Tira gosto


Em breve irei publicar dois textos que fiz para a faculdade que ficaram geniais, na minha opinião. Um escrito junto com a Bruna Marques, intitulado “o suspense no chuveiro de Hitchcock” no qual a gente analisa juntas a cena do chuveiro em Psicose. O outro também feito com Bruna Marques e Mayara Picoli: uma análise do filme de Dogville sob o ponto de vista de Brecht.

Olha…adorei o resultado..em breve aqui =)

Anúncios

Intervalo


Dez dias sem nenhuma atualização por aqui…Calma! Não é sinal de abandono! Fase doida de final de bimestre ainda mais para quem deixou a maioria das coisas para fazer de última hora! Eu esqueci que não posso largar mão até meio de novembro…ai..fôlego e garra para dar conta..espero não ter um pire-paque e sobreviver até o dia 24/9…torça por mim.

Despedida


Confesso que é difícil dizer “tchau”. Não aquele tchau que você diz quando sabe que vai ver a pessoa no dia seguinte, mas aquele que você sente que é mais prolongado. Não chega a ser um “adeus”. Ok, pode ser um “adeus” à aquela rotina.

Se não fosse por ela, eu não teria arranjado um emprego. Aliás, indo mais para o passado, foi com ela que aprendi a ser nerd e entender que não preciso dar satisfação a ninguém. Posso rir alto, gostar de coisas fúteis e ao mesmo tempo apreciar cineastas renomados. Não preciso ter vergonha de assumir quem sou. Aprendi tudo isso com ela.  A garota sem papas na língua que sempre foi sincera: na amizade e nas broncas.

Nutrimos coisas iguais: profissão e paixão pela dança do ventre. Gostos musicais ora se juntam, ora se distanciam. Filmes, eu aprendo muito com ela. Livros, compartilhamos ideias e divergimos em alguns gêneros.  Mas não brigamos por isso.

Depois de um ano trabalhando juntas, ela se foi. Para outro lugar. Um lugar que ela gosta, disso eu tenho certeza. A despedida foi uma mistura de tristeza por não vê-la mais todo dia, mas alegria por saber que ela vai seguir firme no que gosta. Só posso desejar felicidades e sucesso e nem preciso ficar muito triste, porque a amizade continua. Demorei para escrever aqui porque não achava palavras dignas, mas como ela mesmo me lembrou que posso ser quem eu sou, saiu isso. (risos)

#5 No transporte público


Estreia do Brasil na Copa do Mundo 2010

Antes tarde do que nunca!

Queria muito dedicar um episódio do Transporte público a respeito da Copa ontem mesmo, mas como no trabalho foi aquela correria, teve que ficar para hoje.

O jogo do Brasil

Pela manhã ela saiu no mesmo horário de casa para ir ao trabalho. Na rua, movimento intenso e cheio de verde-amarelo. Camisetas, bandeiras, luvas, boinas e tudo mais que a criatividade permitisse colocar a bandeira do brasil como estampa.

No metrô, uma surpresa: muito mais cheio que o normal.  Fila para passar pela catraca. Uma olhada rápida aos funcionários também provou que o transporte público estava em clima de festa.

A plataforma parecia um formigueiro.  Mistura de cores, sexos, idade, mas todos com um só pensamento: chegar mais cedo ao trabalho para poder ir embora antes do jogo ou assistir com os colegas de trabalho. E as conversas não poderiam deixar de serem as mesmas:

– Meu chefe liberou. Vou pra casa uma hora antes do jogo e nem vou ter que compensar horas – disse um.
– Sorte a sua. O meu me obrigou a ver no trabalho e ainda compensar as horas do jogo. Vê se pode? – resmunga outro
– Pelo menos vocês podem assistir, eu vou ver na surdina. Entrar naqueles sites lá ao vivo e acompanhar pelo fone de ouvido – fala um terceiro
– Duvido você não gritar gol – desafia o primeiro
– Eu vou dar o meu jeito – responde o terceiro.
– Você acha que vai ser quanto? – interfere um quarto
– 3X0, certeza. – responde o quinto
– Eu acho que fica 2X0 – fala o sexto
– 3×0 se o Dunga não colocar o Kaka, ele tá zoado – fala o primeiro
– ah, o Kaka tem que jogar. Ele é lindo – fala uma primeira mulher

Estação Sé – desembarque pelo lado esquerdo do trem

– Se beleza fosse sinal de jogo bom, o Robinho tava ferrado – ri o segundo.

