Resenha – A garota italiana – Lucinda Riley


Olá, olá!

Quem me acompanha há algum tempo sabe que eu praticamente devoro todos os livros desta autora. Já rolou até vídeo falando do primeiro livro que li dela e você pode conferir aqui.

Desta vez quero falar de “A garota italiana”. Livro novo? Na realidade não. Lucinda iniciou a sua carreira muito cedo como escritora. Tudo começou em 1992 quando ela ainda assinava como Lucinda Edmonds. E “A garota italiana” foi lançada a primeira vez em 1996 sob o título de “Ária”.

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Originalmente publicado em 1996 com o título de “Ária”

 

Anos mais tarde, depois de virar um sucesso mundial, sua editora pediu para ver suas primeiras obras e sugeriu republicar “Ária”. Lucinda resolveu então reler sua obra e segundo algumas entrevistas que encontrei por aí ela disse que precisou reciclar. Revelou que na época a internet não era lá estas coisas (e não mesmo) e sentiu que precisava atualizar alguns dados. Eu não tive acesso ao original, mas acredito, pelo que li, que ela manteve sim a história, personagens e  melhorou sua parte histórica.

O que mais me chocou é que em “A garota italiana” não existe passagem de tempo. Como assim não existe passagem de tempo? É que na série “As sete irmãs” além de “A garota do penhasco”, “A rosa da meia noite”, “A casa das orquídeas” sempre há uma passagem de tempo, duas personagens – presente e passad0 -que de alguma foram tem algo em comum. Desta vez não.

Em “A garota italiana” acompanhamos o crescimento de Rosanna, uma garota italiana (dã rs) que mora com seus pais em cima de uma cantina e tem uma voz extraordinária. Sim, voz de ópera. Numa festa em família ela conhece Roberto Rossini, um cantor de ópera famoso, que se encanta por sua voz e sugere que ela faça aulas de canto. Rosanna se apaixona à primeira vista e jura a si mesma que um dia irá casar com o cantor. Mesmo sabendo que Roberto é o tipo Don Juan, papa-mulheres, que não se compromete a nada.

Obviamente que os anos passam, Rosanna vira mulher adulta e acaba cantando ao lado dele. Na trajetória deste amor montanha russa entre os dois personagens, conhecemos algumas histórias paralelas como de seu irmão Luca que estuda para ser padre, sua irmã Carlota que era toda maravilhosa e, por um erro, acaba perdendo todo o brilho da sua vida, e Donatella, uma esposa milionária que causa um bocado de situações que dão fogo à história do livro.

Quis muitas vezes invadir as páginas e dar uns tapas na cara de Rosanna e também uns tabefes na cara do Roberto, mas não quero dar spoilers. Quis também chorar com Luca e ri de Donatella (que feio, Lívia rs)

O final foi de certa forma surpreendente e me agradou. Algumas coisas que eu torci deram certo outras me pegaram de surpresa. Os capítulos são curtos, agradáveis, e vale a leitura para quem já conhece a autora. Para quem ainda não se aventurou em suas páginas, recomendo os seguintes títulos:

“A rosa da meia noite”, “Casa das orquídeas” e “A garota do Penhasco”. Se você ama séries, já parta para “As sete irmãs”.

E você, leu “A garota italiana”? Me conte!

 

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Série – A seleção, Kiera Cass


Olá!

Tem vídeo novo no meu canal do youtube! Desta vez eu me aventurei pela literatura infanto-juvenil com a autora norte americana Kiera Cass. Ela lançou a série “A Seleção”, composta pelos livros “A seleção”, “A elite”, “A escolha”, “A herdeira” e “A coroa”, o lançamento de maio de 2016. Todos estes livros são da Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras e eles têm feito muito sucesso ficando atá na lista dos mais vendidos em diversos sites aqui pelo Brasil.

Eu confesso que fiquei na dúvida se fazia um vídeo por livro, mas achei melhor fazer um vídeo só falando da série toda. Assim, eu tomei todo o cuidado para evitar spoilers e, quem sabe, ajudar você a decidir se entra ou não no mundo mágico de Illéa.

Vamos ao vídeo?

Para quem gosta das resenhas escritas, continue comigo neste post. Mas agora me atrevo a dizer que por aqui você vai sim encontrar spoilers. Então, se não gosta, assista apenas ao vídeo.

Vamos começar então pelo livro 1.

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CASS, Kiera. A seleção. Editora Seguinte, 2012.

Gosto bastante de começar as minhas resenhas dizendo como eu conheci o livro.  Quem me segue no instagram (@liviadibartolomeo) já deve ter notado que costumo postar o que ando lendo. E como uma usuária deste aplicativo, também tenho o costume de navegar pelas tags #livro #instabook #instalivros e foi numa delas que dei de cara com a capa acima.

Vou confessar que julgo sim o livro pela capa. Afinal já se foi a época em que as editoras lançavam suas obras em capas pretas com letras prateadas ou douradas. Hoje há um investimento pesado também na arte da capa do livro e, na maioria das vezes, eu acabo sendo fisgada justamente por isso.

