São Paulo e ando de transporte público como grande parte da população que mora na mesma região que eu: na ZL. E ainda uso nos famigerados horários de pico. Para sentir o clima, selecionei um poema de um autor desconhecido (quem souber de quem é, me avise, por favor)

O pico de cada dia

O momento em que estamos juntos é interminável…
Nossos corpos estão tão unidos que posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro…
Nossos movimentos são sincronizados…
Indo e voltando…
Para frente e para trás…
Às vezes pára, e então, quando nos cansamos da mesma posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer.
Um calor enorme parece que nos fará desmaiar…
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro e, quando não aguentamos mais segurar…
Uma voz ecoa em nossos ouvidos…

“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Resolvi criar a série “No transporte público” a partir deste poema e de um comentário que já ouvi dentro do metrô:  “Falou alto, é porque quer ser ouvido” dito por Cristiana Uehara, uma colega do Curso teatral para não-atores.

Se você tiver histórias para contar, escreva aqui também. Afinal, aguentar o pico não é fácil e tem vezes que a gente precisa dar risada pra não chorar. Ainda não defini o formato da série, mas é bem provável que apareça como crônica ou roteiro…vou observando o andar da carruagem e também o que faça jus a determinados acontecimentos.

Até segunda-feira estará no ar o primeiro episódio! Aguardem