Ela chega ao trabalho acompanhada pela trilha sonora de vuvuzelas. Não sabe o que é uma vuvuzela? Antes você chamava ela de corneta, certeza. Lembrou, né?
Ela se concentra no trabalho e o dia vôa. Hora do jogo. Tensão, salgadinho, refrigerante e colegas de trabalho.
Tudo junto ali, misturado em frente à tv.
Apita o jogo. As vuvuzelas do bairro param de tocar. Silêncio.
Risada logo de cara: uma baita faixa de “Cala boca Galvão” em plena rede globo. Mas, não demorou dois minutos e a faixa sumiu.

Primeiro tempo: triste. Nenhum gol.
A vontade de comemorar estava entalada.
Intervalo: olhada rápida para o computador. Ela conclui uma tarefa simples.
Segundo tempo: tenso. Mas Maicon aliviou: GOL! O grito veio e o sorriso também. Nem tiveram fôlego para “vuvuzelar”, era mais divertido gritar GOL
Saldo final: 2×1. Ganhamos, mas como todo brasileiro, ela esperava goleada.
Fim do jogo, de volta ao trabalho.
Concentração, próximo jogo só semana que vem.
Ela vai para a faculdade. Ruas vazias…sem trânsito às 18hs.
No ônibus os técnicos de plantão dão a sua opiniao:

– O Dunga tinha que ter tirado o Kaka antes e colocado o Grafite – fala o cobrador
– Pode crer. E por que tirou o Elano logo que ele fez gol? Devia ter deixado mais tempo. – fala o transeunte.

Na faculdade, quase sem comentários sobre o jogo. Semana de provas e trabalho, dá nisso.
Mas nada impede que na semana que vem, tudo se repita.

Veja + da série
#4 No transporte público – amor entre amigas
#3 No transporte público – cidadão e funcionário
#2 No transporte público – mulheres e futebol
#1 No transporte público – o riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

E você? Assistiu à Copa onde? Comente!

Radionovela


Fazer faculdade tem as suas vantagens. Na hora de fazer trabalho em grupo, as risadas são quase garantidas. Ainda mais quando nenhum integrante é ator e resolve, mesmo assim, fazer uma radionovela. É deste trabalho que venho falar.

Para a disciplina de Produção de Rádio, devíamos criar um programa: jornalístico, musical, radionovela..enfim… o que a nossa criatividade permitisse. Baseada no texto que escrevi em 29 de abril, Choro de mãe – que por si só já é baseado em fatos reais-, resolvemos fazer uma radionovela.

Como era uma adaptação, escrever o roteiro foi mais simples. Numa noite de terça-feira, na mesa da cantina, eu,  Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos e Mayara Picoli, sentamos e escrevemos o roteiro. Marcamos a gravação e fomos à caça dos sons que comporiam nosso trabalho. Resolvemos encarar nós mesmos os papeis de atores para aumentar a diversão.

Chegado o dia de gravar…altas risadas. Na hora que era para chorar, eu ri. Na hora de falar, o Caio se perdeu e a Mayara deu um show com um sotaque tirado não sei de onde. A Ana fez dois papeis graças a sua capacidade de emitir sons diferentes quando ela fala, sim ela é uma dubladora. E a Bruna como sempre atenciosa e porque ela acha que tem a voz fina, foi a criança da radionovela.