Pois bem. Vi muita gente postando este livro e falando que existia uma série. E mais: quem postava, só rasgava elogios à autora. Então, não teve jeito, tive que comprar pra ler. Mas, temendo não gostar, comprei apenas o volume 1 porque, sinceramente, pensei que poderia ser infantil demais.

Sentei para ler e em dois dias já tinha terminado. E fui fisgada. Sim, eu gosto do universo Disney, sim eu amo conto de fadas, sim eu gosto de romance, bobo ou até profundo. Além disso, o livro é extremamente fácil de ler. O tamanho da letra é agradável, ele tem quase o formato pocket pra facilitar o manuseio, os capítulos são curtos e a linguagem me lembrou muito de blog pessoal, tipo diário. Então, a leitura vai que vem.

“A seleção” é narrado em primeira pessoa pela personagem América Singer. Ela vive num país chamado Illéa, onde as pessoas vivem divididas em castas. No total são 8, sendo que a primeira diz respeito à monarquia e a oitava, à classe mais pobre, miserável. América e sua família fazem parte da casta 5. São artistas – cantores, pintores – e tem épocas que vivem  bem, mas também passam pelas vacas magras.

Illéa está em festa, na verdade está com ar de esperança porque o príncipe Maxon finalmente abriu a seleção. A seleção nada mais é do que um concurso para encontrar a futura esposa do príncipe e todas as garotas entre 16 e 18 anos solteiras podem se inscrever, independente da casta. Obviamente é o sonho de todas as meninas e também de suas famílias, afinal quem não gostaria de mudar de vida?

Todas, menos América. Pois é, a nossa protagonista não quer saber de tiaras, palácio e muito menos do príncipe. Ela está mais interessada no seu namorado secreto, Aspen, que faz parte da casta número seis.

Illéa, apesar de estar num futuro, é bem retrógrada. Existem leis que exigem a castidade dos jovens e ainda por cima o país tem toque de recolher todas as noites. Sem contar que é uma desonra para qualquer família se sua filha casar com alguém de uma casta inferior à sua. Mas para a nossa Meri, nada disso importa. O seu coração tem dono e todas as noites ela encontra Aspen às escondidas na casa da árvore. O mundo dela parecia perfeito. Ela realmente não se incomodava em ir para um casta inferior, desde que estivesse com o seu amor. Mas tudo isso estava prestes à mudar.

Sua família praticamente a força a fazer a inscrição. Inclusive seu namorado porque ele tem medo que ela possa perder a oportunidade de ao menos passar um tempo no palácio. Sem contar que ele está chegando na fase do alistamento e pode ser enviado para qualquer lugar do país a qualquer momento.

Sendo assim, América se inscreve. Se inscreve e não faz nem ideia do que o destino separou para ela. Pouco tempo depois, o resultado: América está entre as 35 selecionadas. Mas ela não está pronta,  não quer ser princesa. Aqui, a autora diz que se inspirou em duas histórias: a de Ester, que está na Bíblia, e também do conto da Cinderella.

Segundo Kiera Cass, América representa a resposta da seguinte pergunta: E se Ester estivesse apaixonada por alguém antes de ser enviada ao palácio? E se Cinderella não estivesse pronta para viver seu “felizes para sempre”? Como as histórias teriam se desenvolvido?

Então, somos convidados a entrar neste questionamento. América não queria mudar de vida e estava apaixonada. Mas como dizer que ela não iria? O empurrão final veio de Aspen que termina com a garota e ela não vê outra saída a não ser ir para o palácio.

Quando ela chega lá, é praticamente impossível não comparar com Jogos Vorazes já que ela participa de uma disputa na qual apenas uma será a vencedora. Também lembrei de O diário da princesa, por causa da transformação física dela, das aulas de etiqueta e, principalmente, pela negação em querer assumir o cargo de princesa. Ah! A gente pode também comparar com o triângulo amoroso da saga Crepúsculo, mas sem a parte de vampiros e lobisomens. Enfim, tá bem dentro do universo infanto juvenil.

Durante a leitura eu até me diverti. Ri em algumas partes e a minha imaginação foi longe ao tentar visualizar a vida no palácio. O príncipe Maxon me intrigou, na verdade, me encantou logo de cara. O primeiro encontro entre eles eu realmente admirei. Gostei bastante do sufocamento que ela sentiu e da amizade que nasceu entre os dois.

Aí, você vai acompanhando as brigas, as tarefas, as malvadezas de Celeste, a doçura de Marlee e a teimosia de América. Sério, teve horas que senti raiva de tão cabeça dura que ela é. O príncipe e boa parte das candidatas parecem acreditar que América é sim a favorita, mas ela não se valoriza e insiste em continuar na competição porque sua família vem recebendo uma contribuição semanal em dinheiro enquanto ela está lá.