Contamos com a ajuda do Robertinho, que trabalha lá na Cásper. Ele deu uma super força na hora da gravação, mas não deixou de rir com as nossas presepadas.

Ouça pelo Uol Mais aqui

#4 No transporte público


Amor entre amigas

Duas amigas voltam de metrô da faculdade depois de uma longa semana de trabalho e estudos. Sexta-feira, 23h. Descem da estação do metrô e resolvem embarcar na segunda lotação para poderem ir sentadas durante a viagem.

Infelizmente, só conseguiram sentar em corredores diferentes, mas lado a lado. A conversa gira em torno do que fizeram durante a semana. De repente, duas meninas embarcam.

A loira passa o bilhete na catraca tranquilamente, enquanto que a morena de cabelos curtos passa o bilhete e diz:

– Ai, amiga…tô zerada.

O comentário foi tão alto que todos perceberam e entenderam que quem estava zerado era o bilhete e não a menina.

– Ué, tenta ae a integração, oras – respondeu a loira

– Tá liberado, pode passar – interveio o cobrador

A morena hesita, não sabe se vai ou se fica, até que a catraca apita e ela passa. Curiosamente, as duas param entre as duas amigas que estavam sentadas de modo que a conversa foi cortada.

Se bem que vale ressaltar que as amigas já estavam rindo do comentário da morena. E para piorar:

– Ai, amiga….eu amo você – disse a morena

Silêncio na lotação. Eu tento olhar para a minha amiga, mas só percebo que ela está sentada com a cara escondida entre os cabelos. Pela movimentação dos ombros, vejo que ela também estava rindo. Com um sorriso a la “gato do Alice no País das Maravilhas”, tive que imitá-la.

O ataque de riso veio de uma forma incontrolável naqueles poucos segundos em que a loira demorou para responder.

– Ah, eu também amiga.

A conversa entre a loira e a morena seguiu, mas eu estava mais concentrada em disfarçar a minha risada. A lotação para no ponto e as duas descem. No mesmo momento, olho para a minha amiga e as duas caem na risada.

– Você ouviu? – pergunta ela

– Sim. – respondi

– Tudo? Até a parte “eu amo você”?

– Sim.

Risos e mais risos

– Isso vai pro blog, com certeza – falei

E aqui está este momento hilário que, nas palavras da minha amiga, foi uma ótima maneira de encerrar a semana.

E você? Tem histórias engraçadas no transporte público? Mande pra mim.

Veja os outros capítulos

#3 No transporte público – Cidadão e Funcionário
#2 No transporte público – Mulheres e Futebol
#1 No transporte público – O riso é o melhor remédio contra o mau humor
No transporte público – como tudo começou

O hábitus de cada dia


Este post eu destino ao trabalho de comunicação comparada a respeito do hábitus. Você sabe o que é isso?

Hábitus é o princípio estruturador e gerador de práticas, gosto, ações e percepções adquiridos ao longo da sua trajetória social. Em outras palavras, é o princípio que te faz agir do jeito que você age. É uma ação tão profunda que se torna inconsciente e você chega ao hábitus a partir de um longo processo de aprendizagem. Confuso? Simples, basta pensar em andar de bicicleta. Não se lembra como foi difícil aprender? Então pense em quando você aprendeu a dirigire em como você dirige agora. Parece tudo simples, certo? Mas não é bem assim.

Basta lembrar de todas as coisas que você faz sem pensar e todos os conceitos que você incorporou. Tudo é culpa do hábitus. Se dá para mudá-lo? Dá sim, mas imagine mudar uma coisa que é tão enraizada em você? É um grande desafio.