Em meio ao conto de fadas de “A seleção” a autora traz o conflito com os rebeldes e os constantes ataques ao palácio. Tudo isso para dar uma movimentada para não ficar uma história de amor adolescente morna. O caráter de América ressalta em cada ataque deste e ela se mostra bem solidária às suas criadas e também às outras meninas. Mas o seu coração continua confuso e tudo piora quando Aspen vira seu guarda pessoal (lembra do recrutamento lá em cima?).

Uma das minhas partes favoritas desta história toda é  o momento do “Jornal de Illéa”, pois é somente aqui que a gente não sabe o pensamento da América e, muitas vezes, somos surpreendidos com a suas respostas. Respostas estas que desagradam o rei, mas impressionam o povo e também Maxon.

O livro se encerra com a diminuição do número das participantes. De 35 agora temos 6, ou seja, temos A Elite. E, claro, acaba com aquele ar que você se vê obrigado a comprar o volume 2 da série.

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CASS, Kiera. A elite. Editora Seguinte, 2013.

Como eu fui fisgada pelo conto de fadas de Kiera Cass, já comprei logo os 4 livros restantes de uma vez pela internet. Encontrei um preço bacana e mandei ver.

Em “A elite” eu senti América ainda mais confusa. Ela começa a aceitar que tem sentimentos pelo príncipe, mas não quer assumir de jeito nenhum para ela, pois morre de ciúmes do tempo que ele desprende com as outras candidatas. Além disso, ainda tem medo da coroa e das responsabilidades como princesa. Os encontros entre ela e Maxon se torna assim mais calientes, mas calma que tudo permanece casto, afinal é um livro infanto juvenil.

Maxon a coloca contra a parede: se ela assumir o que sente, ele encerra a seleção e fica com ela. Mas o que América mai quer é tempo. E tempo é o luxo que ela não pode ter. O palácio continua sendo invadido e o pânico se espalha pelo país.  Volto a dizer que as respostas de América durante o jornal são as melhores e ela mostra um interesse pelos assuntos do país.

O livro chega ao final quase te fazendo acreditar que América vai embora, mas sabendo que ainda existiam mais livros já publicados, aguardei a resolução da autora.  Apesar de a donzela ter sido resgatada – e a autora afirma em suas entrevistas que a ideia era uma heroína forte – chegamos enfim, ao terceiro livro.

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CASS, Kiera. A escolha. Editora Seguinte, 2014.

Assista ao lindo book trailer

Em “A escolha”, América recebe uma segunda chance e continua participando da seleção. Ela luta por Maxon em meio aos ataques rebeldes que estão cada vez mais frequentes. Apesar de ser um livro com mais ação que os anteriores, senti falta de uma explicação mais grandiosa em relação aos ataques dos rebeldes. Ficou claro que a saga não passa de uma história de amor, mas tudo bem. Não é por isso que deixa de ser interessante, mas se autora tivesse dado mais valor ao resto, talvez teríamos aí uma obra mais grandiosa e com certeza, mais bem aceita no universo adulto.

Neste livro senti pressa. Não pressa de terminar de ler, mas pressa da autora em resolver os conflitos. Teve momentos em que ela simplesmente esqueceu de costurar suas pontas soltas, mas também teve momentos que me surpreendeu mais que nos outros dois livros.

A própria origem do nome de América é surpreendente. A história do seu pai mais ainda. O encontro com rebeldes lembrou muito a fase final de Jogos Vorazes. O interessante é ver que América amadurece e deixa de ser tão irritante. O rei nos assusta, dá até raiva na verdade, mas a rainha ganha o nosso coração.

As tarefas das garotas remanescentes são muito interessantes e o convívio de América com a princesa italiana é muito bom e apimenta a obra.  Este foi o livro da série que li mais rápido. Tanto porque queria saber logo o final quanto também pela narrativa frenética da autora.

O livro tem um final interessante. Agrada aos românticos e choca como tudo acontece. Mas, uma pena que ela acelerou o final e não deu muito gostinho para os leitores. Porém, ao escrever o epílogo, Kiera Cass se convenceu que “A seleção” podia ser muito mais que uma trilogia e no ano seguinte ela lançou “A herdeira” para o delírio dos fãs.

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CASS, Kiera. A herdeira. Editora Seguinte, 2015.

Assista ao lindo book trailer

20 anos se passaram desde a seleção para Maxon e América. Aqui acompanhamos a aventura, em primeira pessoa, de Eadlyn, a primogênita que será a futura rainha de Illéa. É bem difícil falar deste livro sem dar spoilers dos anteriores, mas vamos lá!

Aqui Eadlyn é convencida pelos seus pais a fazer a sua seleção. A realidade é que o país passou por grandes mudanças, com a extinção das castas, mas passa por enormes dificuldades. E, na tentativa de distrair o povo e também fazer com Eadlyn seja amada em seu país, a nossa personagem se vê no meio de 35 rapazes.

Eadlyn se acha autossuficiente e não quer nem saber de marido, mas é obediente e acata as decisões de seus pais.  Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, mas como nasceu 7 minutos antes é a herdeira do trono.  Então, desde pequena é treinada para o dia em que se tornará rainha. A sua mãe era teimosa e insegura, já Eadlyn se acha demais. Momentos divertidos do livro acontecem quando ela leva aqueles “chega pra lá” da realidade, sabe?

A seleção de Eadlyn pode até ter começado como uma jogada política, mas se torna uma jornada de autoconhecimento. E é interessante ver a seleção ao contrário, diversos rapazes e apenas uma moça. E desta vez temos o ponto de vista de quem escolhe e não de um selecionado. Gostei desta inversão.

E, ao contrário dos livros anteriores, quase não se nota um triângulo amoroso. Na verdade eu torci para um rapaz e fiquei feliz com o desenvolvimento da personalidade dele.  Obviamente que o livro não se encerra com o escolhido, na verdade ele teve um final que me chocou e me deixou doida para ler “A coroa”.

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CASS, Kiera. A coroa. Editora Seguinte, 2016.

Assista o lindo book trailer

Iniciamos o último livro da série com fortes provas para Eadlyn. Ela assume como regente, sofre preconceito por ser muito nova, ainda é odiada pelo seu povo e nota que o seu coração deseja sim encontrar um grande amor. Ela teme não ter o relacionamento dos seus pais e acredita que a sua escolha tenha que ser mais política do que emocional.

É legal ver que ela forçadamente tem que baixar a bola e começa a reunir aliados. Sente a sua confiança testada várias vezes e finalmente começa a revelar características dos seus pais. Kiera aqui quis brincar com o leitor. Apontou um favorito, depois mudou para outro e nos surpreende com o coração.

O mais legal é que Eadlyn descobre que não precisa ser perfeita e que muitas vezes precisamos quebrar as regras e seguir o nosso coração. Bem conto de fadas, né?

Mais uma vez, na finalização, Kiera errou. Jogou diversas informações e resoluções sem ter muito carinho.  Mas o final até que agrada e dá uma resolução.

Boatos dizem que no aniversário de 10 anos de “A seleção” pode ser que Kiera Cass escreva o livro intermediário entre “A escolha” e “A herdeira”. E corre, há algum tempo, que existe uma grande possibilidade de toda a série virar filme. O jeito é esperar.

COMENTÁRIOS GERAIS

Eu fico muito feliz em dizer que só soube da série este ano. Sério! Ia ficar muito brava de ter que esperar um ano por cada livro. É totalmente diferente da experiência que eu tive com Harry Potter já que cada livro tinha uma aventura e se encerrava em si, mesmo a gente aguardando o grande duelo entre Voldemort e Harry. A realidade é que “A seleção” podia ser um livro só, um grande livro de 600 páginas, escrito de forma mais fluida e mais interessante. Mas, claro que vamos ganhar dinheiro e lançar um parte da história por ano, não é mesmo? rs

Outra coisa: recomendo para todos os pré-adolescentes, adolescentes e adultos que amam contos de fadas. Incentive sempre alguém a ler. É o melhor que podemos fazer nesta vida.

Se, com este textão eu te convenci a ler, já fico feliz. Se não te convenci a ler os livros, mas você leu cada palavra daqui: já valeu também!

Agora quero saber o que você achou de tudo isso. Comente! Estou te esperando.

Continuar a ler

Laços inseparáveis, Emily Giffin


Eu li três livros da Emily Giffin e acredito, até o presente momento, que este foi um dos livros mais reais dela.

Laços Inseparáveis é um livro narrado sob dois pontos de vista: Marian e Kirby.

Marian é uma produtora famosa de televisão que aos 36 anos tem um encontro inesperado. Sua filha, que foi dada para adoção, aparece em sua porta. E esta filha é a Kirby.

Vamos conhecendo o passado e o presente de cada uma, sendo que cada capítulo tem o ponto de vista de uma delas.

Ao contrário de “Ame o que é seu” e “Uma prova de amor”, este livro não tem um final feliz. Aliás, não tem final. Não sabemos para onde elas vão, apenas que fizeram as pazes com o seu passado.

Fazer as pazes com o passado não é uma tarefa fácil, mas às vezes é a chave para entendermos quem somos e para onde queremos ir. O clichê que podemos correr, mas não nos esconder fica bem claro nesta obra e, se você quiser, pode te ajudar a uma viagem profunda de autoconhecimento.

É uma leitura interessante, mas, mais uma vez, senti falta de um ponto de virada forte na história. Faltou a surpresa.

As sete irmãs, Lucinda Riley


Depois de ter devorado “A rosa da meia noite” e emprestado para a minha mãe que também devorou, acabei ganhando mais três livros da Lucinda.

“As sete irmãs” foi o segundo escolhido.