Somos bombardeados com informação e constantamente vamos reformulando nosso hábitus, isso se dá de forma automática porque somos domestificados, mas tem certas coisas que “não descem”, sabe? Imagine a seguinte situação: Você aos 20 anos sabe, provavelmente, mexer em um computador e acessar um blog – senão não estaria lendo isso aqui -, mas a minha mãe, por exemplo, tem quase 50 anos e só agora ela está aprendendo a mexer no computador. Ela tem bastante dificuldade em assimilar as coisas, enquanto que para mim é tudo muito simples. Isso acontece porque meu hábitus se rearranja o tempo inteiro enquanto que o dela está há muito tempo enrraigado. Mas, caros leitores, para ela não ficar mal, vamos inverter a situação: você acha que eu entendo tão bem de cozinha? Nem de longe. Ela com certeza sabe muito mais. Por que? Porque cozinhar não está incorporado no meu hábitus. Com o meu blog eu estou tentando incorporar ao hábitus: atualizá-lo sempre, no mínimo uma vez por semana…

Ó céus! Chega de divagar! Vamos ao trabalho. Baseado nas aulas e nesse viagem ae encima, meu grupo: Ana Luisa, Bruna Marques, Caio Ramos, eu e Mayara Picoli brincamos com duas gerações para tentar desmistificar a confusão que acabei de fazer a respeito do hábitus. A história é a seguinte: a neta pede que a avó a leve na casa da amiga.  Se interessou? Então clique aqui e ouça.

#1 No transporte público


O riso é o melhor remédio contra o mau humor

No meio do vagão, tinha uma moça que me fez rir

O mais desesperador não é ouvir o despertador te acordar no momento em que você acaba de pregar os olhos, mas sim abrir a janela e ver que chove. Chuva pode significar muitas coisas, mas em São Paulo a melhor palavra que define a situação é o caos. O caos te traz o trânsito infernal e o metrô lotado, que prova que dois corpos ocupam sim o mesmo espaço. Pois bem, naquele dia foi bem assim.

Mas como estou acostumada com a odisséia do metrô, tomei aquele banho relaxante, me agasalhei neste frio de 16ºC e tive a sorte de a mamãe estar em casa e me deixar no metrô. Chegando na estação, já veio o primeiro índice: a fila para passar na catraca estava muito grande e quando você começa a questionar o motivo,  a voz do além, vide voz do funcionário que ecoa por toda a estação, informa: “Estamos restringindo a entrada na plataforma devido à chuva e acúmulo de usuários.”

Ao contrário da multidão a minha volta, respirei fundo e pensei “Não se estresse que não vale a pena”. Com este pensamento, cheguei na plataforma e fui jogada para dentro do vagão. No meio do amasso, o mau humor começou a querer aparecer…e foi então que a vi e ouvi a menos de 10 cm do meu ouvido, uma moça morena e um pouco mais alta do que eu estava com a bolsa na minha cara conversando com uma loira, menor do que eu, que foi socada atrás de mim.

As duas eram amigas e logo deu para perceber que a morena chamava Vanessa e a loira, Tati. E por causa do aperto do vagão, uma ficou de costas para a outra, mas a comunicação entre elas se deu mesmo assim, até mesmo comigo ali no meio. Geralmente eu me irrito com as conversas, mas dessa vez eu não me contive e ri na cara delas rs

Reprodução do diálogo

Tati: Tá tão cheio hoje que nem consigo mexer os meus braços…
Vanessa: Ai, amiga. Pensa assim: Você nem precisa segurar. Não vai cair, o povo segura. E eu to aqui de boa, tão apertada que em sinto sentada.

Freada brusca

Vanessa: Ixi….acho que quebrei as minhas pernas. Ui…ainda bem que a moça ta com as costas escoradas na minha, dá até pra alongar.
Tati: Ai, vou chegar atrasada de novo.
Vanessa: Mas que horas são? Não consigo ver o meu pulso.
Moça X: São 8h30
Vanessa: O, moça, brigada. Adoro esse povo do metrô, povo unido nos corpos e na solidariedade.
Tati: é, espera chegar o brás.
Vanessa: Ai a gente grita: Socorro….

silêncio

Vanessa: mas de que adianta gritar socorro se ninguém vai ouvir?
Tati: Pois é.
Vanessa: Vamos gritar todos juntos.