Que alegria ver que a autora criou um romance que se passa aqui no Brasil, história que acontece durante a construção do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Lucinda Riley mais uma vez (para a minha alegria) brinca com duas épocas: da construção do monumento, aos dias atuais de 6 meninas adotadas por um senhor rico, Pa Salt.

Quando Pa Salt morre, ele deixa pistas para que cada filha saiba a sua origem. Lucinda nos convida a conhecer a história da mais velha, Maia. Pelas coordenadas deixadas, somos levadas até o Rio de Janeiro para conhecer o seu passado. Ao contrário da “A rosa da meia noite”, desta vez eu senti mais clara a ligação das duas histórias e ansiava pelo momento em que tudo fizesse sentido.

É um livro para ser lido com atenção, pois ela dá pistas no começo que só fazem sentido no final da obra. Para a minha alegria, parte desta incrível jornada se passa em Paris. Uma Paris dos anos 20.

São muitos detalhes, muitas aventuras por causa de um grande amor que ultrapassa qualquer continente. E o mais legal de tudo isso é que a autora realmente fez sua pesquisa a respeito das épocas e conseguiu, com maestria, criar uma fantasia deliciosa de ler.

Pra quem gosta de sagas, fica o gostinho da abertura que ela deixa para mais 5 livros sobre o tema.

Recomendo!

RILEY, Lucinda. As sete irmãs. Novo conceito, 2014

Vai um sushi aí?


Capa do livro. Até deu vontade de comer sushi mesmo

Nessas férias resolvi ler “Sushi” de Marian Keyes porque já tinha lido “Melancia”e me encantado com o estilo folhetinesco/diário pessoal da autora.

O livro retrata a história de três mulheres: Lisa, Ashiling e Clodagh cujas vidas se cruzam seja no pessoal ou na profissão. Cada vez que Marian vai contar um episódio de uma das personagens, lemos em primeira pessoa de modo que aprendemos como cada uma pensa e reage diante das situações nada normais que acontecem com elas.

Os capítulos são curtos e, por isso, dá para ler vários em uma viagem de metrô, ainda mais que as letras grandes e o espaçamento auxiliam no conforto dos olhos no “mexe-e-mexe” do trem.

Mas voltando à história. Lisa é uma diretora de revista feminina muito bem sucedida na carreira, mas em abismo em seu casamento. Ela é transferida para Dublin a contragosto onde conhece Ashiling, seu braço direito na redação de uma revista chamada Garota, que elas devem criar do nada. Lisa é egoísta, linda e fútil. Só se preocupa em se manter impecável e fazer com que todos os homens a desejem.

Ashiling é a garota sem sal e sem açúcar que tem trauma da vida por causa da depressão de sua mãe. É supersticiosa e vive carregando um kit de primeiros socorros em sua bolsa e, por isso, foi rotulada como “Senhorita-Quebra-Galho”, pelo seu chefe Jack Devine (apelidado de Divino por sua amiga Joy).  Ela tem zero experiência como redatora-chefe, mas no desenrolar da história podemos observar seu crescimento na revista.

Clodagh é a mulher mais linda do mundo, casada com o homem perfeito e com dois filhos tão mimados que dá vontade de invadir as páginas do livro e dar uma bela de uma surra nos pais para ver se eles se mexem (não me odeiem por isso, as crianças são MUITO pentelhas e os pais, passivos). Ela é a dona-de-casa que foge do relacionamento íntimo com seu marido e ocupa o seu tempo reformando a casa. Ou seja, uma pessoa bem frustrada.

Pois bem, essas são as personagens principais. A autora vai dividindo as páginas com o íntimo de cada uma e uma coisa muito legal do livro é que muitas vezes ela apresenta a mesma situação, contada pelo ponto de vista das três personagens, uma seguida da outra. O mais incrível, é que dá para entender bem, sem nenhuma confusão.

Assim como no romance “Melancia”, o nome “Sushi” é pouco explicativo. A referência só aparece ao final do livro quando eles falam em comer a comida japonesa. Parece tosco, mas é o sushi que une e separa alguns personagens na trama.

O que me incomodou de verdade foi a quantidade de cenas de sexo presentes no livro. A cada cinco capítulos, lá aparecia. Me incomodou porque nessas horas senti que a autora trata as mulheres independentes com uma mentalidade masculina: “ser independente financeiramente, bem sucedida, significa ter relações com qualquer homem que fique aceso ao te ver”. Essa mensagem quase me fez deixar o livro de lado, mas fui até o fim para ver se a obra se salvava. Nada contra as mulheres escolherem seus parceiros, mas não precisa viver atrás disso só porque você é independente.

O fim da história meio que reforça que a mulher precisa de um homem, mas que pode manter a sua carreira  e vida particular. Interessante porque muitas ainda vivem o conflito entre ser esposa, mãe e ter sua carreira. Eu só acho que nem tudo se resume a sexo e que as mulheres podem sim ser independentes sem serem igualzinhas aos homens.