Estação Brás, transferência gratuita para as linhas da CPTM. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Ui, Jesus!!
Tati: Ai, socorro
Uma multidão entra gritando e aperta ainda mais as duas moças.
Vanessa: Gente, vamos todo mundo empurrar pra trás, tipo uma barreira…
Tai: Tarde demais…já até fechou as portas. Que calor, meu deus.
Vanessa: Pensa assim, ó. Parou de chover o povão deixou as janelas abertas.

Brecada brusca

Vanessa: Tá tão lotado que nem me mexo, eu desafio o maquinista me fazer cair. Pode brecar que eu não caio… o povo não deixa.

Brecada brusca

Vanessa: Tome, maquinista  ruinzinho! eu to aqui inteirinha hahaha
Tati: Ai, Vanessa…só você mesmo.
Vanessa: ué, tati. Rir é o melhor remédio pro mau humor. Pode rir moça (se referindo a mim que já tava roxa de tanto rir). Assim eu já chego bem no trabalho. Pra que estressar? Vou chegar bem e fazer o meu trabalho é isso que importa.

Estação Sé, transferência gratuita para a linha 1 azul. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.

Vanessa: Hora de ser lançada pra fora. Tchau, amiga. Bom dia pra você e você (eu). Que o seu dia seja mais iluminado que hoje porque voltou a chover.

E não é que a Vanessa tinha razão? Ri tanto que cheguei bem humorada no trabalho e o meu dia rendeu muito. Queria encontrar ela de novo…com certeza iria rir muito.

E você? Já encontrou alguém assim no meio da muvuca?

O clube de Nietzsche


Lendo o post de Camila Fink a respeito do filme “O Segredo de teus olhos” me deparei com uma citação de Nietzsche e logo lembrei que em 2009 fiz em grupo um trabalho de comparação entre o filme “Clube da Luta” (1999) e o pensamento nietzscheano. E hoje, uma das componentes do grupo me pede para reenviar o trabalho. Aí pensei: “ah, vou colocar no blog também”.Então, segue abaixo o trabalho escrito por: Bruna Marques, Bruno Ravagnani, Livia Di Bartolomeo e Mayara Picoli Rafael. Se você não gosta de spoilers, pare de ler agora.

Lavar o consumismo da sociedade de massa

A primeira vista “Clube da Luta” (Fight Club, 1999, EUA) do diretor David Fincher parece ser mais um filme superficial no qual o grande foco são as lutas para todos os lados, para a alegria dos rapazes, e a figura do Brad Pitt, para a felicidade feminina. Entretanto, uma olhada rápida na sinopse instiga as possíveis mensagens implícitas já na capa do dvd cuja imagem mostra um sabonete e o nome do filme.

Esta é a história de Jack (Edward Norton), um investigador de seguros de uma grande empresa automobilística. E logo no início do filme encontramos esse personagem redecorando a casa a partir de catálogos de móveis. E o que poderia ser algo fútil se torna interessante na medida em que ele reflete sobre o ato viciado de preencher os espaços vazios de sua casa. Jack se vê apenas como mais um escravo do consumismo que comprava tudo o que achava interessante sem saber o motivo, seguindo sempre mais um valor estabelecido pela sociedade. E para melhorar a nossa perspectiva, o personagem sofre de insônia.

Com o diálogo “…quando se tem insônia você nem dorme nem fica acordado direito.1”, Nietzsche remete este mesmo comportamento aos cristãos porque, para ele, os fiéis estão em um constante estado dormente de rebanho já que não vivem a vida plenamente por idealizarem um além-túmulo – vida após a morte-, ou seja, vivem de modo passivo sem seguir seus instintos e vontades, como são os cordeiros de um rebanho.