O livro vale como uma distração e para rir das boas sacadas da autora, ainda mais quando Ashiling entra-e-sai da depressão, sem contar o humor irreverente dos personagens secundários.

Leia + Leitura de metrô
Stupeur et tremblements – Vous parlez français?
A cabana, William P. Young

Leitura de metrô: “A cabana”, de William P. Young


Capa do livro

Andar de metrô é uma ótima maneira para saber quais livros estão na lista dos mais vendidos. Muitas vezes eu nem reparo nas capas abertas, mas teve um livro que se destacou: “A cabana”, de William P. Young. Lançado em 2007 pela editora Sextante,  já foram vendidos mais de 7 milhões de exemplares no mundo inteiro.

Foram alguns meses observando as pessoas com os olhos pregados nesta obra sem se preocupar com o empurra-empurra do horário de pico. Foi isso que chamou a minha atenção.

Eu adoro ler livros que te sugam dessa forma, que fazem você esquecer onde está …são os que eu chamo de “Leitura de metrô”. Confesso que demorei para comprar, foi preciso um descontão da livraria para finalmente começar a ler este livro.

A capa dele é linda, tem um gráfico impressionante e as folhas são daquelas texturas fáceis de ler e virar páginas, de modo que é possível esquecer que está lendo o livro e, assim,  acabo entrando de corpo e alma na história.

“A cabana” conta a história de um pai cuja filha desapareceu e o único resquício foi a roupa ensaguentada da menina dentro de uma caverna velha e abanadonada. A editora coloca na sinopse que a história começa quando este pai, Mackenzie Allen Phillips, recebe um bilhete supostamente de Deus para que ele volte a cabana.

Até aí parece um romance espírita ou coisa do gênero. Eu diria que até se encaixa, mas conforme fui lendo não chego a concordar que parece uma oração, mas literatura mesmo. Daquelas bem fantasiosas capazes de criar lindas imagens enquanto você lê.

Tem muita gente que não gostou, mas para mim foi muito especial, me tocou profundamente até que chorei por causa de algumas partes, sem contar que refleti sobre a minha vida em alguns aspectos. Calma, não é livro de auto-ajuda. Eu encarei como um lindo romance, uma história de amor e vingança da morte da própria filha.

A partir daqui o texto passa a ter spoilers

Quem não gostaria de receber as respostas que tanto busca? Ou de ter uma conversinha com Deus tête-a-tête para entender por que coisas ruins acontecem com você? É aí que o livro se torna mágico.

Não se desespere, não há nenhuma religião defendida pelo livro, ao contrário, ele questiona para que serve uma religião se a pessoa não deixa Deus habitar dentro de si.

O interessante para mim foi que muitas das perguntas do personagem, principalmente quando ele se revolta, já se passaram para a minha cabeça e o livro, de certa forma, dá uma resposta. Ela não precisa ser necessariamente a verdade revelada num livro, mas despertou a consciência para avaliar melhor os aspectos da minha vida.

Eu fico imaginando como seria um filme adaptado deste livro. Certamente teria a melhor fotografia, pelo menos na minha cabeça, claro. Quem sabe não vai para as telonas?

Se interessou pela leitura? Vá sem preconceitos e deixe as palavras te envolverem. Deixe as suas crenças de lado, ainda mais se for descrente, e encare um livro sobre o sofrimento de um pai que perde uma filha.

Se você já leu, comente aqui o que achou.

“A queda da casa de Usher” X “Casa Tomada”


Este post é dedicado a um trabalho que fiz sobre a comparação entre “A queda de Usher”, de Edgar Allan Poe e “Casa Tomada” de Júlio Cortázar.

Atenção! Este texto tem spoilers

Fonte: alemdaimaginacao.com.br

A análise comparativa entre o conto “A queda da casa de Usher”, de Edgar Allan Poe, e “Casa Tomada”, de Júlio Cortázar, demonstra proximidade entre vários pontos das construções narrativas. Os dois tratam de histórias que se passam dentro de uma casa e têm como personagem central um casal de irmãos.

No conto de Poe, a descrição da casa faz com que o leitor entre no clima de tensão do narrador-personagem. A estação é o outono, época de queda das folhas que representa o declínio e a decadência de seu morador principal. A casa é descrita como um personagem, por apresentar as janelas como olhos vazios, os mesmos de Usher, muros frios e troncos apodrecidos. Toda a impressão que se tem é de morte e os objetos jazem pelo chão, aumentando o incômodo do narrador, amigo do dono da mansão.

Conhecer o habitante reforça a impressão de ruína dos Usher, pois Roderick e sua irmã, Lady Madeline, estão doentes e são os últimos representantes desta família que nunca teve ramificações. Da irmã, não temos muitas informações. Ela é vista de longe, como um fantasma de si mesma. Seu gêmeo, além dos olhos como as janelas, tem a tez cadavérica, lábios finos e pálidos e cabelo como uma teia de aranha. Aparenta ser muito frágil e a casa é o seu mundo, como se tivesse aversão à vida. Suas expressões são marcadas pelo medo de que alguma verdade venha à tona.

No decorrer do conto, Lady Madeline morre e Usher a enterra na cripta da casa, mas ela sofre de catalepsia. Obviamente, seu irmão sabia disso. Este fato dá um certo tom sádico e masoquista ao conto.

Aparentemente há um desejo  incestuoso entre os gêmeos. O ato de Roderick enterrar a irmã seria uma forma de reprimir seu desejo por ela ou até mesmo alguma lembrança; afinal a casa é um repositório de fatos do passado.  Neste sentido, a volta de Madeline desenterraria tudo e Roderick não aguentaria relembrar os fatos. O abraço mortal de Madeline leva ao desmoronamento da casa, que pode remete a expiação de todos os pecados e erros que estavam ocultos.

No conto de Cortázar, o narrador é o personagem principal, mas, assim como em Usher, os irmãos vivem sozinhos numa mansão, e a casa guarda memórias ancestrais e é  como um personagem que decide o destino deles. Nunca sabemos nada da irmã, a não ser o que o irmão narra.

Também há uma suposta fantasia incestuosa quando narrador fala do “silencioso matrimônio” com Irene. Os dois têm insônia, que pode ser considerada um sinal de inquietação e ambos são aficionados por limpar a casa.  Esta limpeza pode ser uma compensação da sensação de sujeira que não é vista, mas presente na vida dos personagens. Assim como em Usher, eles querem se livrar deste incômodo, por isso limpam a casa todos os dias

Alguém ou alguma coisa está tomando a casa. Eles não procuram saber quem ou quê, mas cada ruído representa o afloramento do inconsciente, uma pulsação do passado. Os personagens de Cortázar continuam tentando fugir do passado que os persegue e a casa vai se transformando num ambiente opressor – ao contrário do solar de Usher que já era assim desde o início – até que eles saem da casa. São expulsos do “útero” que os mantinha juntos e protegidos da sociedade.

Nos dois contos a casa pode ser considerada uma representação psicótica da identidade, ou seja, é um símbolo do desejo reprimido.  A queda ou ser expulso dela significa a emersão dessas vontades adormecidas.

Lolita ganha vida na adaptação de Stanley Kubrick*


Atenção: ESTE TEXTO TEM SPOILERS

É muito comum as pessoas assistirem a um filme adaptado de romance e dizerem que não gostaram. Obviamente há uma grande diferença entre as linguagens visual e literária e é necessário entendê-las para apreciá-las. Este é o caso de Lolita, de Vladimir Nabokov, lançado em 1955, e o filme homônimo de Kubrick, de 1967.  Apesar das diferenças, os enredos tratam da mesma história: um intelectual europeu de meia-idade envolvido em assassinato e ninfolepsia, um grande escândalo para os anos 50.

No livro, a narrativa é construída por meio das recordações do narrador-personagem em primeira pessoa. Em razão disso,  a versão  é altamente duvidosa porque só se conhece os fatos e os outros personagens a partir do seu ponto de vista, logo é necessário ler nas entrelinhas. É uma confissão totalmente solipsista, porque ele justifica todas as suas ações e extrapola no egoísmo, já que não pensa em ninguém além de si mesmo e nunca dá voz aos outros personagens. O resultado é uma obra literária cheia de armadilhas, pois usa um estilo elegante para falar de coisas escabrosas, como pedofilia.

O autor pega temas chocantes e os coloca com uma tal complexidade que é provável que muitos leitores deixem de sentir repugnância e passem até a simpatizar com o personagem. Isso é reflexo da escolha das palavras utilizadas por Nabokov que, apesar de simples, são trabalhadas como as pedras preciosas tratadas pelos ourives. O texto é rico em metáforas, apresenta descrições claras que geram a sensação de estar assistindo a um filme, até o leitor lembrar que se trata de um livro. Além disso, muitas passagens são verdadeiros poemas em prosa, o que o torna encantador.

Os personagens são espelho da sociedade dos anos 50. Humbert, o narrador – personagem, um intelectual europeu de meia-idade que viaja à Ramsdale para ser professor em uma universidade e apaixona-se por Lolita, uma menina de 12 anos que adora história em quadrinhos e desdenha os filmes estrangeiros. Há também Charlotte, mãe da garota, uma típica americana de classe média que acredita ser culta por consumir tudo o que vem da Europa, pintura, frases em francês, empregados negros, religiosidade exagerada, inclusive Humbert. O protagonista vive um “romance” com Lolita, mas, após várias ameaças, acaba perdendo-a, levando a estória a um desfecho trágico.

Chama a atenção o fato de o narrador escrever de dentro de uma prisão porque matou um homem – iremos descobrir mais tarde o motivo -, por ser a historia de um encontro entre o Velho, Humbert, e o Novo Mundo, a menina. O casamento com Charlotte serve para ele ficar mais próximo de Lolita, mas a morte da esposa no momento em que ela descobre as intenções do marido cria uma situação que é um tabu pouco explorado pela literatura séria.  O enredo resultou em duas adaptações para o cinema, uma em 1962, dirigida por Stanley Kubrick, analisada neste trabalho, e a outra em 1997, por Adrian Lyne.