Esta moral de rebanho, submissão de modo irrefletido aos valores dominantes da civilização e da burguesia, é criticada por Nietzsche. A ação de Jack ao comprar todo o catálogo reflete o pensamento nietzschiano de que não somos seres humanos livres. Assim, o filósofo desenvolve o seu conceito de niilismo como uma não-crença em nenhuma verdade, moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos. A recusa, ou “reveja os seus valores e ouse ser você mesmo” é mais tarde retratada no filme a partir do personagem Tyler Durdern (Brad Pitt).

Quando Jack busca o médico para tratar sua insônia, é aconselhado a frequentar grupos religiosos de apoio às pessoas com câncer para que ele entenda o que é sofrimento de verdade. Deste modo, fica evidente que a sociedade está impregnada com o valor cristão de que a igreja é a única que acolhe os fracos e desesperados.

Em um desses grupos Jack conhece Bob, um portador de câncer nos testículos que devido ao tratamento desenvolveu mamas, de forma a parecer seios femininos e, ao descrever Bob, diz: “…entre aquelas enormes tetas suadas, enormes, tão grandes quantos Deus (…)”2, como uma metáfora do tamanho do poder de Deus e da Sua influência na sociedade cristã.

No filme, há dois personagens muito importantes, Marla (Helena Bonham Carter) e Tyler. Comecemos com Marla. Para o grupo esse personagem remeteria ao mito da caverna de Platão, pois ela entra na caverna das ilusões (grupos de apoio) e resgata Jack à sua realidade. Graças a ela, Jack deixa de se enganar e não acha mais conforto dentro dos grupos. Neste momento ele conhece Tyler, outro ponto em que a filosofia de Nietzsche aparece na tela.

Com Tyler, Jack é apresentado a uma nova forma de ver a vida, pois segundo o personagem a autodestruição é o que faz realmente a vida valer a pena e o homem não deve aceitar simplesmente o que lhe é dito e imposto. Esta é uma visão como o niilismo de Nietzsche, pois “um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva”3.

O fato de o personagem possuir uma empresa de sabonetes dá margem à interpretação de que ele veio para limpar Jack da sujeira da submissão. Esta limpeza é perceptível quando ele muda o seu comportamento conforme fica mais íntimo de Tyler.
Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escrito em 1872, apresenta duas tendências básicas humanas de comportamento que entram em conflito: a tendência apolínea e a dionisíaca. A primeira é aquela que leva o homem a ter um desejo de ordem em sua vida, onde tudo possa ser o mais cristalino e claro possível e, segundo Nietzsche, esse comportamento era representado por Apolo, o Deus Sol, Deus da verdade, da moderação e da individualidade, do lazer, do repouso, da emoção estética e do prazer intelectual.

A outra tendência é a dionisíaca, que levava o homem a atos irracionais e selvagens. Nietzsche afirmava que esse comportamento era representado por Dionísio, Deus do vinho, das festas, dos bacanais.  Em outro livro, Ecce Home, Nietzsche afirma que “a realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de formas” e é exatamente a partir deste excerto que surge o clube da luta.

Jack, que sempre fora uma pessoa pacata e que seguia os valores estabelecidos pela sociedade, passa a se tornar uma pessoa que vê na violência e na selvageria uma forma de crescimento pessoal. Então, quando Tyler aparece sabemos que isso acontece por causa da necessidade de Jack de ter maiores alegrias em sua vida banal e rotineira. Tyler o incentivará rumo a ultrapassagem dos limites do certo e do errado e o Clube da Luta era o local onde aqueles homens revelavam seus verdadeiros instintos de animal e assumiam a vontade do poder e da força, era o local onde eles podiam ser eles mesmos, sem máscaras e também uma briga espiritual, a revolta contra a depressão que é a vida cheia de leis morais impostas aos homens.

As brigas podem ser vistas como uma forma de extravasar os instintos aprisionados pela moral burguesa, como se apanhar e bater transformasse Jack em indivíduo novamente, só que desta vez um ser humano livre. Mas, apesar de possuir características niilistas, Jack também cumpre regras, pois no Clube da Luta elas existem e são rigorosas e devem ser seguidas por todos, em quaisquer circunstâncias.

Outro momento que Jack segue e se vê vítima das regras, é quando ele inicia o Projeto Caos (para Nietzsche, os instintos humanos são o próprio caos), no qual os participantes estão proibidos de comentar com qualquer pessoa que não faça parte do projeto e, levado às ultimas consequências, Jack é quase castrado, já que essa era a regra para alguém que denunciasse a polícia sobre o Projeto, que tomou tamanha proporção que até mesmo os policiais faziam parte dele.

Ao tentar se desvencilhar deste novo rebanho, Jack percebe que Tyler não existe de verdade, mas só dentro da sua mente, o personagem de Brad Pitt é o alterego de Jack, porque ele exterioriza todos os sentimentos que estavam adormecidos. Na sociedade moderna o homem busca constantemente objetos que o definam como indivíduo, como o caso de Jack ao comprar móveis nas primeiras cenas do filme.

Esta busca reforça que o consumo é um modo de libertação, ou seja, com o capitalismo é possível gozar de felicidade por meio da compra. No filme, Jack não alcançou o gozo pelo catálogo, mas sim por meio do seu alterego. O problema está no fato de que assim como o consumidor fica preso aos produtos, o personagem se vê preso à Tyler, como um vício já que ele realiza todos os seus desejos sem frustrações.É como o cristianismo para Nietzsche, um vício do qual as pessoas não se livram. Entretanto, Jack assume uma postura nietzschiana e ousa a ser a si mesmo, matando seu alterego, dando um tiro em si mesmo, tornando-se livre.

Veja o trailer do filme

1Fala do personagem Jack. Retirado do filme “Clube da Luta”, 1999
2 idem
3 Retirado de http://ateus.net/wiki/index.php?title=Niilismo. Acessado em 15 de setembro de 2009.

 

Texto publicado no site da Cásper Líbero.

Gravando!


Trabalhar no Ikwa me exige uma atividade que eu, particularmente, gosto muito: fazer reportagens em vídeo. Para mim, cada matéria é um novo desafio que me entrego de corpo e alma porque eu aprendo muito com os entrevistados e comigo mesma. A cada gravação sinto que vou dando mais um passo e ao ver a matéria no ar, sinto que estou evoluindo. E dentro disso, tem vezes que um vídeo se destaca.

E esta semana foi ao ar uma matéria que com certeza vou guardar no coração pra vida inteira. “Duas carreiras ao mesmo tempo” foi muito especial para mim nem tanto pelo assunto, mas como a equipe resolveu abordar o tema. Ela fala de pessoas que têm dois empregos e mostra como eles lidam com a rotina puxada. E eu senti na pele o que é se dividir em duas para dar conta do trabalho.

Thumb da matéria que foi ao ar hoje, 03 de março de 2010

A ideia da duplicação não foi minha, mas veio num momento muito especial. Foi muito trabalhoso gravar, regravar, trocar e destrocar de roupa, decorar texto e ainda pedir que o Ikwa inteiro ficasse sem falar alto pra gente conseguir gravar as intervenções na matéria. Mas confesso que a dor no corpo e o cansaço compensou o resultado final e me sinto orgulhosa. Só tenho a agradecer por ter participado de algo tão legal.

Espero de coração que a gente tenha mais ideias criativas assim porque além de ter aprendido muito, a diversão foi garantida. Sei que este texto tá muito meloso, mas quero deixar claro que não foi encomendado, foi só a consequência de um trabalho bem feito: satisfação.

A alegria vem junto com o sentimento de: “será que o público vai gostar?”Eu espero que sim. Se você ficou curioso para ver a matéria, acesse aqui e não deixem de comentar, aqui ou lá, o que acharam.

Para ver todas as inserções, inclusive as que não foram para a matéria, veja o vídeo abaixo.  Participação do Newman me ajudando nas falas! Valeu,  Minhoca