Vale a pena ressaltar a harmonia existente no filme, ou seja, a normalização no relacionamento entre Humbert e Lolita. Destoa do roteiro original porque no romance de Nabokov não tem nada que possa ser inserido nos padrões de um “namoro comum”. Kubrick retirou as cenas de sexo – na película há só a intenção implícita por meio dos cochichos da menina ou através dos cortes subjetivos da câmera- e o motivo seria a censura. Tudo porque na época em que “Lolita” foi filmado, a sociedade estava impregnada por  valores morais muito fortes. Se este assunto era delicado para o final dos anos 60, imagine-se quando Lolita foi escrito. O livro foi considerado pornográfico e o autor encontrou dificuldade para publicá-lo. Para evitar o mesmo destino, Kubrick encontrou outras saídas que, para quem não leu o livro, não prejudicassem o entendimento do filme.

Outra diferença na adaptação foi a omissão do narrador, pois no livro este é um papel fundamental, uma vez que o leitor é duvida da sinceridade de Humbert, enquanto que, no filme, o espectador é “levado pela mão”, quase sem chances de desconfiar de sua integridade. E os quatro momentos em que aparece voz over são de caráter informativo, como explicar para onde estavam indo após um corte temporal feito pela câmera, ou dizer que o casamento com Charlotte aconteceu, sem precisar mostrá-lo,  e isto prejudica o brilho da obra, porque a história deixa de parecer a versão de Humbert e se torna uma realidade quase incontestável sob o ponto de vista do espectador.

Apesar disso, a obra cinematográfica tenta uma aproximação ao enredo original quando Stanley Kubrick opta por uma narrativa circular. Assim como no livro, sabe-se o final do filme a partir das cenas iniciais. Isso introduziu um novo olhar para Humbert, o de assassino. Desta vez sabe-se o nome da vítima do crime, Clare Quilty, mas não o motivo. Esta inversão do enredoo é o mote do filme, cuja construção foi feita para que seja descoberto o motivo do crime.

O personagem Quilty ganhou destaque e passou a ser a voz dissonante na narrativa, dando vida ao filme. Assim como em William Wilson, de Edgar Allan Poe, ele pode ser Humbert Humbert, quando analisado pela psicanálise.

O brilho do filme está no fato de que não é possível suprimir os outros personagens, como Charlotte e Lolita, pois elas aparecem de “carne e osso” na tela e falam, mantendo as personalidades descritas no romance pelo escritor. Também foram reproduzidos muito dos diálogos, mas em razão do tempo fílmico e da pouca importância na história original, alguns personagens foram retirados, sem comprometer o entendimento. Com exceção de Lolita, que teve que ser mais velha por causa da censura, a caracterização dos personagens foi fiel ao livro.

A música tem um papel interessante, pois marca o ritmo daquela sociedade que vivia com poucas mudanças estruturais em seu dia a dia. A mesma trilha se repete ao longo do filme inteiro, assim como o comportamento das personagens. Ela só muda quando há mudança de curso. A fotografia e a luminosidade auxiliam para a construção do clima, com predominância de luzes “chapadas”, como se fosse para o espectador se concentrar na atuação, principalmente na cena do assassinato de Quilty. Nota-se que ela é expressionista pelo desempenho do ator e não pela luz, como era comum neste tipo de vanguarda cinematográfica.

Os movimentos de câmera vão por esse mesmo caminho, mas com algumas particularidades quando, por exemplo, mostram os olhares dos personagens, como as cenas de “voyeur” de Humbert, chamada de câmera subjetiva.  Os enquadramentos facilitaram a interpretação da ocorrência das relações sexuais e a enganar o moralismo do público.

Além disso, o diretor mostra, por meio de travellings e longos planos-sequência, casas, cômodos, objetos, roupas e penteados, festas e comportamento dos personagens desta sociedade ritmada de forma um tanto humorística.  O humor está presente em diversas cenas, como a armação do catre no quarto do hotel, a fala acelerada de Quilty e a repetição da palavra “normal”, quando este encontra Humbert pela primeira vez após a fuga de Ramsdale, e as piadas eróticas de duplo sentido, como as brincadeiras de Lolita no acampamento.

O que importa ressaltar é que Lolita, de Vladimir Nabokov, teve tanto impacto que, mesmo quem não sabe do que trata a obra conhece o significado da palavra ninfeta e do próprio nome da garota. É um clássico da literatura que deve ser lido ou ao menos assistido para ver o brilhantismo dessas duas figuras: Stanley Kubrick, no cinema, e Nabokov, na literatura.

Veja o trailer do filme de Stanley Kubrick

*Este foi um texto que fiz para o trabalho para a Cásper Líbero (Língua Portuguesa)